Parece que temos mais versão de uma das personagens mais conhecidas da DC Comics. Vai afastar-se da versão criada por Zack Snyder e criar a sua própria continuidade. Desta vez, o responsável por esta versão foi Matt Reeves, que nos trouxe os últimos dois “Planeta dos Macacos”, e Robert Pattinson, o protagonista desta vez.
Quando um assassino em série chamado Riddler começa a matar políticos influentes na cidade de Gotham, Batman vê-se obrigado a mergulhar na rede de corrupção que envolve toda a cidade, que chega mesmo a relacionar a família Wayne.
A sério, isto agora é uma competição para ver quem consegue trazer o filme mais escuro desta personagem? Não tiveram dinheiro para ligar as luzes? É que o filme é incrivelmente escuro. Eu entendo a escolha estilística para o fazer. Reeves quis criar um ambiente de um filme noir, onde o principal é a vertente detetive da personagem, que habita numa cidade cheia de corrupção e desgraças e onde está sempre a chover. Mas, por favor, paguem a conta da luz para se conseguir distinguir a incrível fotografia que o cinematógrafo Greig Fraser nos quer mostrar.
Este filme segue também a nobre tradição de críticas em relação à escolha de ator para o papel principal, tendo sido assim desde Michael Keaton até agora com Robert Pattinson. Porque as pessoas ficaram com a ideia que o ator não evoluiu desde “Twilight” e claramente não viram mais nenhum filme dele, porque senão todas as dúvidas que não é um grande ator já teriam sido dissipadas. Mas, mesmo assim, será que consegue trazer esta icónica personagem ao grande ecrã? Sim, porque ele está muito bem enquadrado no desenvolvimento da personagem, já que este é um Batman que ainda está no início da sua jornada como vigilante. E, embora quando mascarado, o ator faz um trabalho muito convincente, já como Bruce Wayne acho que a coisa podia ter corrido melhor, é verdade que ele quase não aparece (o que para mim também é uma falha), mas quando está parece um miúdo rico que está a passar pela fase gótica.
O restante elenco é impecável. Paul Dano traz-nos uma versão bastante diferente do Riddler de Jim Carrey, que é muito mais apropriada a este tipo de filme, e que mostra o quão implacável este vilão pode ser. Também temos um Colin Farrell praticamente irreconhecível como o Pinguim, que tem um bom desempenho mas que dá a sensação que vai ser mais utilizado em futuros filmes/séries. Também temos uma nova Catwoman, interpretada por Zoë Kravitz, com uma interpretação mais séria da personagem e que para mim fica no meio entre as versões de Michelle Pfeiffer e a de Anne Hathaway. Andy Serkis a fazer de Alfred também foi uma escolha de casting inspirada.
Em tantas versões desta personagem que já apareceram no grande ecrã, é incrível que só tenhamos uma aventura que se foque mais na sua vertente como detetive. Porque Reeves conseguiu entregar aqui um grande filme, nem que seja no sentido literal da palavra, já que desta vez a duração é de praticamente 3 horas, o que para mim também já começa a entrar no campo do exagero. Mas, o melhor do filme, é conseguir criar todo um ambiente que nos envolve e que tem uma fotografia impressionante.
Não é o melhor filme do cavaleiro das trevas que já vi mas é um grande início, que me deixa muito esperançoso para as futuras sequelas.
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14/06/2022
The Batman (2022)
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31/05/2022
Top Gun - Maverick (2022)
Se há alguma sequela que não estava à espera, é a de “Top Gun”. Já se passou tanto tempo que já não estava a contar que se concretizasse. E, mesmo para este ser lançado, foi o cabo dos trabalhos já que era para ser lançado em 2020 (mas já sabemos todos o que aconteceu…), o que obrigou a sucessivos adiamentos. Agora e, finalmente, vamos ter o filme.
Há mais de trinta anos que Pete Mitchell está ao serviço da Marinha como piloto de testes. Mas agora é chamado para uma última missão: ser instrutor dos melhores formados pela Escola de Armas de Caças da Marinha que vão embarcar numa missão secreta. Entre eles está Bradley Bradshaw, o filho do antigo asa de Mitchell, que morreu durante um voo.
Bem, se há filme que merece ser visto no cinema, é este! Logo desde o início do filme, onde temos o deslocar de um avião supersónico, até todas as cenas que envolvem treinos, ou batalhas de aviões, é algo tem de ser vivenciado em todo o seu esplendor numa sala de cinema, principalmente se for em IMAX. Tom Cruise pode ter muitos defeitos mas ninguém pode dizer que não dá o corpo ao manifesto, com o seu empenho em tentar tornar toda a experiência o mais real possível.
Outra coisa de louvar é a simplicidade da história. O filme poderia facilmente ter encontrado um modo demasiado complicado para voltarmos a estas personagens mas não o faz. Apenas há uma missão para fazer e, até lá, é treinar para a conseguir fazer. Não que, mesmo assim, não haja várias referências ao original, aliás vários elementos da história vêm diretamente daí, mas nunca nada de muito intrusivo.
Em relação às personagens, tenho alguns sentimentos contraditórios. Em relação aos elementos novos, nada contra, gosto deles todos, principalmente de Miles Teller, que volta a mostrar que é um ator a ter em consideração. Mas o Maverick de Tom Cruise não sofreu uma evolução em relação a 30 anos passados... Se, no final do outro filme, ele aprende que tem de trabalhar em equipa para funcionar num esquadrão, não parece que a lição tenha permanecido na sua cabeça durante muito tempo, já que nos é dito que ele nunca mudou. E, se antes, tínhamos a Marinha a tentar transformar Maverick em mais um elemento do grupo e não a fazer tudo sozinho, aqui é ao contrário, ao transformar cadetes treinados no método “irresponsável” dele. Apenas não gostei da progressão, ou falta dela, da personagem, nada contra a prestação do ator.
“Top Gun - Maverick” é um filme que não se deve perder e, para o vivenciar da melhor maneira, terá de ser visto numa boa sala de cinema.
Há mais de trinta anos que Pete Mitchell está ao serviço da Marinha como piloto de testes. Mas agora é chamado para uma última missão: ser instrutor dos melhores formados pela Escola de Armas de Caças da Marinha que vão embarcar numa missão secreta. Entre eles está Bradley Bradshaw, o filho do antigo asa de Mitchell, que morreu durante um voo.
Bem, se há filme que merece ser visto no cinema, é este! Logo desde o início do filme, onde temos o deslocar de um avião supersónico, até todas as cenas que envolvem treinos, ou batalhas de aviões, é algo tem de ser vivenciado em todo o seu esplendor numa sala de cinema, principalmente se for em IMAX. Tom Cruise pode ter muitos defeitos mas ninguém pode dizer que não dá o corpo ao manifesto, com o seu empenho em tentar tornar toda a experiência o mais real possível.
Outra coisa de louvar é a simplicidade da história. O filme poderia facilmente ter encontrado um modo demasiado complicado para voltarmos a estas personagens mas não o faz. Apenas há uma missão para fazer e, até lá, é treinar para a conseguir fazer. Não que, mesmo assim, não haja várias referências ao original, aliás vários elementos da história vêm diretamente daí, mas nunca nada de muito intrusivo.
Em relação às personagens, tenho alguns sentimentos contraditórios. Em relação aos elementos novos, nada contra, gosto deles todos, principalmente de Miles Teller, que volta a mostrar que é um ator a ter em consideração. Mas o Maverick de Tom Cruise não sofreu uma evolução em relação a 30 anos passados... Se, no final do outro filme, ele aprende que tem de trabalhar em equipa para funcionar num esquadrão, não parece que a lição tenha permanecido na sua cabeça durante muito tempo, já que nos é dito que ele nunca mudou. E, se antes, tínhamos a Marinha a tentar transformar Maverick em mais um elemento do grupo e não a fazer tudo sozinho, aqui é ao contrário, ao transformar cadetes treinados no método “irresponsável” dele. Apenas não gostei da progressão, ou falta dela, da personagem, nada contra a prestação do ator.
