16/07/2022

Thor - Amor e Trovão (Thor: Love and Thunder - 2022)

          Acho que ninguém estava bem à espera que, dos três heróis principais iniciais, - Capitão América, Homem de Ferro e Thor - fosse o Deus do Trovão o primeiro a ter o quarto filme a solo, principalmente porque os primeiros dois filmes não foram exatamente os melhores recebidos. Mas parece, que com a chegada de Taika Waititi e aquilo que fez em “Thor Ragnarok”, trouxe a personagem para a ribalta, algo que continuou nos últimos filmes de Avengers. E agora o realizador está de novo em ação para nos trazer a nova aventura do deus do trovão.
          Thor, junto com os Guardiões da Galáxia, está em modo de reflexão, a tentar encontrar o seu lugar no mundo. Só quando descobre que os deuses andam a ser massacrados ao longo do universo e que as próximas vítimas são os deuses de Asgard, Thor vai ter de voltar à Terra. E é aí que descobre que Jane Foster se tornou o novo Thor que protege o planeta. Agora os 2, juntamente com Valquíria e Korg, vão ter de derrotar Gorr.
          Na altura, escrevi que “Ragnarok” tinha sido muito cómico para o meu gosto e que não fazia muito sentido, tendo em conta as temáticas do filme. Mas, com o passar do tempo, e depois de mais umas quantas visualizações, acabei por apreciar mais o estilo e a maneira como a aventura foi contada.
          Por isso, não foi com contrariedade que vi o regresso do estilo de Taika para mais uma versão cheia de carisma do deus nórdico. E, mesmo não tendo qualquer problema com o tom ainda mais cómico do filme, houve várias coisas que foram muito apressadas. Principalmente porque mistura duas histórias importantes da BD, uma é a de Gorr e a sua saga pela morte dos deuses, e a outra quando Jane Foster pega em Mjolnir e se torna o novo Thor. Talvez não fosse preciso fazer um filme para cada uma destas histórias, mas acho que deviam ter sido melhor exploradas. A visita à cidade dos deuses também podia ter sido mais significativa do que aquilo que foi apresentado. Também há algumas coisas que não fazem grande sentido, mas explorar isso seria entrar no campo dos spoilers.
          Isso não quer dizer que não haja muita coisa para gostar deste filme, porque há. Thor continua a dizer bastantes piadas mas também sabe tornar-se mais sério quando a situação assim o exige, ou seja, basicamente as cenas com Gorr e Jane. A relação de Thor e Jane tem uma representação diferente em relação aos outros filmes, com a nova dinâmica, tanto pelo o facto de já não estarem numa relação, como pelo facto de Jane agora empunhar Mjolnir. E não é possível falar em relações sem mencionar o incrível triângulo amoroso que é Thor, Mjolnir e Stormbreaker. Exatamente, é mesmo isso que leram.
          Chris Hemsworth continua impecável como o protagonista e a mostrar que está mais que à altura para a personagem. Tessa Thompson também faz um bom papel, como uma Valquíria que está farta da vida burocrática e que deseja voltar ao campo de batalha, e Christian Bale é Christian Bale, não há nada para não gostar, apenas que teve pouco tempo de ecrã.
          “Thor - Amor e Trovão” é mais uma grande aventura do deus do trovão. Talvez da próxima vez reduzir um pouco o rácio da comédia, face a uma atitude mais séria.


02/07/2022

Buzz Lightyear (Lightyear - 2022)

          Não estava à espera de um filme sobre o boneco Buzz Lightyear, de todos os filmes que seria possível que a Pixar lançasse. Não que seja possível criar um grande filme a partir daí, afinal estamos a falar do estúdio que nos fez importar por sentimentos, por isso até podemos estar perante o melhor filme de sempre.
          Depois de anos a tentar descobrir o combustível para voltar para casa, Buzz vai ter de salvar a colónia espacial de uma invasão de robôs, comandados por Zurg.
          Todos os filmes deste estúdio são sempre acontecimentos pois, na grande maioria dos casos, são bem capazes de estar entre os melhores filmes do ano. E, infelizmente, acho que este não vai fazer parte dessas conversas. Não que “Buzz Lightyear” seja um mau filme, apenas não é nada de extraordinário. É um filme de ficção-científica com alguns conceitos de viagens no tempo e não foge muito disso.
          Logo nas primeiras cenas é possível prever o desenvolvimento que Buzz vai ter de sofrer ao longo do filme e não existe nenhuma surpresa em relação a isso. Também quem possa estar à espera de ver relações entre esta versão e a do “Toy Story” vai ficar algo desapontado. O restante esquadrão do nosso Ranger do Espaço também não são propriamente os mais interessantes, isto excluindo claro o gato robótico SOX que é, sem dúvida alguma, a melhor personagem do filme.
          Mal volto a dizer, não significa que estejamos perante um mau filme, porque a animação continua impecável e há boas cenas de ação, apenas não tem nada de particularmente memorável.
          Não, este não é o melhor filme da Pixar, aliás nem é o melhor filme que lançaram este ano, mas é provavelmente o seu primeiro verdadeiro blockbuster de verão.

