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14/12/2021

Cruella (2021)

          “Cruella” é a mais recente entrada no género “filmes baseados em vilões”, tal como “Maléfica” e “Joker”. O problema é que, na maioria dos casos, os filmes tendem a ser mais para o fraco.. E os trailers também não são propriamente interessantes, transmitindo a ideia que Cruella está no mesmo nível de loucura que Harley Quinn. Por outro lado, temos Emma Stone e Emma Thompson a protagonizar e Craig Gillespie (que realizou “Eu, Tonya”), por isso até podemos estar perante um bom filme.
          Aqui vamos descobrir as origens da vilã de “101 Dálmatas”, desde a sua infância até o seu grande confronto com a Duquesa, a maior estilista de Londres.
          Sinceramente, estava à espera que este filme fosse uma desgraça completa mas felizmente não foi isso que se verificou. É perfeito ou chega lá perto? Nem por isso, mas mesmo assim não deixa de ser um filme muito competente. E isso porque consegue , de uma maneira muito bem conseguida, conjugar vários elementos. O guarda-roupa é explosivo e exuberante, tem uma banda-sonora vibrante e cativante e tem duas grandes prestações nas duas protagonistas.
          Porém há uma mentira neste filme. Pois a Cruella que é aqui apresentada não tem semelhanças nenhumas com aquela que vemos nas animações. Este é basicamente um filme sobre moda, centrada na rivalidade entre uma estabelecida estilista e uma novata com muito talento. Não que isso torne o filme mau, pelo contrário, visto que o achei interessante, mas penso que é um grande esticão imaginar como a personagem fica no final do filme e depois como fica no filme de 1961.
          Estava preocupado que a “loucura” da protagonista fosse algo demasiado exagerado e que fosse distrair do filme, mas felizmente isso não acontece. Emma Stone consegue uma grande interpretação, não das suas melhores, mas mesmo assim consegue fazer-nos ligar à personagem e nos preocuparmos com aquilo que lhe acontece.
          Por falar nisso, o argumento acaba por ser o grande ponto fraco do filme. Não é muito difícil de saber o desenrolar dos acontecimentos desde o início. E é capaz de não lidar com doenças mentais da melhor maneira.
          “Cruella” é um bom filme, mas não parece de todo relacionada com a vilã do clássico da Disney. Pode ser que a sequela já anunciada trate disso.

27/09/2021

Maligno (Malignant - 2021)

          Acho que se pode dizer que James Wan é um dos melhores realizadores dos últimos tempos, não só no campo do terror. Para além de ter sido o criador de sagas como “Saw - Enigma Mortal”, “Insidious - Insidioso” e “The Conjuring - A Evocação”, também foi o responsável pelo sétimo capítulo da saga “Velocidade Furiosa” e fez o único filme do universo da DC Comics que superou a marca do mil milhão de dólares com “Aquaman”. E agora de volta ao terror com este “Maligno” teremos novo franchise?
          Depois de uma invasão à sua casa, Madison fica paralisada quando começa a vivenciar alucinações de assassinatos chocantes que, depois, se verificaram que aconteceram na realidade.
          Este é, sem dúvida, um dos filmes com que mais me diverti nos últimos tempos. Não que tenha qualquer elemento de comédia, mas o final, quando finalmente sabemos tudo o que se está a passar, é incrível. É que é tão absurdo e ridículo, que esse desfecho pode ser descartado no início, mas o filme traz esta revelação com toda a seriedade e só o torna melhor por isso. Mas, da mesma maneira que eu “aceitei” de bom grado este grande desvio com que Wan surpreende, para muita gente pode ser um motivo para descartar totalmente o filme.
          Principalmente porque o filme tem um grande problema no seu elenco. Pois, se excluirmos a protagonista Annabelle Wallis que tem uma grande interpretação, os restantes elementos são tão maus que chegam a ser caricaturas. Isto tanto pelas prestações que dão, como pelo argumento que têm que dar voz.
          O terror pode não ser genial mas tem uns grandes momentos e, se bem que às vezes se note os efeitos especiais em algumas cenas, a violência é do mais brutal que Wan já nos mostrou. E tudo isto associado a uma banda-sonora que nos consegue envolver bem em todos os momentos.
          “Maligno” tem várias falhas de argumento e nas prestações mas, mesmo assim, tem vários pontos positivos, como o twist, o ambiente e a violência que o tornam uma recomendação para o Halloween que se aproxima.