“Top Gun - Maverick” é um filme que não se deve perder e, para o vivenciar da melhor maneira, terá de ser visto numa boa sala de cinema.
08/03/2022
Casa Gucci (House of Gucci - 2021)
Sendo totalmente honesto, o meu único conhecimento, prévio a este filme, sobre a Gucci é que se trata de uma marca de roupa. Por isso, saber todo o drama que envolve este filme foi uma total surpresa. E uma coisa que há a salientar é que estamos perante o segundo filme que Ridley Scott lançou este ano, sendo que o primeiro, “Último Duelo”, saiu apenas umas semanas antes do que este.
Aqui vemos como Patrizia Reggiani, uma mulher humilde, se infiltrou no no seio da conhecida família da moda Gucci. E de como graças à sua ambição desmedida acabou por levar ao final desta dinastia.
Desde há uns anos para cá parece que filmes que duram uma hora e meia são cada vez mais raros, e que agora parece que o objetivo é chegar às duas horas e meia. Isto não tem necessariamente de ser uma coisa negativa por si só, mas não havendo algum “controlo” na duração, a edição do filme sofre e o realizador atira tudo o que lhe apetece para o ecrã. E “Casa Gucci” bem que merecia de uns cortes pelo meio, e depois consegue a incrível proeza de ter um final apressado.
Uma coisa que no mínimo este filme prova é que Lady Gaga sabe se facto atuar, e que a atenção que teve no lançamento de “Assim Nasce uma Estrela” não foi caso único. E tinha de ser mesmo assim, já que passamos praticamente todo o filme com ela, e se não tivesse uma boa interpretação ia ser uma desgraça.
Os outros elementos do elenco fazem um bom papel, mas o destaque tem que ir para Jared Leto, que faz do excêntrico Paolo Gucci. E tanto pode ser a melhor parte para muitos, como aquilo que estraga totalmente o filme para outros. Sinceramente, toda a interpretação pareceu muito extravagante no início, mas depois acho que aquilo que mais fez falta nisto tudo é não haver mais personagens como ele, para dar um pouco mais de vida a toda a ação.
“Casa Gucci” acaba por ser um filme biográfico que tem boas interpretações, mas que não se consegue destacar do resto.
Aqui vemos como Patrizia Reggiani, uma mulher humilde, se infiltrou no no seio da conhecida família da moda Gucci. E de como graças à sua ambição desmedida acabou por levar ao final desta dinastia.
Desde há uns anos para cá parece que filmes que duram uma hora e meia são cada vez mais raros, e que agora parece que o objetivo é chegar às duas horas e meia. Isto não tem necessariamente de ser uma coisa negativa por si só, mas não havendo algum “controlo” na duração, a edição do filme sofre e o realizador atira tudo o que lhe apetece para o ecrã. E “Casa Gucci” bem que merecia de uns cortes pelo meio, e depois consegue a incrível proeza de ter um final apressado.
Uma coisa que no mínimo este filme prova é que Lady Gaga sabe se facto atuar, e que a atenção que teve no lançamento de “Assim Nasce uma Estrela” não foi caso único. E tinha de ser mesmo assim, já que passamos praticamente todo o filme com ela, e se não tivesse uma boa interpretação ia ser uma desgraça.
Os outros elementos do elenco fazem um bom papel, mas o destaque tem que ir para Jared Leto, que faz do excêntrico Paolo Gucci. E tanto pode ser a melhor parte para muitos, como aquilo que estraga totalmente o filme para outros. Sinceramente, toda a interpretação pareceu muito extravagante no início, mas depois acho que aquilo que mais fez falta nisto tudo é não haver mais personagens como ele, para dar um pouco mais de vida a toda a ação.
“Casa Gucci” acaba por ser um filme biográfico que tem boas interpretações, mas que não se consegue destacar do resto.
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21/02/2022
Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas (Nightmare Alley - 2022)
Para mim um novo filme de Guillermo del Toro é sempre uma boa experiência, mesmo que o filme não seja impecável, está sempre a transbordar de personalidade e visuais interessantes. E o realizador ganhou um Óscar com o seu último filme, por isso, vamos ver lá ver este.
Aqui seguimos o ambicioso Stanton Carlisle, que se junta a uma feira itinerante, e que através da sua maneira de enrolar as pessoas vai subindo cada vez na vida, até chegar a um ponto que o pode destruir.
O filme é longo e isso não passa despercebido. Não que seja algo incomum a del Toro, mas neste acho que se notou mais isso. Houve algumas situações em que o filme parecia que ia acabar (ou estar prestes a fazê-lo), quando na verdade ainda faltava um bom bocado.
Na verdade este trata-se de um remake de um filme de 1947, mas nunca o vi, e se há algum espaço de tempo para lançar um remake é de um filme dos anos 40. E o argumento é bastante interessante, embora seja possível desvendar o futuro do protagonista a dada altura. Mas, para nos fazer acreditar nesta história, temos um elenco de luxo, liderado por uma grande interpretação de Bradley Cooper. De um homem que tenta subir na escala social, mas sem nunca saber bem quando parar e o que poderia estar a causar. Outros destaques são Cate Blanchett, Toni Collette, Willem Dafoe, Rooney Mara, entre outros.
Outra coisa que geralmente podemos contar, com um filme deste realizador, é um grande design de produção. Todos os cenários parecem ter vida própria, principalmente nas cenas passadas na feira. Além de conseguir criar um ambiente tenso, onde não sabemos exatamente o que se vai passar, e se vai haver algum elemento sobrenatural envolvido. Também com um grande destaque para o departamento de guarda-roupa.
“Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas” não está entre os melhores filmes de del Toro, mas mesmo assim é um motivo mais que suficiente para ir ao cinema.
10/01/2022
Não Olhem Para Cima (Don't Look Up - 2021)
Os filmes de Adam McKay não são muito consensuais para mim. Tanto podem ser incríveis como “Filhos e Enteados”, como depois temos “Vice”, que não me conseguiu encher as medidas. Pelos trailers, “Não Olhem Para Cima” parece ser interessante e conta com um elenco recheado de caras conhecidas. Além disso, junta-se a vantagem da facilidade em o ver em tempos de pandemia, já que se trata de um filme Netflix.
Aqui temos a história de dois astrónomos que descobriram que um cometa irá entrar em colisão com Terra dentro de seis meses e provocar a sua destruição, e que tentam informar a humanidade disso.
Como não podia deixar de ser, o filme é uma sátira a uma data de coisas. Desde a política, às notícias e às constantes discussões que surgem quando temos os factos mesmo à nossa frente, passando também pelas grandes empresas tecnológicas. E, mesmo que o filme já tenha sido planeado antes do início da pandemia, é óbvio que dá para fazer paralelos entre o cometa do filme e a realidade pandémica, já que as reações apresentadas são as mesmas que temos visto nestes dois anos desde que isto começou.
O mais interessante foi mesmo a paródia política, onde vemos que os problemas, mesmo que incrivelmente urgentes e importantes, são deixados para resolver para quando for mais conveniente para a agenda política. E que, mal a situação já não lhes seja favorável, depressa mudam o discurso, mesmo que seja totalmente o oposto do que disseram anteriormente.
O modo como a discussão nas notícias é feita também foi interessante, sendo que faz uma caricatura tanto dos liberais, como dos republicanos, e onde os dois protagonistas caem no meio desta confusão sem saberem como lidar com esta loucura; onde apenas querem transmitir a ideia daquilo que está a vir, mas onde todos querem mudar o discurso para algo que lhes sirva os interesses.
