O novo filme de Denis Villeneuve era uma das minhas grandes expectativas deste ano, não por ser um grande apreciador de todos os filmes do realizador, mas por achar que as suas sensibilidades estão bem enquadradas dentro deste universo. Todos os trailers pareceram corroboram esse pensamento, por isso estava com grandes esperanças que fosse bem superior à versão de 1984.
Pelo decreto do Imperador, a família Atreides é obrigada a mudar-se para o planeta de Arrakis e a se encarregar da exploração da especiaria do planeta, a substância mais valiosa do universo.
A primeira coisa que vemos no filme é que esta é apenas a primeira parte da adaptação do livro e penso que isso devia ter sido algo mencionado tanto nos posters como nos trailers, que pode levar as pessoas ao engano. Pois, embora com duração de quase duas horas e meia, o filme não apresenta a história toda (e ainda bem mas devia ser algo mais explícito).
Tirando esse pequeno detalhe, o filme cumpre com quase todas as expectativas que tinha para ele. Em termos técnicos, o filme está ao mais alto nível, desde a fotografia, à direção artística e ao som. Todos têm momentos para brilhar, com grandes planos dos cenários e com Hans Zimmer a entregar uma banda-sonora épica, principalmente quando é utilizada a Voz.
As interpretações também são impecáveis. Tinha algumas dúvidas se Timothée Chalamet fosse capaz de interpretar o protagonista mas, felizmente, o ator esteve a par da personagem. As partes mais emotivas são com os seus pais, desempenhados por Oscar Isaac e Rebecca Ferguson, principalmente com esta última. Os vilões, aqui encabeçados por Stellan Skarsgård, são bem mais intimidadores e não são a versão mais cartunesca que na versão de 1984.
É claro que a adaptação não consegue transmitir tudo aquilo que está no livro e, na maior parte das situações, sou capaz de concordar com os cortes feitos. Mas, mesmo com a enorme quantidade de informações que nos transmitem no início, havia algumas coisas que faltavam. Nada que não possa ser explorado mais na sequela.
Há algumas críticas, em que se diz faltar “alma” ao filme mas, para mim, isso deve-se à conjugação do tom mais sóbrio dos livros, com o estilo do realizador, que não é dos mais emotivos que temos. Em termos de tom, estamos sempre com a sensação que vai acontecer algo em grande e, quando isso acontece é extremamente satisfatório, pena o filme ser “cortado” pouco depois.
Villeneuve entregou mais um grande filme de ficção-científica e, se a sua sequela for da mesma qualidade, estamos perante um grande épico.
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27/10/2021
Dune - Duna (Dune - 2021)
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25/05/2018
Deadpool 2 (2018)
Ninguém
estava à espera do incrível sucesso que o primeiro “Deadpool” teve, foi muito
bem recebido criticamente e quebrou uma data de recordes nas bilheteiras.
Naturalmente, a sequela tinha de aparecer, agora com mais dinheiro na produção
“Deadpool 2” tenta ser maior e melhor que o seu antecessor.
O nosso
favorito mutante fala-barato vê-se obrigado a formar uma equipa de mutantes,
para assim proteger um jovem mutante de um ciborgue do futuro, Cable.
Estou algo
conflituoso com “Deadpool 2”. Não entre ser mau ou bom, porque por mim este
filme é incrível. O maior problema é em comparação com o primeiro. A injeção de
dinheiro que teve permitiu criar cenas de ação mais elaboradas, só que para mim
as cenas do primeiro eram mais contidas e funcionavam melhor. Mas bem, pode ser
que no fim deste texto tenha chegado a uma decisão.
A comédia
continua genial. Referências a tudo e mais alguma coisa, desde filmes, músicas
e personalidades. Uma diferença é que enquanto no primeiro havia várias piadas
ao género de super-herois no geral, aqui são tiradas mais específicas, como o
último Vingadores e “Batman v Super-Homem”, que agora têm muita piada, mas
vamos ver daqui a 10/15 anos. Mas, sem dúvida alguma que não faltam grandes
tiradas ao filme.