31/05/2021

Exército dos Mortos (Army of the Dead - 2021)

          Finalmente vemos o nome do realizador Zack Snyder sem ser em algo relacionado com super-heróis. Desta vez, volta a entrar num mundo que também já está habituado: zombies. Desta vez, com um exclusivo da Netflix e protagonizado por Dave Bautista, vamos ver se o realizador consegue chegar à mesma qualidade de “Dawn of the Dead”.
          Depois de Las Vegas se ter tornado uma cidade zombie e de ter sido isolada do resto do país, um grupo de mercenários vai entrar na zona de quarentena para tentar protagonizar um dos maiores roubos de sempre.
          Vamos começar pelo facto de o filme ter quase duas horas e meia e não precisar de o ser. Snyder, desde há uns tempos, ganhou o hábito de fazer filmes longos e às vezes sem necessidade. O tempo extra é preenchido com diálogos sem noção e parece que caíram lá só mesmo para estender a duração do filme. Inicialmente parece que vamos ter um filme algo diferente, com um tipo de zombie mais inteligente mas depois parece que a ideia não é totalmente aproveitada.
          De resto, aquilo que podem estar à espera deste tipo de filme é exatamente aquilo que vão ter. Os diálogos são uma desgraça e todo o desenrolar da história é bastante previsível, sem haver grandes surpresas. Mas, por outro lado, a ação está muito boa. Temos muito gore nas mortes tanto dos protagonistas, como dos zombies, que fazem bem merecer bem a classificação de +16. Além disso, também as situações em que o grupo se vê são bastante caricatas.
          Em termos de elenco, não estamos perante a elite, embora também o argumento não ajude nada a isso. Este é o tipo de filme em que estava à espera que Bautista se fosse sair bem e, embora esteja bem melhor que outras produções, ainda não consegue carregar o filme como protagonista... Principalmente nos momentos em que é necessário uma maior carga emocional. O restante elenco faz um trabalho decente para o tipo de filme que estamos a ver.
          “Exército dos Mortos” não é brilhante, nem nada parecido, mas se querem ver uns zombies a ser mortos, com grandes efeitos, este é o vosso filme.

24/05/2021

Ninguém (Nobody - 2021)

          Sinceramente estava à espera que este tipo de filmes chegasse mais cedo. E por este tipo de filme quero dizer: “ator de quem não estamos à espera que seja uma estrela de ação nesta altura da sua carreira, faz um “John Wick””. Por isso, quando foi anunciado que Bob Odenkirk ia fazer isto, fiquei muito entusiasmado, porque estamos a falar de um grande ator que ia entrar em modo sangrento e começar a matar tudo o que lhe aparece à frente.
          Numa das suas rotineiras viagens de autocarro, Hutch intervém quando uma mulher está prestes a ser assediada, o que o mete na mira de um importante traficante.
          Se estão a contar com boas cenas de ação, “Nobody” entrega bem essas cenas, sendo que para mim o único senão é que demora um pouco até chegarmos a isso. Acho que demora demasiado tempo a mostrar a vida normal e "patética" do protagonista e o quão rotineira ela é, sem grandes estímulos. Mas, quando entra em modo ação, é imperdoável, não é tanto o uso de “gun-fu” de John Wick mas sim o uso dos instrumentos que estão espalhados onde está, mais dentro do estilo de “Equalizer”.
          Se alguém tem dúvidas que Odenkirk consegue fazer as cenas de ação, pode ficar descansado que o ator consegue desenrascar-se muito bem. Pode haver um momento ou outro em que se nota que está mais em esforço mas isso também serve para mostrar a idade da personagem. Uma surpresa no elenco foi ver Christopher Lloyd como o pai do nosso protagonista, que também tem direito a umas cenas de destaque.
          Se vierem mais filmes deste género e de “John Wick”, com esta qualidade, eu aqui os espero de bom grado.