Os grandes destaques são Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, que protagonizam os cientistas que descobriram o meteorito e que sofreram mais alterações ao longo do filme, à medida que eram cada vez mais usados, tanto na política, como nas notícias. Meryl Streep e Jonah Hill também são um ponto alto, e dos que tiram mais risadas ao longo do filme.
“Não Olhem Para Cima” pode não ser incrível mas é uma boa comédia para entrar no catálogo no serviço de streaming.
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08/11/2021
Eternals - Eternos (Eternals - 2021)
A Marvel entrega-nos mais um episódio da sua contínua novela, desta vez com algumas diferenças interessantes. Primeiro, porque há a tentativa de expandir o universo, com mais menções de Celestiais e entidades cósmicas, e depois porque é realizado pela atual vencedora do Óscar de melhor realizadora Chloé Zhao, algo inédito para a saga.
Os Eternos chegaram à Terra há cerca de 7000 anos, com o objetivo de exterminar os Deviants, seres predadores que andam a eliminar os humanos. Mas, depois de terem completado a sua missão inicial, os Eternos separam-se e passam a viver entre os humanos. Agora, nos dias de hoje, alguns Deviants voltaram a aparecer e a equipa tem de se voltar a reunir.
O melhor do filme é a maneira como expande todo o universo Marvel e tudo o que isso poderá implicar para os próximos filmes. E, ao contrário de outros filmes da saga, tenta criar uma maior sensação de grandeza, em que tudo o que vimos até agora é praticamente um grão de areia no grande esquema das coisas.
Em termos técnicos, também está impecável. As paisagens e ambientes estão muito bem representados e tem uma banda sonora épica. O problema é que o resto do filme não é bem adequado para toda essa elevação, já a história parece que se esforça para atingir o mesmo patamar de grandeza da música mas nunca consegue chegar lá.
Isto leva-me ao principal problema do filme: as personagens. Basicamente, MUITAS! É que não é só a quantidade mas também com o tempo que passaram na Terra. Temos que compreender como os dez elementos da equipa passaram os últimos 7000 anos, para perceber o desenvolvimento do filme. Além disso, juntam-se os acontecimentos do presente, e simplesmente não há tempo para isso tudo pois não conseguimos criar as relações necessárias com as personagens, nem empatizar pelo que estão a passar. Supostamente, há um grande amor de milhares de anos entre Sersi e Ikari mas apenas o sabemos porque nos dizem isso, não há cenas suficientes para estabelecer essa relação. Adicionalmente, a interpretação estóica de Richard Madden não ajuda nada. O elenco é bom, nada contra, já que contamos com grandes nomes como Angelina Jolie, Gemma Chan, Salma Hayek, Kumail Nanjiani, Lia McHugh, Brian Tyree Henry e os restantes elementos que fazem um bom desempenho. Mas depois, como são tantos, estamos sempre a trocar as narrativas entre uns e outros e muitas vezes alguns ficam afastados do ecrã durante um grande período de tempo. Não podem ser só coisas más,a atenção: este é um dos filmes com a maior representação de diversidade dos últimos tempos e de certeza o melhor dentro do género de super-heróis. E também têm uma boa apresentação de vários super-poderes que já vimos em outros filmes, principalmente a super-velocidade de Makkari.
“Eternals - Eternos” quis ser um filme diferente, com grandes aspirações e quase a abrir uma nova porta para uma parte diferente do universo. Mas acaba por sucumbir perante muitos desses objetivos e, em vez de uma nova porta, o que temos é mais uma janela entreaberta.
Os Eternos chegaram à Terra há cerca de 7000 anos, com o objetivo de exterminar os Deviants, seres predadores que andam a eliminar os humanos. Mas, depois de terem completado a sua missão inicial, os Eternos separam-se e passam a viver entre os humanos. Agora, nos dias de hoje, alguns Deviants voltaram a aparecer e a equipa tem de se voltar a reunir.
O melhor do filme é a maneira como expande todo o universo Marvel e tudo o que isso poderá implicar para os próximos filmes. E, ao contrário de outros filmes da saga, tenta criar uma maior sensação de grandeza, em que tudo o que vimos até agora é praticamente um grão de areia no grande esquema das coisas.
Em termos técnicos, também está impecável. As paisagens e ambientes estão muito bem representados e tem uma banda sonora épica. O problema é que o resto do filme não é bem adequado para toda essa elevação, já a história parece que se esforça para atingir o mesmo patamar de grandeza da música mas nunca consegue chegar lá.
Isto leva-me ao principal problema do filme: as personagens. Basicamente, MUITAS! É que não é só a quantidade mas também com o tempo que passaram na Terra. Temos que compreender como os dez elementos da equipa passaram os últimos 7000 anos, para perceber o desenvolvimento do filme. Além disso, juntam-se os acontecimentos do presente, e simplesmente não há tempo para isso tudo pois não conseguimos criar as relações necessárias com as personagens, nem empatizar pelo que estão a passar. Supostamente, há um grande amor de milhares de anos entre Sersi e Ikari mas apenas o sabemos porque nos dizem isso, não há cenas suficientes para estabelecer essa relação. Adicionalmente, a interpretação estóica de Richard Madden não ajuda nada. O elenco é bom, nada contra, já que contamos com grandes nomes como Angelina Jolie, Gemma Chan, Salma Hayek, Kumail Nanjiani, Lia McHugh, Brian Tyree Henry e os restantes elementos que fazem um bom desempenho. Mas depois, como são tantos, estamos sempre a trocar as narrativas entre uns e outros e muitas vezes alguns ficam afastados do ecrã durante um grande período de tempo. Não podem ser só coisas más,a atenção: este é um dos filmes com a maior representação de diversidade dos últimos tempos e de certeza o melhor dentro do género de super-heróis. E também têm uma boa apresentação de vários super-poderes que já vimos em outros filmes, principalmente a super-velocidade de Makkari.
“Eternals - Eternos” quis ser um filme diferente, com grandes aspirações e quase a abrir uma nova porta para uma parte diferente do universo. Mas acaba por sucumbir perante muitos desses objetivos e, em vez de uma nova porta, o que temos é mais uma janela entreaberta.
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27/10/2021
Dune - Duna (Dune - 2021)
O novo filme de Denis Villeneuve era uma das minhas grandes expectativas deste ano, não por ser um grande apreciador de todos os filmes do realizador, mas por achar que as suas sensibilidades estão bem enquadradas dentro deste universo. Todos os trailers pareceram corroboram esse pensamento, por isso estava com grandes esperanças que fosse bem superior à versão de 1984.
Pelo decreto do Imperador, a família Atreides é obrigada a mudar-se para o planeta de Arrakis e a se encarregar da exploração da especiaria do planeta, a substância mais valiosa do universo.
A primeira coisa que vemos no filme é que esta é apenas a primeira parte da adaptação do livro e penso que isso devia ter sido algo mencionado tanto nos posters como nos trailers, que pode levar as pessoas ao engano. Pois, embora com duração de quase duas horas e meia, o filme não apresenta a história toda (e ainda bem mas devia ser algo mais explícito).
Tirando esse pequeno detalhe, o filme cumpre com quase todas as expectativas que tinha para ele. Em termos técnicos, o filme está ao mais alto nível, desde a fotografia, à direção artística e ao som. Todos têm momentos para brilhar, com grandes planos dos cenários e com Hans Zimmer a entregar uma banda-sonora épica, principalmente quando é utilizada a Voz.
As interpretações também são impecáveis. Tinha algumas dúvidas se Timothée Chalamet fosse capaz de interpretar o protagonista mas, felizmente, o ator esteve a par da personagem. As partes mais emotivas são com os seus pais, desempenhados por Oscar Isaac e Rebecca Ferguson, principalmente com esta última. Os vilões, aqui encabeçados por Stellan Skarsgård, são bem mais intimidadores e não são a versão mais cartunesca que na versão de 1984.
