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21/02/2022

Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas (Nightmare Alley - 2022)

     
          Para mim um novo filme de Guillermo del Toro é sempre uma boa experiência, mesmo que o filme não seja impecável, está sempre a transbordar de personalidade e visuais interessantes. E o realizador ganhou um Óscar com o seu último filme, por isso, vamos ver lá ver este.
           Aqui seguimos o ambicioso Stanton Carlisle, que se junta a uma feira itinerante, e que através da sua maneira de enrolar as pessoas vai subindo cada vez na vida, até chegar a um ponto que o pode destruir.
           O filme é longo e isso não passa despercebido. Não que seja algo incomum a del Toro, mas neste acho que se notou mais isso. Houve algumas situações em que o filme parecia que ia acabar (ou estar prestes a fazê-lo), quando na verdade ainda faltava um bom bocado.
           Na verdade este trata-se de um remake de um filme de 1947, mas nunca o vi, e se há algum espaço de tempo para lançar um remake é de um filme dos anos 40. E o argumento é bastante interessante, embora seja possível desvendar o futuro do protagonista a dada altura. Mas, para nos fazer acreditar nesta história, temos um elenco de luxo, liderado por uma grande interpretação de Bradley Cooper. De um homem que tenta subir na escala social, mas sem nunca saber bem quando parar e o que poderia estar a causar. Outros destaques são Cate Blanchett, Toni Collette, Willem Dafoe, Rooney Mara, entre outros.
           Outra coisa que geralmente podemos contar, com um filme deste realizador, é um grande design de produção. Todos os cenários parecem ter vida própria, principalmente nas cenas passadas na feira. Além de conseguir criar um ambiente tenso, onde não sabemos exatamente o que se vai passar, e se vai haver algum elemento sobrenatural envolvido. Também com um grande destaque para o departamento de guarda-roupa.
          “Nightmare Alley - Beco das Almas Perdidas” não está entre os melhores filmes de del Toro, mas mesmo assim é um motivo mais que suficiente para ir ao cinema.


19/02/2019

Assim Nasce uma Estrela (A Star Is Born - 2018)


            A sério? É só isto? O filme que está nas bocas do mundo, que tem oito nomeações aos Óscares, só tem isto para mostrar? É com o quarto remake desta história que Bradley Cooper, além de protagonizar, se estreia na realização. E, embora tenhamos um filme bem realizado, o resto não é nada de especial.
            Uma estrela da música ajuda uma jovem cantora a encontrar a fama, ao mesmo tempo que a idade e o alcoolismo fazem com que a sua própria carreira entre em decadência.
            Não entendo todo o alarido em volta do filme. É um bom filme mas nada de extraordinário. A maior surpresa foi a interpretação de Lady Gaga que faz aqui um bom papel, embora a atriz/cantora esteja a fazer um papel de uma personagem que teve um percurso semelhante ao seu.
            Tem bons momentos musicais, com algumas boas músicas e muito provavelmente irá ganhar o Óscar por uma delas. As atuações das mesmas pelos dois protagonistas são dos momentos altos do filme. Bradley Cooper, que tem aqui o seu primeiro trabalho de realização, interpreta um excelente Jeff Bridges, com aquela atitude e voz arrastada. Sam Elliott tem um bom papel mas apenas está lá durante cinco minutos e tem uma boa interpretação mas todas as nomeações que tem passa-me completamente ao lado.
            “Assim Nasce uma Estrela” é um bom filme, algo previsível, muito bem realizado pelo estreante Bradley Cooper, mas que, pelo menos para mim, não merece toda a atenção que está a ter.


24/01/2015

Sniper Americano (American Sniper - 2015)



                “Sniper Americano”, que conta a história de Chris Kyle, considerado o atirador mais mortífero dos EUA. Seis nomeações para os Óscares, incluindo para melhor filme e melhor ator. Honestamente, parecia-me o concorrente mais fraco para ganhar qualquer coisa, com Bradley Cooper a ocupar o lugar de outros que mereciam mais. Tenho a felicidade de afirmar, que só estava parcialmente errado
                O realizador Clint Eastwood volta a provar que é um realizador a ter em conta. Não é o seu melhor filme – aliás, como filme biográfico passa o razoável – mas, como um filme militar e de recrutamento, até consegue ser bem-sucedido.
                O maior problema em relação a “Sniper Americano” é que, sendo uma película de caráter biográfico, não apresenta nada de novo sobre Chris Kyle. No início, sabemos que Kyle era um grande atirador e, no fim, continuamos a saber exatamente a mesma coisa. A exploração da intimidade familiar e forma de pensar do protagonista é abordado muito ao de leve.
                Não que isto seja culpa de Bradley Cooper, já que o ator consegue aqui uma das suas melhores interpretações até agora. Este não é um papel no qual se está habituado a ver o ator no entanto, Cooper consegue surpreender. Não que ache que mereça ser considerada uma das melhores do ano, mas, ao menos, agora, já não me sinto tão mal pela sua nomeação.
                As cenas de ação carecem de impacto e de mais ação propriamente dita. Faltam mais cenas como atirador. Faltam cenas diversificadas. Faltam cenas de tensão e suspense. Todas estas são muito raras e enriqueceriam muito mais a realização.
                E nomeado para melhor filme? Por favor! Não que seja um mau filme porém parece mais uma propaganda e não um filme militar intenso que mereceria um prémio como um dos melhores do ano.
                A falta de desenvolvimento do protagonista e das cenas de ação prejudicam o que podia ter sido um grande filme.


