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10/01/2022
Não Olhem Para Cima (Don't Look Up - 2021)
Os filmes de Adam McKay não são muito consensuais para mim. Tanto podem ser incríveis como “Filhos e Enteados”, como depois temos “Vice”, que não me conseguiu encher as medidas. Pelos trailers, “Não Olhem Para Cima” parece ser interessante e conta com um elenco recheado de caras conhecidas. Além disso, junta-se a vantagem da facilidade em o ver em tempos de pandemia, já que se trata de um filme Netflix.
Aqui temos a história de dois astrónomos que descobriram que um cometa irá entrar em colisão com Terra dentro de seis meses e provocar a sua destruição, e que tentam informar a humanidade disso.
Como não podia deixar de ser, o filme é uma sátira a uma data de coisas. Desde a política, às notícias e às constantes discussões que surgem quando temos os factos mesmo à nossa frente, passando também pelas grandes empresas tecnológicas. E, mesmo que o filme já tenha sido planeado antes do início da pandemia, é óbvio que dá para fazer paralelos entre o cometa do filme e a realidade pandémica, já que as reações apresentadas são as mesmas que temos visto nestes dois anos desde que isto começou.
O mais interessante foi mesmo a paródia política, onde vemos que os problemas, mesmo que incrivelmente urgentes e importantes, são deixados para resolver para quando for mais conveniente para a agenda política. E que, mal a situação já não lhes seja favorável, depressa mudam o discurso, mesmo que seja totalmente o oposto do que disseram anteriormente.
O modo como a discussão nas notícias é feita também foi interessante, sendo que faz uma caricatura tanto dos liberais, como dos republicanos, e onde os dois protagonistas caem no meio desta confusão sem saberem como lidar com esta loucura; onde apenas querem transmitir a ideia daquilo que está a vir, mas onde todos querem mudar o discurso para algo que lhes sirva os interesses.
Os grandes destaques são Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, que protagonizam os cientistas que descobriram o meteorito e que sofreram mais alterações ao longo do filme, à medida que eram cada vez mais usados, tanto na política, como nas notícias. Meryl Streep e Jonah Hill também são um ponto alto, e dos que tiram mais risadas ao longo do filme.
“Não Olhem Para Cima” pode não ser incrível mas é uma boa comédia para entrar no catálogo no serviço de streaming.
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25/08/2019
Era uma Vez em... Hollywood (Once Upon a Time... in Hollywood - 2019)
Estamos na Los Angeles de 1969, e a fama do ator televisivo Rick Dalton está a desvanecer, por isso ele e o seu duplo Cliff Booth vão tentar a sua sorte em filmes.
Os filmes de Tarantino costumam ser longos mas geralmente por bons motivos. Mas raios, aqui é bem longo e não precisava de o ser. Sabemos que o realizador é um apaixonado pela época clássica de Hollywood e, por causa disso, quis mostrar todos os cenários que foram recriados, com longos takes de Cliff a andar de carro que, no fim, não acrescentam nada à história.
Outro contra (que também pode ser incorporado no da duração) é toda a história referente a Sharon Tate, que tanta polémica deu quando foi anunciado. Toda essa vertente podia ter sido removida, e assim sido feito algo melhor nos cinco minutos da parte final. Mas pronto, temos Margot Robbie por isso temos que a mostrar (nesse sentido, nada contra). Porém é preciso ter feito algum “trabalho de casa” para entender todas as referências do filme, pois muita gente pode não saber sobre o assassinato de Tate e todas as circunstâncias e, nesse caso, algumas coisas vão passar ao lado.
Se tirarmos os pontos referidos, estamos perante um grande filme. DiCaprio e Pitt têm uma grande química, sem que nenhum se sobreponha ao outro, com diálogos muito envolventes. Mas é talvez, após se separarem, que têm as suas melhores cenas. Sendo que, para mim, as melhores cenas são o diálogo entre DiCaprio e a jovem Julia Butters e quando Pitt vai visitar o culto de Charles Manson onde as nossas expectativas dão uma reviravolta.
Nenhum dos protagonista é um “herói” inequívoco, já que, embora durante a ação do filme não façam nada de mal, têm um passado não tão inocente. Mas todas as prestações dos atores são tão boas que nos fazem esquecer isso. E já há algum tempo que não via Pitt numa interpretação tão boa, o que mostra que o ator ainda tem muito para dar. Temos também cameos de muita gente conhecida como Dakota Fanning, Timothy Olyphant, Bruce Dern, entre outros que, embora não façam nada de especial, sempre são umas caras conhecidas.