19/10/2020

Ava (2020)

          É verdade que ultimamente não temos tido grandes motivos para voltar às salas do grande ecrã e, sinceramente, não é este tipo de filme que vai chamar muita gente.
          Tudo em “Ava” tem o ar de filme de ação mais genérico possível, que retrata uma assassina solitária, que se vê obrigada a fugir da mesma organização criminosa que a contratou. Também já não basta ter gente conhecida, como Jessica Chastain, John Malkovich e Colin Farrell, embora, verdade seja dita, talento num elenco nunca fez mal a ninguém.
          O argumento é bastante previsível, não sendo difícil saber para onde a história nos conduz. Geralmente, neste tipo de filme, as cenas de ação tentam ser o foco principal, com alguns filmes recentes a elevar cada vez mais a fasquia. Mas tal não acontece aqui. As cenas não são nada de especial e estão sobre-editadas.
          O que é pior é a incrível dose de melodrama entre estas cenas. Parece uma telenovela com ação lá metida para o meio. Não que a história de dependência da protagonista não seja algo importante de representar no cinema, apenas penso só que não é apresentada do modo mais cativante. E nem culpo as interpretações por isso, pois o trio principal está faz um bom trabalho; já o discurso, é outra história.


12/10/2020

Lixo (Filth - 2014)

          O grande motivador para ver “Lixo”é o seu protagonista, interpretado por James McAvoy, e se for aquilo que o trailer prometeu é sem dúvida um filme muito interessante.
          Bruce Robertson é um polícia bipolar, alcoólico e drogado que já fez de tudo para resolver os seus casos. Quando está em causa uma promoção, Bruce vai fazer de tudo para a conseguir, incluindo manipular os seus colegas. Isto tudo enquanto tem alucinações e uma ténia a viver na sua cabeça.
          Esta é, sem dúvida, uma grande personagem. No início, é alguém com quem até conseguimos “simpatizar” com Bruce mas, ao longo do filme, esse sentimento vai mudando. À medida que vamos conhecendo melhor a personagem, a sua irreverência passa a cansar e para o fim fica apenas um sentimento de pena. E é mesmo esse o objetivo pois, ao longo da autodestruição pela qual Bruce passa, até chegar ao estado de mal conseguir funcionar normalmente, ele descobre que chegou ao fundo do poço. E ninguém como James McAvoy para conseguir interpretar esta personagem, naquela que é uma das suas melhores interpretações.
          O elenco secundário também faz um bom trabalho, principalmente Eddie Marsan. Em termos de realização, Jon S. Baird consegue fazer um bom trabalho em nos apresentar este mundo. Tenham é atenção a umas coisinhas, se não gostam de ver pessoas a drogar-se e saltarem umas para acima das outras, não vão gostar de “Lixo”. Mas, o que interessa mais no filme, é simples: quem é Bruce Robertson?
          Um bom filme que vale a pena ver.

05/10/2020

Enola Holmes (2020)

