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24/06/2022

Mundo Jurássico - Domínio (Jurassic World Dominion - 2022)

          Sou um grande fã de todos os filmes desta saga e, sempre que sai um novo, lá estou eu na sala de cinema, a ver grandes monstros com milhões de anos a devorar pessoas.
          Quatro anos depois do filme anterior, agora temos dinossauros livres à volta de todo o mundo, a interagir com pessoas e com a biodiversidade dos dias de hoje. Enquanto isso, apareceram uns gafanhotos gigantes que andam a decorar todos os cereais.
          Acho que foi finalmente neste filme que o meu fascínio por este franchise acabou. Principalmente, porque o argumento é muito muito parvo. Atenção, tendo em conta o tipo de filme, não estou à espera que a história seja a coisa mais espetacular de todas, só preciso de alguma coisa minimamente decente que faça a ação avançar e a carnificina acontecer. E, infelizmente, não é isso que acontece aqui, principalmente porque quase toda a história não faz sentido e faz falta mais cenas de ação com os grande bichos, pelo menos que sejam algo interessante.
          Toda a vertente que envolve os tais gafanhotos gigantes, no final, acaba por resultar em nada. A justificação para a sua existência é unicamente para aparecerem as personagens dos primeiros filmes. Não digo que não as gostei de ver mas agora, se elas entrassem de uma maneira mais orgânica e competente, teria sido muito melhor. Também tendo em conta que temos dinossauros numa escala global, podíamos ter visitado mais lugares, para ver o seu impacto. É verdade que este é mais um filme em que as filmagens foram influenciadas pela pandemia mas, tendo em conta, que a grande maioria é feito graças a efeitos visuais, acho que podia haver mais localizações (embora a cena em Malta seja do melhor que o filme tem).
          Não tenho nenhum problema com o elenco, tanto com os da antiga trilogia, a de agora, bem como com as novas adições. O desenvolvimento das personagens é praticamente nulo, por isso, aquilo que se lembram delas dos filmes anteriores é exatamente como são aqui. O novo vilão também é tudo menos interessante e parece a cara chapada de Tim Cook, o CEO da Apple. Assim como os efeitos, que estão bons mas não espetaculares.
          Com o final desta nova trilogia pode ser que tenhamos uma boa dose de anos de descanso desta saga, a ver se têm tempo para criar algumas ideias interessantes.

19/10/2020

Ava (2020)

          É verdade que ultimamente não temos tido grandes motivos para voltar às salas do grande ecrã e, sinceramente, não é este tipo de filme que vai chamar muita gente.
          Tudo em “Ava” tem o ar de filme de ação mais genérico possível, que retrata uma assassina solitária, que se vê obrigada a fugir da mesma organização criminosa que a contratou. Também já não basta ter gente conhecida, como Jessica Chastain, John Malkovich e Colin Farrell, embora, verdade seja dita, talento num elenco nunca fez mal a ninguém.
          O argumento é bastante previsível, não sendo difícil saber para onde a história nos conduz. Geralmente, neste tipo de filme, as cenas de ação tentam ser o foco principal, com alguns filmes recentes a elevar cada vez mais a fasquia. Mas tal não acontece aqui. As cenas não são nada de especial e estão sobre-editadas.
          O que é pior é a incrível dose de melodrama entre estas cenas. Parece uma telenovela com ação lá metida para o meio. Não que a história de dependência da protagonista não seja algo importante de representar no cinema, apenas penso só que não é apresentada do modo mais cativante. E nem culpo as interpretações por isso, pois o trio principal está faz um bom trabalho; já o discurso, é outra história.


20/08/2020

A Nota Perfeita (The High Note - 2020)

           As estreias começam a aparecer nas salas de cinema. À primeira vista, não parece que vai ser este filme que nos fará sair de casa mas pode ser que este drama musical protagonizado por Dakota Johnson e Tracee Ellis Ross revele uma boa surpresa.

