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31/05/2022

Top Gun - Maverick (2022)

          Se há alguma sequela que não estava à espera, é a de “Top Gun”. Já se passou tanto tempo que já não estava a contar que se concretizasse. E, mesmo para este ser lançado, foi o cabo dos trabalhos já que era para ser lançado em 2020 (mas já sabemos todos o que aconteceu…), o que obrigou a sucessivos adiamentos. Agora e, finalmente, vamos ter o filme.
          Há mais de trinta anos que Pete Mitchell está ao serviço da Marinha como piloto de testes. Mas agora é chamado para uma última missão: ser instrutor dos melhores formados pela Escola de Armas de Caças da Marinha que vão embarcar numa missão secreta. Entre eles está Bradley Bradshaw, o filho do antigo asa de Mitchell, que morreu durante um voo.
          Bem, se há filme que merece ser visto no cinema, é este! Logo desde o início do filme, onde temos o deslocar de um avião supersónico, até todas as cenas que envolvem treinos, ou batalhas de aviões, é algo tem de ser vivenciado em todo o seu esplendor numa sala de cinema, principalmente se for em IMAX. Tom Cruise pode ter muitos defeitos mas ninguém pode dizer que não dá o corpo ao manifesto, com o seu empenho em tentar tornar toda a experiência o mais real possível.
          Outra coisa de louvar é a simplicidade da história. O filme poderia facilmente ter encontrado um modo demasiado complicado para voltarmos a estas personagens mas não o faz. Apenas há uma missão para fazer e, até lá, é treinar para a conseguir fazer. Não que, mesmo assim, não haja várias referências ao original, aliás vários elementos da história vêm diretamente daí, mas nunca nada de muito intrusivo.
          Em relação às personagens, tenho alguns sentimentos contraditórios. Em relação aos elementos novos, nada contra, gosto deles todos, principalmente de Miles Teller, que volta a mostrar que é um ator a ter em consideração. Mas o Maverick de Tom Cruise não sofreu uma evolução em relação a 30 anos passados... Se, no final do outro filme, ele aprende que tem de trabalhar em equipa para funcionar num esquadrão, não parece que a lição tenha permanecido na sua cabeça durante muito tempo, já que nos é dito que ele nunca mudou. E, se antes, tínhamos a Marinha a tentar transformar Maverick em mais um elemento do grupo e não a fazer tudo sozinho, aqui é ao contrário, ao transformar cadetes treinados no método “irresponsável” dele. Apenas não gostei da progressão, ou falta dela, da personagem, nada contra a prestação do ator.
          “Top Gun - Maverick” é um filme que não se deve perder e, para o vivenciar da melhor maneira, terá de ser visto numa boa sala de cinema.

04/10/2021

007 - Sem Tempo Para Morrer (No Time to Die - 2021)

          De todos os filmes que sofreram adiamentos por causa da pandemia, a mais recente aventura de 007 é capaz de ter sido das mais prejudicadas. Com o seu lançamento programado para Abril de 2020, teve de ser sucessivamente adiado. E é agora, um ano e meio depois, que finalmente vamos poder ver a despedida de Daniel Craig como o mais conhecido espião do mundo, desta vez dirigido por Cary Joji Fukunaga.
          Seguindo os acontecimentos de “Spectre”, James Bond está a apreciar a sua reforma, quando o seu conhecido Felix Leiter, da CIA, lhe pede ajuda numa missão que vai obrigar a Bond a entrar mais uma vez no mundo da espionagem.
          A versão de Bond de Craig sempre foi uma personagem mais emotiva e que tende a se ligar mais às outras personagens. Isso aliado a termos todos os filmes a estarem ligados entre si, faz com que tenhamos um grande arco de desenvolvimento desta personagem. E este final não desilude nesse departamento. Pode não ser o melhor filme da personagem - aliás nem é o melhor desta última versão - mas mesmo assim, é uma grande despedida do ator, explosiva e emotiva.
          Talvez pelo destaque recair para o fim desta Era Bond é que temos um vilão francamente mau. Não é por culpa de Rami Malek, que o interpreta excelentemente, mas sim pelo contexto da sua personagem, quase “caída do céu”. Neste mundo em que parece que está tudo ligado, temos Safin que tem um plano com pouco planeamento e que só está ligado às nossas personagens porque sim. É verdade que, nestes filmes, nunca tivemos um vilão megalomaníaco com um plano estrondoso, como antigamente, já que não encaixavam de todo no tom que se queria transmitir, mas se calhar nos próximos podiamos voltar a introduzir isso.
          E depois de tanta choradeira que Lashana Lynch ia ser a nova substituta, se calhar era melhor ver o filme antes de começar a criticar, pois a atriz faz um bom papel e está bem encaixada em todo o enredo. Ana de Armas faz uma pequena aparição em formato de "aperitivo" e Ralph Fiennes, Ben Whishaw e Naomie Harris voltam a repetir os seus papéis dos filmes anteriores de forma competente. Léa Seydoux também volta a aparecer e, a par do protagonista, é a personagem que tem o maior desenvolvimento.
          As cenas de ação são explosivas e constantes e algumas delas são mesmo capazes de ser das melhores que esta saga já nos presenteou. Principalmente uma, mais ou menos a meio do filme, não por serem um grande espetáculo, mas sim por conseguirem criar um momento de verdadeira tensão.
          “007 - Sem Tempo para Morrer” finalmente chegou e valeu a pena a espera! Pode não ser o melhor filme da personagem mas é uma grande despedida para Daniel Craig, que interpreta a personagem desde 2006.

