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24/06/2022

Mundo Jurássico - Domínio (Jurassic World Dominion - 2022)

          Sou um grande fã de todos os filmes desta saga e, sempre que sai um novo, lá estou eu na sala de cinema, a ver grandes monstros com milhões de anos a devorar pessoas.
          Quatro anos depois do filme anterior, agora temos dinossauros livres à volta de todo o mundo, a interagir com pessoas e com a biodiversidade dos dias de hoje. Enquanto isso, apareceram uns gafanhotos gigantes que andam a decorar todos os cereais.
          Acho que foi finalmente neste filme que o meu fascínio por este franchise acabou. Principalmente, porque o argumento é muito muito parvo. Atenção, tendo em conta o tipo de filme, não estou à espera que a história seja a coisa mais espetacular de todas, só preciso de alguma coisa minimamente decente que faça a ação avançar e a carnificina acontecer. E, infelizmente, não é isso que acontece aqui, principalmente porque quase toda a história não faz sentido e faz falta mais cenas de ação com os grande bichos, pelo menos que sejam algo interessante.
          Toda a vertente que envolve os tais gafanhotos gigantes, no final, acaba por resultar em nada. A justificação para a sua existência é unicamente para aparecerem as personagens dos primeiros filmes. Não digo que não as gostei de ver mas agora, se elas entrassem de uma maneira mais orgânica e competente, teria sido muito melhor. Também tendo em conta que temos dinossauros numa escala global, podíamos ter visitado mais lugares, para ver o seu impacto. É verdade que este é mais um filme em que as filmagens foram influenciadas pela pandemia mas, tendo em conta, que a grande maioria é feito graças a efeitos visuais, acho que podia haver mais localizações (embora a cena em Malta seja do melhor que o filme tem).
          Não tenho nenhum problema com o elenco, tanto com os da antiga trilogia, a de agora, bem como com as novas adições. O desenvolvimento das personagens é praticamente nulo, por isso, aquilo que se lembram delas dos filmes anteriores é exatamente como são aqui. O novo vilão também é tudo menos interessante e parece a cara chapada de Tim Cook, o CEO da Apple. Assim como os efeitos, que estão bons mas não espetaculares.
          Com o final desta nova trilogia pode ser que tenhamos uma boa dose de anos de descanso desta saga, a ver se têm tempo para criar algumas ideias interessantes.

17/01/2022

Resident Evil - Raccoon City (Resident Evil: Welcome to Raccoon City - 2021)

          Queria mesmo muito que este filme fosse espetacular. Não o melhor filme do ano (não estou ainda assim tão mal da cabeça), mas ao menos algo com cabeça, tronco e membros, que me deixasse entusiasmado e que fosse uma boa adaptação dos jogos. Os filmes de Paul W.S. Anderson sempre foram um guilty pleasure mas a única semelhança com os jogos é mesmo só o nome. Por isso, quando vi que íamos ter uma adaptação mais fiel, mesmo que com um orçamento mais reduzido, fiquei entusiasmado.
          Em 1998, os habitantes de Raccoon City começam a sofrer transformações e a mansão Spencer pode ter as respostas para o que se está a passar.
          Mas o que raio é que aconteceu aqui?! O filme parece que também saiu diretamente dos anos 90 e não no bom sentido. Os diálogos são incrivelmente fracos e anedóticos e as personagens são completas caricaturas sem qualquer interesse. Os atores deixam um pouco a desejar, com a exceção de Kaya Scodelario, que se consegue destacar em relação aos outros. E meter Neal McDonough é praticamente saber logo quem é o vilão, e como vai ser interpretado.
          Um ponto positivo do filme é que a criação de um ambiente de terror, tanto da cidade, como da mansão que, porém, depois parece que não são bem explorados. E os zombies até nem estão mal caracterizados, tendo em conta o modesto orçamento de 25 milhões de dólares. Só que depois, quando passamos a monstros mais complicados, a coisa não corre tão bem, e nestas alturas nota-se bem que os efeitos não estão muito bem acabados.
          Além disto, o filme tenta fazer demasiadas coisas: tenta adaptar o primeiro e segundo jogo ao mesmo tempo, com umas pitadas do terceiro. E, no final, acaba por não fazer favor a nenhum deles.
          Terá sequela? Duvido muito, tendo em conta tanto as críticas como as receitas. Vamos deixar esta saga descansar durante uns 10 anos e depois tentamos outra vez, pode ser?

10/01/2022

Não Olhem Para Cima (Don't Look Up - 2021)