Maggie é a assistente super ocupada de uma grande cantora  que vê, num jovem talento, o modo de alterar a sua carreira.
O filme não me puxou muito durante a maior parte do tempo, já que apenas na meta final é que as coisas começaram a ter o seu interesse. É verdade que tal só se deveu aquilo que foi “construído” durante hora e meia de filme mas o modo como isso se desenrolou não foi da maneira mais interessante. 
Dakota Johnson faz um bom papel, de alguém extremamente trabalhador e que quer subir na carreira como produtora musical. Kelvin Harrison Jr. e Ice Cube fazem um trabalho decente mas é Tracee Ellis Ross que é a estrela do elenco, como a cantora que, embora adorada, tem noção que já passou o pináculo e que, mesmo assim, não quer desistir. 
O argumento é aquilo a que já estamos habituados neste género e muito dificilmente surpreende. Mas tem umas boas músicas pelo meio, o que isso funciona bastante em mim.
“A Nota Perfeita” não é um grande chamariz para voltar ao grande ecrã mas é perfeitamente agradável.

02/05/2020

Sete Irmãs (What Happened to Monday - 2017)

Ver o mesmo ator a interpretar vários papéis tem sempre aquele fator “novidade” mas, muitas vezes, isso se não for bem aplicado, perde o fascínio muito depressa e acaba por estragar completamente o filme. E aqui temos Noomi Rapace a fazer de sete irmãs gémeas, todas com as suas personalidades distintas.
Num futuro próximo, a Terra já não aguenta com o excesso da população. Tal obriga a que tenha sido criada uma lei que proíba ter mais do que um filho. Só que um grupo de sete irmãs consegue viver em segredo nesta sociedade, isto é, até uma delas desaparecer.
    O mundo criado já foi algo visto em filmes do género e, até certo ponto, chega a ser um cenário futurista “possível”. As razões e motivações das personagens não são exploradas, os maus apenas são maus porque o filme assim quer. Porque, se formos a ver, “as protagonistas” não estão propriamente do lado da razão e apenas por ser um filme é que a coisa se passa da maneira que corre. Para mim, este foi um grande desmotivador do filme.
    Tirando este “pequeno detalhe”, o filme é perfeitamente competente. As interpretações são boas, tem cenas de ação cativantes porém com uma reviravolta que se consegue ver a milhas de distância. Rapace consegue fazer um bom trabalho em criar sete personalidades distintas, sendo facilmente possível reconhecer qual das irmãs é que estamos a ver. Claro que teve que haver algum jogo de edição, o que acaba por prejudicar as cenas de ação.
    “Sete Irmãs” não é um mau filme mas peca pelo enredo e por uma premissa que, passado pouco tempo, deixa de ser novidade.


23/04/2020

Guns Akimbo (2020)

Daniel Radcliffe têm-se mantido ocupado, principalmente com filmes sem grande destaque e de qualidade variável mas com estilos sempre diferentes. Agora, juntou-se ao ainda novato realizador Jason Lei Howden, para nos dar um filme que parece completamente fora de série.
Miles vê-se envolvido numa luta pela vida, quando um gangue chamado Skizm lhe aparafusa duas armas às mãos.
Desde o trailer que dava para ver que íamos ter um filme completamente cheio de energia e com muitas doses de ação. E, de facto, é isso que temos. Há um problema: o modo geral como tudo é apresentado, com cenas de ação super editadas, não se percebendo nada o que está a acontecer e com a música sempre no volume máximo sem qualquer necessidade. Não é esta a melhor forma de causar intensidade às cenas, pessoal. 
Radcliffe tem um bom desempenho mas não é nada em que se consiga sobressair. Está sempre com a cara de choque e sem saber o que fazer e como se meteu nesta situação. Depois de ver Samara Weaving numa incrível interpretação em “Ready or Not”, aqui parece que está num papel completamente irrelevante e sem qualquer interesse. Ned Dennehy faz um vilão louco que é totalmente previsível na sua imprevisibilidade.
“Guns Akimbo” parte de uma ideia interessante mas não a consegue desenvolver.

