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29/03/2021

Som do Metal (Sound of Metal - 2020)

          A Amazon Prime trouxe-nos, no final do ano passado, uma produção que entrou em muitas listas de melhor filme do ano, por isso, decidi dar uma espreitadela a esta prestação de Riz Ahmed. E, agora com seis nomeações para os Óscares, mais motivos há para descobrir este filme.
          Um baterista de uma banda de heavy-metal vai ter de enfrentar uma nova realidade quando perde a capacidade de ouvir.
          A premissa de tirar algo que todos tomamos por garantido e o modo como se supera, ou não… Essa situação é sempre terreno fértil para fazer bons filmes. E é isso mesmo que temos aqui. Sendo que aqui a parte musical ainda tem uma maior importância, visto que foi um dos escapes que Ruben (o nosso protagonista) arranjou para se afastar das drogas. Por isso, quando o vemos inicialmente a tentar fazer de tudo para recuperar alguma da sua capacidade auditiva, tendo apenas parado devido ao elevado preço da operação, acabamos por nos relacionar.
          Riz Ahmed faz uma grande interpretação como o nosso protagonista, de alguém que luta para se habituar a esta nova realidade. É depois dessa incapacidade de se ajustar e de querer que tudo volte ao que era antes que se torna a sua perdição. Paul Raci, como o “professor” que ajuda na transição de Ruben, também tem um grande desempenho, com uma “instituição” de ajuda, com regras severas mas que servem para uma adaptação mais rápida.
          “Som do Metal” tem um tema importante e boas prestações, mas para mim não foi dos melhores filmes do ano passado.

08/03/2021

O Príncipe Volta a Nova Iorque (Coming 2 America - 2021)

         Sinto que nada disto vai correr bem… Principalmente porque quase todas as sequelas de filmes de comédia vários anos após o original não primam pela qualidade. E, embora tenha corrido melhor em “Chamem-me Dolemite”, os últimos filmes de Eddie Murphy não têm sido bem recebidos. Mas bem, espero que esta nova estreia da Amazon Prime sirva para passar um bom bocado (sim, o filme ia ter uma estreia cinematográfica o ano passado, mas todos sabemos o que se passou...).
          O príncipe Akeem vai ter de voltar aos Estados Unidos da América para encontrar um filho bastardo e trazê-lo para Zamunda.
          Vou começar já por dizer que gostei do filme. Não achei nada de especial mas, mesmo assim, foi divertido. O meu maior problema é com a narrativa principal. De modo a não estragar a inocência da relação de Akeem com Lisa, arranjaram uma maneira extremamente artifical de Akeem ter um filho antes de a conhecer e não se lembrar.
          Os melhores momentos são as personagens do primeiro filme e não deste novo elenco. Não por causa da falta de talento dos atores, mas sim porque a sua história é basicamente a mesma que no primeiro filme: de alguém que tem um casamento arranjado mas que o não o quer. É verdade que agora surge o elemento da falta de poder e autoridade feminina, muito presente em Zamunda, mas isso não chega como inovação.
          Para mim, o melhor é ver Eddie Murphy e Arsenio Hall juntos em grande. Nota-se que estão um pouco presos pela classificação etária do filme (o que não se entende sinceramente) mas, mesmo assim, conseguem concretizar grandes tiradas cómicas. Muitas delas estão relacionadas com momentos do primeiro filme, com as melhores cenas a passarem-se na mítica barbearia.
          O título do filme não faz muito sentido nesta sequela já que, em 90% do tempo, toda a ação se passa em Zamunda e não em Nova Iorque. Apenas foi dar lá uns saltinhos e pronto está feito.
          “O Príncipe Volta a Nova Iorque” é uma comédia agradável, cheia de locais e temas habituais, com um bom elenco e dá para arrancar umas risadas.

08/02/2021

Black Box (2020)

          Numa visita pela Amazon Prime, deparei-me com este “Black Box”, um filme de terror produzido pela algo inconsistente Blumhouse. Porém o trailer pareceu algo interessante por isso dei uma hipótese.
          Depois de um acidente de carro que matou a sua mulher e o deixou sem memória, Nolan submete-se a um teste experimental. Assim, recuperaria a sua memória e saberia quem é, a fim de melhorar a relação com a sua filha. Mas, quando se começa a lembrar de coisas que não fazem sentido, começa a duvidar de todo o seu percurso.
          Categorizar este filme em terror ou thriller é esticar um pouco a corda. É verdade que tem alguns elementos destes géneros mas, mesmo assim, se forem com a convicção de ver algo mais “forte” esta pode não ser a melhor escolha. A sensação de terror é criada nas secções de recuperação de memória e em todos os bloqueios mentais que existem. Claro que toda a situação de não se lembrar de nada é horrífica que chegue.
          A história é interessante e tem um pequeno twist, a pouco mais de metade do filme. Não é algo completamente imprevisível, porque podemos chegar lá com várias pistas que vamos tendo. Mas, ao menos, deu para ver algo diferente e é pelo menos uma coisa que quase nunca vi num filme.
          Mamoudou Athie, que interpreta o nosso protagonista, faz um bom trabalho de interpretação, o suficiente para nos interessarmos e nos relacionarmos com aquilo que está a passar. Também deixo um destaque para a pequena Amanda Christine, que é capaz de transmitir força para a recuperação do seu pai e, mesmo assim, demonstrar a fragilidade típica da idade.
          “Black Box” pode não ser um filme incrível mas não é uma má maneira de passar hora e meia.

01/02/2021

Uma Noite em Miami (One Night in Miami - 2021)

          A Amazon Prime traz-nos o primeiro grande filme de Regina King como realizadora. Em “Uma Noite em Miami”, seguimos um quarteto das figuras mais importantes da comunidade negra, em 1964, nomeadamente Malcolm X, Jim Brown, Sam Cooke e Cassius Clay (que virá a mudar de nome para Muhammad Ali).
          Sinceramente, não sabia bem o que esperar deste filme. Do pouco que sabia, parecia-me algo interessante mas nada de extraordinário. Felizmente, foi tudo uma agradável surpresa. Inicialmente, um tom mais leve e cómico, enquanto somos apresentados aos quatro elementos e ao modo como se relacionam com o mundo. É só depois de estarem juntos e começarem as suas discussões que o tom mais pesado e intenso do filme se manifesta.
          Aqui, o importante é o modo como cada um dos protagonistas usa o seu destaque e protagonismo de modo a avançar com a causa dos direitos civis e a revolta cultural dos anos 60. Tudo se centra como eles discutem as “prestações” entre si e como é que podem ser melhoradas.
          Tudo isto consegue ser interessante e empolgante, não só pelo argumento do filme, mas também pelas incríveis prestações de todo o quarteto, nomeadamente Kingsley Ben-Adir, como Malcolm X, Eli Goree, como Cassius Clay, Aldis Hodge, como Jim Brown e Leslie Odom Jr., como Sam Cooke. E não seria de estranhar que surgisse alguma nomeação para os Óscares deste ano.
          “Uma Noite em Miami” é um grande filme que, embora se passe nos anos 60, pode muito bem ser aplicado aos dias de hoje.