18/09/2021

Free Guy - Herói Improvável (Free Guy - 2021)

          Adaptações de videojogos têm sido a desgraça que se tem visto. É verdade que ultimamente a coisa tem melhorado mas mesmo assim ainda não estão naquele patamar de qualidade que se pode recomendar. Então, e que tal um filme que se passa num videojogo? Parece interessante. E como Ryan Reynolds consegue safar praticamente qualquer filme só com o seu carisma, a esperança que “Free Guy - Herói Improvável” seja um bom filme é grande.
          Guy descobre que é um NPC (uma personagem não jogável) de um jogo de ação em mundo aberto.
          Preparem-se para muito palavreado relacionado com videojogos, o filme faz um bom trabalho em explicar a maioria dos conceitos, mas quem não pescar nada de nada sobre este mundo é capaz de se sentir um pouco perdido inicialmente. E a ideia de meterem youtubers a comentarem algumas situações foi engraçado na primeira e segunda vez, a partir daí começou a ser um pouco de mais.
          Uma das muitas coisas de valor que o filme faz é meter Guy a subir de nível, não a destruir e a assaltar pessoas, mas sim ao fazer coisas boas, a ajudar e salvar os outros personagens e, com isso, captar a atenção de todo o mundo. Reynolds é a pessoa certa para fazer desta personagem, de alguém que está a descobrir um mundo novo, que consegue fazer as cenas de ação e que tem sempre um tom cómico.
          Como o grande antagonista temos o criador do jogo Antwan (interpretado pelo grande Taika Waititi) que parece que a única indicação do realizador que teve foi ser o mais over the top possível. Resulta muito bem na maior parte do tempo e faz desejar mesmo que tenha aquilo que merece no fim.
          Para ajudar Guy nesta aventura, surge a jogadora Millie, que está a tentar derrubar o império de Antwan, e o parceiro virtual Buddy, com o qual temos as cenas mais emotivas com Guy. A história está dentro daquilo que estamos à espera mas o que ficou por aproveitar foi alguma discussão sobre inteligência artificial e terem ganho a sua própria consciência. Porque é basicamente isso que se está a passar com as personagens deste videojogo - é uma oportunidade perdida este tema não ter sido um pouco explorado.
          “Free Guy - Herói Improvável” é um dos melhores filmes deste verão, com uma boa história, grandes cenas de ação e humor. Tudo através de grandes personagens e de uma grande interpretação de Ryan Reynolds.

08/09/2021

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings - 2021)

          A Marvel volta a entrar em ação com uma nova personagem, desta vez com o primeiro filme com um protagonista asiático. Mas, será que isso se vai traduzir num filme diferente ou teremos a mesma estrutura que os anteriores filmes de origem de personagens?
          Shang-Chi é obrigado a confrontar o seu passado, quando a organização conhecida como os Dez Anéis vem para o buscar.
          Uma das melhores coisas deste filme é o seu vilão. Xu Wenwu (que é interpretado por Tony Chiu-Wai Leung) é uma personagem trágica e alguém com quem se pode facilmente identificar. É um vilão, conquistador, que muda depois de encontrar o seu amor. Porém, chega o luto e não consegue ultrapassá-lo - uma boa representação do poder do luto e da sua capacidade de passar por cima de todos. Aliás, esta personagem chega a ser mais interessante que o protagonista graças à sua complexidade. Não digo que Simu Liu desempenhe mal o seu papel, apenas não há uma evolução tão grande da personagem. Shang-Chi tem de parar de fugir do seu passado e passar a aceitar tanto os ensinamentos de assassino do seu pai como os mais naturais e fluidos da sua mãe.
          Mais uma distinção em relação a outros filmes da Marvel são as cenas de luta, que superam o que já vimos nos outros filmes Marvel. É verdade que há algum CGI à mistura mas estão muito bem coreografadas e os socos e pontapés têm verdadeiro impacto. Sinceramente, não estava à espera que tivéssemos tantos elementos sobrenaturais, principalmente na reta final, tirando obviamente os dez anéis (que são utilizados de forma brilhante tenho de dizer!). Podia ter sido uma história mais “terrena”, mas bem, desta maneira serviu para aumentar ainda mais o universo.
          “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” não foge completamente à fórmula a que já estamos habituados a ver do estúdio, mas é diferente que chegue para lhe dar um toque único. De salientar o grande vilão e as cenas de ação.