10/04/2020

Vive (Breathe - 2017)

Na sua estreia na cadeira de realizador, Andy Serkis decide enveredar pela história da vida de Robin Cavendish e, sinceramente, não foi uma escolha propriamente interessante. Estando na vanguarda dos efeitos da captura de movimentos, estava à espera que Serkis fizesse algo que impressionasse. Não que um filme biográfico não tenha o seu interesse mas não é tão apelativo e não tira tanto partido dos efeitos de CGI.
Aqui seguimos a vida e relação entre Robin e Diana Cavendish, que nunca desistiram da vida, mesmo após a poliomielite ter paralisado Robin do pescoço para baixo.
Tudo de bom que o filme “Vive” tem deve-se ao casting. Se não fosse Andrew Garfield e Claire Foy, estavamos perante uma coisa completamente sem sabor. Todas as notas que se têm de bater neste género acontecem de forma previsível - é o que se está à espera quando se vai ver um filme biográfico. Porém, a história peca pelo o modo de execução, tudo que se passa é muito aborrecido. Não há dinamismo nas cenas e tudo se passa com relativa monotonia.
É mesmo só com as interpretações e interações entre Garfield e Foy que o filme se safa. O romance entre os dois e a forma como se unem para conseguir superar as dificuldades é o pouco de positivo que se retém de toda esta experiência. O elenco secundário, composto por Tom Hollander, Hugh Bonneville, Ed Speleers, entre outros, dá umas boas achegas ao par principal. 
Se estão à espera de um filme biográfico com grandes doses de emoção, são capazes de ficar desapontados mas, se preferirem uma história de amor envolta no combate à adversidade, aí “Vive” é o filme escolhido.

04/03/2020

Valerian e a Cidade de Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets - 2017)

A esta altura, já sabemos que este foi um dos grandes flops de 2017, fartou-se de perder dinheiro e as críticas não foram as mais favoráveis. Este mais parece uma experiência mais visual do que outra coisa, o que até nem é novidade já que não falta por aí filmes com estilo mas sem substância. Mas será que Luc Besson nos consegue surpreender?
    Alpha é uma enorme metrópole espacial que alberga espécies de mil planetas. Entretanto, enfrenta o perigo eminente de colapsar e só Valerian e Laureline é que podem impedir que isso aconteça. 
    Um problema logo que se previa nos trailers e que se confirmou no filme: a química entre os dois protagonistas, Dane DeHaan e Cara Delevingne, é praticamente inexistente, o que torna as suas interações, principalmente as mais românticas, frias e sem emoção. Tal não é por falta de capacidade dos participantes, pelo menos da parte de DeHaan, pois já vi filmes em que o ator tem grandes interpretações. Aliás, não é só aqui que houve um problema de casting já que Clive Owen também não parece ser o ator indicado para aquilo que a personagem requer. 
    Uma coisa que Besson conseguiu foi criar um universo incrível. Num grande ecrã, o filme quase salta, com cores vibrantes e com muitos detalhes à mistura. Agora se este universo tivesse mais por onde pegar… A história do filme não é má, até é mesmo interessante porém o meu grande problema são mesmo os protagonistas, que me tiraram completamente da ação e do que se estava a passar, o que é uma pena.
    Estava com alguma expetativa para “Valerian e a Cidade de Mil Planetas” só que, infelizmente, é mais um filme onde se devia ter gasto menos dinheiro para efeitos espalhafatosos e ter tentado uma história e casting mais coeso.

15/09/2019

Sete Estranhos no El Royale (Bad Times at the El Royale - 2018)

    Estava bastante ansioso por ver “Sete Estranhos no El Royale” pois gosto do realizador Drew Goddard. Além disso, e parecia que estava a fazer um filme no mesmo estilo de Quentin Tarantino, o que parecia muito interessante, com nomes como Jeff Bridges, Jon Hamm, entre outros - talento não faltava no elenco.
    Por isso, infelizmente quando o filme acabou não podia ter ficado mais desapontado. Estava à espera de diálogos mais dinâmicos e de um ritmo mais acelerado.
Logo, muita da minha experiência com o filme está toldada pelas minhas expetativas. Porque, embora tenha um elenco que faz bem o seu trabalho, principalmente um Chris Hemsworth num papel em que não estamos habituados a vê-lo, não me conseguiu cativar por aí além. 
O melhor foi toda a mitologia que envolvia o hotel onde se passa toda a ação. Com a sua divisão entre dois estados, salas e câmaras secretas, onde várias personalidades iam. Isto até podia virar facilmente uma série, da mesma maneira que vão fazer com o “Continental” de “John Wick”.
“Sete Estranhos no El Royale” pode não ser um mau filme mas não é dinâmico o suficiente, nem com as suas interpretações, nem com a ação, para nos deixarem colados.