07/08/2014

Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy - 2014)



                Esta é sem dúvida a aposta de maior risco por parte da Marvel até agora. Tanto pelas personagens serem relativamente desconhecidas em relação a outras personagens como o Capitão América ou Homem de Ferro, como por esta aventura se passar no espaço, e facilmente pode ser chamado do Star Wars da Marvel. 
                Peter Quill foi raptado da Terra quando ainda era um pequeno rapaz, agora 26 anos depois tornou-se um Saqueador. Mas, quando descobre um pequeno orb torna-se procurado pelo terrorista Ronan. 
                O realizador James Gunn fez um bom trabalho em tornar “Guardiões da Galáxia” no filme mais bem-disposto e divertido da produtora. E como é que conseguiu isso? Graças a uma grande banda-sonora baseada em êxitos dos anos 70 e em personagens muito cómicas. 
                E aqui não temos apenas um protagonista cómico, já que todo o grupo consegue ter os seus momentos. Temos Rocket, o geneticamente alterado guaxinim, com Bradley Cooper a dar-lhe a voz, Groot, a árvore gigante com a voz de Vin Diesel, Drax O Destruidor é interpretado pelo lutador de wrestling Dave Bautista, Gamora é uma assassina interpretada por Zoe Saldana e o Peter Quill ou Star-Lord que é interpretado aqui por Chris Pratt. 
                Estava um pouco preocupado com este elenco. Felizmente as coisas correram pelo melhor, Bautista consegue entregar uma interpretação competente, e mesmo com apenas três palavras Groot (e Vin Diesel) consegue ser extremamente expressivo. E Zoe Saldana depois de ter ficado azul em “Avatar” desta vez ficou-se pelo verde e Chris Pratt mostrou aqui que consegue desempenhar uma boa prestação como protagonista. Já nos vilões a Marvel continua a ter problemas, já que continuam a ser bastante unidimensionais. Mas, a situação pode mudar assim que Thanos entre em cena. 
                Em termos técnicos continua a ser tudo do melhor e, como não podia deixar de ser, temos o nosso amigo 3D que está lá a dar uma volta. Não que não seja bem aplicado mas a relevância desta tecnologia contínua em questão. 
                Os heróis podiam ter sido melhor explorados, mas pronto, serviu como introdução. E já com a sequela anunciada esperemos que esta situação melhore. Houve uma tentativa de fazer os combates um grande espetáculo, mas soube a pouco. O argumento também não sai muito daquilo a que já estamos habituados. E para aqueles que vão ver à espera de ver alguma coisa a ver com o próximo Vingadores vai ficar desapontado. E o mesmo se pode dizer da cena no fim dos créditos. 
                Uma grande aventura espacial para juntar ao universo Marvel.




28/01/2014

Golpada Americana (American Hustle - 2014)





                É com 10 nomeações para os Óscares (com um lugar em todas as categorias principais) e vários prémios ganhos que “Golpada Americana” chega ao nosso país. Derivado de tanto reconhecimento pela Academia, as expectativas são grandes.
                Dois vigaristas são forçados a trabalhar para o FBI se querem evitar ir para a prisão. Isto vai fazer com que o agente Richie DiMaso tenha de entrar no mundo do crime, com uma mistura de subornos e mafiosos.
                O grande problema do filme é o seu argumento, embora haja alguns momentos em que a história consegue convencer. No entanto, noutros, fica tudo muito confuso sem se ter bem noção do que se está a passar.
                Não é pela história que vemos “Golpada Americana” mas sim pelos atores envolvidos. Em ordem crescente, para melhor interpretação, aponto Jennifer Lawrence, Jeremy Renner, Bradley Cooper, Amy Adams e Christian Bale. E, enquanto a nomeação de Bale e Adams seja completamente justa (sendo uma das minhas prestações preferidas de Adams), a de Cooper pode ser aceitável (mas já mais puxada), mas já a de Lawrence parece demasiado forçada. É verdade que a atriz faz um bom papel - nada contra nesse sentido! – mas, daí a ganhar uma nomeação, já me parece exagero.
                Não obstante, David O. Russell consegue criar um filme consistente, que vai desde a montagem à banda-sonora. Também é conseguida uma boa recriação dos anos 70, principalmente no departamento das perucas – uma pequena curiosidade: podem ver Amy Adams e Jennifer Lawrence em roupas bastante interessantes...
                Um bom filme que podia ser bem melhor se tivesse uma história melhorzinha.