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07/12/2020

Mank (2020)

          Um filme que junta David Fincher a realizar e Gary Oldman a protagonizar é algo a estar sempre atento, seja qual for o tema do filme. Por isso, vamos lá ligar a Netflix e ver o que esta dupla nos trouxe desta vez.
          Aqui vemos a Hollywood dos anos 30, através dos olhos de Herman J. Mankiewicz, um argumentista alcoólico, que se encontra numa corrida contra o tempo para acabar o argumento de “O Mundo a Seus Pés”.
          Em termos técnicos, o filme está impecável. A cinematografia, fotografia e banda-sonora são de grande qualidade e, muito provavelmente, vão ter uma menção para os Óscares. E, de igual modo, o mesmo vai acontecer com Oldman, só que aí é preciso meter um pequeno asterisco. O ator faz uma grande prestação, disso não há grande dúvida, só que o protagonista tem cerca de 43 anos, cerca de 20 anos a menos do que o ator que o representa, e isso nota-se um pouco já que falta alguma vivacidade ao protagonista.
          O elenco secundário também é muito forte. Amanda Seyfried e Lily Collins têm um bom desempenho, embora não eu costume gostar muito dos papéis normalmente aceites por Seyfried. “Mank” apresenta uma Hollywood sem o seu glamour habitual e mais como um meio governado pelo dinheiro, conhecimentos e política, onde o nosso protagonista está sempre a uma piada mal dada de se transformar num pária da indústria. Algo que já teria acontecido há muito tempo, não fosse ele um argumentista tão bom.
          O filme demora também um pouco a arrancar. Estamos sempre a saltar entre duas linhas temporais e, muitas vezes, não se entende o porquê dessas transições. Só mais para o meio é que começa a ganhar algum ritmo e interesse. E, para um filme que retrata, na sua essência, o argumento de “O Mundo a Seus Pés”, quase que não temos nenhuma interação entre o protagonista e Orson Welles.
          “Mank” não é o melhor filme de 2020, nem o melhor tanto do realizador como do protagonista, mas é uma proposta bastante interessante para quem quiser visitar esta época temporal do cinema.

13/10/2014

Em Parte Incerta (Gone Girl - 2014)



                Parece que a época dos Óscares está oficialmente aberta. O primeiro candidato parece ser o último filme de David Fincher, que aqui vai adaptar para o grande ecrã a obra de Gillian Flynn. Com várias críticas positivas e um grande hype à sua volta, chegou a altura de darmos a nossa opinião.
                Quando a sua esposa é raptada e se torna o centro das atenções de todas as notícias, toda a vida de Nick vai ser posta ao descoberto e julgada.
                Acho que este é um daqueles filmes que consegue cativar pelo facto de termos várias reviravoltas ao longo de todo o enredo. O argumento é de grande qualidade mostrando que, enquanto o casal namorava, tudo corria bem e pelo melhor mas, após o casamento, a sua relação vai-se tornado cada vez mais tóxica. Não se pode propriamente dizer que seja um filme aconselhado para casais pois, em situações extremas, mostra o que pode acontecer quando as coisas começam a correr mal (e também ajuda ser um bocado psicopata). O facto de Gillian Flynn ter sido a responsável por adaptar a sua obra para o ecrã também ajudou.
                Este também foi um palco para vermos grandes interpretações. E – finalmente! - temos Rosamund Pike a fazer uma interpretação que é de louvar com a sua Amy, uma personagem que está sempre a surpreender e que precisava de uma grande interpretação para ser memorável, o que Pike consegue aqui. Não nos podemos esquecer, claro está, de Ben Affleck também a funcionar a todo o gás, ao representar uma personagem que tanto pode ser agradável como hostil como arrogante. Seria grande falha se não destaca-se, no elenco, a boa prestação de Carrie Coon como irmã de Nick. Já Neil Patrick Harris não tem um ar suficientemente ameaçador para o papel que desempenha.
                David Fincher consegue, mais uma vez, um excelente trabalho. Toda a ambiência sombria e o modo como trata os média são coisas a que já estamos habituados a ver nos filmes deste grande realizador. Todo o desenrolar da ação está bem coordenada e deixa-nos sempre presos ao ecrã.
                Uma mistura de incríveis prestações, um grande argumento e um brilhante realizador que fazem “Em Parte Incerta” um filme obrigatório.