“Judas and the Black Messiah” é mais um dos grandes prejudicados dos nossos tempos. Um filme que tem tudo para estar no grande ecrã mas, com as salas de cinema fechadas, se vê relegado para o streaming.
No final dos anos 60, Bill O'Neal infiltra-se no Partido dos Panteras Negras, de Chicago, a mando do FBI. Para, desse modo, estarem atentos à ascensão do carismático líder do partido Fred Hampton.
Com o título que este filme tem, não é muito difícil saber o cerne de todo o enredo. Basicamente, todo ele é uma batalha pela alma de Bill, que, no início, não liga nada a políticas e apenas vê esta infiltração como um meio de fugir à prisão. Mas, à medida que se vê cada vez mais envolvido dentro do partido, Bill questiona-se cada vez mais se o que está a fazer é correto. E tudo isto com uma grande interpretação por LaKeith Stanfield, que consegue transmitir a batalha interior constante que a personagem está a passar.
E toda esta dúvida acontece graças ao líder do partido, com um grande desempenho de Daniel Kaluuya. O ator transmite sempre a ideia que o partido quer melhorar as condições sociais dos bairros afro-americanos e não a mensagem de violência que os outros dizem que é. Também temos uma crítica ao sistema prisional americano, porque quando Hampton acabou de cumprir a sua pena, vinha com uma mensagem mais violenta do que aquela com que entrou. E bem, Kaluuya dá uns grandes discursos.
“Judas and the Black Messiah” mostra-nos grandes prestações, com uma grande representação alegórica.
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01/03/2021
07/12/2020
Mank (2020)
Um filme que junta David Fincher a realizar e Gary Oldman a protagonizar é algo a estar sempre atento, seja qual for o tema do filme. Por isso, vamos lá ligar a Netflix e ver o que esta dupla nos trouxe desta vez.
Aqui vemos a Hollywood dos anos 30, através dos olhos de Herman J. Mankiewicz, um argumentista alcoólico, que se encontra numa corrida contra o tempo para acabar o argumento de “O Mundo a Seus Pés”.
Em termos técnicos, o filme está impecável. A cinematografia, fotografia e banda-sonora são de grande qualidade e, muito provavelmente, vão ter uma menção para os Óscares. E, de igual modo, o mesmo vai acontecer com Oldman, só que aí é preciso meter um pequeno asterisco. O ator faz uma grande prestação, disso não há grande dúvida, só que o protagonista tem cerca de 43 anos, cerca de 20 anos a menos do que o ator que o representa, e isso nota-se um pouco já que falta alguma vivacidade ao protagonista.
O elenco secundário também é muito forte. Amanda Seyfried e Lily Collins têm um bom desempenho, embora não eu costume gostar muito dos papéis normalmente aceites por Seyfried. “Mank” apresenta uma Hollywood sem o seu glamour habitual e mais como um meio governado pelo dinheiro, conhecimentos e política, onde o nosso protagonista está sempre a uma piada mal dada de se transformar num pária da indústria. Algo que já teria acontecido há muito tempo, não fosse ele um argumentista tão bom.
O filme demora também um pouco a arrancar. Estamos sempre a saltar entre duas linhas temporais e, muitas vezes, não se entende o porquê dessas transições. Só mais para o meio é que começa a ganhar algum ritmo e interesse. E, para um filme que retrata, na sua essência, o argumento de “O Mundo a Seus Pés”, quase que não temos nenhuma interação entre o protagonista e Orson Welles.
“Mank” não é o melhor filme de 2020, nem o melhor tanto do realizador como do protagonista, mas é uma proposta bastante interessante para quem quiser visitar esta época temporal do cinema.
Aqui vemos a Hollywood dos anos 30, através dos olhos de Herman J. Mankiewicz, um argumentista alcoólico, que se encontra numa corrida contra o tempo para acabar o argumento de “O Mundo a Seus Pés”.
Em termos técnicos, o filme está impecável. A cinematografia, fotografia e banda-sonora são de grande qualidade e, muito provavelmente, vão ter uma menção para os Óscares. E, de igual modo, o mesmo vai acontecer com Oldman, só que aí é preciso meter um pequeno asterisco. O ator faz uma grande prestação, disso não há grande dúvida, só que o protagonista tem cerca de 43 anos, cerca de 20 anos a menos do que o ator que o representa, e isso nota-se um pouco já que falta alguma vivacidade ao protagonista.