É claro que a adaptação não consegue transmitir tudo aquilo que está no livro e, na maior parte das situações, sou capaz de concordar com os cortes feitos. Mas, mesmo com a enorme quantidade de informações que nos transmitem no início, havia algumas coisas que faltavam. Nada que não possa ser explorado mais na sequela.
Há algumas críticas, em que se diz faltar “alma” ao filme mas, para mim, isso deve-se à conjugação do tom mais sóbrio dos livros, com o estilo do realizador, que não é dos mais emotivos que temos. Em termos de tom, estamos sempre com a sensação que vai acontecer algo em grande e, quando isso acontece é extremamente satisfatório, pena o filme ser “cortado” pouco depois.
Villeneuve entregou mais um grande filme de ficção-científica e, se a sua sequela for da mesma qualidade, estamos perante um grande épico.
Pelo decreto do Imperador, a família Atreides é obrigada a mudar-se para o planeta de Arrakis e a se encarregar da exploração da especiaria do planeta, a substância mais valiosa do universo.
A primeira coisa que vemos no filme é que esta é apenas a primeira parte da adaptação do livro e penso que isso devia ter sido algo mencionado tanto nos posters como nos trailers, que pode levar as pessoas ao engano. Pois, embora com duração de quase duas horas e meia, o filme não apresenta a história toda (e ainda bem mas devia ser algo mais explícito).
Tirando esse pequeno detalhe, o filme cumpre com quase todas as expectativas que tinha para ele. Em termos técnicos, o filme está ao mais alto nível, desde a fotografia, à direção artística e ao som. Todos têm momentos para brilhar, com grandes planos dos cenários e com Hans Zimmer a entregar uma banda-sonora épica, principalmente quando é utilizada a Voz.
As interpretações também são impecáveis. Tinha algumas dúvidas se Timothée Chalamet fosse capaz de interpretar o protagonista mas, felizmente, o ator esteve a par da personagem. As partes mais emotivas são com os seus pais, desempenhados por Oscar Isaac e Rebecca Ferguson, principalmente com esta última. Os vilões, aqui encabeçados por Stellan Skarsgård, são bem mais intimidadores e não são a versão mais cartunesca que na versão de 1984.
É claro que a adaptação não consegue transmitir tudo aquilo que está no livro e, na maior parte das situações, sou capaz de concordar com os cortes feitos. Mas, mesmo com a enorme quantidade de informações que nos transmitem no início, havia algumas coisas que faltavam. Nada que não possa ser explorado mais na sequela.
Há algumas críticas, em que se diz faltar “alma” ao filme mas, para mim, isso deve-se à conjugação do tom mais sóbrio dos livros, com o estilo do realizador, que não é dos mais emotivos que temos. Em termos de tom, estamos sempre com a sensação que vai acontecer algo em grande e, quando isso acontece é extremamente satisfatório, pena o filme ser “cortado” pouco depois.
Villeneuve entregou mais um grande filme de ficção-científica e, se a sua sequela for da mesma qualidade, estamos perante um grande épico.
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07/06/2021
Um Lugar Silencioso 2 (A Quiet Place Part II - 2021)
Estava alguém a contar que houvesse uma sequela do filme de 2018? Nem por isso. Alguém estava a pedir por ela? Não que me tenha apercebido. É verdade que o final do primeiro filme deixou alguma abertura para uma continuação mas nada de muito necessário. Talvez um filme passado neste mundo, mas com outra família, noutro continente, pudesse ser interessante, só que afinal continuamos a seguir a mesma família. Não era bem o que “pedia” mas pode ser que John Krasinski volte a fazer um grande trabalho.
Aqui seguimos imediatamente depois do final do primeiro filme, Evelyn e os seus filhos têm de deixar o seu abrigo e aventurarem-se pelo mundo, tentando sempre sobreviver às criaturas.
Um pequeno detalhe que me “incomodou” logo no início. O primeiro filme não acabou exatamente do mesmo modo que este tenta fazer parecer. É verdade que, assim, o desenrolar da história podia ser muito diferente mas pronto é um pequeno nickpick.
De resto, estamos perante uma sequela bastante competente. Não chega a ter a mesma qualidade do seu antecessor mas, mesmo assim, é bastante bom, por um motivo em particular: conseguiu voltar a criar a sensação de que é imperativo fazer silêncio e que qualquer barulho pode significar a morte. Quem viu o primeiro filme sabe que já não temos John Krasinski também como protagonista mas, em vez disso, temos o muito competente Cillian Murphy. Os desempenhos de Emily Blunt e Millicent Simmonds voltam aqui a ter um grande desempenho.
Em termos de argumento, o filme não inova mas envolve. Agora há uma pequena esperança contra as criaturas, falta apenas saber como a aplicar adequadamente. A um dado ponto, a história bifurca e passamos a seguir dois grupos, e aí, embora surja uma boa conclusão, acho que não está representada da melhor maneira. Desta vez, como já não estamos na quinta da família protagonista, vemos um pouco de como está o mundo e o pouco que resta da humanidade, que consegue criar um momentos muito tensos.
Não chega aos níveis do primeiro filme mas mesmo assim Krasinski conseguiu voltar a transportar-nos para este mundo, onde o silêncio é ouro.
Aqui seguimos imediatamente depois do final do primeiro filme, Evelyn e os seus filhos têm de deixar o seu abrigo e aventurarem-se pelo mundo, tentando sempre sobreviver às criaturas.
Um pequeno detalhe que me “incomodou” logo no início. O primeiro filme não acabou exatamente do mesmo modo que este tenta fazer parecer. É verdade que, assim, o desenrolar da história podia ser muito diferente mas pronto é um pequeno nickpick.
De resto, estamos perante uma sequela bastante competente. Não chega a ter a mesma qualidade do seu antecessor mas, mesmo assim, é bastante bom, por um motivo em particular: conseguiu voltar a criar a sensação de que é imperativo fazer silêncio e que qualquer barulho pode significar a morte. Quem viu o primeiro filme sabe que já não temos John Krasinski também como protagonista mas, em vez disso, temos o muito competente Cillian Murphy. Os desempenhos de Emily Blunt e Millicent Simmonds voltam aqui a ter um grande desempenho.
Em termos de argumento, o filme não inova mas envolve. Agora há uma pequena esperança contra as criaturas, falta apenas saber como a aplicar adequadamente. A um dado ponto, a história bifurca e passamos a seguir dois grupos, e aí, embora surja uma boa conclusão, acho que não está representada da melhor maneira. Desta vez, como já não estamos na quinta da família protagonista, vemos um pouco de como está o mundo e o pouco que resta da humanidade, que consegue criar um momentos muito tensos.
Não chega aos níveis do primeiro filme mas mesmo assim Krasinski conseguiu voltar a transportar-nos para este mundo, onde o silêncio é ouro.
24/05/2021
Ninguém (Nobody - 2021)
Sinceramente estava à espera que este tipo de filmes chegasse mais cedo. E por este tipo de filme quero dizer: “ator de quem não estamos à espera que seja uma estrela de ação nesta altura da sua carreira, faz um “John Wick””. Por isso, quando foi anunciado que Bob Odenkirk ia fazer isto, fiquei muito entusiasmado, porque estamos a falar de um grande ator que ia entrar em modo sangrento e começar a matar tudo o que lhe aparece à frente.
Numa das suas rotineiras viagens de autocarro, Hutch intervém quando uma mulher está prestes a ser assediada, o que o mete na mira de um importante traficante.
Se estão a contar com boas cenas de ação, “Nobody” entrega bem essas cenas, sendo que para mim o único senão é que demora um pouco até chegarmos a isso. Acho que demora demasiado tempo a mostrar a vida normal e "patética" do protagonista e o quão rotineira ela é, sem grandes estímulos. Mas, quando entra em modo ação, é imperdoável, não é tanto o uso de “gun-fu” de John Wick mas sim o uso dos instrumentos que estão espalhados onde está, mais dentro do estilo de “Equalizer”.