As cenas de
ação aumentaram em grande escala e com uma grande execução. O realizador David
Leitch fez parte da dupla que fez “John Wick”, por isso, cenas de ação é com
ele. E aqui demonstra isso, numa mistura de ação, comédia e slow-motion muito
bem retratada, mostrando todas as habilidades dos mutantes envolvidos.
Ryan Reynolds volta a trazer-nos
esta personagem da mesma maneira hilariante e meta que no filme anterior, e
ainda bem que aqui é onde não devem mexer. Josh Brolin no papel de Cable também
foi uma boa estreia para a personagem, não sei se está fidedigna com o material
de origem, mas daquilo que vi achei interessante. Zazie Beetz como Domino e o
seu poder de sorte, sim é isso mesmo que leram, permite criar grandes
situações, e espero que a atriz volte a aparecer em futuras sequelas ou
spin-offs. Mas, tirando o protagonista, a minha personagem favorita foi
Colosso, que serve como um melhor amigo para Deadpool, a tentar sempre que ele
use os seus poderes para o bem.
A história tem um tom mais
dramático, e espalha-se um pouco pelo meio, mas mesmo assim consegue ser uma
boa aventura.
Tudo aumentou de escala em
“Deadpool 2” e se em algumas coisas isso o favoreceu, em outras nem por isso.
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26/04/2018
Vingadores – Guerra do Infinito (Avengers: Infinity War - 2018)
Os Vingadores
têm de por de lado as suas diferenças e voltar a juntar-se, se querem ter uma
hipótese de derrotar o terrível Thanos e a ameaça que ele impõe sobre o
universo.
Vamos
lá começar pelo pior, não é bem mau, mas pode ser um ponto negativo. Se este é
um filme sobre o culminar de todos os filmes e com todas as personagens, convém
que todos os anteriores estejam frescos na memória, já que não se perde tempo
com introduções nem nada do género. Assim, espera-se que quem vá ver a terceira
entrega dos Vingadores esteja já bem por dentro dos seus elementos.
O
melhor de toda a produção:o vilão Thanos. Havia o receio que, com tantas
insinuações a esta personagem ao longo dos filmes, ela não se conseguisse
destacar e fosse apenas mais um vilão todo-poderoso banal. Felizmente, tal não
podia estar mais longe da verdade. Thanos é o melhor vilão que a MCU já nos
entregou, uma presença poderosa e intimidante, com uma determinação
avassaladora para completar o seu objetivo, que considera ser a forma de salvar
o universo de uma inevitável destruição. Os seus generais não tiveram tanta
exploração mas isso é compreensível, e a sua utilização é completamente
justificável.
Como
foi possível ver nos trailers, os nossos heróis não vão estar todos juntos mas
sim divididos em grupos. E, nesta divisão, quem é capaz de ter ficado pior
servido é Chris Patt, já que o carisma da sua personagem é grandemente anulado
dentro do grupo onde está inserido.Porém todos têm o seu tempo de antena, menor
ou maior, mas os realizadores Anthony e Joe Russo fizeram o melhor que seria
possível fazer com um número tão grande de personalidades a ser exploradas.
Homem de Ferro, Doutor Estranho, Thor, Homem-Aranha, entre muitos outros têm
grandes momentos e foi incrível!
O filme
dura duas horas e meia e, embora eu pudesse continuar a ver por mais uma ou
duas horas, estamos numa experiência muito intensa, repleta de movimento e
recheada de enredos em simultâneo. O motivo é algo que já falei: estamos
perante uma conclusão com personagens já conhecidas, logo a grande maioria do
filme são cenas de ação fantásticas, sem muito tempo para recuperarmos o
folego.
O final foi uma grande e
agradável surpresa, que me deixa ainda com mais vontade de ver o que vai
acontecer para o ano.
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17/10/2015
Sicario – Infiltrado (Sicario - 2015)
Uma idealista
agente do FBI vê-se envolvida numa operação que tem como função dar um sério
golpe no tráfico de drogas na fronteira entre os EUA e o México.