O elenco secundário também é muito forte. Amanda Seyfried e Lily Collins têm um bom desempenho, embora não eu costume gostar muito dos papéis normalmente aceites por Seyfried. “Mank” apresenta uma Hollywood sem o seu glamour habitual e mais como um meio governado pelo dinheiro, conhecimentos e política, onde o nosso protagonista está sempre a uma piada mal dada de se transformar num pária da indústria. Algo que já teria acontecido há muito tempo, não fosse ele um argumentista tão bom.
O filme demora também um pouco a arrancar. Estamos sempre a saltar entre duas linhas temporais e, muitas vezes, não se entende o porquê dessas transições. Só mais para o meio é que começa a ganhar algum ritmo e interesse. E, para um filme que retrata, na sua essência, o argumento de “O Mundo a Seus Pés”, quase que não temos nenhuma interação entre o protagonista e Orson Welles.
“Mank” não é o melhor filme de 2020, nem o melhor tanto do realizador como do protagonista, mas é uma proposta bastante interessante para quem quiser visitar esta época temporal do cinema.
28/05/2020
Capone (2020)
Aqui seguimos o último ano de vida de Al Capone, com 47 anos, depois de 10 anos passados na prisão, a sofrer de demência e a ser perseguido pelos fantasmas do seu violento passado.
Como seguimos quase sempre o ponto de vista de alguém com demência, aquilo que vemos não nos é mostrado pela fonte mais fidedigna, logo estamos sempre na dúvida na veracidade de tudo. E a minha opinião varia muito quando os filmes utilizam esta estratégia, pois pode correr muito mal, causando um grandes problemas na história, ou então pode ser feito de maneira a enriquecê-la. Aqui temos uma mistura, com muitas vezes a não sabermos se é algo que aconteceu de facto ou não. Mas bem, há muita gente que aprecia este estilo de narrativa.
Tom Hardy anda cada vez mais a estender o seu catálogo de personagens que não falam de maneira que se entenda decentemente. Não que faça um mau papel, mas parece que, na maior parte das vezes, está mais a grunhir do que a falar. É verdade que é isso que a personagem pede, mas não é por isso que a torna mais interessante. Embora seja cativante ver como Trank juntou o moribundo protagonista em várias cenas em que ele estava no seu auge e ver a sua expressão de confusão sobre tudo o que se está a passar, é um grande trabalho de interpretação por parte de Tom Hardy. Juntamente com o protagonista, temos Linda Cardellini, que faz da sua mulher Mae, que o acompanha sempre em todos os seus devaneios e que tenta lidar com toda a situação.
“Capone” pode não ser exatamente o melhor regresso de Josh Trank ao cinema mas é um passo no caminho certo.
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Linda Cardellini,
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tom hardy
25/05/2020
Bad Education (2020)
Desta vez,
"visitamos" a HBO e os seus filmes. O escolhido foi “Bad Education”,
uma das mais recentes adições, com Hugh Jackman como protagonista desta
história baseada em factos reais.
Frank
Tassone é o superintendente das escolas do distrito de Roslyn. Respeitado por
todos por ter conseguido fazer subir a escolha no ranking e pelos seus alunos
serem selecionados pelas melhores universidades. Mas, quando começam a haver
suspeitas de desvios de fundos, Tassone é o principal suspeito no golpe.
Jackman faz um grande papel, como aliás
estamos habituados a ver por parte do ator: encarna alguém que leva duas vidas
distintas, e que, se fossem descobertas iam arruinar a sua vida pessoal e profissional.
E, embora tenha feito um grande roubo à escola, não se pode tirar o crédito de
todo o bem que fez à instituição. O ator faz, no seu geral, uma prestação
contida mas tem bons momentos em que consegue brilhar. Também deixar uma nota
positiva aos desempenhos de Geraldine Viswanathan e Allison Janney.
Embora o filme não seja
excessivamente longo, pois dura pouco menos de duas horas, tem um pequeno
problema de ritmo. O primeiro ato, onde nos apresentam as personagens, o local
e a situação em geral, é algo lento e faz com que a ação demore um pouco a
arrancar. Se tirarmos isso e uma ou outra surpresa, o resto do filme segue as
batidas a que já estamos habituados a ver neste tipo de dramas.