E aquele ato final?! É aqui que Tarantino entre em modo Tarantino a 100%, apresentando uma cena de ação totalmente brutal, cheia de gore e que até tem momentos em que dá para rir um pouco. O filme vive, praticamente, para este momento.
“Era uma Vez em… Hollywood” é uma coleção de grandes cenas mas que não têm um bom ritmo entre elas. E, sendo de quem é, e um dos meus mais antecipados deste ano, fiquei algo desapontado com o resultado final.
13/02/2016
The Revenant – O Renascido (The Revenant - 2016)
Durante uma expedição pelo
território americano, o explorador Hugh Glass é deixado a morrer pelos seus
companheiros de viagem após ter sido atacado por um urso. Só que Glass
conseguiu sobreviver e vai se vingar daqueles que o deixaram.
Por
favor, entreguem o Óscar ao homem! É preciso ele ser atacado violentamente por
um urso e andar a rastejar e grunhir? A prestação de Leonardo DiCaprio é
incrível e é, sem dúvida, a melhor coisa do filme. Mas o ator também está bem
acompanhado. Tom Hardy é um antagonista de respeito e Domhnall Gleeson e Will Poulter
conseguem ter uma interpretação de destaque.
Mas a estrela ao
lado de DiCaprio é, na verdade, Alejandro González Iñárritu. O realizador
traz-nos tudo o que poderíamos pedir. Os cenários e paisagens são incríveis, planos
longos onde podemos ter batalhas intensas e onde a caraterização de todos os intervenientes
tem grande detalhe.
Só que,
sinceramente, este não foi um filme que me cativou muito. As interpretações e a
direção são de grande qualidade mas não me conseguiu fixar muito no enredo. Tem
os seus momentos, só que há muitos outros em que são só cenas contemplativas. É
verdade que está nomeado para praticamente tudo nos Óscares e espero que
DiCaprio leve a estatueta para melhor ator mas, para melhor filme, já não me
parece.
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09/01/2014
O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street - 2014)
O realizador Martin Scorsese, que
trouxe, agora, ao grande ecrã, a história do corretor da bolsa Jordan Belfort e
da sua degenerada vida, já está envolto em polémica. As críticas baseiam-se no
facto de o filme celebrar alguém com uma atitude moral tão duvidosa mas isso
não o impediu de ganhar duas nomeações para os Globos de Ouro. Resumidamente, temos contada a vida de Jordan Belfort, que passou da pobreza para uma vida de excessos graças às suas artimanhas como corretor na bolsa de Wall Street. É um filme que não é adequado para os que ficam facilmente incomodados. Temos os protagonistas a consumir grandes doses de drogas e a utilizarem prostitutas.
O modo como a história nos é dita também está muito interessante. Leonardo DiCaprio passa muito tempo a falar diretamente para o espetador, o que implica uma maior envolvência com quem o está a ver.
E, já que se está a falar do ator, DiCaprio volta aqui a mostrar o motivo pelo qual é um dos melhores atores que existe. A sua prestação como Belfron está impecável e merece, sem dúvida, alguma atenção por parte de quem está a dar prémios. O restante elenco, que conta com nomes como Jonah Hill, Matthew McConaughey, Rob Reiner e Jon Favreau também faz um bom trabalho para tornar “O Lobo de Wall Street” numa grande película.
Talvez o maior problema do filme seja a sua duração. São três horas em que temos de estar sentado a vê-lo mas, felizmente, consegue-se ficar entretido durante todo o tempo.
O filme é hilariante, com algumas cenas a parecer que nós é que tomamos as drogas. Além disso, conseguir manter este nível de interesse durante todo o filme é uma grande proeza que merece reconhecimento. O que é ainda mais incrível é que, muito daquilo que se vê, aconteceu na realidade.
Scorsese entrega-nos um grande filme, com uma grande prestação de DiCaprio.
27/01/2013
Django Libertado (Django Unchained - 2013)
Fico sempre com grande
expetativa quando sai um filme de Quentin Tarantino. Após ter sido apresentado
a “Kill Bill”, fiquei apaixonado pela sua cinematografia. E fiquei bastante
interessado nesta sua aventura agora pelos westerns spaghetti, que toma como
tema de fundo o da escravatura.
Django é um escravo que foi comprado e liberto pelo caçador de recompensas Dr. King Schultz para este o ajudar a capturar três criminosos. Depois desse trabalho feito e saber que a mulher de Django é igualmente uma escrava, este duo decide partir numa busca pela amada acorrentada.
Uma coisa de que gosto nos filmes de Tarantino é que são bastante completos, desde a banda-sonora, guião, personagens e ação. Este é, felizmente, um desses casos e, provavelmente quem não gosta do trabalho deste realizador, de certeza que também não é agora que vai mudar de opinião.