17/05/2021

O Pai (The Father - 2021)

          Pelos vistos toda a gente ficou muito admirada por Anthony Hopkins ter ganho o Óscar de melhor ator, em vez de Chadwick Boseman: acredito mais que 99% das pessoas que ficou chocada nem sequer viu “O Pai”, porque senão se calhar o choque não tinha sido tão grande. É verdade que, à primeira vista, pode não ser o filme mais interessante à primeira vista mas isso não podia estar mais longe da verdade.
          Anthony é um homem que recusa ser ajudado pela sua filha, à medida que está a envelhecer.
          O filme mostra - e de uma maneira muito eficaz - o mundo através dos olhos de alguém que está a entrar num estado de demência, em que se perde noção das horas do dia, daqueles que moram na mesma casa e das atividades diárias. E o mesmo se passa connosco, espetadores, que estamos a seguir o mesmo raciocínio que o protagonista e que nos deixa sempre na dúvida: “quem é mesmo a filha dele?” “Em que altura da vida dele isto tudo se está a passar?” “Afinal em que casa é que estamos?”
          Tudo isto nos deixa desconcertados e, ao mesmo tempo, envolvidos e desta maneira o realizador Florian Zeller deixa-nos sempre presos a tudo o que está a acontecer. E tudo isto brilhantemente representado por um incrível Anthony Hopkins, que consegue sempre transitar entre entre momentos de aparente lucidez e outros em que se nota que está completamente perdido e não sabe o que está a acontecer à sua volta. Para o acompanhar, na maior parte da sua jornada, temos Olivia Colman que também tem um grande desempenho.
          É verdade que “O Pai” não é propriamente chamativo mas, quem lhe der uma oportunidade, pode ficar agradavelmente surpreendido.

12/04/2021

Godzilla vs Kong (2021)

          Vamos ser honestos. Se este filme já não estivesse num estado de produção avançada quando foi lançado “Godzilla II: Rei dos Monstros”, provavelmente não o íamos ver. Não que a sequela de “Godzilla” seja um mau filme, mas a bilheteira não foi grande coisa para aquilo que podia ser. Mas, felizmente, isso não impediu a existência deste muito divertido filme!
          Vou deixar o melhor para o fim. Por isso, vou começar pelo problema comum neste tipo de filmes: o elemento humano. É verdade que ele tem de estar sempre presente, mais para servir como fio condutor e para expor informação do que ter uma utilidade prática real. E acho que aqui chegámos a um novo recorde de inutilidade, visto que já que temos dois protagonistas, temos uma equipa para cada um. E a equipa Godzilla, constituída pela recorrente Millie Bobby Brown e pelas novas entradas Brian Tyree Henry e Julian Dennison, bem que podia ser totalmente retirada que não fazia diferença nenhuma. Já a equipa Kong, liderada por Alexander Skarsgård e Rebecca Hall, vão numa caça pelo interior da Terra sem eles saberem bem o motivo porquê.
          Mas não foi para ver pessoas a correr de um lado para o outro que se vai ver este filme. Felizmente, nesse departamento, o filme entrega tudo aquilo que promete. Temos três confrontos distintos e, no final, temos um claro vencedor (ainda bem que não houve aquele empate, para que ninguém fique triste). E ainda bem que as cenas não são todas filmadas de noite, para que a ação não se consiga ver bem e servirem para disfarçar efeitos menos bem conseguidos. Não que nenhuma das lutas seja de noite, porque as principais são, mas é numa Hong Kong cheia de neons onde dá para ver tudo com bastante nitidez, e os efeitos não desiludem. As coreografias das batalhas são interessantes e são, sem dúvida, o destaque do filme. Mas, se estão à espera que toda a física faça sentido, vão ficar muito desapontados (basicamente é seguir pelas mesmas regras que a saga “Velocidade Furiosa”).
          “Godzilla vs Kong” pode deixar a desejar em termos de história mas, se querem ver um grande lagarto a lutar com um grande macaco, este é o filme.

24/03/2021

Wolfwalkers (2020)

          A Apple TV+ é um dos serviços de streaming que ainda não explorei muito (tirando o excelente “Ted Lasso”) porque sinceramente ainda não têm filmes originais bons em que valha a pena o investimento. Mas com “Wolfwalkers” a aparecer em vários sítios como das melhores animações de 2020, decidi dar uma espreitadela.
          Em 1650, uma jovem aprendiz a caçador muda-se para Irlanda quando o seu pai é contratado para caçar a alcateia de lobos que tem atacado a cidade. Mas tudo muda quando se torna amiga de Mebh, uma rapariga que tem a habilidade de se transformar em lobo durante a noite.
          Para mim, este é o “Klaus” deste primeiro trimestre. Não quero dizer com isso que tenha alguma semelhança nem em termos de história, nem em termos de estilo de animação. Mas, tal como “Klaus”, foi um filme que perdi no ano passado e que foi extremamente cativante, merecendo totalmente a sua recente nomeação para o Óscar.
          Porque, aqui, o grande forte é a relação entre as duas protagonistas. E, onde em muitos outros filmes este tipo de relação parece forçada e quase que nos obrigam a importar com elas, aqui há a sensação que foi criada uma verdadeira ligação. Robyn sente-se presa pelo seu pai, que não a deixa sair dos muros da cidade mas, quando ela se vê numa situação semelhante, faz exatamente a mesma coisa. A diferença é que, graças aquilo que aprendeu com a sua nova amizade Mebh, apercebe-se daquilo que está a fazer e toma uma reação diferente.
          A animação 2D está bastante expressiva e, em algumas personagens, ainda se podem ver as linhas que formam os seus modelos. A banda sonora também é um dos bons pontos deste exclusivo da marca da maçã.
          “Wolfwalkers” apresenta-se como uma grande proposta para os fãs da animação.