Se alguém tem dúvidas que Odenkirk consegue fazer as cenas de ação, pode ficar descansado que o ator consegue desenrascar-se muito bem. Pode haver um momento ou outro em que se nota que está mais em esforço mas isso também serve para mostrar a idade da personagem. Uma surpresa no elenco foi ver Christopher Lloyd como o pai do nosso protagonista, que também tem direito a umas cenas de destaque.
Se vierem mais filmes deste género e de “John Wick”, com esta qualidade, eu aqui os espero de bom grado.
Numa das suas rotineiras viagens de autocarro, Hutch intervém quando uma mulher está prestes a ser assediada, o que o mete na mira de um importante traficante.
Se estão a contar com boas cenas de ação, “Nobody” entrega bem essas cenas, sendo que para mim o único senão é que demora um pouco até chegarmos a isso. Acho que demora demasiado tempo a mostrar a vida normal e "patética" do protagonista e o quão rotineira ela é, sem grandes estímulos. Mas, quando entra em modo ação, é imperdoável, não é tanto o uso de “gun-fu” de John Wick mas sim o uso dos instrumentos que estão espalhados onde está, mais dentro do estilo de “Equalizer”.
Se alguém tem dúvidas que Odenkirk consegue fazer as cenas de ação, pode ficar descansado que o ator consegue desenrascar-se muito bem. Pode haver um momento ou outro em que se nota que está mais em esforço mas isso também serve para mostrar a idade da personagem. Uma surpresa no elenco foi ver Christopher Lloyd como o pai do nosso protagonista, que também tem direito a umas cenas de destaque.
Se vierem mais filmes deste género e de “John Wick”, com esta qualidade, eu aqui os espero de bom grado.
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17/05/2021
O Pai (The Father - 2021)
Pelos vistos toda a gente ficou muito admirada por Anthony Hopkins ter ganho o Óscar de melhor ator, em vez de Chadwick Boseman: acredito mais que 99% das pessoas que ficou chocada nem sequer viu “O Pai”, porque senão se calhar o choque não tinha sido tão grande. É verdade que, à primeira vista, pode não ser o filme mais interessante à primeira vista mas isso não podia estar mais longe da verdade.
Anthony é um homem que recusa ser ajudado pela sua filha, à medida que está a envelhecer.
O filme mostra - e de uma maneira muito eficaz - o mundo através dos olhos de alguém que está a entrar num estado de demência, em que se perde noção das horas do dia, daqueles que moram na mesma casa e das atividades diárias. E o mesmo se passa connosco, espetadores, que estamos a seguir o mesmo raciocínio que o protagonista e que nos deixa sempre na dúvida: “quem é mesmo a filha dele?” “Em que altura da vida dele isto tudo se está a passar?” “Afinal em que casa é que estamos?”
Tudo isto nos deixa desconcertados e, ao mesmo tempo, envolvidos e desta maneira o realizador Florian Zeller deixa-nos sempre presos a tudo o que está a acontecer. E tudo isto brilhantemente representado por um incrível Anthony Hopkins, que consegue sempre transitar entre entre momentos de aparente lucidez e outros em que se nota que está completamente perdido e não sabe o que está a acontecer à sua volta. Para o acompanhar, na maior parte da sua jornada, temos Olivia Colman que também tem um grande desempenho.
É verdade que “O Pai” não é propriamente chamativo mas, quem lhe der uma oportunidade, pode ficar agradavelmente surpreendido.
Anthony é um homem que recusa ser ajudado pela sua filha, à medida que está a envelhecer.
O filme mostra - e de uma maneira muito eficaz - o mundo através dos olhos de alguém que está a entrar num estado de demência, em que se perde noção das horas do dia, daqueles que moram na mesma casa e das atividades diárias. E o mesmo se passa connosco, espetadores, que estamos a seguir o mesmo raciocínio que o protagonista e que nos deixa sempre na dúvida: “quem é mesmo a filha dele?” “Em que altura da vida dele isto tudo se está a passar?” “Afinal em que casa é que estamos?”
Tudo isto nos deixa desconcertados e, ao mesmo tempo, envolvidos e desta maneira o realizador Florian Zeller deixa-nos sempre presos a tudo o que está a acontecer. E tudo isto brilhantemente representado por um incrível Anthony Hopkins, que consegue sempre transitar entre entre momentos de aparente lucidez e outros em que se nota que está completamente perdido e não sabe o que está a acontecer à sua volta. Para o acompanhar, na maior parte da sua jornada, temos Olivia Colman que também tem um grande desempenho.
É verdade que “O Pai” não é propriamente chamativo mas, quem lhe der uma oportunidade, pode ficar agradavelmente surpreendido.
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20/04/2021
Nomadland - Sobreviver na América (Nomadland - 2021)
Finalmente, as salas de cinema voltaram a abrir (vamos ver se é desta e assim continua) e nada melhor como ver um dos grandes nomeados para os Óscares deste ano. Uma boa maneira de recomeçar é voltar a ver a grande Frances McDormand no grande ecrã, num filme realizado por Chloé Zhao.
Depois de ter perdido tudo durante a recessão, Fern, uma mulher nos seus sessenta anos, embarca numa viagem pela América, numa versão moderna de uma vida nómada.
Honestamente, o filme foi extremamente desapontante. Não que a mensagem seja difícil de entender, ou que as interpretações sejam más, apenas não foi capaz de prender a atenção. Tudo tem uma boa fotografia e mostra grandes paisagens só que, muitas vezes, estas cenas demoram mais tempo do que o necessário e acabam mais por distrair do que cativar.
Frances McDormand mostra uma personagem que, no início, mostra-se algo relutante com a sua nova realidade mas que, à medida que vai conhecendo mais pessoas que vivem da mesma maneira, se vai ambientando cada vez mais. Porém, mesmo assim, nunca é algo que a satisfaz completamente e, mesmo tendo hipótese, já não consegue viver da mesma maneira que antigamente.
O estilo de vida de Fren é algo que não estou muito habituado a ver em filmes, já que tem de ganhar um emprego em todas as regiões por onde passa, para conseguir sobreviver no dia-a-dia, seja trabalhar num armazém da Amazon ou num parque de campismo.
Embora tenha os seus méritos, “Nomadland - Sobreviver na América” acaba por não convencer.
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29/03/2021
Som do Metal (Sound of Metal - 2020)
A Amazon Prime trouxe-nos, no final do ano passado, uma produção que entrou em muitas listas de melhor filme do ano, por isso, decidi dar uma espreitadela a esta prestação de Riz Ahmed. E, agora com seis nomeações para os Óscares, mais motivos há para descobrir este filme.
Um baterista de uma banda de heavy-metal vai ter de enfrentar uma nova realidade quando perde a capacidade de ouvir.
A premissa de tirar algo que todos tomamos por garantido e o modo como se supera, ou não… Essa situação é sempre terreno fértil para fazer bons filmes. E é isso mesmo que temos aqui. Sendo que aqui a parte musical ainda tem uma maior importância, visto que foi um dos escapes que Ruben (o nosso protagonista) arranjou para se afastar das drogas. Por isso, quando o vemos inicialmente a tentar fazer de tudo para recuperar alguma da sua capacidade auditiva, tendo apenas parado devido ao elevado preço da operação, acabamos por nos relacionar.
Riz Ahmed faz uma grande interpretação como o nosso protagonista, de alguém que luta para se habituar a esta nova realidade. É depois dessa incapacidade de se ajustar e de querer que tudo volte ao que era antes que se torna a sua perdição. Paul Raci, como o “professor” que ajuda na transição de Ruben, também tem um grande desempenho, com uma “instituição” de ajuda, com regras severas mas que servem para uma adaptação mais rápida.
“Som do Metal” tem um tema importante e boas prestações, mas para mim não foi dos melhores filmes do ano passado.