E, finalmente,
Villeneuve conseguiu-me convencer com as suas cenas de suspense. Porque esse
era o meu maior problema com os seus filmes anteriores, que criavam grande
tensão mas que depois a recompensa não era grande coisa. E, em certa medida,
isso também acontece aqui, só que desta vez somos devidamente recompensados
pelos incríveis momentos de tensão criados.
Isto não é um filme
de ação. Tem uma sequência ou outra mais puxada, mas aqui o interessante é a
história contada e o modo como é contada. E o trio de protagonistas que nos
traz este mundo de droga e corrupção têm grandes interpretações. Josh Brolin é
o membro mais fraco da equação, mas mesmo assim consegue ser misterioso durante
grande parte do tempo, só que é Benicio del Toro que consegue ser aquela
incógnita com aquele ar temível, que nunca se sabe quando vai começar entrar em
ação. A personagem de Emily Blunt é aquela que passa pela maior transformação,
entrando no início cheia de ideias que vão sendo sucessivamente atacados.
Um filme que nos
consegue deixar pregados à cadeira.
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25/09/2015
Evereste (Everest - 2015)
Aqui
vamos seguir a história verídica de um grupo de montanhistas que subiu até ao
cume do monte Evereste e depois foi atacado por uma tempestade.
E
aquilo que estava à espera acabou por acontecer, “Evereste” foi dos poucos
filmes que vi em IMAX que de facto merecem ser vistos neste formato, pois
permitiu uma maior emersão, principalmente naqueles planos em que vemos a
enormidade da montanha. E é possível sentir toda a intensidade da tempestade
que atingiu os protagonistas.
Só que
não é só de visual que esta aventura vive. Com um elenco constituído por Jason
Clarke, Jake Gyllenhaal, Keira Knightley, Josh Brolin, entre outros, talento de
representação não faltou. É a personagem de Jason Clarke que seguimos com mais
atenção, um montanhista que já subiu várias vezes ao cume e agora ajuda outros montanhistas
a lá chegar, estando sempre mais preocupado com o estado de saúde dos seus
clientes, do que em chegar ao destino.
Não que
não haja a devida atenção aos outros elementos do grupo. Sabemos as motivações
de alguns e ficamos verdadeiramente interessados por aquilo que lhes acontece e
se eles conseguem cumprir os seus objetivos.
Um
filme com um grande visual, grandes paisagens e interpretações comoventes.
28/08/2014
Sin City - Mulher Fatal (Sin City: A Dame to Kill For - 2014)
Fiquei bastante admirado quando
esta nova aventura por Sin City ficou em oitavo lugar na bilheteira no seu fim
de semana de estreia dos EUA. O possível motivo? Não souberam capitalizar o
sucesso do primeiro filme e esperaram nove anos para que saísse uma sequela e,
ao que parece, ninguém está interessado nestas adaptações de Frank Miller.
Posso
mesmo afirmar que, até certo ponto, foi uma sequela que saiu na altura errada. Usufrui
de muitos mais efeitos do que devia e perdeu muita da frescura que o original
trouxe. Não que algumas das histórias não sejam interessantes; aliás, a principal
é até bastante interessante mas, no conjunto, fica-se com uma sensação de
vazio. Parece que algumas só estão lá para mostrar os efeitos a preto e branco
e o 3D do filme.
Quanto
aos atores, posso dizer que Eva Green continua em grande forma e bons
desempenhos, voltando a demonstrá-lo com Eva, tal como Michey Rourke interpreta
Marv. O mesmo não se pode dizer de Jessica Alba e Joseph Gordon-Levitt que não
parecem se enquadrar bem no cenário. A substituição de Clive Owen por Josh
Brolin até correu bem e deu um ar mais durão à personagem de Dwight.
Infelizmente,
o duo de realizadores Frank Miller e Robert Rodriguez não deviam ter voltado a
mexer na cidade do pecado. O velho ditado “mais vale tarde do que nunca” não se
aplica a esta sequela.
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