22/03/2021

Liga da Justiça de Zack Snyder (Zack Snyder's Justice League - 2021)

          Mas então, este filme não saiu em 2017? Sim e não. Saiu, mas não era o filme que Zack Snyder (o seu realizador original) tinha filmado e idealizado. Em vez disso, estreou nos cinemas uma versão feita por Joss Whedon, depois de Snyder ter sido afastado. Bem, não vou falar de toda a odisseia para que tivéssemos direito a esta versão, contudo, agora diretamente para a HBO, temos direito a tudo aquilo que era para estar na versão original.
          Em termos gerais, a história não mudou. O Super-Homem está morto e Batman e Mulher Maravilha juntam uma equipa de super-heróis depois de Steppenwolf ter aparecido para conquistar o planeta.
          Existem três pontos que facilmente distinguem as duas versões. Logo o primeiro é a maneira como vemos o filme, num racio de 4:3, que faz com que tenhamos aquelas barras pretas laterais na TV. Além disso, o estilo de Snyder é bem diferente do de Whedon, algo mais sombrio e cinzento, dentro do estilo de “Homem de Aço” e “Batman v Super-Homem – O Despertar da Justiça”. E, por fim, é óbvio que, num filme de quatro horas, temos direito a muito mais história que na outra versão. Mas atenção, não significa que maior duração implique que o filme vá ser melhor. Mesmo assim, há várias cenas que podiam ser cortadas ou ser mais curtas.
          Os principais beneficiários deste tempo extra foram Flash e Cyborg, que tiveram direito a uma exploração muito melhor. Principalmente este último que, enquanto no filme de 2017, parece um bocado caído do céu, aqui é quase o protagonista do filme. Temos a sua origem, a sua relação com os seus pais e é aquele que tem um arco narrativo com um príncipio, meio e fim. E não se entende porque é que foi quase tudo completamente cortado. Finalmente, Ray Fisher consegue mostrar a grande interpretação que teve neste papel.
          Basicamente, todas as personagens tiveram mais espaço para respirar e se desenvolverem. E Flash tem uma cena incrível no confronto final.
          Até Steppenwolf teve mais tempo de ecrã e uma maior caracterização, chegando a envolver mesmo Darkseid (mesmo que de maneira reduzida): já não é alguém que chega para destruir simplesmente pelo desejo de destruir mas sim alguém que tenta ganhar a sua redenção.
          Muitas cenas são repetidas do filme de 2017 pois apenas duram um pouco mais e são enquadradas de maneira diferente. E toda aquela cena do pesadelo no epílogo não está lá a fazer nada, e está apenas para mostrar o Joker a interagir com Batman.
          Sem dúvida que esta versão de Zack Snyder é bem superior àquilo que foi apresentado antes. Só que também é preciso ter em consideração que teve liberdades diferentes por ser lançado em streaming que muito provavelmente não teria se fosse para as salas de cinema.

01/02/2021

Uma Noite em Miami (One Night in Miami - 2021)

          A Amazon Prime traz-nos o primeiro grande filme de Regina King como realizadora. Em “Uma Noite em Miami”, seguimos um quarteto das figuras mais importantes da comunidade negra, em 1964, nomeadamente Malcolm X, Jim Brown, Sam Cooke e Cassius Clay (que virá a mudar de nome para Muhammad Ali).
          Sinceramente, não sabia bem o que esperar deste filme. Do pouco que sabia, parecia-me algo interessante mas nada de extraordinário. Felizmente, foi tudo uma agradável surpresa. Inicialmente, um tom mais leve e cómico, enquanto somos apresentados aos quatro elementos e ao modo como se relacionam com o mundo. É só depois de estarem juntos e começarem as suas discussões que o tom mais pesado e intenso do filme se manifesta.
          Aqui, o importante é o modo como cada um dos protagonistas usa o seu destaque e protagonismo de modo a avançar com a causa dos direitos civis e a revolta cultural dos anos 60. Tudo se centra como eles discutem as “prestações” entre si e como é que podem ser melhoradas.
          Tudo isto consegue ser interessante e empolgante, não só pelo argumento do filme, mas também pelas incríveis prestações de todo o quarteto, nomeadamente Kingsley Ben-Adir, como Malcolm X, Eli Goree, como Cassius Clay, Aldis Hodge, como Jim Brown e Leslie Odom Jr., como Sam Cooke. E não seria de estranhar que surgisse alguma nomeação para os Óscares deste ano.
          “Uma Noite em Miami” é um grande filme que, embora se passe nos anos 60, pode muito bem ser aplicado aos dias de hoje.