     
         Até ao ano de 2020 a personagem de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes, já teve a sua boa dose de adaptações, sempre com qualidade variável. Por isso, desta vez, é-nos apresentada uma personagem nova, Enola Holmes, a irmã mais nova do famoso detetive, criada por Nancy Springer.
          Enola Holmes viveu durante 16 anos apenas com a sua mãe, que um dia desaparece inesperadamente, deixando a sua filha para trás. Enola sente que a tem que encontrar e, ao mesmo tempo, tem que fugir dos seus dois irmãos mais velhos (Mycroft e Sherlock) e ainda desvendar uma conspiração envolvendo um jovem Lorde.
          Enola acabou por, em grande parte, mostrar outro lado de Millie Bobby Brown, já que tanto em “Stranger Things” como “Godzilla 2 - Rei dos Monstros” está dentro do mesmo tom desanimado. Mas, desta vez, com uma personagem totalmente diferente, vemos que a atriz consegue também consegue uma boa interpretação em cenários mais ligeiros, com comédia, ação e grandes diálogos à mistura.
          Os dois irmãos Holmes também estão bem representados: Henry Cavill assenta bem nesta versão Sherlock, um pouco mais emocional do que aquilo a que é habitual, e Sam Claflin consegue trazer um Mycroft verdadeiramente detestável. Louis Partridge como o jovem lorde Tewkesbury também faz um bom trabalho mas é, geralmente, nos momentos de tensão amorosa com a protagonista que o filme perde mais o interesse.
          O mistério é interessante e é “merecedor” em ser desvendado por um Holmes e, num momento em que parecia que a solução ia ser óbvia, consegue dar uma boa reviravolta.
          “Enola Holmes” é mais um filme interessante no catálogo da Netflix e que pode facilmente dar origem a um franchise.

12/09/2020

Project Power - Descobre o Poder (Project Power - 2020)

          E se tivéssemos super-poderes durante 5 minutos ao tomar um simples comprimido? Pequeno detalhe: tanto podemos ficar super fortes, como explodir. Essa é a premissa deste novo filme de ação da Netflix, que é protagonizado por Jamie Foxx, Joseph Gordon-Levitt e Dominique Fishback.
          Fiquei algo desapontado com o filme. Claro que nem tudo o que saia da Netflix seja puro ouro mas, ultimamente, os seus filmes de ação têm sido razoáveis e a premissa deste parecia interessante. O problema é que se trata de um banal filme de crime, sendo que a única diferença é a droga utilizada. É verdade que temos uns momentos em que se mostram os poderes que a droga confere, mas que visto a grande atenção do filme foi para a parte do crime, devia ter sido mais explorada, com um enredo mais cativante.

         As prestações não estão más, afinal estamos a falar de Jamie Foxx e Joseph Gordon-Levitt, que conseguem sempre fazer uma boa prestação. A jovem Dominique Fishback, que serve para dar alguma humanidade ao filme e um tom mais leve, também não lhes fica nada atrás.
         “Project Power - Descobre o Poder” tinha uma boa ideia mas acaba por ser um filme de ação e crime, com uns pozinhos de super-poderes.


07/06/2020

The Gentlemen - Senhores do Crime (The Gentlemen - 2020)

         Vamos ser sinceros. Por muito bom ou mau que tenha sido a última adaptação de “Aladdin”, pode-se dizer, com alguma segurança, que não parece ser um filme de Guy Ritchie. Por isso, ver “The Gentlemen - Senhores do Crime” foi quase como um bem-vindo regresso às origens para o realizador.
          Quando um americano tenta vender o seu muito lucrativo negócio de marijuana em Londres,  desencadeia uma série de acontecimentos que envolvem mortes e chantagem. 
          O modo como todo o filme foi estruturado, embora não seja original, quando bem executada, é bastante interessante. Basicamente, temos toda a história a ser contada por Hugh Grant a Charlie Hunnam, ou como quem diz, a contar ao espectador. E se já viram algum dos filmes de Guy Ritchie de gangsters como “Lock, Stock and Two Smoking Barrels”, muito deste estilo e qualidade foi transportado para este “The Gentlemen - Senhores do Crime”.
         Mas, para mim, o filme é simplesmente divertido, não são pela tiradas cómicas em si, mas sim por todo o dinamismo do filme. Nunca estamos parados e está sempre tudo a rolar com um grande ritmo que nos deixa presos a tudo o que está a acontecer.
          Tudo isto com um grande elenco, tanto na quantidade como na qualidade, com Matthew McConaughey, Michelle Dockery, Jeremy Strong, entre muitos outros. E todos eles têm boas interações.
          “The Gentlemen - Senhores do Crime” mostra-nos, mais uma vez, que Guy Ritchie está à vontade neste tipo de filmes.