Um baterista de uma banda de heavy-metal vai ter de enfrentar uma nova realidade quando perde a capacidade de ouvir.
A premissa de tirar algo que todos tomamos por garantido e o modo como se supera, ou não… Essa situação é sempre terreno fértil para fazer bons filmes. E é isso mesmo que temos aqui. Sendo que aqui a parte musical ainda tem uma maior importância, visto que foi um dos escapes que Ruben (o nosso protagonista) arranjou para se afastar das drogas. Por isso, quando o vemos inicialmente a tentar fazer de tudo para recuperar alguma da sua capacidade auditiva, tendo apenas parado devido ao elevado preço da operação, acabamos por nos relacionar.
Riz Ahmed faz uma grande interpretação como o nosso protagonista, de alguém que luta para se habituar a esta nova realidade. É depois dessa incapacidade de se ajustar e de querer que tudo volte ao que era antes que se torna a sua perdição. Paul Raci, como o “professor” que ajuda na transição de Ruben, também tem um grande desempenho, com uma “instituição” de ajuda, com regras severas mas que servem para uma adaptação mais rápida.
“Som do Metal” tem um tema importante e boas prestações, mas para mim não foi dos melhores filmes do ano passado.
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01/03/2021
Judas and the Black Messiah (2021)
“Judas and the Black Messiah” é mais um dos grandes prejudicados dos nossos tempos. Um filme que tem tudo para estar no grande ecrã mas, com as salas de cinema fechadas, se vê relegado para o streaming.
No final dos anos 60, Bill O'Neal infiltra-se no Partido dos Panteras Negras, de Chicago, a mando do FBI. Para, desse modo, estarem atentos à ascensão do carismático líder do partido Fred Hampton.
Com o título que este filme tem, não é muito difícil saber o cerne de todo o enredo. Basicamente, todo ele é uma batalha pela alma de Bill, que, no início, não liga nada a políticas e apenas vê esta infiltração como um meio de fugir à prisão. Mas, à medida que se vê cada vez mais envolvido dentro do partido, Bill questiona-se cada vez mais se o que está a fazer é correto. E tudo isto com uma grande interpretação por LaKeith Stanfield, que consegue transmitir a batalha interior constante que a personagem está a passar.
E toda esta dúvida acontece graças ao líder do partido, com um grande desempenho de Daniel Kaluuya. O ator transmite sempre a ideia que o partido quer melhorar as condições sociais dos bairros afro-americanos e não a mensagem de violência que os outros dizem que é. Também temos uma crítica ao sistema prisional americano, porque quando Hampton acabou de cumprir a sua pena, vinha com uma mensagem mais violenta do que aquela com que entrou. E bem, Kaluuya dá uns grandes discursos.
“Judas and the Black Messiah” mostra-nos grandes prestações, com uma grande representação alegórica.
No final dos anos 60, Bill O'Neal infiltra-se no Partido dos Panteras Negras, de Chicago, a mando do FBI. Para, desse modo, estarem atentos à ascensão do carismático líder do partido Fred Hampton.
Com o título que este filme tem, não é muito difícil saber o cerne de todo o enredo. Basicamente, todo ele é uma batalha pela alma de Bill, que, no início, não liga nada a políticas e apenas vê esta infiltração como um meio de fugir à prisão. Mas, à medida que se vê cada vez mais envolvido dentro do partido, Bill questiona-se cada vez mais se o que está a fazer é correto. E tudo isto com uma grande interpretação por LaKeith Stanfield, que consegue transmitir a batalha interior constante que a personagem está a passar.
E toda esta dúvida acontece graças ao líder do partido, com um grande desempenho de Daniel Kaluuya. O ator transmite sempre a ideia que o partido quer melhorar as condições sociais dos bairros afro-americanos e não a mensagem de violência que os outros dizem que é. Também temos uma crítica ao sistema prisional americano, porque quando Hampton acabou de cumprir a sua pena, vinha com uma mensagem mais violenta do que aquela com que entrou. E bem, Kaluuya dá uns grandes discursos.
“Judas and the Black Messiah” mostra-nos grandes prestações, com uma grande representação alegórica.
15/02/2021
Hóspede Indesejado (His House - 2020)
Na navegação pela secção de terror da Netflix, deparei-me com este “Hóspede Indesejado”. Posso dizer que foi uma agradável surpresa, principalmente tendo em conta que é a estreia nas longas-metragens para o realizador Remi Weekes.
Um casal de refugiados da guerra do Sudão tenta adaptar-se à sua nova casa numa pequena aldeia inglesa, ao mesmo tempo que um mal espreita pela habitação e os tenta expulsar.
Durante todo o filme, há uma sensação claustrofóbica de que tudo se quer ver livre do nosso casal de protagonistas: não só a casa mas também os vizinhos, outros moradores e até mesmo a própria geografia do terreno, que parece fazer de tudo para que eles se percam. E, para acentuar ainda mais a sua desorientação, nunca lhes é dito em que cidade estão, apenas que têm que morar naquela casa e que se têm de portar bem durante uns tempos.
É quase impossível não rever, na jornada de Bol e Rial, o problema dos refugiados e, adicionalmente, a parte do terror sobrenatural apenas serve para fazer sobressair isso ainda mais. À medida que mais aparições e ataques vão aparecendo, Rial vai entendendo o seu contexto e o que têm de fazer para o resolver. Só que Bol não quer saber de nada disso e faz de tudo para ignorar o problema, em se focar apenas em ser aceite pela sociedade e a se parecer o “o mais inglês” possível.
Tanto o argumento como as personagens são boas e consegue-se ter alguns bons momentos tensos e assustados que, sem dúvida, iam conseguir brilhar num grande ecrã. Mas bem, ao menos temos a hipótese de o ver em casa.
“Hóspede Indesejado” é uma boa aposta no catálogo de horror da plataforma de streaming.
Um casal de refugiados da guerra do Sudão tenta adaptar-se à sua nova casa numa pequena aldeia inglesa, ao mesmo tempo que um mal espreita pela habitação e os tenta expulsar.
Durante todo o filme, há uma sensação claustrofóbica de que tudo se quer ver livre do nosso casal de protagonistas: não só a casa mas também os vizinhos, outros moradores e até mesmo a própria geografia do terreno, que parece fazer de tudo para que eles se percam. E, para acentuar ainda mais a sua desorientação, nunca lhes é dito em que cidade estão, apenas que têm que morar naquela casa e que se têm de portar bem durante uns tempos.
É quase impossível não rever, na jornada de Bol e Rial, o problema dos refugiados e, adicionalmente, a parte do terror sobrenatural apenas serve para fazer sobressair isso ainda mais. À medida que mais aparições e ataques vão aparecendo, Rial vai entendendo o seu contexto e o que têm de fazer para o resolver. Só que Bol não quer saber de nada disso e faz de tudo para ignorar o problema, em se focar apenas em ser aceite pela sociedade e a se parecer o “o mais inglês” possível.
Tanto o argumento como as personagens são boas e consegue-se ter alguns bons momentos tensos e assustados que, sem dúvida, iam conseguir brilhar num grande ecrã. Mas bem, ao menos temos a hipótese de o ver em casa.
“Hóspede Indesejado” é uma boa aposta no catálogo de horror da plataforma de streaming.
01/02/2021
Uma Noite em Miami (One Night in Miami - 2021)
A Amazon Prime traz-nos o primeiro grande filme de Regina King como realizadora. Em “Uma Noite em Miami”, seguimos um quarteto das figuras mais importantes da comunidade negra, em 1964, nomeadamente Malcolm X, Jim Brown, Sam Cooke e Cassius Clay (que virá a mudar de nome para Muhammad Ali).