“Bad Education” é uma história
interessante com boas prestações mas que não consegue surpreender.
10/04/2020
Vive (Breathe - 2017)
Na sua estreia na cadeira de realizador, Andy Serkis decide enveredar pela história da vida de Robin Cavendish e, sinceramente, não foi uma escolha propriamente interessante. Estando na vanguarda dos efeitos da captura de movimentos, estava à espera que Serkis fizesse algo que impressionasse. Não que um filme biográfico não tenha o seu interesse mas não é tão apelativo e não tira tanto partido dos efeitos de CGI.
Aqui seguimos a vida e relação entre Robin e Diana Cavendish, que nunca desistiram da vida, mesmo após a poliomielite ter paralisado Robin do pescoço para baixo.
Tudo de bom que o filme “Vive” tem deve-se ao casting. Se não fosse Andrew Garfield e Claire Foy, estavamos perante uma coisa completamente sem sabor. Todas as notas que se têm de bater neste género acontecem de forma previsível - é o que se está à espera quando se vai ver um filme biográfico. Porém, a história peca pelo o modo de execução, tudo que se passa é muito aborrecido. Não há dinamismo nas cenas e tudo se passa com relativa monotonia.
É mesmo só com as interpretações e interações entre Garfield e Foy que o filme se safa. O romance entre os dois e a forma como se unem para conseguir superar as dificuldades é o pouco de positivo que se retém de toda esta experiência. O elenco secundário, composto por Tom Hollander, Hugh Bonneville, Ed Speleers, entre outros, dá umas boas achegas ao par principal.
Se estão à espera de um filme biográfico com grandes doses de emoção, são capazes de ficar desapontados mas, se preferirem uma história de amor envolta no combate à adversidade, aí “Vive” é o filme escolhido.
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20/02/2020
Bombshell - O Escândalo (Bombshell - 2020)
Numa altura em que os escândalos de assédio sexual estão a ser denunciados, “Bombshell - O Escândalo” é um filme que chega numa altura muito apropriada. Conta com três nomeações para os Óscares, dois por representação e um de maquilhagem e cabelo.
O filme mostra quando um dos maiores responsáveis pela Fox News, Roger Ailes, é acusado de assédio sexual por parte de um grupo de mulheres.
Sinceramente, antes do filme, a única memória que tinha desta situação foi uma notícia há algum tempo. Por isso, foi praticamente tudo novidade e foi um processo muito interessante. Mas tenho um ligeiro “problema” nas nomeações: mais depressa nomeava Nicole Kidman para melhor atriz secundária do que Margot Robbie. Kidman teve muito mais, tanto em tempo de ecrã, como em momentos emotivos, no filme, não que Robbie não tenha tido oportunidade de brilhar.
Charlize Theron faz um grande papel e tem uma caracterização que é preciso olhar duas vezes para a conseguir reconhecer, mas que a deixa quase idêntica a Megyn Kelly, a apresentar uma mulher no poder, que tenta fazer-se valer num mundo dominado por homens conservadores. John Lithgow também está com uma grande caraterização e faz um bom papel, como o homem que está habituado a ter todo o poder e a fazer os outros submeter-se a ele.
Com a ligação a uma história real, o realizador Jay Roach conseguiu criar algumas situações verdadeiramente cruas e emotivas, que nos fazem pensar em todas as situações semelhantes que ocorrem todos os dias. Só que não deixa de ser um filme interessante, sem nunca passar para o nível seguinte.
Daquilo para que esteve nomeado, “Bombshell - O Escândalo” ganhou merecidamente o Óscar de maquilhagem e cabelo. Mas, mesmo que assim seja, não deixa de ser um filme importante a se ver pela sua mensagem.
28/01/2020
Le Mans '66: O Duelo (Ford v Ferrari - 2019)
James Mangold já era um realizador a ter um conta mas, depois do que fez em “Logan”, chegou a um nível completamente diferente, onde qualquer projeto em que o realizador esteja envolvido entra logo para a lista de prioridades. Por isso, não é de admirar que o seu novo projeto esteja na corrida dos Óscares, com 4 nomeações, incluindo para melhor filme.
Aqui seguimos a disputa entre a Ford e a Ferrari, pelo título de vencedor nas 24 Horas de Le Mans no ano de 1966, através dos olhos do designer Carroll Shelby e do condutor Ken Miles, que tentam de tudo para conseguir ganhar a corrida.