28/05/2020

Capone (2020)

          Josh Trank não tem tido uma vida fácil nos últimos tempos. Desde o seu não muito bem recebido (isto sou eu a ser simpático) “Quarteto Fantástico” em 2015, o realizador não nos entregou mais nenhum filme. Mas agora, com a ajuda de Tom Hardy, poderemos ter um possível renascer do promissor realizador que nos trouxe “Crónica”.
Aqui seguimos o último ano de vida de Al Capone, com 47 anos, depois de 10 anos passados na prisão, a sofrer de demência e a ser perseguido pelos fantasmas do seu violento passado.
Como seguimos quase sempre o ponto de vista de alguém com demência, aquilo que vemos não nos é mostrado pela fonte mais fidedigna, logo estamos sempre na dúvida na veracidade de tudo. E a minha opinião varia muito quando os filmes utilizam esta estratégia, pois pode correr muito mal, causando um grandes problemas na história, ou então pode ser feito de maneira a enriquecê-la. Aqui temos uma mistura, com muitas vezes a não sabermos se é algo que aconteceu de facto ou não. Mas bem, há muita gente que aprecia este estilo de narrativa.
Tom Hardy anda cada vez mais a estender o seu catálogo de personagens que não falam de maneira que se entenda decentemente. Não que faça um mau papel, mas parece que, na maior parte das vezes, está mais a grunhir do que a falar. É verdade que é isso que a personagem pede, mas não é por isso que a torna mais interessante. Embora seja cativante ver como Trank juntou o moribundo protagonista em várias cenas em que ele estava no seu auge e ver a sua expressão de confusão sobre tudo o que se está a passar, é um grande trabalho de interpretação por parte de Tom Hardy. Juntamente com o protagonista, temos Linda Cardellini, que faz da sua mulher Mae, que o acompanha sempre em todos os seus devaneios e que tenta lidar com toda a situação.
“Capone” pode não ser exatamente o melhor regresso de Josh Trank ao cinema mas é um passo no caminho certo.

25/05/2020

Bad Education (2020)


            Desta vez, "visitamos" a HBO e os seus filmes. O escolhido foi “Bad Education”, uma das mais recentes adições, com Hugh Jackman como protagonista desta história baseada em factos reais.
            Frank Tassone é o superintendente das escolas do distrito de Roslyn. Respeitado por todos por ter conseguido fazer subir a escolha no ranking e pelos seus alunos serem selecionados pelas melhores universidades. Mas, quando começam a haver suspeitas de desvios de fundos, Tassone é o principal suspeito no golpe.
 Jackman faz um grande papel, como aliás estamos habituados a ver por parte do ator: encarna alguém que leva duas vidas distintas, e que, se fossem descobertas iam arruinar a sua vida pessoal e profissional. E, embora tenha feito um grande roubo à escola, não se pode tirar o crédito de todo o bem que fez à instituição. O ator faz, no seu geral, uma prestação contida mas tem bons momentos em que consegue brilhar. Também deixar uma nota positiva aos desempenhos de Geraldine Viswanathan e Allison Janney.
Embora o filme não seja excessivamente longo, pois dura pouco menos de duas horas, tem um pequeno problema de ritmo. O primeiro ato, onde nos apresentam as personagens, o local e a situação em geral, é algo lento e faz com que a ação demore um pouco a arrancar. Se tirarmos isso e uma ou outra surpresa, o resto do filme segue as batidas a que já estamos habituados a ver neste tipo de dramas.
“Bad Education” é uma história interessante com boas prestações mas que não consegue surpreender.

