07/12/2021

Viúva Negra (Black Widow - 2021)

          Acho que todos podemos concordar que este filme veio vários anos atrasado, certo? A Viúva Negra já está dentro do universo da Marvel quase desde o início, e há muito que se estava à espera de um filme sobre a personagem. Mas agora, depois de “Endgame” e do destino que a personagem teve, dá a sensação que o tempo para este filme já tinha passado. Só que não foi isso que aconteceu, por isso vamos ver como Scarlett Johansson se porta pela última vez neste papel.
          Natasha Romanoff vai ter de enfrentar os fantasmas do seu passado, quando a sua irmã adotiva procura a sua ajuda.
          Vamos ser totalmente honestos. O grande propósito deste filme no grande esquema deste universo é a introdução de Yelena Belova, interpretada por Florence Pugh, como a nova espia do grupo. Se isto podia ter sido feito de uma melhor maneira? Muito possivelmente mas, mesmo assim, desta maneira não é má de toda.
          Uma das melhores partes do filme é logo a cena inicial, que dá a sensação que vamos ver um filme de espiões em condições. E, durante a maior parte do filme, é isso que temos. Mas, no terceiro ato, a Marvel não conseguiu desligar o seu modo de operar e teve de fazer um grande espetáculo cheio de ação e explosões, quando este tipo de filme tinha sido muito melhor servido com algo mais intimista.
          Uma coisa que pensava que já tínhamos passado à frente era o vilão extremamente fraco. Mas, tal como a chegada do filme veio atrasada, também esta prática parece saída diretamente do passado. Taskmaster é completamente desperdiçado e sem presença nenhuma, podia ter sido um robô que ia dar ao mesmo. Não sei se a personagem vai voltar a aparecer, mas se não, foi uma grande decepção. Dreykov (interpretado por Ray Winstone), embora não muito impressionante, ao menos é um vilão a sério, com ações que o tornam completamente desprezível.
          Se formos tirar tudo isto, "Viúva Negra” é um filme de ação que se vê muito bem. Tem boas interpretações, Johansson sente-se muito à vontade a representar este papel e as novas adições também foram muito positivas. Rachel Weisz e David Harbour têm boas interpretações e dão mais cor ao passado da protagonista, mas é a introdução de Florence Pugh como a sua irmã mais nova que é o grande destaque, apresentando os momentos mais emotivos do filme. São os momentos quando os quatro membros estão reunidos a falar que temos o maior desenvolvimento e emoção do filme.
          A maioria das cenas de ação estão muito bem conseguidas, mas outras parece que não acabaram de ser processadas pelo departamento de efeitos especiais.
          “Viúva Negra” chegou a tarde e a más horas mas, mesmo assim, é um bom filme de ação, que serve para caracterizar melhor uma das personagens mais conhecidas e para nos apresentar uma competente substituta.


22/11/2021

Velocidade Furiosa 9 (F9 - 2021)

          
           Já ninguém vai ver estes filmes a pensar que são uma coisa a sério, certo? Porque isto, basicamente, é tão fantasioso como ir ver um filme da Marvel. Mas, uma coisa a favor da saga de Vin Diesel é que ao menos reconhecem e apostam forte nisso. Porém, agora é capaz de ter virado mais um desenho animado do que um filme.
          Dom tem que voltar a juntar a equipa para parar um terrorista internacional, que afinal de contas se trata do seu irmão mais novo.
          Já estava algo preparado para aquilo que me esperava, graças aquilo que os trailers nos têm mostrado mas, mesmo assim, acho que nada me podia preparar para aquilo que vi. Nem sei se eu devo começar pelo filme em si, ou pela sua “incrível” história.
          Bem, abordaremos o argumento. Verdade seja dita, quando já estamos no nono filme, qualquer saga tem dificuldade em manter uma história interessante. A não ser, claro, baseada numa série de livros onde o trabalho é mais de adaptação. Mas aqui, quando de repente aparece o irmão, muito afastado, do protagonista, já estamos a entrar no terreno da telenovela. E, tendo em consideração que todo este franchise se baseia em todos eles serem uma família e que nada é mais importante que isso, ainda mais estranho este súbito aparecimento. John Cena a fazer dessa personagem nem está descabido de todo, tem o físico certo para o tipo de personagem (embora muito diferente da versão mais nova que vemos em flashbacks) mas não é por isso que a personagem parece deslocada de todo.
           As restantes prestações estão dentro daquilo a que já estamos habituados a ver na série. Com um pequeno destaque, pois temos um cameo do trio principal de “Velocidade Furiosa - Ligação Tóquio”.
           Verdade seja dita que há muito que todas as manobras que os carros conseguem fazer nesta saga estão dentro do mais implausível possível. Mas, se há algo que merece louvor, é a incrível capacidade, de filme para filme, conseguirem sempre superar o filme anterior. Só que aqui tudo passou para um nível cartonesco, desde carros a balançar em cordas, até super-ímanes que só funcionam da maneira mais conveniente possível, toda e qualquer tensão que se possa ter em relação aos destinos dos protagonistas desapareceu por completo.
           Embora “F9” não seja o pior filme da saga, é o pior desde a mudança de estilo dos filmes.