18/07/2019

Plano de Fuga 3 (Escape Plan: The Extractors - 2019)


            Estou seriamente surpreendido por “Plano de Fuga 3” ter direito a uma estreia no grande ecrã. Tem todo o aspeto de ser um lançamento direto para as plataformas digitais e/ou DVD. Mas bem, a curiosidade levou a melhor e lá acabei por dedicar-lhe algum tempo.
            Embora seja uma sequela, o filme faz um bom trabalho em informar sobre quem são as personagens, as suas relações e acontecimentos passados, por isso, quem quiser entrar de cabeça nisto, está à vontade. Só que a sua história não é grande coisa. É um filme em que a ação é o foco principal e mesmo nesse departamento, podia estar melhor.
            Até estava esperançoso com o início, onde somos presenteados com grandes cenas de artes marciais, tanto de Jin Zhang  como de Harry Shum Jr., que pareciam antever algo de qualidade. Infelizmente, não conseguiu cumprir. Depois da parte inicial, tudo se torna monótono e, com a insistência de ter a maioria das cenas de noite, não se via grande coisa.
Sylvester Stallone e Dave Bautista estarem lá ou serem interpretados por outros atores não devia fazer assim uma grande diferença, já que não conseguem acrescentar nenhuma intensidade especial à ação. Quem sobressai mais é o vilão interpretado por Devon Sawa, que consegue ter umas cenas mais interessantes.
Vamos ter um “Plano de Fuga 4”? Não digo que não, já que com um orçamento de 45 milhões de dólares é mais fácil de recuperar o investimento, mas, sinceramente, tirando o primeiro, já desliguei desta saga.

15/04/2019

Hellboy (2019)


            Eu queria gostar muito deste filme, a sério que queria! Preferia que a trilogia planeada inicialmente por Guillermo del Toro tivesse um desfecho mas, aos poucos, fui-me habituando ao iminente remake. Logo, foi com mente aberta que parti para o filme.
            Hellboy, um demónio que vive entre o mundo humana e o sobrenatural, tem como a sua nova missão parar uma feiticeira imortal que quer lançar uma praga ao mundo (o habitual, portanto).
            Supostamente, estamos perante uma versão mais fiel à BD de Mike Magnola. Não posso confirmar pois nunca as li mas, se for o caso, não é uma boa publicidade. O filme é uma salgalhada, a história é básica e, talvez por isso, estejamos sempre a saltar de cena de ação em cena de ação, sem haver um momento para respirar e pensarmos bem no que está a acontecer.
            Mas, se há uma coisa que gostei, foi do protagonista. David Harbour é um bom sucessor de Ron Pearlman e mesmo a caraterização prática da personagem fica melhor que a versão anterior. Também há uma boa personalidade, de alguém que está em dois mundos e, ao mesmo tempo, em nenhum e a apenas andar para frente e esperar pelo melhor. Só que, em termos de boas personagens, ficamos por aqui, pois, de resto, temos um Ian McShane (que adoro!) mas que aqui está muito longe do seu melhor trabalho. Quanto à vilã, interpretada por Milla Jovovich, nem vale a pena falar, de tão robótica que é.
            As cenas de ação até entretém bem mas, por outro lado, quiseram meter cenas sangrentas e macabras que, na maior parte das vezes, eram totalmente escusadas. A música rock que acompanha estas cenas também vai ao gosto de cada um - eu gostei.
            Os problemas financeiros foram a causa do fim da série de del Toro mas não me parece que esta nova versão de Neil Marshall vá por um caminho diferente.