Sinceramente, não sabia bem o que esperar deste filme. Do pouco que sabia, parecia-me algo interessante mas nada de extraordinário. Felizmente, foi tudo uma agradável surpresa. Inicialmente, um tom mais leve e cómico, enquanto somos apresentados aos quatro elementos e ao modo como se relacionam com o mundo. É só depois de estarem juntos e começarem as suas discussões que o tom mais pesado e intenso do filme se manifesta.
Aqui, o importante é o modo como cada um dos protagonistas usa o seu destaque e protagonismo de modo a avançar com a causa dos direitos civis e a revolta cultural dos anos 60. Tudo se centra como eles discutem as “prestações” entre si e como é que podem ser melhoradas.
Tudo isto consegue ser interessante e empolgante, não só pelo argumento do filme, mas também pelas incríveis prestações de todo o quarteto, nomeadamente Kingsley Ben-Adir, como Malcolm X, Eli Goree, como Cassius Clay, Aldis Hodge, como Jim Brown e Leslie Odom Jr., como Sam Cooke. E não seria de estranhar que surgisse alguma nomeação para os Óscares deste ano.
“Uma Noite em Miami” é um grande filme que, embora se passe nos anos 60, pode muito bem ser aplicado aos dias de hoje.
07/12/2020
Mank (2020)
Um filme que junta David Fincher a realizar e Gary Oldman a protagonizar é algo a estar sempre atento, seja qual for o tema do filme. Por isso, vamos lá ligar a Netflix e ver o que esta dupla nos trouxe desta vez.
Aqui vemos a Hollywood dos anos 30, através dos olhos de Herman J. Mankiewicz, um argumentista alcoólico, que se encontra numa corrida contra o tempo para acabar o argumento de “O Mundo a Seus Pés”.
Em termos técnicos, o filme está impecável. A cinematografia, fotografia e banda-sonora são de grande qualidade e, muito provavelmente, vão ter uma menção para os Óscares. E, de igual modo, o mesmo vai acontecer com Oldman, só que aí é preciso meter um pequeno asterisco. O ator faz uma grande prestação, disso não há grande dúvida, só que o protagonista tem cerca de 43 anos, cerca de 20 anos a menos do que o ator que o representa, e isso nota-se um pouco já que falta alguma vivacidade ao protagonista.
O elenco secundário também é muito forte. Amanda Seyfried e Lily Collins têm um bom desempenho, embora não eu costume gostar muito dos papéis normalmente aceites por Seyfried. “Mank” apresenta uma Hollywood sem o seu glamour habitual e mais como um meio governado pelo dinheiro, conhecimentos e política, onde o nosso protagonista está sempre a uma piada mal dada de se transformar num pária da indústria. Algo que já teria acontecido há muito tempo, não fosse ele um argumentista tão bom.
O filme demora também um pouco a arrancar. Estamos sempre a saltar entre duas linhas temporais e, muitas vezes, não se entende o porquê dessas transições. Só mais para o meio é que começa a ganhar algum ritmo e interesse. E, para um filme que retrata, na sua essência, o argumento de “O Mundo a Seus Pés”, quase que não temos nenhuma interação entre o protagonista e Orson Welles.
“Mank” não é o melhor filme de 2020, nem o melhor tanto do realizador como do protagonista, mas é uma proposta bastante interessante para quem quiser visitar esta época temporal do cinema.
Aqui vemos a Hollywood dos anos 30, através dos olhos de Herman J. Mankiewicz, um argumentista alcoólico, que se encontra numa corrida contra o tempo para acabar o argumento de “O Mundo a Seus Pés”.
Em termos técnicos, o filme está impecável. A cinematografia, fotografia e banda-sonora são de grande qualidade e, muito provavelmente, vão ter uma menção para os Óscares. E, de igual modo, o mesmo vai acontecer com Oldman, só que aí é preciso meter um pequeno asterisco. O ator faz uma grande prestação, disso não há grande dúvida, só que o protagonista tem cerca de 43 anos, cerca de 20 anos a menos do que o ator que o representa, e isso nota-se um pouco já que falta alguma vivacidade ao protagonista.
O elenco secundário também é muito forte. Amanda Seyfried e Lily Collins têm um bom desempenho, embora não eu costume gostar muito dos papéis normalmente aceites por Seyfried. “Mank” apresenta uma Hollywood sem o seu glamour habitual e mais como um meio governado pelo dinheiro, conhecimentos e política, onde o nosso protagonista está sempre a uma piada mal dada de se transformar num pária da indústria. Algo que já teria acontecido há muito tempo, não fosse ele um argumentista tão bom.
O filme demora também um pouco a arrancar. Estamos sempre a saltar entre duas linhas temporais e, muitas vezes, não se entende o porquê dessas transições. Só mais para o meio é que começa a ganhar algum ritmo e interesse. E, para um filme que retrata, na sua essência, o argumento de “O Mundo a Seus Pés”, quase que não temos nenhuma interação entre o protagonista e Orson Welles.
“Mank” não é o melhor filme de 2020, nem o melhor tanto do realizador como do protagonista, mas é uma proposta bastante interessante para quem quiser visitar esta época temporal do cinema.
23/11/2020
The Last Face - A Última Fronteira (The Last Face - 2017)
Posso dizer que, para mim, este foi o pior filme de 2017, não é preciso procurar mais! É verdade que temos Charlize Theron e Javier Bardem no elenco e, como realizador, Sean Penn mas isso de pouco adiantou.
Wren Petersen trabalha numa organização humanitária, que atua junto de populações que se encontram em guerra no continente africano. E é aí que encontra Miguel, um médico sem fronteiras, habituado a trabalhar nestas regiões. Os dois apaixonam-se, só que pouco depois a coisa acaba mal (não é um spoiler, aparece praticamente no início do filme).
Isto tem uma história romântica mas não é o principal foco e está praticamente lá para dar andamento ao filme. Isto é praticamente uma publicidade de duas horas para os médicos sem fronteiras e para criar sentimento de culpa nos europeus e americanos que vivem melhor que os nossos amigos do sul. Não que este tipo de mensagem e consciencialização não deva ser feita mas a execução tem de ser melhor e mais apelativa. Como em tudo, têm de fazer, primeiro, um bom filme, o que aqui não acontece, porque nos estão sempre a martelar com a mesma mensagem e depois metem umas imagens chocantes só para impressionar. De certeza que é um filme que vai atrair muita gente (not!).
As interpretações são boas, o duo é talentoso mas também quando lhes é dado pouco com que trabalhar, não há interpretação que salve a coisa. Há muitos momentos parados em que, simplesmente, nada acontece e, em algumas conversas, quando a mesma já acabou, a câmara continua apontada para a pessoa. Se calhar passar mais tempo na edição do filme tinha ajudado e evitava que tivéssemos uma duração de mais de duas horas, o que só ajudava ao filme.
Querem ver um filme? De certeza que conseguem pensar numa melhor alternativa do que “The Last Face - A Última Fronteira”.
Wren Petersen trabalha numa organização humanitária, que atua junto de populações que se encontram em guerra no continente africano. E é aí que encontra Miguel, um médico sem fronteiras, habituado a trabalhar nestas regiões. Os dois apaixonam-se, só que pouco depois a coisa acaba mal (não é um spoiler, aparece praticamente no início do filme).
Isto tem uma história romântica mas não é o principal foco e está praticamente lá para dar andamento ao filme. Isto é praticamente uma publicidade de duas horas para os médicos sem fronteiras e para criar sentimento de culpa nos europeus e americanos que vivem melhor que os nossos amigos do sul. Não que este tipo de mensagem e consciencialização não deva ser feita mas a execução tem de ser melhor e mais apelativa. Como em tudo, têm de fazer, primeiro, um bom filme, o que aqui não acontece, porque nos estão sempre a martelar com a mesma mensagem e depois metem umas imagens chocantes só para impressionar. De certeza que é um filme que vai atrair muita gente (not!).