          Os filmes de Adam McKay não são muito consensuais para mim. Tanto podem ser incríveis como “Filhos e Enteados”, como depois temos “Vice”, que não me conseguiu encher as medidas. Pelos trailers, “Não Olhem Para Cima” parece ser interessante e conta com um elenco recheado de caras conhecidas. Além disso, junta-se a vantagem da facilidade em o ver em tempos de pandemia, já que se trata de um filme Netflix.
          Aqui temos a história de dois astrónomos que descobriram que um cometa irá entrar em colisão com Terra dentro de seis meses e provocar a sua destruição, e que tentam informar a humanidade disso.
          Como não podia deixar de ser, o filme é uma sátira a uma data de coisas. Desde a política, às notícias e às constantes discussões que surgem quando temos os factos mesmo à nossa frente, passando também pelas grandes empresas tecnológicas. E, mesmo que o filme já tenha sido planeado antes do início da pandemia, é óbvio que dá para fazer paralelos entre o cometa do filme e a realidade pandémica, já que as reações apresentadas são as mesmas que temos visto nestes dois anos desde que isto começou.
          O mais interessante foi mesmo a paródia política, onde vemos que os problemas, mesmo que incrivelmente urgentes e importantes, são deixados para resolver para quando for mais conveniente para a agenda política. E que, mal a situação já não lhes seja favorável, depressa mudam o discurso, mesmo que seja totalmente o oposto do que disseram anteriormente.
          O modo como a discussão nas notícias é feita também foi interessante, sendo que faz uma caricatura tanto dos liberais, como dos republicanos, e onde os dois protagonistas caem no meio desta confusão sem saberem como lidar com esta loucura; onde apenas querem transmitir a ideia daquilo que está a vir, mas onde todos querem mudar o discurso para algo que lhes sirva os interesses.
          Os grandes destaques são Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, que protagonizam os cientistas que descobriram o meteorito e que sofreram mais alterações ao longo do filme, à medida que eram cada vez mais usados, tanto na política, como nas notícias. Meryl Streep e Jonah Hill também são um ponto alto, e dos que tiram mais risadas ao longo do filme.
          “Não Olhem Para Cima” pode não ser incrível mas é uma boa comédia para entrar no catálogo no serviço de streaming.


30/12/2021

Matrix Resurrections (The Matrix Resurrections - 2021)

          A sério que isto tinha mesmo que acontecer? Atenção, quando anunciam uma sequela para uma saga antiga, geralmente não me incomoda nem um pouco. Se for bom, ótimo, se não o for, não estraga os filmes que vieram antes. Só que, quando soube deste “Matrix Resurrections”, fiquei algo perplexo. Não porque não achasse que o universo tivesse muito para oferecer, mas sim por ser uma continuação direta de “Matrix Revolutions”. Além disso, algumas personagens mantêm os mesmos atores que filmes anteriores, e outros têm direito a caras novas. Já para não falar que já não ia ser realizado pelas irmãs Wachowski, mas apenas por Lana Wachowski, e os seus últimos filmes não têm sido propriamente os melhores. Mas a esperança é eterna, por isso vamos lá ver isso.
          Thomas Anderson é um programador de jogos, conhecido por ter criado a trilogia “Matrix”. Mas, durante a sua vida quotidiana começa a duvidar daquilo que é realidade ou não. E, deste modo, vai ter de voltar a escolher entre o comprimido azul e vermelho.
          Sinceramente, o filme deixou-me desapontado. Não estava à espera da mesma revolução que foi o primeiro filme mas, mesmo assim, deixou muito a desejar. É que desde 1999 muitas das ideias que “Matrix” apresentou foram retratadas e mais exploradas noutros filmes. A cultura cinematográfica nesta altura não é a mesma que na altura, por isso, as poucas “grandes ideias” que o filme apresenta não são nada de especial e já foram melhor desenvolvidas noutros filmes do género. E tentar fazer sempre afirmações meta não é um bom sinal.
          Mas bem, se não é pelas ideias que o filme nos leva, será que temos cenas de ação de qualidade iguais ou melhores que os anteriores? Também não é aqui que vamos ter a nossa salvação, já que foram adotadas algumas tendências que são prevalentes nos filmes de ação de hoje, com as cenas a serem demasiado editadas e não apresentarem uma boa coesão.
          Pode parecer que estou a julgar demasiado o filme tendo em conta os anteriores, mas tenho duas boas razões para o fazer. Primeiro: é inevitável. Quando sai um novo filme dentro de uma saga, o mais normal é compará-lo com os seus antecessores, quer tenham estreados há dois ou há vinte anos. Segundo: o próprio filme está constantemente a fazer referência àquilo que veio atrás, principalmente ao primeiro filme. E este é mais um ponto negativo que tenho a vos apresentar! De x em x tempo mostra-nos imagens dos filmes anteriores, como que a nos obrigar a fazer a relação entre o que estamos a ver e o mesmo elemento nos filmes anteriores. Não precisamos que nos lembrem constantemente do que aconteceu para trás, por exemplo quando nos mostram o novo Smith, mostram logo depois uma imagem de Hugo Weaving, como se não fosse possível fazermos a ligação por nós e precisamos de um auxílio visual. Para ser totalmente honesto, o filme tenta fazer isto ser relevante para a história mas, para mim, falha redondamente na tentativa.
          As personagens não são más, nem temos más interpretações, desde os regressados Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss, até às novas adições como Yahya Abdul-Mateen II, Jonathan Groff, Jessica Henwick e Neil Patrick Harris. O maior problema é mesmo o argumento.
          Muito do filme trata-se ao mesmo tempo de um remake e de uma sequela, pois muitas das ideias do primeiro filme voltam a ser batidas aqui, só que agora já não têm tanto impacto e interesse. Aliás, a dada altura fala-se de uma guerra civil entre as máquinas e pareceu-me bem mais interessante do que aquilo que tivemos. E a justificação para voltar a trazer Neo e Trinity é simplesmente muito parva.
          Ninguém pode negar o efeito que “Matrix” teve na cultura em geral, mas o regresso a este mundo foi francamente fraco, e espero que fiquemos por aqui.