24/06/2022

Mundo Jurássico - Domínio (Jurassic World Dominion - 2022)

          Sou um grande fã de todos os filmes desta saga e, sempre que sai um novo, lá estou eu na sala de cinema, a ver grandes monstros com milhões de anos a devorar pessoas.
          Quatro anos depois do filme anterior, agora temos dinossauros livres à volta de todo o mundo, a interagir com pessoas e com a biodiversidade dos dias de hoje. Enquanto isso, apareceram uns gafanhotos gigantes que andam a decorar todos os cereais.
          Acho que foi finalmente neste filme que o meu fascínio por este franchise acabou. Principalmente, porque o argumento é muito muito parvo. Atenção, tendo em conta o tipo de filme, não estou à espera que a história seja a coisa mais espetacular de todas, só preciso de alguma coisa minimamente decente que faça a ação avançar e a carnificina acontecer. E, infelizmente, não é isso que acontece aqui, principalmente porque quase toda a história não faz sentido e faz falta mais cenas de ação com os grande bichos, pelo menos que sejam algo interessante.
          Toda a vertente que envolve os tais gafanhotos gigantes, no final, acaba por resultar em nada. A justificação para a sua existência é unicamente para aparecerem as personagens dos primeiros filmes. Não digo que não as gostei de ver mas agora, se elas entrassem de uma maneira mais orgânica e competente, teria sido muito melhor. Também tendo em conta que temos dinossauros numa escala global, podíamos ter visitado mais lugares, para ver o seu impacto. É verdade que este é mais um filme em que as filmagens foram influenciadas pela pandemia mas, tendo em conta, que a grande maioria é feito graças a efeitos visuais, acho que podia haver mais localizações (embora a cena em Malta seja do melhor que o filme tem).
          Não tenho nenhum problema com o elenco, tanto com os da antiga trilogia, a de agora, bem como com as novas adições. O desenvolvimento das personagens é praticamente nulo, por isso, aquilo que se lembram delas dos filmes anteriores é exatamente como são aqui. O novo vilão também é tudo menos interessante e parece a cara chapada de Tim Cook, o CEO da Apple. Assim como os efeitos, que estão bons mas não espetaculares.
          Com o final desta nova trilogia pode ser que tenhamos uma boa dose de anos de descanso desta saga, a ver se têm tempo para criar algumas ideias interessantes.

14/06/2022

The Batman (2022)

          Parece que temos mais versão de uma das personagens mais conhecidas da DC Comics. Vai afastar-se da versão criada por Zack Snyder e criar a sua própria continuidade. Desta vez, o responsável por esta versão foi Matt Reeves, que nos trouxe os últimos dois “Planeta dos Macacos”, e Robert Pattinson, o protagonista desta vez.
          Quando um assassino em série chamado Riddler começa a matar políticos influentes na cidade de Gotham, Batman vê-se obrigado a mergulhar na rede de corrupção que envolve toda a cidade, que chega mesmo a relacionar a família Wayne.
          A sério, isto agora é uma competição para ver quem consegue trazer o filme mais escuro desta personagem? Não tiveram dinheiro para ligar as luzes? É que o filme é incrivelmente escuro. Eu entendo a escolha estilística para o fazer. Reeves quis criar um ambiente de um filme noir, onde o principal é a vertente detetive da personagem, que habita numa cidade cheia de corrupção e desgraças e onde está sempre a chover. Mas, por favor, paguem a conta da luz para se conseguir distinguir a incrível fotografia que o cinematógrafo Greig Fraser nos quer mostrar.
          Este filme segue também a nobre tradição de críticas em relação à escolha de ator para o papel principal, tendo sido assim desde Michael Keaton até agora com Robert Pattinson. Porque as pessoas ficaram com a ideia que o ator não evoluiu desde “Twilight” e claramente não viram mais nenhum filme dele, porque senão todas as dúvidas que não é um grande ator já teriam sido dissipadas. Mas, mesmo assim, será que consegue trazer esta icónica personagem ao grande ecrã? Sim, porque ele está muito bem enquadrado no desenvolvimento da personagem, já que este é um Batman que ainda está no início da sua jornada como vigilante. E, embora quando mascarado, o ator faz um trabalho muito convincente, já como Bruce Wayne acho que a coisa podia ter corrido melhor, é verdade que ele quase não aparece (o que para mim também é uma falha), mas quando está parece um miúdo rico que está a passar pela fase gótica.
          O restante elenco é impecável. Paul Dano traz-nos uma versão bastante diferente do Riddler de Jim Carrey, que é muito mais apropriada a este tipo de filme, e que mostra o quão implacável este vilão pode ser. Também temos um Colin Farrell praticamente irreconhecível como o Pinguim, que tem um bom desempenho mas que dá a sensação que vai ser mais utilizado em futuros filmes/séries. Também temos uma nova Catwoman, interpretada por Zoë Kravitz, com uma interpretação mais séria da personagem e que para mim fica no meio entre as versões de Michelle Pfeiffer e a de Anne Hathaway. Andy Serkis a fazer de Alfred também foi uma escolha de casting inspirada.
          Em tantas versões desta personagem que já apareceram no grande ecrã, é incrível que só tenhamos uma aventura que se foque mais na sua vertente como detetive. Porque Reeves conseguiu entregar aqui um grande filme, nem que seja no sentido literal da palavra, já que desta vez a duração é de praticamente 3 horas, o que para mim também já começa a entrar no campo do exagero. Mas, o melhor do filme, é conseguir criar todo um ambiente que nos envolve e que tem uma fotografia impressionante.
          Não é o melhor filme do cavaleiro das trevas que já vi mas é um grande início, que me deixa muito esperançoso para as futuras sequelas.