As interpretações são boas, o duo é talentoso mas também quando lhes é dado pouco com que trabalhar, não há interpretação que salve a coisa. Há muitos momentos parados em que, simplesmente, nada acontece e, em algumas conversas, quando a mesma já acabou, a câmara continua apontada para a pessoa. Se calhar passar mais tempo na edição do filme tinha ajudado e evitava que tivéssemos uma duração de mais de duas horas, o que só ajudava ao filme.
Querem ver um filme? De certeza que conseguem pensar numa melhor alternativa do que “The Last Face - A Última Fronteira”.
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22/10/2020
Os 7 de Chicago (The Trial of the Chicago 7 - 2020)
Quando temos um novo filme com o argumento mais fresquinho de Aaron Sorkin é sensato estar de atento à sua data de lançamento. E é na Netflix que o argumentista volta pela segunda vez à cadeira de realizador, depois de “Jogo da Alta-Roda”, com um elenco de enorme qualidade e um tema interessante e pertinente.
O filme retrata o julgamento de 7 pessoas acusadas de causar os protestos violentos entre protestantes e a polícia, durante o Congresso Nacional Democrático de 1968, em Chicago.
Vou dizer aqui aquilo que pensei quando vi “Jogo da Alta-Roda”, pois volta a aplicar-se aqui: Sorkin é um melhor argumentista do que realizador. Embora, verdade seja dita, melhorou um bom bocado. A estrutura do filme não é linear, não temos os protestos seguidos do julgamento, mas sim os dois acontecimentos a ocorrerem ao mesmo tempo. E, em alguém menos capaz, tal podia criar uma grande confusão mas, felizmente, Sorkin consegue manobrar a ação de forma bastante competente e nunca nos deixa perdidos no que se passa.
O elenco também é impecável. Principalmente Sacha Baron Cohen pois, se de Eddie Redmayne e Joseph Gordon-Levitt já sabemos que podemos contar com bons desempenhos, o ator mais conhecido por “Borat” é um dos que mais se destaca. Mas quem rouba a cena é Mark Rylance que, inicialmente, transmite a ideia de ser uma personagem bastante contida mas que depois consegue roubar sempre a cena. E um ponto a favor a Frank Langella, que consegue fazer de um juiz verdadeiramente detestável.
O maior problema para mim foi que, embora seja um tema interessante, e mesmo pertinente para os dias de hoje, não me conseguiu prender a atenção durante todo o tempo. Porque, ao fim ao cabo, é um filme que já sabemos mais ao menos com que contar, sem praticamente grandes surpresas.
“Os 7 de Chicago” é uma grande mais-valia para o catálogo da Netflix e que certamente terá algumas nomeações na cerimónia dos Óscares (se é que ainda vai acontecer…).
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19/10/2020
Ava (2020)
É verdade que ultimamente não temos tido grandes motivos para voltar às salas do grande ecrã e, sinceramente, não é este tipo de filme que vai chamar muita gente.
Tudo em “Ava” tem o ar de filme de ação mais genérico possível, que retrata uma assassina solitária, que se vê obrigada a fugir da mesma organização criminosa que a contratou. Também já não basta ter gente conhecida, como Jessica Chastain, John Malkovich e Colin Farrell, embora, verdade seja dita, talento num elenco nunca fez mal a ninguém.
O argumento é bastante previsível, não sendo difícil saber para onde a história nos conduz. Geralmente, neste tipo de filme, as cenas de ação tentam ser o foco principal, com alguns filmes recentes a elevar cada vez mais a fasquia. Mas tal não acontece aqui. As cenas não são nada de especial e estão sobre-editadas.
O que é pior é a incrível dose de melodrama entre estas cenas. Parece uma telenovela com ação lá metida para o meio. Não que a história de dependência da protagonista não seja algo importante de representar no cinema, apenas penso só que não é apresentada do modo mais cativante. E nem culpo as interpretações por isso, pois o trio principal está faz um bom trabalho; já o discurso, é outra história.
Tudo em “Ava” tem o ar de filme de ação mais genérico possível, que retrata uma assassina solitária, que se vê obrigada a fugir da mesma organização criminosa que a contratou. Também já não basta ter gente conhecida, como Jessica Chastain, John Malkovich e Colin Farrell, embora, verdade seja dita, talento num elenco nunca fez mal a ninguém.
O argumento é bastante previsível, não sendo difícil saber para onde a história nos conduz. Geralmente, neste tipo de filme, as cenas de ação tentam ser o foco principal, com alguns filmes recentes a elevar cada vez mais a fasquia. Mas tal não acontece aqui. As cenas não são nada de especial e estão sobre-editadas.
O que é pior é a incrível dose de melodrama entre estas cenas. Parece uma telenovela com ação lá metida para o meio. Não que a história de dependência da protagonista não seja algo importante de representar no cinema, apenas penso só que não é apresentada do modo mais cativante. E nem culpo as interpretações por isso, pois o trio principal está faz um bom trabalho; já o discurso, é outra história.
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12/10/2020
Lixo (Filth - 2014)
O grande motivador para ver “Lixo”é o seu protagonista, interpretado por James McAvoy, e se for aquilo que o trailer prometeu é sem dúvida um filme muito interessante.
Bruce Robertson é um polícia bipolar, alcoólico e drogado que já fez de tudo para resolver os seus casos. Quando está em causa uma promoção, Bruce vai fazer de tudo para a conseguir, incluindo manipular os seus colegas. Isto tudo enquanto tem alucinações e uma ténia a viver na sua cabeça.
Esta é, sem dúvida, uma grande personagem. No início, é alguém com quem até conseguimos “simpatizar” com Bruce mas, ao longo do filme, esse sentimento vai mudando. À medida que vamos conhecendo melhor a personagem, a sua irreverência passa a cansar e para o fim fica apenas um sentimento de pena. E é mesmo esse o objetivo pois, ao longo da autodestruição pela qual Bruce passa, até chegar ao estado de mal conseguir funcionar normalmente, ele descobre que chegou ao fundo do poço. E ninguém como James McAvoy para conseguir interpretar esta personagem, naquela que é uma das suas melhores interpretações.
O elenco secundário também faz um bom trabalho, principalmente Eddie Marsan. Em termos de realização, Jon S. Baird consegue fazer um bom trabalho em nos apresentar este mundo. Tenham é atenção a umas coisinhas, se não gostam de ver pessoas a drogar-se e saltarem umas para acima das outras, não vão gostar de “Lixo”. Mas, o que interessa mais no filme, é simples: quem é Bruce Robertson?
Um bom filme que vale a pena ver.
Bruce Robertson é um polícia bipolar, alcoólico e drogado que já fez de tudo para resolver os seus casos. Quando está em causa uma promoção, Bruce vai fazer de tudo para a conseguir, incluindo manipular os seus colegas. Isto tudo enquanto tem alucinações e uma ténia a viver na sua cabeça.
Esta é, sem dúvida, uma grande personagem. No início, é alguém com quem até conseguimos “simpatizar” com Bruce mas, ao longo do filme, esse sentimento vai mudando. À medida que vamos conhecendo melhor a personagem, a sua irreverência passa a cansar e para o fim fica apenas um sentimento de pena. E é mesmo esse o objetivo pois, ao longo da autodestruição pela qual Bruce passa, até chegar ao estado de mal conseguir funcionar normalmente, ele descobre que chegou ao fundo do poço. E ninguém como James McAvoy para conseguir interpretar esta personagem, naquela que é uma das suas melhores interpretações.
O elenco secundário também faz um bom trabalho, principalmente Eddie Marsan. Em termos de realização, Jon S. Baird consegue fazer um bom trabalho em nos apresentar este mundo. Tenham é atenção a umas coisinhas, se não gostam de ver pessoas a drogar-se e saltarem umas para acima das outras, não vão gostar de “Lixo”. Mas, o que interessa mais no filme, é simples: quem é Bruce Robertson?
Um bom filme que vale a pena ver.
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