12/10/2020

Lixo (Filth - 2014)

          O grande motivador para ver “Lixo”é o seu protagonista, interpretado por James McAvoy, e se for aquilo que o trailer prometeu é sem dúvida um filme muito interessante.
          Bruce Robertson é um polícia bipolar, alcoólico e drogado que já fez de tudo para resolver os seus casos. Quando está em causa uma promoção, Bruce vai fazer de tudo para a conseguir, incluindo manipular os seus colegas. Isto tudo enquanto tem alucinações e uma ténia a viver na sua cabeça.
          Esta é, sem dúvida, uma grande personagem. No início, é alguém com quem até conseguimos “simpatizar” com Bruce mas, ao longo do filme, esse sentimento vai mudando. À medida que vamos conhecendo melhor a personagem, a sua irreverência passa a cansar e para o fim fica apenas um sentimento de pena. E é mesmo esse o objetivo pois, ao longo da autodestruição pela qual Bruce passa, até chegar ao estado de mal conseguir funcionar normalmente, ele descobre que chegou ao fundo do poço. E ninguém como James McAvoy para conseguir interpretar esta personagem, naquela que é uma das suas melhores interpretações.
          O elenco secundário também faz um bom trabalho, principalmente Eddie Marsan. Em termos de realização, Jon S. Baird consegue fazer um bom trabalho em nos apresentar este mundo. Tenham é atenção a umas coisinhas, se não gostam de ver pessoas a drogar-se e saltarem umas para acima das outras, não vão gostar de “Lixo”. Mas, o que interessa mais no filme, é simples: quem é Bruce Robertson?
          Um bom filme que vale a pena ver.

02/09/2020

Palm Springs (2020)

          As comédias não são o género abundante que antes eram. Agora estão cada vez mais misturadas com outros géneros, desde a ação ao terror. E em “Palm Springs” temos elementos de fantasia a “apimentar” toda a situação.
          Quando Nyles e Sarah se encontram num casamento, as coisas complicam-se e não conseguem escapar, nem da situação, nem um do outro.
          Não estou habituado a ver Andy Samberg num papel que não seja totalmente cómico por isso, vê-lo com uma faceta mais dramática, onde faz de um derrotista que já desistiu de se livrar da situação em que está, foi uma estranha, mas bem-vinda, mudança. Também Cristin Milioti, com quem partilha o protagonismo, tem um grande desempenho. E a química entre os dois até é bastante boa. Também somos presenteados com umas breves aparições de J. K. Simmons que são dos momentos altos do filme.
          O argumento está bastante interessante mas, verdade seja dita, quanto menos eu falar sobre ele, melhor, porque está recheado de surpresas e bons momentos. Os últimos meses não nos têm trazido o material mais interessante -desde o streaming ao VOD - por isso este “Palm Springs” conseguiu-se destacar e ir facilmente para a lista dos melhores de 2020.
          O trailer cativou-me e o filme conseguiu concretizar a promessa dum filme divertido, com grandes interpretações.





04/04/2020

O Homem Invisível (The Invisible Man - 2020)

          O horror este ano não tem corrido da melhor maneira. “The Grudge: Maldição” foi razoável mas depois “Calafrio”, “A Ilha da Fantasia” e “The Boy – A Maldição de Brahms” foram um grande tiro no pé, com vários graus de gravidade. Mas Leigh Whannell veio-nos dar uma ajuda, ao trazer um dos melhores filmes deste início de ano.
Depois do abusivo ex-namorado de Cecília morrer e lhe deixar toda a fortuna, ela começa a suspeitar que tudo não passou de uma encenação. Principalmente quando começam a acontecer uma série de acidentes que se provam letais.   
Uma das melhores coisas do filme foi a forma como retratou o trauma pelo qual a protagonista passou, mesmo quando o motivo do seu trauma já não é, aparentemente, um problema. Com receio de tudo e de todos - e só muito lentamente - é que consegue voltar a um sentido de normalidade. Mas, depois também serve como motivo para ninguém acreditar nela quando acha que está a ser perseguida pelo seu, supostamente, falecido ex-namorado.
Este filme é muito semelhante a “Atividade Paranormal” no sentido em que, muitas vezes, estamos à espera que aconteça algo do nada. Afinal de contas, estamos a falar de uma entidade invisível que atormenta a protagonista. Só que, aqui, todo o suspense é tratado de forma muito mais eficaz. Pois, de facto, coisas acontecem e têm bem mais impacto. 
E muito dessa emoção deve-se ao incrível trabalho de interpretação de Elisabeth Moss, que nos consegue transportar mesmo para a perspetiva de uma vítima de abusos, que depois tem que se erguer para conseguir sair desta situação. 
Aqui temos mais uma prova que é possível fazer um grande filme de terror sem ter de gastar rios de dinheiro e que tem uns efeitos muito bem conseguidos.