Uma das melhores coisas foi ver Christian Bale. O ator até tem feito grandes interpretações nos seus últimos filmes, mas aqui foi um dos papéis que mais gostei. Interpreta um piloto, com um temperamento algo difícil, mas que se consegue fazer valer na pista, e ao mesmo tempo ser um grande mecânico. E, para mim, é um tipo de interpretação que facilmente podia estar entre as nomeadas para o Óscar. Matt Damon também faz um grande papel, de alguém que tem que jogar entre as políticas que a Ford lhe tenta impingir e aquilo que ele sabe que pode fazer para trazer a vitória para a equipa.
À semelhança de “Rush - Duelo de Rivais”, quando as corridas começam em “Le Mans 66”, somos imediatamente transportados para a pista. Este é um dos feitos do realizador, ter-nos conseguido levar para o meio da ação, desde os barulhos dos carros até a incrível sensação de velocidade que eles transmitem.
Não estou a antever que seja uma noite muito produtiva em termos de prémios para o filme, onde talvez tenha mais hipóteses nas categorias de som. Mas, mesmo assim, é capaz de ser o filme mais divertido e entusiasmante entre os nomeados para melhor filme.
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16/01/2020
Dois Papas (The Two Popes - 2019)
“Dois Papas” pareceu-me um filme a ver logo a partir do trailer, com um tema interessante a ser representado por dois pesos-pesados da representação, Anthony Hopkins e Jonathan Pryce, a serem liderados pelo realizador Fernando Meirelles.
Por detrás das paredes do Vaticano, o papa Bento XVI e o futuro papa Francisco discutem os assuntos mais controversos da Igreja Católica e tentam chegar a um termo em comum.
Há uma coisa que é preciso ter em muita atenção ao ver este filme. Isto não é um documentário, é um filme, por isso não significa que tudo aquilo que é dito entre os dois protagonistas tenha sido, de facto, dito pelas pessoas reais. Com este pré-aviso, as discussões a que temos direito estão muito interessantes, e temos acesso aos dois pontos de vista, claro que favorecendo a versão mais liberal (não fosse essa com que estamos a lidar agora na realidade). Uma coisa que não estava à espera foi a viagem pelo passado de Jorge Bergoglio, as decisões e atitudes que teve durante a ditadura militar na Argentina e como isso o moldou.
Ver Anthony Hopkins e Jonathan Pryce num clima de “ataque, contra-ataque” foi super interessante, em que fomos brindados com um espetáculo de interpretações e os dois merecem estar nomeados para esta época de prémios. Com um destaque para Pryce, que consegue passar tanto de um tom jovial, como ficar em lágrimas de um momento para o outro. Também dar um destaque a Juan Minujín, que faz um grande trabalho, como o jovem Jorge Bergoglio.
“Dois Papas” é uma grande adição ao catálogo da Netflix; se têm algum interesse, não devem perder.
05/01/2020
O Irlandês (The Irishman - 2019)
Aqui temos Frank Sheeran a contar-nos a sua história, desde que entrou no mundo do crime como um assassino.
Gosto muito de Scorsese e dos seus filmes, mas este para mim foi um grande não. Antes de mais são três horas e meia de filme, que são incrivelmente excessivas. É que não tenho nada contra a duração em si, só que tem de ser bem aproveitada, o que aqui não é o caso. Há várias seções que podiam ter sido encurtadas e dessa forma o ritmo do filme teria sido muito favorecido.
Outra coisa foi o CGI para transformar o trio de protagonistas nas suas versões mais novas. E nesse departamento acho que o filme foi bem-sucedido, pelo menos durante a maior parte do tempo, e com o passar do tempo esta tecnologia só vai melhorar. Só que agora apareceu um problema novo. É verdade que De Niro não parece ter quase 80 anos, só que ele se mexe como alguém com quase 80 anos. E, numa cena ou outra que envolve mais movimento, isso nota-se bem.