02/05/2020

Sete Irmãs (What Happened to Monday - 2017)

Ver o mesmo ator a interpretar vários papéis tem sempre aquele fator “novidade” mas, muitas vezes, isso se não for bem aplicado, perde o fascínio muito depressa e acaba por estragar completamente o filme. E aqui temos Noomi Rapace a fazer de sete irmãs gémeas, todas com as suas personalidades distintas.
Num futuro próximo, a Terra já não aguenta com o excesso da população. Tal obriga a que tenha sido criada uma lei que proíba ter mais do que um filho. Só que um grupo de sete irmãs consegue viver em segredo nesta sociedade, isto é, até uma delas desaparecer.
    O mundo criado já foi algo visto em filmes do género e, até certo ponto, chega a ser um cenário futurista “possível”. As razões e motivações das personagens não são exploradas, os maus apenas são maus porque o filme assim quer. Porque, se formos a ver, “as protagonistas” não estão propriamente do lado da razão e apenas por ser um filme é que a coisa se passa da maneira que corre. Para mim, este foi um grande desmotivador do filme.
    Tirando este “pequeno detalhe”, o filme é perfeitamente competente. As interpretações são boas, tem cenas de ação cativantes porém com uma reviravolta que se consegue ver a milhas de distância. Rapace consegue fazer um bom trabalho em criar sete personalidades distintas, sendo facilmente possível reconhecer qual das irmãs é que estamos a ver. Claro que teve que haver algum jogo de edição, o que acaba por prejudicar as cenas de ação.
    “Sete Irmãs” não é um mau filme mas peca pelo enredo e por uma premissa que, passado pouco tempo, deixa de ser novidade.


08/02/2020

Parasitas (Gisaengchung - 2019)

“Parasitas” está a ganhar prémios a torto e a direito pelo mundo fora. Desde os Globos de Ouro aos BAFTA, e com 6 nomeações para os Óscares da academia, estamos perante o provável vencedor da categoria de melhor filme estrangeiro e um sério candidato ao de melhor filme. Mas será que o último filme de Bong Joon Ho merece toda esta atenção?
    Com toda a família desempregada, Ki-woo consegue um emprego como tutor numa família rica. A partir daí, vai conseguir com que todos os elementos da sua família se infiltrem na casa e que se misturem com os atuais moradores.
Sinceramente, não estava à espera de gostar tanto do filme como gostei. Tal como outros filmes deste realizador, as diferenças sociais são os temas principais. E, assim como nos outros filmes, na maior parte do tempo, nada é feito da forma mais discreta do mundo. Porém, desta vez, há ocasiões em que isso é feito de modo muito mais subtil. Por exemplo, numa cena em que chove muito, os ricos não sofrem consequência nenhuma, enquanto que os mais pobres tinham as casas alagadas e quase se afogam para salvar o pouco que têm.
E, se pensamos que sabemos tudo o que vai acontecer desde o início, a meio temos uma volta de 180º, que muda totalmente o tom daquilo que estamos a ver, mostrando, de novo, o tema principal: sobrevivência. Aqueles que não tem todos os privilégios fazem de tudo para sobreviver e arquitetar os mais elaborados planos para conseguir subir na sociedade e do dinheiro. 
    As personagens são interessantes e estão bem desenvolvidas, principalmente Kang-ho Song, e vamos tendo várias dicas sobre aquilo que vai fazer no final. E é no final que está aquilo que menos gosto: gostei da pequena surpresa que surge, mas não aquilo que mostra logo depois (é difícil tentar explicar sem entrar em spoilers).
Mesmo com isso, “Parasitas” é um filme intenso, perspicaz e que, sem dúvida, deve ser visto.

05/01/2020

O Irlandês (The Irishman - 2019)