Django é o herói que esta muito conturbada parte da história americana precisava: um escravo que se revolta e decide ajudar os outros dentro do possível. Porém, a personagem interpretada por Jamie Foxx, às vezes não apresenta a “chama” necessária para aumentar o tom da personagem.
Mas todos os outros membros do elenco fazem um trabalho excecional. Os vilões representados por Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson são bastante fáceis de odiar, o que mostra que conseguiram fazer bem o seu trabalho. Christoph Waltz, no papel de Dr. King Schultz, é, contudo, quem rouba o filme, conseguindo uma prestação impressionante - o que já lhe valeu um Globo de Ouro.
A violência é dura e crua, tal como estamos habituados, e calha muito bem em todo o embalo do filme. E com uma grande apresentação, este é, sem dúvida, mais um dos grandes trabalhos de Tarantino.
Já com dois Globos de Ouro na mala e com cinco nomeações para os Óscares, estou à espera que este filme tenha um bom desempenho.
Django é um escravo que foi comprado e liberto pelo caçador de recompensas Dr. King Schultz para este o ajudar a capturar três criminosos. Depois desse trabalho feito e saber que a mulher de Django é igualmente uma escrava, este duo decide partir numa busca pela amada acorrentada.
Uma coisa de que gosto nos filmes de Tarantino é que são bastante completos, desde a banda-sonora, guião, personagens e ação. Este é, felizmente, um desses casos e, provavelmente quem não gosta do trabalho deste realizador, de certeza que também não é agora que vai mudar de opinião.
Django é o herói que esta muito conturbada parte da história americana precisava: um escravo que se revolta e decide ajudar os outros dentro do possível. Porém, a personagem interpretada por Jamie Foxx, às vezes não apresenta a “chama” necessária para aumentar o tom da personagem.
Mas todos os outros membros do elenco fazem um trabalho excecional. Os vilões representados por Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson são bastante fáceis de odiar, o que mostra que conseguiram fazer bem o seu trabalho. Christoph Waltz, no papel de Dr. King Schultz, é, contudo, quem rouba o filme, conseguindo uma prestação impressionante - o que já lhe valeu um Globo de Ouro.
A violência é dura e crua, tal como estamos habituados, e calha muito bem em todo o embalo do filme. E com uma grande apresentação, este é, sem dúvida, mais um dos grandes trabalhos de Tarantino.
Já com dois Globos de Ouro na mala e com cinco nomeações para os Óscares, estou à espera que este filme tenha um bom desempenho.
Nota: 4,5/5
23/04/2012
Titanic (1998)
Como
criar um clássico de cinema? A receita começa com encontrar um acidente
trágico, que toda a gente conhece, ou pelo menos ouviu falar. Neste caso, a
tarefa recai sobre um barco gigantesco que,supostamente, era impossível de
afundar. Um estudo exaustivo da época, desde os lugares ao comportamento das
personagens. Um orçamento milionário de 200 milhões de dólares. Criar uma
história romântica, com um ainda jovem Leonardo DiCaprio. E para juntar estes
elementos todos temos um grande diretor, James Cameron.
E foi
assim que, em 1997, saiu “Titanic”, um filme que rendeu 1,8 mil milhões de
dólares, um novo marco em termos de bilheteiras, e nesse mesmo ano arrebatou a
cerimónia dos Óscares ao ganhar 11 estatuetas!
A
estória passa-se durante 1912 quando Titanic, o maior barco da época, parte
para a sua viagem inaugural. O naufrágio segue os factos verídicos, e mesmo
algumas das personagens que aparecem estiveram de facto no barco. Curiosamente,
as personagens do romance são fictícias. Jack Dawson (interpretado por
DiCaprio) e Rose Dewitt Bukater (interpretada por Kate Winslet) são dois
passageiros de classes sociais distintas, que se envolvem numa relação que
estaria condenada logo no início. Porém, ao longo do filme vemos que esta
relação começa a desenvolver-se, e cria alguns momentos que foram marcantes,
sendo lembrados até agora.
Cameron
fez um trabalho notável, a caracterização das personagens está muito bem
conseguida e os efeitos especiais, durante a altura do naufrágio, estão ao mais
alto nível do que era possível na época. Chegou-se mesmo a construir um navio
em tamanho real e um tanque com 318 milhões litros de água de capacidade.
Um
filme que deve ser visto, fazendo parte da cultura cinematográfica. Um pequeno
aviso, o filme dura cerca de 3 horas, por isso, quando pensarem em o ver tem de
tirar um tempinho.
Nota:4,5/5
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