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07/06/2021

Um Lugar Silencioso 2 (A Quiet Place Part II - 2021)

          Estava alguém a contar que houvesse uma sequela do filme de 2018? Nem por isso. Alguém estava a pedir por ela? Não que me tenha apercebido. É verdade que o final do primeiro filme deixou alguma abertura para uma continuação mas nada de muito necessário. Talvez um filme passado neste mundo, mas com outra família, noutro continente, pudesse ser interessante, só que afinal continuamos a seguir a mesma família. Não era bem o que “pedia” mas pode ser que John Krasinski volte a fazer um grande trabalho.
          Aqui seguimos imediatamente depois do final do primeiro filme, Evelyn e os seus filhos têm de deixar o seu abrigo e aventurarem-se pelo mundo, tentando sempre sobreviver às criaturas.
          Um pequeno detalhe que me “incomodou” logo no início. O primeiro filme não acabou exatamente do mesmo modo que este tenta fazer parecer. É verdade que, assim, o desenrolar da história podia ser muito diferente mas pronto é um pequeno nickpick.
          De resto, estamos perante uma sequela bastante competente. Não chega a ter a mesma qualidade do seu antecessor mas, mesmo assim, é bastante bom, por um motivo em particular: conseguiu voltar a criar a sensação de que é imperativo fazer silêncio e que qualquer barulho pode significar a morte. Quem viu o primeiro filme sabe que já não temos John Krasinski também como protagonista mas, em vez disso, temos o muito competente Cillian Murphy. Os desempenhos de Emily Blunt e Millicent Simmonds voltam aqui a ter um grande desempenho.
          Em termos de argumento, o filme não inova mas envolve. Agora há uma pequena esperança contra as criaturas, falta apenas saber como a aplicar adequadamente. A um dado ponto, a história bifurca e passamos a seguir dois grupos, e aí, embora surja uma boa conclusão, acho que não está representada da melhor maneira. Desta vez, como já não estamos na quinta da família protagonista, vemos um pouco de como está o mundo e o pouco que resta da humanidade, que consegue criar um momentos muito tensos.
          Não chega aos níveis do primeiro filme mas mesmo assim Krasinski conseguiu voltar a transportar-nos para este mundo, onde o silêncio é ouro.

05/05/2018

Um Lugar Silencioso (A Quiet Place - 2018)


            John Krasinski tenta aqui ser o Jordan Peele deste ano, ao nos entregar um filme de terror de grande qualidade que nos surpreende a todos. Além disso, salta para o papel de protagonista e junta-se à sua esposa da vida real, Emily Blunt, para se imergirem neste futuro apocalíptico.
            Uma família - e o resto do mundo, ou, pelo menos, o que sobra dele - é obrigado a viver a silêncio para não serem o alvo de monstros que caçam com a super audição.
            Já imaginaram não poderem fazer um único barulho, caso contrário podiam morrer? Só o pensamento disso é assustador, fazemos sempre algum barulho, quer queiramos quer não, por isso, esta é logo uma tarefa herculeana. E o filme consegue tratar bem essa situação, já que o único caminho seguro por onde a família pode andar está coberta de areia, apenas comunicam entre si por linguagem gestual e têm um sistema de aviso baseado em luzes.
            Mas onde o filme brilha é nas suas personagens, principalmente no chefe de família. Ver aquilo a que o pai está disposto para a segurança da sua família, ao mesmo tempo que tenta solucionar a surdez da filha, é muito envolvente e bem conseguido. Além disso, as relações de todos os elementos, que têm de se habituar a esta nova realidade, estão muito bem retratadas. Adicionalmente, o fim deixou-me extremamente satisfeito.
            Para um filme de baixo orçamento, a qualidade do design das criaturas foi algo que me surpreendeu! Aliás, até estava à espera que só se vissem em movimento rápidos. Só que, por incrível que pareça, estavam muito bem caracterizadas e o seu método de deteção de som foi muito bem exemplificado.
 “Um Lugar Silencioso” é um grande filme de terror que merece ser apreciado nas salas de cinema.


17/08/2016

O Caçador e a Rainha de Gelo (The Huntsman: Winter's War - 2016)



                “O Caçador e a Rainha de Gelo” (ou “Frozen e Brave” como devia ser chamado) é a sequela de “Branca de Neve e o Caçador”, o filme de 2012 que devia ficado quieto, sem qualquer sequela completamente escusada e sem sentido.
                Aqui descobrimos a origem do Caçador (Eric) e da sua amada Sara e de como foram treinados desde crianças por Freya (a irmã de Ravenna) para serem os melhores caçadores e como foram separados por se terem apaixonados.
                À primeira vista, temos um elenco que promete um grande filme, com Kristen Stewart a sair de cena e Emily Blunt e Jessica Chastain a entrarem, com Chris Hemsworth e Charlize Theron a repetirem os seus papéis. Até aqui, tudo bem, mas, quando Chastain começa a falar com sotaque escocês, começa a desgraça. Aparece do nada e sempre que ela fala distraía-me do que estava a acontecer. Num filme com um elenco cheio de gente talentosa, é quase impossível levar qualquer um deles a sério.
                Nesta prequela/sequela, a ação contra criaturas fantásticas foi trocada, na sua maioria, por combate corpo-a-corpo, tornando-se num ponto positivo do filme. Os efeitos especiais também estão razoáveis, com o destaque a ir para os poderes de gelo de Freya. O argumento envolvendo o espelho mágico de Ravenna parece importante mas, na realidade, é quase um objetivo secundário.
                Mesmo gostando deste tipo de filmes de fantasia, este “O Caçador e a Rainha de Gelo” foi uma desilusão.


17/10/2015

Sicario – Infiltrado (Sicario - 2015)



                Emily Blunt está, cada vez mais, a aparecer em destaque em filmes de ação, e até agora têm-se saído bastante bem, principalmente em “No Limite do Amanhã”. Só que, por outro lado, os filmes de Denis Villeneuve (“Raptadas” e “Homem Duplicado”) nunca me conseguiram satisfazer, por isso este “Sicario – Infiltrado” tanto me pode fazer mudar de ideias ou não.
                Uma idealista agente do FBI vê-se envolvida numa operação que tem como função dar um sério golpe no tráfico de drogas na fronteira entre os EUA e o México.
                E, finalmente, Villeneuve conseguiu-me convencer com as suas cenas de suspense. Porque esse era o meu maior problema com os seus filmes anteriores, que criavam grande tensão mas que depois a recompensa não era grande coisa. E, em certa medida, isso também acontece aqui, só que desta vez somos devidamente recompensados pelos incríveis momentos de tensão criados.
                Isto não é um filme de ação. Tem uma sequência ou outra mais puxada, mas aqui o interessante é a história contada e o modo como é contada. E o trio de protagonistas que nos traz este mundo de droga e corrupção têm grandes interpretações. Josh Brolin é o membro mais fraco da equação, mas mesmo assim consegue ser misterioso durante grande parte do tempo, só que é Benicio del Toro que consegue ser aquela incógnita com aquele ar temível, que nunca se sabe quando vai começar entrar em ação. A personagem de Emily Blunt é aquela que passa pela maior transformação, entrando no início cheia de ideias que vão sendo sucessivamente atacados.
                Um filme que nos consegue deixar pregados à cadeira.