          Netflix tem ganho cada vez mais força no departamento de filme originais, mas até agora faltava aquele grande nome, com um grande projeto, para trazer alguma “credibilidade” a todo o serviço. “Roma” o ano passado foi um bom início para isso mas agora é preciso continuar. E para isso temos Martin Scorsese a realizar o trio de Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci para fazer isso acontecer.
Aqui temos Frank Sheeran a contar-nos a sua história, desde que entrou no mundo do crime como um assassino.
Gosto muito de Scorsese e dos seus filmes, mas este para mim foi um grande não. Antes de mais são três horas e meia de filme, que são incrivelmente excessivas. É que não tenho nada contra a duração em si, só que tem de ser bem aproveitada, o que aqui não é o caso. Há várias seções que podiam ter sido encurtadas e dessa forma o ritmo do filme teria sido muito favorecido.
Outra coisa foi o CGI para transformar o trio de protagonistas nas suas versões mais novas. E nesse departamento acho que o filme foi bem-sucedido, pelo menos durante a maior parte do tempo, e com o passar do tempo esta tecnologia só vai melhorar. Só que agora apareceu um problema novo. É verdade que De Niro não parece ter quase 80 anos, só que ele se mexe como alguém com quase 80 anos. E, numa cena ou outra que envolve mais movimento, isso nota-se bem.
Mas uma coisa que “O Irlandês” prova é que todos os atores ainda estão em boa forma e conseguem entregar grandes interpretações. Principalmente Joe Pesci, que já praticamente não vemos em nenhum projeto, o que é uma grande pena. O encontro entre todos os titãs do cinema foi tudo aquilo que podíamos esperar, nenhum deles rouba o destaque ao outro e todos têm bons momentos para se destacar. A única crítica é que já os vimos em filmes semelhantes, não são papéis novos que envolvam uma grande transformação por parte dos atores. O bem que pode ser essa a justificação de ninguém estar a prestar muita atenção a De Niro nesta altura de nomeações para prémios.
Estamos habituados a ver filmes longos por parte de Scorsese, só que isso nunca comprometeu o seu ritmo e toda a ação nos deixa presos aos acontecimentos e sempre com vontade de ver o que vem a seguir. Só que aqui parece que ninguém lhe meteu um travão e assim pode fazer o seu épico de gangsters que sempre quis, só que infelizmente isso comprometeu o filme em geral. 
“O Irlandês” não é um mau filme, tem grandes interpretações e grandes inovações tecnológicas, só que é prejudicado pela sua excessiva duração.

03/12/2019

Knives Out – Todos são Suspeitos (Knives Out - 2019)


                Depois da experiência com “Star Wars – Os Últimos Jedi”, Rian Johnson decidiu mudar completamente o estilo. Passou de um grande espetáculo no espaço para um crime muito ao estilo de Agatha Christie. E, sem dúvida, foi uma passagem muito bem conseguida.
                Quando um conhecido romancista é encontrado morto depois da sua festa de 85 anos, o conhecido detetive Benoit Blanc tem a missão de descobrir qual foi o membro da família que esteve por detrás do que se passou.
                Uma das coisas mais desconcertantes é ver Daniel Craig a falar com sotaque do sul norte-americano. Porém , a personagem insere-se muito bem dentro de todo este mundo. Temos um elenco cheio de gente conhecida e talentosa, como Chris Evans, Jamie Lee Curtis, Michael Shannon e Toni Collette - só para dizer alguns. E todos eles fazem um bom trabalho a criar todo o ambiente de mistério e todos nos dão motivos para suspeitarmos que foram os assassinos. Mas, em termos de interpretações, quem tem o destaque é Ana de Armas, que é quem seguimos durante a maior parte do tempo, e que era a enfermeira do falecido.
                O grande feito do realizador foi conseguir deixar-nos sempre na dúvida. Com cada nova informação temos um novo suspeito, que é desmentida após uma nova revelação. E é esta constante reviravolta que nos deixa presos à história e que nos faz criar as nossas próprias teorias. Posso dizer que a minha aposta saiu completamente furada, mas gostei do final que tivemos.
                Eu estava com algum receio que um filme deste género fosse mais parecido a uma série de TV do que propriamente um filme, mas felizmente isso não acontece. Toda a produção tem uma grande qualidade cinematográfica, desde a fotografia ao som.
                Quem tem saudades de ver um bom mistério ao estilo de “Clue”, “Knives Out – Todos são Suspeitos” é um filme a não perder, com grandes prestações e uma historia cativante.