O grande motivador para ver “Lixo”é o seu protagonista, interpretado por James McAvoy, e se for aquilo que o trailer prometeu é sem dúvida um filme muito interessante.
Bruce Robertson é um polícia bipolar, alcoólico e drogado que já fez de tudo para resolver os seus casos. Quando está em causa uma promoção, Bruce vai fazer de tudo para a conseguir, incluindo manipular os seus colegas. Isto tudo enquanto tem alucinações e uma ténia a viver na sua cabeça.
Esta é, sem dúvida, uma grande personagem. No início, é alguém com quem até conseguimos “simpatizar” com Bruce mas, ao longo do filme, esse sentimento vai mudando. À medida que vamos conhecendo melhor a personagem, a sua irreverência passa a cansar e para o fim fica apenas um sentimento de pena. E é mesmo esse o objetivo pois, ao longo da autodestruição pela qual Bruce passa, até chegar ao estado de mal conseguir funcionar normalmente, ele descobre que chegou ao fundo do poço. E ninguém como James McAvoy para conseguir interpretar esta personagem, naquela que é uma das suas melhores interpretações.
O elenco secundário também faz um bom trabalho, principalmente Eddie Marsan. Em termos de realização, Jon S. Baird consegue fazer um bom trabalho em nos apresentar este mundo. Tenham é atenção a umas coisinhas, se não gostam de ver pessoas a drogar-se e saltarem umas para acima das outras, não vão gostar de “Lixo”. Mas, o que interessa mais no filme, é simples: quem é Bruce Robertson?
Um bom filme que vale a pena ver.
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12/10/2020
26/09/2019
It - Capítulo 2 (It Chapter Two - 2019)
Passaram-se 27 anos desde o último encontro dos Losers’ Club com o terrível Pennywise. Mas agora que ele voltou ao ataque, o grupo vai ter de se juntar mais uma vez, para o derrotar de vez.
Antes de mais. O filme é longo como tudo, com quase três horas de duração. E se merece todo esse tempo? Nem por isso, em algumas situações o ritmo esmoreceu um pouco. Tanto que vamos ter, em princípio, uma versão de realizador com cerca de quatro horas, e aí se calhar a coisa melhora um pouco, embora isso piore a duração do filme.
No geral, não gostei tanto deste filme como do anterior. Primeiro, o fator novidade já desapareceu, já conhecemos o estilo, os protagonistas e o vilão. Segundo, as criaturas em que It se transforma, passaram muitas delas a serem monstros feitos de efeitos especiais, que parecem algo deslocados do filme em que estão (muito do estilo do monstro no quadro do primeiro, mas em pior). Terceiro, é bem mais fácil torcer pelo sucesso de um grupo de miúdos do que por adultos - este, como tudo o resto, é bastante subjetivo. E por último, tal como referi no ponto anterior, muita gente gostou do elenco dos miúdos, e por isso quiserem acrescentar mais cenas deles neste capítulo, que se tornam algo forçadas, retirando o foco do grupo que devíamos estar a seguir agora.
Não que com isto tudo “It - Capítulo 2” seja um mau filme. Apenas que não chega aquilo que foi o primeiro. Tanto que o elenco adulto está muito bem representado, com James McAvoy, Jessica Chastain, Bill Hader, entre outros. E, por estranho que possa parecer, os dois primeiros, embora sejam os mais conhecidos, foram aqueles que passam mais despercebidos, sendo o destaque para o hilariante Hader e para James Ransone.
Skarsgård também tem mais destaque e consegue trazer todo o terror e ameaça que a sua personagem requere. Mesmo que as suas origens e desenvolvimento não sejam propriamente os mesmos que no livro que serviu de inspiração, acho que foi uma boa adaptação para o grande ecrã.
Pode dar a ideia que estou a descascar no filme como se não houvesse amanhã mas, na maior parte, é por causa de coisas que piorou em relação ao filme anterior. Mas, mesmo assim, é superior à grande maioria de filmes de terror de ultimamente.
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23/01/2019
Glass (2019)
Depois de
tanto David Dunn como a Besta terem sido capturados, a psicóloga Dr. Ellie
Staple vai tentar convencê-los, assim como a Elijah Price, que não passam de
pessoas normais sem quaisquer super poderes.
Este filme
sofre de dois grandes problemas. O primeiro é que não foi propriamente uma
multidão que viram “Fragmentado” e “O Protegido”, já que o segundo estreou há
19 anos, e “Glass” não faz uma grande papel a explicar os acontecimentos
passados. Por outro lado, para quem os fãs dos dois filmes, espera-se uma
grande conclusão para esta improvável trilogia.
Mais uma vez, é James McAvoy que
consegue salvar toda a narrativa. Todas as metaformoses que o ator sofre ao
segundo quando passa de personalidade para personalidade é incrível e ver os
distintos desempenhos que ele consegue criar é algo que merece ser apreciado.