16/11/2021

Aviso Vermelho (Red Notice - 2021)

           Então não é que a Netflix também está a lançar os seus filmes nas salas de cinema? É verdade que só foi uma semana antes do lançamento na plataforma, e foi com um filme de ação de grande orçamento, mas mesmo assim pode indicar que vamos ter mais estreias no grande ecrã. Mas eu optei antes pelo sofá, e sinceramente não me arrependo da decisão.
          Sinceramente o filme acabou por ser exatamente aquilo que estava à espera, tendo em conta aquilo que os trailers foram mostrando. Uma mistura de ação com os carismas de Dwayne Johnson com Ryan Reynolds e umas pitadas de Gal Gadot pelo meio. E se for exatamente isso que estão à espera não vão ficar desapontados.
          O maior problema é que o filme nunca é mais que isso. O argumento é apenas o suficiente para criar situações caricatas e viajar por várias localizações à volta do mundo. Além de que não faz grande sentido, e que as várias “contrariedades” dos protagonistas podem ser facilmente resolvidas. E por falar em viagens à volta do mundo, estamos a falar de um filme que custou cerca de 200 milhões de dólares! É que se tirarmos o, certamente grande, cachê do elenco, o dinheiro não parece ter sido muito bem gasto. Se calhar se houvessem menos viagens, os efeitos especiais ridículos que muitas vezes aparecem eram escusados. A química entre os três elementos também não é muito boa, e se trocarmos estas personagens por outras dos últimos filmes de Johnson e Reynolds praticamente não daríamos pela diferença.
          As duas horas de duração também não ajudam. Sou fã do estilo cómico de Reynolds e da sua interação com Johnson, mas no fim do filme já estava a cansar. Gal Gadot acho que ficou pior na fotografia, sendo que na parte cómica é o elemento mais fraco do trio, não lhe sai de maneira tão natural como os outros protagonistas.
          “Aviso Vermelho” acaba por ser um filme de ação razoável, transportado por um bom elenco, mas que tem demasiados pontos fracos para ser uma das grandes referências do serviço de streaming.

08/11/2021

Eternals - Eternos (Eternals - 2021)

          A Marvel entrega-nos mais um episódio da sua contínua novela, desta vez com algumas diferenças interessantes. Primeiro, porque há a tentativa de expandir o universo, com mais menções de Celestiais e entidades cósmicas, e depois porque é realizado pela atual vencedora do Óscar de melhor realizadora Chloé Zhao, algo inédito para a saga.
          Os Eternos chegaram à Terra há cerca de 7000 anos, com o objetivo de exterminar os Deviants, seres predadores que andam a eliminar os humanos. Mas, depois de terem completado a sua missão inicial, os Eternos separam-se e passam a viver entre os humanos. Agora, nos dias de hoje, alguns Deviants voltaram a aparecer e a equipa tem de se voltar a reunir.
          O melhor do filme é a maneira como expande todo o universo Marvel e tudo o que isso poderá implicar para os próximos filmes. E, ao contrário de outros filmes da saga, tenta criar uma maior sensação de grandeza, em que tudo o que vimos até agora é praticamente um grão de areia no grande esquema das coisas.
          Em termos técnicos, também está impecável. As paisagens e ambientes estão muito bem representados e tem uma banda sonora épica. O problema é que o resto do filme não é bem adequado para toda essa elevação, já a história parece que se esforça para atingir o mesmo patamar de grandeza da música mas nunca consegue chegar lá.
          Isto leva-me ao principal problema do filme: as personagens. Basicamente, MUITAS! É que não é só a quantidade mas também com o tempo que passaram na Terra. Temos que compreender como os dez elementos da equipa passaram os últimos 7000 anos, para perceber o desenvolvimento do filme. Além disso, juntam-se os acontecimentos do presente, e simplesmente não há tempo para isso tudo pois não conseguimos criar as relações necessárias com as personagens, nem empatizar pelo que estão a passar. Supostamente, há um grande amor de milhares de anos entre Sersi e Ikari mas apenas o sabemos porque nos dizem isso, não há cenas suficientes para estabelecer essa relação. Adicionalmente, a interpretação estóica de Richard Madden não ajuda nada. O elenco é bom, nada contra, já que contamos com grandes nomes como Angelina Jolie, Gemma Chan, Salma Hayek, Kumail Nanjiani, Lia McHugh, Brian Tyree Henry e os restantes elementos que fazem um bom desempenho. Mas depois, como são tantos, estamos sempre a trocar as narrativas entre uns e outros e muitas vezes alguns ficam afastados do ecrã durante um grande período de tempo. Não podem ser só coisas más,a atenção: este é um dos filmes com a maior representação de diversidade dos últimos tempos e de certeza o melhor dentro do género de super-heróis. E também têm uma boa apresentação de vários super-poderes que já vimos em outros filmes, principalmente a super-velocidade de Makkari.
          “Eternals - Eternos” quis ser um filme diferente, com grandes aspirações e quase a abrir uma nova porta para uma parte diferente do universo. Mas acaba por sucumbir perante muitos desses objetivos e, em vez de uma nova porta, o que temos é mais uma janela entreaberta.