06/03/2020

Bora Lá (Onward - 2020)

O primeiro filme da Pixar deste ano é uma das grandes estreias da animação de 2020 e podemos contar, como sempre, com a qualidade com que o estúdio nos habituou. E este ano temos uma coisa que não é propriamente comum: teremos dois lançamentos do estúdio antes do próximo Natal. 
    Num mundo de fantasia no nosso tempo, dois irmãos elfos partem numa aventura para conseguirem mais um dia com o seu falecido pai.
    Todos os filmes de fantasia têm logo um ponto positivo da minha parte. Além disso, a mistura desse elemento com o meio urbano está muito bem construído, desde um dragão a servir como animal de estimação até aos unicórnios a comerem nos contentores do lixo.
    Mas, aqui, o que interessa é a demanda de Ian e Barley para poderem ver o seu pai. E, como não podia de ser ao se tratar de um filme da Pixar, não só temos ação e aventura, mas também muita alma e coração. A relação entre os dois irmãos é explorada, bem como os vários motivos porque um deles quer reencontrar o pai e o outro finalmente conhecê-lo. Também algo que não é comum neste tipo de filmes é a presença ativa da mãe, sem que seja forçada.
    Em termos técnicos, o filme está impecável como sempre mas, tal como em “Toy Story 4”, ainda me faz um pouco de confusão a mistura de cenários fotorrealistas com as personagens de fantasia. Parece que não ficam muito bem enquadradas mas, à medida que for cada vez mais frequente, esta minha comichão deverá passar.
    “Bora Lá” não chega aos picos emocionais que o estúdio já nos trouxe, como “Inside Out”, mas, mesmo assim, é uma animação bastante boa.

11/02/2020

Frozen II - O Reino do Gelo (2019)

“Frozen” foi uma das animações mais recentes da Disney a ter o mesmo impacto que os seus clássicos. Ainda há crianças a se mascarar de Elsa e Anna, e ainda é possível ouvir “Let It Go” no rádio. Por isso, não é de admirar que houvesse uma sequela, o que pode ser de admirar é que tenha demorado tanto tempo a chegar -  já sabemos que fazer animação é um trabalho muito moroso.
Elsa, Anna, Olaf, Kristoff e Sven têm de partir de Arendelle e partir para uma floresta encantada, para descobrirem a origem dos poderes de Elsa e salvar o seu reino.
Digo já que gostei bastante do filme. Pode não ter uma música com tanto impacto de “Let It Go” mas, no geral, as outras músicas são um pouco melhores. “Into the Unknown” tenta ser uma substituição, mas não é boa que chegue para isso. Há outras que estão muito engraçadas, desde a nova de Olaf, até uma que é um tributo a videoclips de boybands. 
De novo, a relação entre as duas irmãs é aprofundada e desenvolvida, deixando para segundo plano o cliché do romance entre Anna e Kristoff, e é nesta estrutura que o filme tem um dos seus pontos fortes. Olaf tem direito a melhores momentos do que no filme anterior, embora em algumas situações, quando começa a se tornar irritante, a cena rapidamente muda de foco. 
A história é interessante, desde a floresta mágica e os seus habitantes, até ao modo como é explorada a origem dos poderes de Elsa. E embora o filme anterior tenha subvertido alguns dos clichés habituais do género, aqui isso não acontece tanto, mas sim uma continuação do que já nos foi apresentado. Só que agora temos uma temática evoluiu um pouco, para um tema um pouco mais “sombrio”, sem nunca deixar de ser apropriado para os mais pequenos (afinal estamos a falar da Disney).
E tudo isto está com uma qualidade técnica incrível. Uma coisa que sempre me fascina é o modo como está cada vez melhor a representação da água. Só que não é só isso, as florestas e ambientes têm cada vez um aspeto mais fotorealista. As personagens é que, assim de repente, não parecem ter recebido nenhum upgrade.
“Frozen II - O Reino do Gelo” é uma merecida sequela ao antecessor e não lhe fica nada atrás.

08/02/2020

Parasitas (Gisaengchung - 2019)

“Parasitas” está a ganhar prémios a torto e a direito pelo mundo fora. Desde os Globos de Ouro aos BAFTA, e com 6 nomeações para os Óscares da academia, estamos perante o provável vencedor da categoria de melhor filme estrangeiro e um sério candidato ao de melhor filme. Mas será que o último filme de Bong Joon Ho merece toda esta atenção?
    Com toda a família desempregada, Ki-woo consegue um emprego como tutor numa família rica. A partir daí, vai conseguir com que todos os elementos da sua família se infiltrem na casa e que se misturem com os atuais moradores.
Sinceramente, não estava à espera de gostar tanto do filme como gostei. Tal como outros filmes deste realizador, as diferenças sociais são os temas principais. E, assim como nos outros filmes, na maior parte do tempo, nada é feito da forma mais discreta do mundo. Porém, desta vez, há ocasiões em que isso é feito de modo muito mais subtil. Por exemplo, numa cena em que chove muito, os ricos não sofrem consequência nenhuma, enquanto que os mais pobres tinham as casas alagadas e quase se afogam para salvar o pouco que têm.
E, se pensamos que sabemos tudo o que vai acontecer desde o início, a meio temos uma volta de 180º, que muda totalmente o tom daquilo que estamos a ver, mostrando, de novo, o tema principal: sobrevivência. Aqueles que não tem todos os privilégios fazem de tudo para sobreviver e arquitetar os mais elaborados planos para conseguir subir na sociedade e do dinheiro. 
    As personagens são interessantes e estão bem desenvolvidas, principalmente Kang-ho Song, e vamos tendo várias dicas sobre aquilo que vai fazer no final. E é no final que está aquilo que menos gosto: gostei da pequena surpresa que surge, mas não aquilo que mostra logo depois (é difícil tentar explicar sem entrar em spoilers).
Mesmo com isso, “Parasitas” é um filme intenso, perspicaz e que, sem dúvida, deve ser visto.

