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12/10/2020

Lixo (Filth - 2014)

          O grande motivador para ver “Lixo”é o seu protagonista, interpretado por James McAvoy, e se for aquilo que o trailer prometeu é sem dúvida um filme muito interessante.
          Bruce Robertson é um polícia bipolar, alcoólico e drogado que já fez de tudo para resolver os seus casos. Quando está em causa uma promoção, Bruce vai fazer de tudo para a conseguir, incluindo manipular os seus colegas. Isto tudo enquanto tem alucinações e uma ténia a viver na sua cabeça.
          Esta é, sem dúvida, uma grande personagem. No início, é alguém com quem até conseguimos “simpatizar” com Bruce mas, ao longo do filme, esse sentimento vai mudando. À medida que vamos conhecendo melhor a personagem, a sua irreverência passa a cansar e para o fim fica apenas um sentimento de pena. E é mesmo esse o objetivo pois, ao longo da autodestruição pela qual Bruce passa, até chegar ao estado de mal conseguir funcionar normalmente, ele descobre que chegou ao fundo do poço. E ninguém como James McAvoy para conseguir interpretar esta personagem, naquela que é uma das suas melhores interpretações.
          O elenco secundário também faz um bom trabalho, principalmente Eddie Marsan. Em termos de realização, Jon S. Baird consegue fazer um bom trabalho em nos apresentar este mundo. Tenham é atenção a umas coisinhas, se não gostam de ver pessoas a drogar-se e saltarem umas para acima das outras, não vão gostar de “Lixo”. Mas, o que interessa mais no filme, é simples: quem é Bruce Robertson?
          Um bom filme que vale a pena ver.

07/08/2015

Quarteto Fantástico (Fantastic Four - 2015)



                O motivo de voltarmos a ter este grupo de super-heróis no grande ecrã não é exatamente o mais interessante, pois a Fox era obrigada a fazer o filme se não queria perder o direito das personagens. Como se verá ao longo da crítica, essa manobra não resultou da melhor maneira.
                Um grupo de quatro jovens vem os seus corpos alterados depois de se terem teletransportado para uma nova e perigosa dimensão. Agora terão de aprender a viver com estes poderes e a usá-los para conseguir salvar a Terra de um velho amigo.
                Ao menos, o tom foi diferente dos dois primeiros filmes. No entanto, embora não seja tão cómico e parvo, em vez disso não há um tom certo, pois ora tenta ser ficção-científica, ora passa para o terror e isto com uma mistela de comédia. Tal leva a uma certa confusão sobre, de facto,o tipo de filme que estamos a ver.
                 A origem dos heróis também é diferente, mais na linha da versão “Ultimate”, mas, ao menos, consegue-se criar uma origem diferente, mesmo na filosofia do reboot. Mas, precisamente, o maior problema do filme está aí. Há uma maior preocupação em mostrar as origens e como tudo começou do que em contar uma história com princípio, meio e fim. E acaba por nem explicar direito as relações entre as personagens, como a aparente não muito boa relação entre os irmãos Storm, a rápida mudança de atitude de Ben Grimm em relação a Reed Richards e de como Victor Von Doom se torna o grande vilão. Depois de passar tanto tempo a introduzir as personagens, o grande ato final foi dececionante.
                Mas tal culpa não é do elenco, já que ele aqui se porta muito bem. Miles Teller vestiu-se bem com o génio Reed Richards, Kate Mara não está mal como Sue Storm, Michael B. Jordan funciona como o convencido Johnny Storm e Jamie Bell também está como Bem Grimm (pelo menos durante o tempo que o vemos). Apenas é uma pena que o Von Doom de Toby Kebbell não tivesse sido bem trabalhado.
                As expetativas para este filme não eram muitas pois, neste caso, a Fox estava mais interessada em não perder os direitos das personagens e numa possível sequela, do que em criar de facto algo que fizesse jus a estas personagens.