Samuel L. Jackson também está bem mas não surpreende. E, mais uma vez, Bruce
Willis parece que está a passear pelo filme - todos estamos mais ou menos
cientes disso - já que não lhe é dado grande destaque.
O argumento de M. Night é que não
consegue dar uma conclusão satisfatória. Dá a sensação que estamos a criar um
grande crescendo mas sem clímax. Além disso, as cenas de ação não foram
propriamente bem editadas: é verdade que não estava à espera de um espetáculo
visual como um filme dos “Avengers” ou as coreografias marciais de “The Raid”
mas, pelo menos, a câmara podia não estar sempre a saltar de um lado para o
outro e com menos close-ups. As tentativas dos protagonistas duvidarem que têm
poderes (e através deles, o espetador) também não é muito convincente, já que,
quando vimos nos filmes anteriores a certeza que os têm.
“Glass” não
é um mau filme, como posso ter dado a entender. Tem os seus bons momentos, nem
que seja para ver a grande interpretação de McAvoy, apenas o argumento não é
tão inteligente como parece ser.
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02/09/2017
Atomic Blonde - Agente Especial (Atomic Blonde - 2017)
Uma agente
secreta do MI6 é enviada para Berlim, para investigar o homicídio de um colega
e, ao mesmo tempo, recuperar uma lista que contêm o nome de todos os agentes
duplos.
Aquilo que
salta logo à vista é que este tenta ser um “John Wick” mas no feminino, com
algumas diferenças, não muitas, que podem relegar “Atomic Blonde” como a
escolha mais fraca. Claro que gostos são gostos mas, para mim, os pontos
inferiores são em maior quantidade que os pontos superiores e já vou
explicitá-los.
O mundo
aqui criado não é tão envolvente nem misterioso, talvez por se tratar “apenas”
do MI6 e não de uma organização clandestina de assassinos mundial, e também
pelo cenário ser algo conhecido. As cenas de ação não causam tanto impacto - na
sua maior parte são confrontos corpo-a-corpo que, embora muito bem executados,
não me fizeram despertar tanta atenção. Mesmo a história, em algumas situações,
chega a ser algo confusa e é preciso estar sempre atento neste mundo de espiões
e mentiras. Uma coisa a favor é a banda-sonora, com uma forte presença de
músicas dos anos 80, que caiem muito bem no ambiente e estilo do filme. Também
Charlize Theron consegue uma melhor interpretação que Keanu Reaves.
Não quero
com isto dizer que estamos perante um mau filme, porque não é isso que
acontece. Tem grandes cenas de ação, uma protagonista forte e uma grande
interpretação de James McAvoy. O problema é mesmo a história mas “Atomic Blonde
- Agente Especial” não nos demotiva de todo a voltar a ver Theron em grandes
filmes de ação.
21/05/2016
X-Men – Apocalipse (X-Men: Apocalypse - 2016)
Durante
os anos 80, Apocalipse, o primeiro mutante a aparecer, acorda e não gosta do
estado de como o mundo está, por isso decide fazer a coisa mais razoável de sempre:
nivelar o planeta.
A cena
inicial no Egito está muito bem conseguida e quase que dá a sensação que podia
ter sido o seu próprio filme. Infelizmente, estes minutos iniciais são um dos
pontos melhores do filme. Mais uma vez, Quicksilver tem uma cena incrível, com
um grande tom cómico e que demonstra uma grande habilidade técnica. As
iterações mais jovens de Jean Grey, Scott Summers e Kurt Wagner (interpretados
por Sophie Turner, Tye Sheridan e Kodi Smit-McPhee respetivamente) conseguem
encontrar o seu lugar na saga e deixam o caminho aberto para futuros filmes.
Apocalipse
- graças a Deus, com melhor aspeto do que as primeiras imagens demonstraram - tem
uma grande presença no ecrã. O filme gasta um tempo considerável a fermentar a
personagem, para que o possamos ver a recrutar os seus seguidores e o que quer
fazer com o mundo. É verdade que tem vários poderes e que consegue fazer frente
a vários dos protagonistas ao mesmo tempo mas a batalha final podia ter sido
mais intensa. Resumiram-se a pequenas batalhas sem muito impacto, que
culminaram numa batalha maior.
A
relação entre Michael Fassbender e James McAvoy não é tão aprofundada neste
novo capítulo, o que é uma pena, porque as suas interações são um grande fator
positivo para o filme. Mas tal era também de esperar, pois era preciso dar mais
foco ao novo vilão. Vamos é ver se é desta que Jennifer Lawrence faz as malas
desta saga já que, a cada novo filme, a atriz parece cada vez mais
desinteressada em interpretar este papel.
O
argumento não é tão bom como o filme anterior mas, mesmo assim, “X-Men - Apocalipse” é uma conclusão sólida para esta trilogia.
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