03/02/2020

Jojo Rabbit (2020)

         
          O ponto de partida para “Jojo Rabbit” deve ter sido, no minimo, desafiante. Afinal, estamos a falar de um filme sobre um rapaz alemão de 10 anos, que tem Hitler como amigo imaginário. Mas o realizador Taika Waititi já nos provou surpreender com outras entregas. Juntamente com todas as nomeações que o filme já teve, parece que estamos perante mais um grande filme. 
           Facilmente podíamos estar perante o típico drama passado durante a Segunda Guerra Mundial. Com Waitit,i como realizador, isso felizmente não acontece. Se um momento dramático perdura durante muito tempo, rapidamente roda logo para comédia, que tem uns momentos para brilhar, para logo depois passar para drama de novo. Estas transições não são feitas de qualquer maneira, super encaixadas nos momentos necessários. 
           Se havia uma coisa que estivesse à espera era uma presença mais forte do Hitler imaginário (interpretado pelo próprio Waititi). Não que seja uma presença insignificante, mas não é tão presente como esperava. Serve para representar o fanatismo que é incutido às crianças e vai mudando a sua postura à medida que o pequeno Jojo também vai tendo cada vez mais dúvidas sobre aquilo em que acreditar.
           Roman Griffin Davis, que interpreta o pequeno nazi, faz uma interpretação muito boa, dando corpo a alguém que acredita no nazismo com todo o seu coração, incluíndo todas as absurdidades que lhe são ensinadas sobre os judeus. Tudo muda após conhecer a judia que a sua mãe escondeu em casa, que o faz questionar sobre o mundo onde vive e quem ele é. Todas essas características  foram impecavelmente transmitidas, muito pela química que tem com Thomasin McKenzie, que tem de estar sempre escondida, sem saber se vai viver até ao fim do dia. 
            Mas não é só este trio que tem protagonismo. Scarlett Johansson - que, inclusive, está nomeada para o Óscar de melhor atriz secundária - também tem alguns bons momentos emotivos, onde tenta mostrar ao filho que a vida deve ser vivida com amor e não com ódio. Sam Rockwell, Stephen Merchant e Rebel Wilson também fazem uma boa aparição, acrescentando comédia ao filme.
“Jojo Rabbit” deve ser visto como uma paródia deste tempo, e de como o ódio é ensinado aos mais novos, e não como algo que veio como eles. Um filme que deve ser visto e mostrado aos outros, que consegue aliviar um pouco do peso que os filmes que retratam esta época costumam trazer. 

28/01/2020

Le Mans '66: O Duelo (Ford v Ferrari - 2019)

James Mangold já era um realizador a ter um conta mas, depois do que fez em “Logan”, chegou a um nível completamente diferente, onde qualquer projeto em que o realizador esteja envolvido entra logo para a lista de prioridades. Por isso, não é de admirar que o seu novo projeto esteja na corrida dos Óscares, com 4 nomeações, incluindo para melhor filme.
Aqui seguimos a disputa entre a Ford e a Ferrari, pelo título de vencedor nas 24 Horas de Le Mans no ano de 1966, através dos olhos do designer Carroll Shelby e do condutor Ken Miles, que tentam de tudo para conseguir ganhar a corrida.
Uma das melhores coisas foi ver Christian Bale. O ator até tem feito grandes interpretações nos seus últimos filmes, mas aqui foi um dos papéis que mais gostei. Interpreta um piloto, com um temperamento algo difícil, mas que se consegue fazer valer na pista, e ao mesmo tempo ser um grande mecânico. E, para mim, é um tipo de interpretação que facilmente podia estar entre as nomeadas para o Óscar. Matt Damon também faz um grande papel, de alguém que tem que jogar entre as políticas que a Ford lhe tenta impingir e aquilo que ele sabe que pode fazer para trazer a vitória para a equipa.
À semelhança de “Rush - Duelo de Rivais”, quando as corridas começam em “Le Mans 66”, somos imediatamente transportados para a pista. Este é um dos feitos do realizador, ter-nos conseguido levar para o meio da ação, desde os barulhos dos carros até a incrível sensação de velocidade que eles transmitem.
Não estou a antever que seja uma noite muito produtiva em termos de prémios para o filme, onde talvez tenha mais hipóteses nas categorias de som. Mas, mesmo assim, é capaz de ser o filme mais divertido e entusiasmante entre os nomeados para melhor filme.