07/12/2021

Viúva Negra (Black Widow - 2021)

          Acho que todos podemos concordar que este filme veio vários anos atrasado, certo? A Viúva Negra já está dentro do universo da Marvel quase desde o início, e há muito que se estava à espera de um filme sobre a personagem. Mas agora, depois de “Endgame” e do destino que a personagem teve, dá a sensação que o tempo para este filme já tinha passado. Só que não foi isso que aconteceu, por isso vamos ver como Scarlett Johansson se porta pela última vez neste papel.
          Natasha Romanoff vai ter de enfrentar os fantasmas do seu passado, quando a sua irmã adotiva procura a sua ajuda.
          Vamos ser totalmente honestos. O grande propósito deste filme no grande esquema deste universo é a introdução de Yelena Belova, interpretada por Florence Pugh, como a nova espia do grupo. Se isto podia ter sido feito de uma melhor maneira? Muito possivelmente mas, mesmo assim, desta maneira não é má de toda.
          Uma das melhores partes do filme é logo a cena inicial, que dá a sensação que vamos ver um filme de espiões em condições. E, durante a maior parte do filme, é isso que temos. Mas, no terceiro ato, a Marvel não conseguiu desligar o seu modo de operar e teve de fazer um grande espetáculo cheio de ação e explosões, quando este tipo de filme tinha sido muito melhor servido com algo mais intimista.
          Uma coisa que pensava que já tínhamos passado à frente era o vilão extremamente fraco. Mas, tal como a chegada do filme veio atrasada, também esta prática parece saída diretamente do passado. Taskmaster é completamente desperdiçado e sem presença nenhuma, podia ter sido um robô que ia dar ao mesmo. Não sei se a personagem vai voltar a aparecer, mas se não, foi uma grande decepção. Dreykov (interpretado por Ray Winstone), embora não muito impressionante, ao menos é um vilão a sério, com ações que o tornam completamente desprezível.
          Se formos tirar tudo isto, "Viúva Negra” é um filme de ação que se vê muito bem. Tem boas interpretações, Johansson sente-se muito à vontade a representar este papel e as novas adições também foram muito positivas. Rachel Weisz e David Harbour têm boas interpretações e dão mais cor ao passado da protagonista, mas é a introdução de Florence Pugh como a sua irmã mais nova que é o grande destaque, apresentando os momentos mais emotivos do filme. São os momentos quando os quatro membros estão reunidos a falar que temos o maior desenvolvimento e emoção do filme.
          A maioria das cenas de ação estão muito bem conseguidas, mas outras parece que não acabaram de ser processadas pelo departamento de efeitos especiais.
          “Viúva Negra” chegou a tarde e a más horas mas, mesmo assim, é um bom filme de ação, que serve para caracterizar melhor uma das personagens mais conhecidas e para nos apresentar uma competente substituta.


27/10/2021

Dune - Duna (Dune - 2021)

          O novo filme de Denis Villeneuve era uma das minhas grandes expectativas deste ano, não por ser um grande apreciador de todos os filmes do realizador, mas por achar que as suas sensibilidades estão bem enquadradas dentro deste universo. Todos os trailers pareceram corroboram esse pensamento, por isso estava com grandes esperanças que fosse bem superior à versão de 1984.
          Pelo decreto do Imperador, a família Atreides é obrigada a mudar-se para o planeta de Arrakis e a se encarregar da exploração da especiaria do planeta, a substância mais valiosa do universo.
          A primeira coisa que vemos no filme é que esta é apenas a primeira parte da adaptação do livro e penso que isso devia ter sido algo mencionado tanto nos posters como nos trailers, que pode levar as pessoas ao engano. Pois, embora com duração de quase duas horas e meia, o filme não apresenta a história toda (e ainda bem mas devia ser algo mais explícito).
          Tirando esse pequeno detalhe, o filme cumpre com quase todas as expectativas que tinha para ele. Em termos técnicos, o filme está ao mais alto nível, desde a fotografia, à direção artística e ao som. Todos têm momentos para brilhar, com grandes planos dos cenários e com Hans Zimmer a entregar uma banda-sonora épica, principalmente quando é utilizada a Voz.
          As interpretações também são impecáveis. Tinha algumas dúvidas se Timothée Chalamet fosse capaz de interpretar o protagonista mas, felizmente, o ator esteve a par da personagem. As partes mais emotivas são com os seus pais, desempenhados por Oscar Isaac e Rebecca Ferguson, principalmente com esta última. Os vilões, aqui encabeçados por Stellan Skarsgård, são bem mais intimidadores e não são a versão mais cartunesca que na versão de 1984.
          É claro que a adaptação não consegue transmitir tudo aquilo que está no livro e, na maior parte das situações, sou capaz de concordar com os cortes feitos. Mas, mesmo com a enorme quantidade de informações que nos transmitem no início, havia algumas coisas que faltavam. Nada que não possa ser explorado mais na sequela.
          Há algumas críticas, em que se diz faltar “alma” ao filme mas, para mim, isso deve-se à conjugação do tom mais sóbrio dos livros, com o estilo do realizador, que não é dos mais emotivos que temos. Em termos de tom, estamos sempre com a sensação que vai acontecer algo em grande e, quando isso acontece é extremamente satisfatório, pena o filme ser “cortado” pouco depois.
          Villeneuve entregou mais um grande filme de ficção-científica e, se a sua sequela for da mesma qualidade, estamos perante um grande épico.

