O grande motivador para ver “Lixo”é o seu protagonista, interpretado por James McAvoy, e se for aquilo que o trailer prometeu é sem dúvida um filme muito interessante.
Bruce Robertson é um polícia bipolar, alcoólico e drogado que já fez de tudo para resolver os seus casos. Quando está em causa uma promoção, Bruce vai fazer de tudo para a conseguir, incluindo manipular os seus colegas. Isto tudo enquanto tem alucinações e uma ténia a viver na sua cabeça.
Esta é, sem dúvida, uma grande personagem. No início, é alguém com quem até conseguimos “simpatizar” com Bruce mas, ao longo do filme, esse sentimento vai mudando. À medida que vamos conhecendo melhor a personagem, a sua irreverência passa a cansar e para o fim fica apenas um sentimento de pena. E é mesmo esse o objetivo pois, ao longo da autodestruição pela qual Bruce passa, até chegar ao estado de mal conseguir funcionar normalmente, ele descobre que chegou ao fundo do poço. E ninguém como James McAvoy para conseguir interpretar esta personagem, naquela que é uma das suas melhores interpretações.
O elenco secundário também faz um bom trabalho, principalmente Eddie Marsan. Em termos de realização, Jon S. Baird consegue fazer um bom trabalho em nos apresentar este mundo. Tenham é atenção a umas coisinhas, se não gostam de ver pessoas a drogar-se e saltarem umas para acima das outras, não vão gostar de “Lixo”. Mas, o que interessa mais no filme, é simples: quem é Bruce Robertson?
Um bom filme que vale a pena ver.
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12/10/2020
07/08/2015
Quarteto Fantástico (Fantastic Four - 2015)
Um
grupo de quatro jovens vem os seus corpos alterados depois de se terem
teletransportado para uma nova e perigosa dimensão. Agora terão de aprender a
viver com estes poderes e a usá-los para conseguir salvar a Terra de um velho
amigo.
Ao
menos, o tom foi diferente dos dois primeiros filmes. No entanto, embora não seja
tão cómico e parvo, em vez disso não há um tom certo, pois ora tenta ser
ficção-científica, ora passa para o terror e isto com uma mistela de comédia. Tal
leva a uma certa confusão sobre, de facto,o tipo de filme que estamos a ver.
A origem dos heróis também é diferente, mais na
linha da versão “Ultimate”, mas, ao menos, consegue-se criar uma origem
diferente, mesmo na filosofia do reboot. Mas, precisamente, o maior problema do
filme está aí. Há uma maior preocupação em mostrar as origens e como tudo
começou do que em contar uma história com princípio, meio e fim. E acaba por
nem explicar direito as relações entre as personagens, como a aparente não
muito boa relação entre os irmãos Storm, a rápida mudança de atitude de Ben
Grimm em relação a Reed Richards e de como Victor Von Doom se torna o grande
vilão. Depois de passar tanto tempo a introduzir as personagens, o grande ato
final foi dececionante.
Mas tal
culpa não é do elenco, já que ele aqui se porta muito bem. Miles Teller vestiu-se
bem com o génio Reed Richards, Kate Mara não está mal como Sue Storm, Michael
B. Jordan funciona como o convencido Johnny Storm e Jamie Bell também está como
Bem Grimm (pelo menos durante o tempo que o vemos). Apenas é uma pena que o Von
Doom de Toby Kebbell não tivesse sido bem trabalhado.
As
expetativas para este filme não eram muitas pois, neste caso, a Fox estava mais
interessada em não perder os direitos das personagens e numa possível sequela, do
que em criar de facto algo que fizesse jus a estas personagens.
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