Mas uma coisa que “O Irlandês” prova é que todos os atores ainda estão em boa forma e conseguem entregar grandes interpretações. Principalmente Joe Pesci, que já praticamente não vemos em nenhum projeto, o que é uma grande pena. O encontro entre todos os titãs do cinema foi tudo aquilo que podíamos esperar, nenhum deles rouba o destaque ao outro e todos têm bons momentos para se destacar. A única crítica é que já os vimos em filmes semelhantes, não são papéis novos que envolvam uma grande transformação por parte dos atores. O bem que pode ser essa a justificação de ninguém estar a prestar muita atenção a De Niro nesta altura de nomeações para prémios.
Estamos habituados a ver filmes longos por parte de Scorsese, só que isso nunca comprometeu o seu ritmo e toda a ação nos deixa presos aos acontecimentos e sempre com vontade de ver o que vem a seguir. Só que aqui parece que ninguém lhe meteu um travão e assim pode fazer o seu épico de gangsters que sempre quis, só que infelizmente isso comprometeu o filme em geral.
“O Irlandês” não é um mau filme, tem grandes interpretações e grandes inovações tecnológicas, só que é prejudicado pela sua excessiva duração.
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08/12/2019
Os Aeronautas (The Aeronauts - 2019)
Este foi um filme que basicamente apareceu do nada. A única coisa que tinha visto sobre ele foi um trailer, uma semana antes da estreia, e desde aí não vi praticamente mais nada sobre ele. É algo estranho, tendo em conta que a dupla protagonista é a mesma que nos trouxe “A Teoria de Tudo”.
A piloto Amelia Rennes e o cientista James Glaisher partem numa expedição numa balão a gás, de forma a quebrar o último recorde de altitude e descobrirem os primeiros conceitos acerca de meteorologia.
Não estamos perante nenhuma obra-prima, nem um dos melhores deste ano, mas posso dizer que é um filme que se vê bastante bem. A maior parte da ação passa-se dentro do balão a gás: consegue-se criar uma boa sensação de claustrofobia e isolamento, intercalado com cenas de flashback de como os protagonistas chegaram àquela situação.
O desenvolvimento das personagens acho que é bastante previsível, em que um cientista que apenas está interessado nos seus instrumentos e medições, com pouca credibilidade do público, e uma piloto que está a tentar superar a morte do seu marido. Mas os atores fazem um bom trabalho com aquilo que têm.
Aquilo que vão descobrindo ao longo da viagem e o modo como têm como sobreviver está bastante interessante. Tanto a fotografia como o som conseguem ser imersivos, principalmente numa sala IMAX.
“Os Aeronautas” é um bom filme mas não se destaca em nenhuma vertente.
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08/03/2019
Vice (2019)
Seguimos a vida política de Dick
Cheney, desde que o seu primeiro trabalho na Casa Branca, até se tornar um dos
vice-presidentes mais poderosos da história americana.
Infelizmente, fiquei algo
desiludido com o filme. Simplesmente porque não me conseguiu sempre prender a
atenção. Embora não tenha nada contra Adam McKay, talvez se o argumento tivesse
mais fluidez, como Aaron Sorkin consegue transmitir nas suas peças, teria sido
muito bem-vindo. McKay faz um bom trabalho em traduzir conceitos políticos
complexos, em algo que toda a gente consegue facilmente entender, só que aqui
simplesmente não cativa.
E por amor de Deus, alguém que
diga a Christian Bale para parar de se matar, com todas as transformações
físicas que faz para os filmes. É um grande ator, que aqui volta a fazer mais
uma grande interpretação mas, se ainda no ano passado conseguimos fazer Gary
Oldman transformar-se em Winston Churchill apenas com efeitos práticos, acho
que aqui isso também era possível. Amy Adams é sempre uma mais-valia em
qualquer lado que entra e mais uma vez aqui não falha, como a mulher de Cheney,
que é tão implacável como o seu marido. Mas agora nomear Sam Rockwell pelo seu
papel acho que já foi esticar um pouco a corda, facilmente trocava pela
prestação de Steve Carell.
Pronto pronto, estou a ser
demasiado duro com o filme. Este também teve bons momentos, principalmente um
momento genial que acontece mais ou menos a meio. Só que o transmitir da
sensação de como o homem é frio e implacável torna o filme frio e monótono.
Entendo que estamos a ver alguém que não é suposto gostarmos mas, mesmo assim,
todo o poder que tem nunca é bem experienciado.
Nunca meteria “Vice” em nenhuma
lista de melhores do ano, aqui as grandes interpretações não conseguem resolver
os problemas de argumento e realização.
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