18/10/2021

Venom - Tempo de Carnificina (Venom: Let There Be Carnage - 2021)

          
          Acho que ninguém, mas mesmo ninguém, estava à espera do enorme sucesso de “Venom”. Não tanto pelas opiniões geradas, mas sim pela enorme quantidade de dinheiro que fez nas bilheteiras, tendo superado a marca dos 850 milhões de dólares. Logo, era mais que esperado que aparecesse uma sequela a qualquer momento e até já tínhamos uma ideia do que esperar, graças ao final do primeiro filme.
          O relacionamento de Venom e Eddie evoluiu e os dois têm de aprender a viver um com outro, com Venom a querer apanhar vilões e comer-lhes o cérebro e Eddie a tentar levar uma vida normal. E enquanto isso, o assassino em série Cletus Kasady escapou da prisão e, ao que parece, graças ao mesmo poder de Venom.
          Antes que vão ao filme todos contentes a pensar que vão ver Carnificina a arrancar cabeça, membros e espinhas a todos aqueles que lhe aparecem pela frente, é melhor esquecerem isso. Temos a violência normal em filmes desta classe etária (+14), nada que faça perder o sono, e uma oportunidade algo perdida, ao usar esta personagem.
          Isto por um factor muito simples: “Venom - Tempo de Carnificina” é uma comédia romântica. Não entre Eddie e Anne (que volta para esta sequela), mas sim entre Eddie e Venom. O filme está puramente centrado na sua relação, da maneira como se opõe constantemente mas, ao mesmo tempo, estão lá um para o outro e chegam a como se têm de entender para funcionarem os dois da melhor maneira. Isto tudo recheado com grandes momentos de comédia. Tom Hardy faz uma boa interpretação, tanto como Eddie, como com a voz de Venom. Quem não fica tão bem servido é Woody Harrelson a fazer do vilão, já que parece que a única coisa que lhe disseram para fazer foi ser mau e maníaco. É verdade que há uma tentativa de lhe dar alguma dimensão ao mostrar que ele tem uma relação mas isso também não foi transposto da melhor maneira.
          Os efeitos especiais estão melhores que no primeiro filme já que dá para distinguir quem é quem na luta entre Venom e Carnificina e conseguimos ver uns poderes novos.
          “Venom - Tempo de Carnificina” pode não ser exatamente o filme que estava à espera, tendo em conta as personagens envolvidas mas, ao manter o foco na relação dos protagonistas, trouxe-nos um filme diferente.

P.S.: fiquem para a cena pós-créditos.


07/06/2021

Um Lugar Silencioso 2 (A Quiet Place Part II - 2021)

          Estava alguém a contar que houvesse uma sequela do filme de 2018? Nem por isso. Alguém estava a pedir por ela? Não que me tenha apercebido. É verdade que o final do primeiro filme deixou alguma abertura para uma continuação mas nada de muito necessário. Talvez um filme passado neste mundo, mas com outra família, noutro continente, pudesse ser interessante, só que afinal continuamos a seguir a mesma família. Não era bem o que “pedia” mas pode ser que John Krasinski volte a fazer um grande trabalho.
          Aqui seguimos imediatamente depois do final do primeiro filme, Evelyn e os seus filhos têm de deixar o seu abrigo e aventurarem-se pelo mundo, tentando sempre sobreviver às criaturas.
          Um pequeno detalhe que me “incomodou” logo no início. O primeiro filme não acabou exatamente do mesmo modo que este tenta fazer parecer. É verdade que, assim, o desenrolar da história podia ser muito diferente mas pronto é um pequeno nickpick.
          De resto, estamos perante uma sequela bastante competente. Não chega a ter a mesma qualidade do seu antecessor mas, mesmo assim, é bastante bom, por um motivo em particular: conseguiu voltar a criar a sensação de que é imperativo fazer silêncio e que qualquer barulho pode significar a morte. Quem viu o primeiro filme sabe que já não temos John Krasinski também como protagonista mas, em vez disso, temos o muito competente Cillian Murphy. Os desempenhos de Emily Blunt e Millicent Simmonds voltam aqui a ter um grande desempenho.
          Em termos de argumento, o filme não inova mas envolve. Agora há uma pequena esperança contra as criaturas, falta apenas saber como a aplicar adequadamente. A um dado ponto, a história bifurca e passamos a seguir dois grupos, e aí, embora surja uma boa conclusão, acho que não está representada da melhor maneira. Desta vez, como já não estamos na quinta da família protagonista, vemos um pouco de como está o mundo e o pouco que resta da humanidade, que consegue criar um momentos muito tensos.
          Não chega aos níveis do primeiro filme mas mesmo assim Krasinski conseguiu voltar a transportar-nos para este mundo, onde o silêncio é ouro.

