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19/10/2020

Ava (2020)

          É verdade que ultimamente não temos tido grandes motivos para voltar às salas do grande ecrã e, sinceramente, não é este tipo de filme que vai chamar muita gente.
          Tudo em “Ava” tem o ar de filme de ação mais genérico possível, que retrata uma assassina solitária, que se vê obrigada a fugir da mesma organização criminosa que a contratou. Também já não basta ter gente conhecida, como Jessica Chastain, John Malkovich e Colin Farrell, embora, verdade seja dita, talento num elenco nunca fez mal a ninguém.
          O argumento é bastante previsível, não sendo difícil saber para onde a história nos conduz. Geralmente, neste tipo de filme, as cenas de ação tentam ser o foco principal, com alguns filmes recentes a elevar cada vez mais a fasquia. Mas tal não acontece aqui. As cenas não são nada de especial e estão sobre-editadas.
          O que é pior é a incrível dose de melodrama entre estas cenas. Parece uma telenovela com ação lá metida para o meio. Não que a história de dependência da protagonista não seja algo importante de representar no cinema, apenas penso só que não é apresentada do modo mais cativante. E nem culpo as interpretações por isso, pois o trio principal está faz um bom trabalho; já o discurso, é outra história.


08/05/2017

John Wick Capítulo 2 (John Wick: Chapter 2 - 2017)



                O primeiro “John Wick” foi uma boa surpresa, com Keanu Reeves como um lendário assassino com grandes cenas de ação. O problema que há com as sequelas é que, ao aumentar a escala, podem perder aquilo que tornou o primeiro tão bom. Porém um dos realizadores do original está de volta e pelos trailers parece que estamos perante coisa boa.
                John Wick é forçado a voltar à vida do crime como forma de pagar uma dívida. Mas isso só vai fazer com que a sua cabeça seja colocada a prémio.
                Uma das coisas que o primeiro filme conseguiu criar foi uma mitologia para o mundo dos assassinos, desde as moedas de ouro ao Continental, e aqui temos uma expansão disso, onde descobrimos novas regras e o ramo internacional. Mas houve um contra. Chega a uma altura do filme em que parece que toda a gente de Nova Iorque está envolvida, de uma forma ou outra, neste submundo do crime, o que perde o impacto geral.
                O argumento aqui mantem-se simples como o primeiro: é mais uma história de vingança e que, para o que “John Wick Capítulo 2” é, serve perfeitamente. Keanu Reeves volta a entrar nesta personagem em grande forma e, nas cenas de ação, está sempre “na maior”. Só quando a ação para é que, às vezes, parece que se perde um pouco mas nada de grave. Temos o regresso de um grande Ian McShane e a introdução de Riccardo Scamarcio e Laurence Fishburne (embora este último apareça durante pouco tempo).
                Só que a grande estrela aqui são as cenas de ação, que continuam brutais, sem muitos cortes, bem coreografadas e com a mesma violência do primeiro – sim, porque o senhor Wick não se limita a incapacitar.
                Uma sequela que conseguiu ser melhor que o original, aumentando ainda mais as cenas de ação mas, mesmo assim, mantendo aquilo que o caraterizava. Teria preferido um final totalmente fechado - e não algo que dê para uma sequela - mas ela que venha e que seja ainda melhor!


20/04/2015

Noite em Fuga (Run All Night - 2015)



                 O realizador Jaume Collet-Serra volta a juntar-se a Liam Neeson para mais um filme de ação, numa nova tentativa de ver Neeson como um dos atuais heróis do género. O problema é que estes filmes começam já a ser cansativos, sendo todos parecidos uns com os outros.
                Jimmy Conlon, um assassino contratado, tem uma noite para decidir a sua lealdade. Se para com o seu filho que está em perigo de morte, ou se para com o seu velho amigo e chefe da máfia, que quer que ele pague devido à morte do seu filho.
                Como é de esperar vamos ter várias cenas de ação, intercaladas com momentos em que vamos saber mais sobre os protagonistas e os seus motivos. Por isso, o que se está habituado a ver neste género de filmes.
                Neeson continua a distribuir tiros e socos à disposição, mas ao menos aqui ele consegue mostrar que já não tem bem idade para continuar isto, nem que seja só um pouco. Mas, alguns do melhores momentos conseguem ser os confrontos verbais entre o ator irlandês e o vilão, interpretado por Ed Harris. Pena é não vermos mais vezes Harris neste tipo de situação, em vez disso é só vê a dar ordens a toda a gente. As coisas também não correm mal para Joel Kinnaman, que aqui consegue uma interpretação mais dramática do que de ação. Já a personagens de Common é extremamente desinteressante.
                Mesmo sendo um filme de ação competente, não traz nada de novo e já foi feito melhor.