16/01/2020

Dois Papas (The Two Popes - 2019)

“Dois Papas” pareceu-me um filme a ver logo a partir do trailer, com um tema interessante a ser representado por dois pesos-pesados da representação, Anthony Hopkins e Jonathan Pryce, a serem liderados pelo realizador Fernando Meirelles.
Por detrás das paredes do Vaticano, o papa Bento XVI e o futuro papa Francisco discutem os assuntos mais controversos da Igreja Católica e tentam chegar a um termo em comum. 
Há uma coisa que é preciso ter em muita atenção ao ver este filme. Isto não é um documentário, é um filme, por isso não significa que tudo aquilo que é dito entre os dois protagonistas tenha sido, de facto, dito pelas pessoas reais. Com este pré-aviso, as discussões a que temos direito estão muito interessantes, e temos acesso aos dois pontos de vista, claro que favorecendo a versão mais liberal (não fosse essa com que estamos a lidar agora na realidade). Uma coisa que não estava à espera foi a viagem pelo passado de Jorge Bergoglio, as decisões e atitudes que teve durante a ditadura militar na Argentina e como isso o moldou.
Ver Anthony Hopkins e Jonathan Pryce num clima de “ataque, contra-ataque” foi super interessante, em que fomos brindados com um espetáculo de interpretações e os dois merecem estar nomeados para esta época de prémios. Com um destaque para Pryce, que consegue passar tanto de um tom jovial, como ficar em lágrimas de um momento para o outro. Também dar um destaque a Juan Minujín, que faz um grande trabalho, como o jovem Jorge Bergoglio.
“Dois Papas” é uma grande adição ao catálogo da Netflix; se têm algum interesse, não devem perder.

12/01/2020

Marriage Story (2019)

Eu estava à espera de ver, na Netflix, um filme com Scarlett Johansson e Adam Driver a passar por um divórcio? Não. Mas ao menos é um bom sítio para o lançar, onde provavelmente será visto por mais gente do que se fosse lançado no cinema. E, graças a isso, têm a hipótese de ver um grande filme.
É um filme extremamente pessoal e que pode afetar até quem tenha passado por situações semelhantes. Mas, logo no início, parece que estamos num filme diferente, já que consiste numa lista dos pontos positivos que cada elemento do casal diz em relação ao outro, para depois nos ser revelado que tudo se passa durante uma sessão de terapia de casal.
Pode parecer que o filme não é nada de especial, já que aquilo que apresenta é algo cada vez mais comum, mas é nessa familiaridade que quase que somos transportados para a história. E não parte do princípio que um é o culpado e que o outro tem toda a razão. Temos os dois pontos de vista e mostra-se aquilo que se passa na realidade. Nenhum deles é perfeito e têm os seus defeitos, que foram contribuindo para a situação em que estão agora.
As interpretações de Adam Driver e Scarlett Johansson estão incríveis, principalmente NA discussão: todas as nomeações para os prémios são completamente justas e merecidas. Laura Dern também tem tido o seu destaque nesta época de prémios porém, embora faça um bom trabalho, não foi nada que, para mim, se tenha destacado.
"Marriage Story" é um filme muito pessoal e, se calhar, poderá servir para dar um olhar com uma nova perspetiva para quem passou por situações semelhantes.

03/12/2019

Knives Out – Todos são Suspeitos (Knives Out - 2019)


                Depois da experiência com “Star Wars – Os Últimos Jedi”, Rian Johnson decidiu mudar completamente o estilo. Passou de um grande espetáculo no espaço para um crime muito ao estilo de Agatha Christie. E, sem dúvida, foi uma passagem muito bem conseguida.
                Quando um conhecido romancista é encontrado morto depois da sua festa de 85 anos, o conhecido detetive Benoit Blanc tem a missão de descobrir qual foi o membro da família que esteve por detrás do que se passou.
                Uma das coisas mais desconcertantes é ver Daniel Craig a falar com sotaque do sul norte-americano. Porém , a personagem insere-se muito bem dentro de todo este mundo. Temos um elenco cheio de gente conhecida e talentosa, como Chris Evans, Jamie Lee Curtis, Michael Shannon e Toni Collette - só para dizer alguns. E todos eles fazem um bom trabalho a criar todo o ambiente de mistério e todos nos dão motivos para suspeitarmos que foram os assassinos. Mas, em termos de interpretações, quem tem o destaque é Ana de Armas, que é quem seguimos durante a maior parte do tempo, e que era a enfermeira do falecido.
                O grande feito do realizador foi conseguir deixar-nos sempre na dúvida. Com cada nova informação temos um novo suspeito, que é desmentida após uma nova revelação. E é esta constante reviravolta que nos deixa presos à história e que nos faz criar as nossas próprias teorias. Posso dizer que a minha aposta saiu completamente furada, mas gostei do final que tivemos.
                Eu estava com algum receio que um filme deste género fosse mais parecido a uma série de TV do que propriamente um filme, mas felizmente isso não acontece. Toda a produção tem uma grande qualidade cinematográfica, desde a fotografia ao som.
                Quem tem saudades de ver um bom mistério ao estilo de “Clue”, “Knives Out – Todos são Suspeitos” é um filme a não perder, com grandes prestações e uma historia cativante.