12/04/2021

Godzilla vs Kong (2021)

          Vamos ser honestos. Se este filme já não estivesse num estado de produção avançada quando foi lançado “Godzilla II: Rei dos Monstros”, provavelmente não o íamos ver. Não que a sequela de “Godzilla” seja um mau filme, mas a bilheteira não foi grande coisa para aquilo que podia ser. Mas, felizmente, isso não impediu a existência deste muito divertido filme!
          Vou deixar o melhor para o fim. Por isso, vou começar pelo problema comum neste tipo de filmes: o elemento humano. É verdade que ele tem de estar sempre presente, mais para servir como fio condutor e para expor informação do que ter uma utilidade prática real. E acho que aqui chegámos a um novo recorde de inutilidade, visto que já que temos dois protagonistas, temos uma equipa para cada um. E a equipa Godzilla, constituída pela recorrente Millie Bobby Brown e pelas novas entradas Brian Tyree Henry e Julian Dennison, bem que podia ser totalmente retirada que não fazia diferença nenhuma. Já a equipa Kong, liderada por Alexander Skarsgård e Rebecca Hall, vão numa caça pelo interior da Terra sem eles saberem bem o motivo porquê.
          Mas não foi para ver pessoas a correr de um lado para o outro que se vai ver este filme. Felizmente, nesse departamento, o filme entrega tudo aquilo que promete. Temos três confrontos distintos e, no final, temos um claro vencedor (ainda bem que não houve aquele empate, para que ninguém fique triste). E ainda bem que as cenas não são todas filmadas de noite, para que a ação não se consiga ver bem e servirem para disfarçar efeitos menos bem conseguidos. Não que nenhuma das lutas seja de noite, porque as principais são, mas é numa Hong Kong cheia de neons onde dá para ver tudo com bastante nitidez, e os efeitos não desiludem. As coreografias das batalhas são interessantes e são, sem dúvida, o destaque do filme. Mas, se estão à espera que toda a física faça sentido, vão ficar muito desapontados (basicamente é seguir pelas mesmas regras que a saga “Velocidade Furiosa”).
          “Godzilla vs Kong” pode deixar a desejar em termos de história mas, se querem ver um grande lagarto a lutar com um grande macaco, este é o filme.

08/02/2021

Black Box (2020)

          Numa visita pela Amazon Prime, deparei-me com este “Black Box”, um filme de terror produzido pela algo inconsistente Blumhouse. Porém o trailer pareceu algo interessante por isso dei uma hipótese.
          Depois de um acidente de carro que matou a sua mulher e o deixou sem memória, Nolan submete-se a um teste experimental. Assim, recuperaria a sua memória e saberia quem é, a fim de melhorar a relação com a sua filha. Mas, quando se começa a lembrar de coisas que não fazem sentido, começa a duvidar de todo o seu percurso.
          Categorizar este filme em terror ou thriller é esticar um pouco a corda. É verdade que tem alguns elementos destes géneros mas, mesmo assim, se forem com a convicção de ver algo mais “forte” esta pode não ser a melhor escolha. A sensação de terror é criada nas secções de recuperação de memória e em todos os bloqueios mentais que existem. Claro que toda a situação de não se lembrar de nada é horrífica que chegue.
          A história é interessante e tem um pequeno twist, a pouco mais de metade do filme. Não é algo completamente imprevisível, porque podemos chegar lá com várias pistas que vamos tendo. Mas, ao menos, deu para ver algo diferente e é pelo menos uma coisa que quase nunca vi num filme.
          Mamoudou Athie, que interpreta o nosso protagonista, faz um bom trabalho de interpretação, o suficiente para nos interessarmos e nos relacionarmos com aquilo que está a passar. Também deixo um destaque para a pequena Amanda Christine, que é capaz de transmitir força para a recuperação do seu pai e, mesmo assim, demonstrar a fragilidade típica da idade.
          “Black Box” pode não ser um filme incrível mas não é uma má maneira de passar hora e meia.

14/09/2020

Next - Sem Alternativa (Next - 2007)

          Com filmes de qualidade muito inconstante, Nicolas Cage não sabe bem escolher que trabalhos deverá aceitar. E, sinceramente, não me parece que este “Next” vá ser grande coisa, mas pronto, já me enganei antes.
          O enredo rodeia a vida de Cris, um mágico de Las Vegas, que é requisitado pelo FBI para o ajudar na procura de uma bomba nuclear. Nada de mais. O que distingue Cris? Consegue ver o futuro 2 minutos de cada vez mas só em coisas que o influenciem.
          Um filme de ação com toques de ficção científica não apresenta um argumento que vaá convencer, parecendo vago e não apresentando nada de novo para quem o vê. Aquele toque de dar uma olhadela no futuro é engraçado no início mas, passado um bocado, deixa de ser algo de especial.
          Com um elenco que conta com Nicolas Cage, Julianne Moore e Jessica Biel, a interpretação deixa um pouco a desejar. Cage parece que faz sempre o mesmo papel e Jessica Biel deve ter sido um erro de casting pois não incorpora nada seu na personagem.
          É verdade que o final nos quer apresentar uma grande surpresa mas acaba por não ser nada de especial.
         Um filme de ação “razoavelzinho”.


12/09/2020

Project Power - Descobre o Poder (Project Power - 2020)

          E se tivéssemos super-poderes durante 5 minutos ao tomar um simples comprimido? Pequeno detalhe: tanto podemos ficar super fortes, como explodir. Essa é a premissa deste novo filme de ação da Netflix, que é protagonizado por Jamie Foxx, Joseph Gordon-Levitt e Dominique Fishback.
          Fiquei algo desapontado com o filme. Claro que nem tudo o que saia da Netflix seja puro ouro mas, ultimamente, os seus filmes de ação têm sido razoáveis e a premissa deste parecia interessante. O problema é que se trata de um banal filme de crime, sendo que a única diferença é a droga utilizada. É verdade que temos uns momentos em que se mostram os poderes que a droga confere, mas que visto a grande atenção do filme foi para a parte do crime, devia ter sido mais explorada, com um enredo mais cativante.

         As prestações não estão más, afinal estamos a falar de Jamie Foxx e Joseph Gordon-Levitt, que conseguem sempre fazer uma boa prestação. A jovem Dominique Fishback, que serve para dar alguma humanidade ao filme e um tom mais leve, também não lhes fica nada atrás.
         “Project Power - Descobre o Poder” tinha uma boa ideia mas acaba por ser um filme de ação e crime, com uns pozinhos de super-poderes.


31/08/2020

Tenet (2020)

Começo logo por dizer que sou um grande fã de Christopher Nolan, logo estava com grande expetativa para “Tenet”. Porém, apareceu a pandemia e, naturalmente, o filme foi adiado. Só que, ao contrário das outras grandes estreias, que passaram para o final do ano ou para 2021, “Tenet” foi adiado apenas poucos meses. E sempre que a data se aproximava, e as salas de cinema continuavam fechadas, tínhamos sempre um adiamento de apenas duas semanas. Com isso foi possível tirar algumas conclusões: era praticamente impensável o filme ser lançado em alguma plataforma de streaming ou VOD por isso Nolan “obrigou” a Warner Bros lançá-lo no grande ecrã, e, além disso, seria esta a grande primeira estreia desde a reabertura das salas. Agora, será que toda essa espera valeu a pena?
O Protagonista mergulha num mundo de espionagem, armado com apenas uma palavra para impedir a Terceira Guerra Mundial: Tenet.
Toda a pressão estava em cima do filme e com isso era muito difícil satisfazer todas as expectativas que tinha. Antes de mais um pormenor mais técnico, Nolan, por favor, baixa um pouco o volume dos teus filmes. Não preciso de sair surdo da sala de cinema e em várias situações nem dava para perceber os diálogos nos momentos mais intensos.
Depois temos aquele que é, para mim, o maior problema do filme: a história. Vou ser um pouco vago, para não estragar a surpresa, mas aqui temos um elemento relacionado com “viagens no tempo”. E isso não é “apresentado” do modo mais prático e parece que querem complicar tudo mais do que o necessário. O ritmo do filme não ajuda com isso. Estamos sempre a andar de um lado para o outro, a sermos apresentados conceitos novos, sem nos darem tempo para os digerirmos da melhor maneira. Tirando isso, se há alguém com a credibilidade para trazer esse tipo de temas para o público em geral, esse alguém é Christopher Nolan.
Em termos de interpretações, está tudo impecável. John David Washington consegue ser um bom protagonista, e conseguimos ver no fim, o modo como é que ele mudou desde o início. Robert Pattinson cada vez mais nos mostra que é um grande ator e tem uma personagem muito interessante. Elizabeth Debicki é o elemento feminino e a parte mais humana do filme, que está mais preocupada com a segurança do seu filho, do que em resolver qualquer grande conspiração.
Sem dúvida que “Tenet” merece ser visto no grande ecrã. Tem cenas que são espetaculares, capazes de reacender a chama da vontade de voltar a visitar o as salas de cinema com frequência.
Não fica entre os melhores trabalhos do realizador, mas mesmo assim um grande filme.
 


28/06/2020

Artemis Fowl (2020)

          “Artemis Fowl” foi uma das “vítimas” desta pandemia, onde teve o seu lançamento no cinema apagado e foi antes para a plataforma de streaming da Disney. E foi uma manobra algo curiosa. Os trailers não têm sido muito elogiados mas tem um grande realizador em Kenneth Branagh, um elenco com caras conhecidas e um incrível potencial para ser mais um franchise.
Artemis Fowl é um jovem prodígio que se vê obrigado a caçar uma secreta sociedade de fadas, para assim encontrar o seu pai desaparecido.

E agora? Depois de ter visto o filme, compreendo perfeitamente a decisão da Disney. O filme é uma confusão completa. O modo como a informação nos é exposta não é interessante e esta nova mitologia não nos é apresentada de forma orgânica. Pelos vistos, meter o conteúdo de um livro, mais partes de outro em cerca de 90 minutos não foi a melhor ideia de todas. E o grande problema é que não nos consegue ligar às suas personagens, nem ao protagonista, nem aos outros elementos.

  Não culpo totalmente o elenco. Mas não há ninguém que consiga marcar, nem o protagonista é alguém que nos dê muita vontade de apoiar. Não que o estreante Ferdia Shaw seja um mau ator, mas não é aqui nos prova que vai ter uma grande carreira pela frente. 

É pena que um filme que parecia ter uma nova mitologia que valia a pena investir, e onde foram gastos mais de 100 milhões de dólares, tenham resultado neste desapontamento/desilusão.


04/04/2020

O Homem Invisível (The Invisible Man - 2020)

          O horror este ano não tem corrido da melhor maneira. “The Grudge: Maldição” foi razoável mas depois “Calafrio”, “A Ilha da Fantasia” e “The Boy – A Maldição de Brahms” foram um grande tiro no pé, com vários graus de gravidade. Mas Leigh Whannell veio-nos dar uma ajuda, ao trazer um dos melhores filmes deste início de ano.
Depois do abusivo ex-namorado de Cecília morrer e lhe deixar toda a fortuna, ela começa a suspeitar que tudo não passou de uma encenação. Principalmente quando começam a acontecer uma série de acidentes que se provam letais.   
Uma das melhores coisas do filme foi a forma como retratou o trauma pelo qual a protagonista passou, mesmo quando o motivo do seu trauma já não é, aparentemente, um problema. Com receio de tudo e de todos - e só muito lentamente - é que consegue voltar a um sentido de normalidade. Mas, depois também serve como motivo para ninguém acreditar nela quando acha que está a ser perseguida pelo seu, supostamente, falecido ex-namorado.
Este filme é muito semelhante a “Atividade Paranormal” no sentido em que, muitas vezes, estamos à espera que aconteça algo do nada. Afinal de contas, estamos a falar de uma entidade invisível que atormenta a protagonista. Só que, aqui, todo o suspense é tratado de forma muito mais eficaz. Pois, de facto, coisas acontecem e têm bem mais impacto. 
E muito dessa emoção deve-se ao incrível trabalho de interpretação de Elisabeth Moss, que nos consegue transportar mesmo para a perspetiva de uma vítima de abusos, que depois tem que se erguer para conseguir sair desta situação. 
Aqui temos mais uma prova que é possível fazer um grande filme de terror sem ter de gastar rios de dinheiro e que tem uns efeitos muito bem conseguidos.

11/03/2020

Bloodshot (2020)

Depois dos filmes do “Homem-Aranha”, lado a lado com Marvel, a Sony está a tentar lançar o seu próprio universo cinematográfico ao adaptar personagens da Valiant Entertainment. A primeira personagem escolhida foi Bloodshot, interpretada por Vin Diesel. 
    Ray Garrison é um soldado de elite que foi morto em combate e que voltou à vida graças à alta tecnologia que, claro, lhe conferiram mais força e poder de regeneração. 
    A grande maioria de filmes onde Vin Diesel entra, geralmente, não obrigam a que o ator tenha que se esforçar muito em termos de interpretação. Porém temos algumas oportunidades para “brilhar” um pouco no ecrã - infelizmente, isso só serviu para realçar que Diesel não consegue estar à altura dessas hipóteses.
    Em termos de ação, temos também algumas oportunidades perdidas. A maneira como as cenas estão feitas não servem para mostrar todo o potencial que elas podem ser. E um pequeno detalhe. Supostamente, o protagonista é um soldado de elite mas, a partir do momento em que ganha os seus poderes, apenas anda calmamente contra os inimigos, sem se preocupar minimamente com a quantidade de balas que está a levar. Basicamente, dá a sensação que qualquer Zé-Maria Pincel conseguia fazer o trabalho, desde que lhe fossem dados os mesmos poderes.
    O elenco secundário não se consegue destacar muito. Guy Pearce é desperdiçado e, tirando uma cena, o mesmo acontece com Toby Kebbell. Quem mais gostei foi Lamorne Morris, que trouxe um bem-vindo tom cómico ao filme. 
    Não é um bom começo para este universo mas, visto que não teve um orçamento muito elevado, pode ser que consiga sobreviver nas salas de cinema e trazer uma sequela.

14/11/2019

Exterminador Implacável - Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate - 2019)

Aqui estamos nós, mais uma vez a tentar dar vida a “Exterminador Implacável”. Desta vez, tirou uma página de “Halloween” do ano passado, onde ignora grande parte das sequelas, e só se foca em certos filmes, neste caso o primeiro e segundo. James Cameron voltou como produtor e Tim Miller (“Deadpool”) como realizador, e podemos contar com o regresso de Linda Hamilton e Arnold Schwarzenegger.
    Vou ser sincero, até agora não tenho desgostado de todo dos filmes desta saga. Não chegam aos calcanhares dos clássicos que são os dois primeiros mas, mesmo assim, nunca senti que foi “tempo perdido” e que eram filmes terríveis. Tendo isso em conta, posso dizer que esta é a melhor entrega desde o segundo filme (o que, para muitos, pode não dizer muito).
    O enredo segue as mesmas linhas do último filme de James Cameron (e de quase os outros filmes todos, verdade seja dita), onde temos dois elementos que vêm do futuro: um para proteger e outro para exterminar um “escolhido” de grande importância. Sendo que, desta vez, temos Mackenzie Davis a proteger Natalia Reyes de Gabriel Luna. E depois, lá pelo meio, juntam-se Linda Hamilton e Arnold Schwarzenegger. E posso dizer que até gostei do novo elenco, Davis tem energia e é convincente nas cenas de ação e Luna consegue criar a intensidade de um predador atrás da sua presa. Os dois veteranos é que já não são tão cativantes como antes.
    As cenas de ação estão muito bem conseguidas, principalmente na primeira parte do filme, com situações mais contidas e onde a ação está mais próxima e pessoal. Só para a parte final, quando tudo se começa a passar num avião, que as coisas começam a escalar (e não da melhor maneira). O enredo é que podia ter mais algumas inovações. Parece que já vimos esta história uma data de vezes, e a pequena alteração que fizerem não compensa toda a situação.
    “Exterminador Implacável - Destino Sombrio” é das melhores entregas do franchise, mas mesmo assim, tendo em conta o dinheiro que fez até agora nas bilheteiras, não vamos ver uma continuação. Se calhar é melhor deixar esperar uns anos e depois fazer um reboot completo à saga.

04/08/2019

Homem-Aranha - Longe de Casa (Spider-Man: Far from Home - 2019)

    Depois de “Vingadores - Endgame”, pelo menos nos próximos meses, qualquer que seja o filme, estará aquém. E isso também é necessário, pois não podemos ter crises universais em todos os filmes, com o problema de se tornar banal. Felizmente, temos a sequela de “Regresso a Casa” para nos trazer a bom porto.
Este é uma sequela em que é necessário alguma contextualização. Assim, sem ver “Endgame”, não se vai entender algumas coisas que são apresentadas e explicadas aqui, como o Blimp. Mas bem, visto que já é o filme com a maior bilheteira de sempre, acho que posso falar aqui sobre ele. Peter sente o peso da responsabilidade de se equiparar a Tony Stark e, ao mesmo tempo sente-se responsável por não ter conseguido contribuir para um desfecho do Endgame sem baixas. Por isso, é natural que queira passar as férias escolares sem vestir o seu uniforme, apenas passear pela Europa e tentar começar uma relação com a rapariga que gosta.
Este deve ser o filme com a melhor ação em que já vimos esta personagem participar. Temos situações diferentes para ele explorar, inimigos que fogem da zona de conforto e novos fatos para apresentar. E como é que conseguimos estes novos cenários? Porque temos a ajuda de um novo companheiro, Mistério, para tentar parar os Elementares de destruir a Terra. A história dá algumas reviravoltas interessantes, mas não é no lado do Homem-Aranha que gira o filme, mas sim em Peter Parker. 
Depois dos devastadores acontecimentos dos filmes anteriores, Peter só quer relaxar um pouco, aproveitar as férias e, com sorte, algum romance. E é algo que facilmente se pode compreender. Estamos a falar de alguém que ainda não acabou o secundário e que se meteu nisto dos super-heróis para salvar a vizinhança, ou seja, acontecimentos em pequena escala, nada em termos intergaláticos. Por isso, todos os seus dilemas entendem-se perfeitamente. 
E, felizmente, a química entre os vários elementos do grupo não se perdeu desde o filme anterior. E, embora tenhamos menos de Ned - mesmo que o pouco seja muito bom -, dá-se lugar a maior protagonismo de MJ e o modo como ela se relaciona com ele.
O elemento novo era um dos que estava com maior receio… Foi muito bem tratado e pensado. Mistério não é foleiro! O seu fato, efeitos e história fazem sentido e mostram o incrível trabalho de efeitos especiais que já é possível fazer nos dias de hoje. E, para representar tudo isto, não há ninguém melhor que Jake Gyllenhall para o fazer. O ator consegue trazer a seriedade e ao mesmo tempo ser cómico emmedida. Que toda aquela história de multiverso, que vemos no trailer, consegue ser bem explicada.
Mais uma vez, a nova aventura do Homem-Aranha é um acontecimento a ser visto no cinema. Não só pela história em si, como para descobrir os acontecimentos pós Endgame. E tem duas cenas pós-créditos a não perder!



22/04/2019

Captain Marvel (2019)


            Foi preciso passar a marca dos vinte filmes para que a Marvel decidisse fazer um filme a solo de uma super-heroína, e a escolhida foi a Captain Marvel. Verdade seja dita, a maior parte das pessoas está com os olhos postos em “Endgame”, mas saber que a protagonista Carol Danvers vai ter um papel importante, cria outro entusiasmo para este filme.
            Carol Danvers faz parte da força estelar da raça Kree, que tem como missão acabar com a guerra entre os Skrulls. Mas, quando uma missão a leva à Terra, muita coisa vai demorar.
Já sabemos com o que podemos contar quando vamos ver um filme da Marvel. Boas cenas de ação, uma história que entretém e umas doses de comédia agradáveis. E não é este “Captain Marvel” que quebra esta fórmula, sendo que o fator novidade daqui é que tudo se passa nos anos 90. E com isso vêm doses de nostalgia e de termos possíveis respostas às origens desta saga.
Brie Larson, que é aqui a nosso protagonista, foi algo criticada por parecer algo robótica durante os trailers, mas (como seria de esperar) é algo totalmente explicado pelo filme, e não é por acaso que a atriz tem um Óscar. Só que o melhor é a interação que tem com um jovem Nick Fury (Samuel L. Jackson), que ainda está em inícios de carreira e não tão desconfiado como o conhecemos. E foi neste estilo de buddy cop que partimos numa aventura pelas origens de Danvers pela Terra, ao mesmo tempo que tem que eliminar os Skrulls que estão no seu encalço. O vilão não foi muito interessante, mas existe um pequeno twist que acaba por compensar um pouco.
Não é o melhor filme da Marvel, nem o pior, e serve como uma ponte para o próximo “Vingadores - Endgame”, já que supostamente, esta é uma personagem que vai ter um papel importante, por isso, convêm conhecê-la primeiro.