Um filme que junta David Fincher a realizar e Gary Oldman a protagonizar é algo a estar sempre atento, seja qual for o tema do filme. Por isso, vamos lá ligar a Netflix e ver o que esta dupla nos trouxe desta vez.
Aqui vemos a Hollywood dos anos 30, através dos olhos de Herman J. Mankiewicz, um argumentista alcoólico, que se encontra numa corrida contra o tempo para acabar o argumento de “O Mundo a Seus Pés”.
Em termos técnicos, o filme está impecável. A cinematografia, fotografia e banda-sonora são de grande qualidade e, muito provavelmente, vão ter uma menção para os Óscares. E, de igual modo, o mesmo vai acontecer com Oldman, só que aí é preciso meter um pequeno asterisco. O ator faz uma grande prestação, disso não há grande dúvida, só que o protagonista tem cerca de 43 anos, cerca de 20 anos a menos do que o ator que o representa, e isso nota-se um pouco já que falta alguma vivacidade ao protagonista.
O elenco secundário também é muito forte. Amanda Seyfried e Lily Collins têm um bom desempenho, embora não eu costume gostar muito dos papéis normalmente aceites por Seyfried. “Mank” apresenta uma Hollywood sem o seu glamour habitual e mais como um meio governado pelo dinheiro, conhecimentos e política, onde o nosso protagonista está sempre a uma piada mal dada de se transformar num pária da indústria. Algo que já teria acontecido há muito tempo, não fosse ele um argumentista tão bom.
O filme demora também um pouco a arrancar. Estamos sempre a saltar entre duas linhas temporais e, muitas vezes, não se entende o porquê dessas transições. Só mais para o meio é que começa a ganhar algum ritmo e interesse. E, para um filme que retrata, na sua essência, o argumento de “O Mundo a Seus Pés”, quase que não temos nenhuma interação entre o protagonista e Orson Welles.
“Mank” não é o melhor filme de 2020, nem o melhor tanto do realizador como do protagonista, mas é uma proposta bastante interessante para quem quiser visitar esta época temporal do cinema.
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07/12/2020
05/11/2015
Enquanto Somos Jovens (While We're Young - 2015)
Ver Ben
Stiller a afastar-se aos poucos da comédia não é algo que me agrade
particularmente mas, depois de “A Vida Secreta de Wallter Mitty” (em que foi o
realizador), é preciso dar-lhe uma hipótese. Desta vez, o responsável pelo
argumento e pela realização é Noah Baumbach (“Greenberg”). Temos também Naomi
Watts no ecrã, o que não é mau de todo.
Josh é
um realizador de documentários, que está preso no mesmo projeto há já 10 anos.
Mas, quando conhece o jovem casal Jamie e Darby, Josh e Cornelia vão
redescobrir a sua vida e a sua relação.
Atenção,
o filme tem a sua piada mas não é o mesmo tipo de comédia de “Spy”, por
exemplo. Em vez disso, temos algo mais subtil e leve mas que resulta na mesma e
consegue ter alguns bons momentos cómicos. Só que não é de comédia que se trata
o filme. É sim sobre o passar do tempo, a estagnação da atividade, e como isso
pode afetar uma pessoa e as suas relações interpessoais. E como tudo pode mudar
se a nossa mentalidade e perspetiva se alterar um pouco.
Stiller
entrega-se ao filme e mostra uma interpretação de valor. Já Naomi Watts não
mostrou o melhor que conseguia fazer (verdade seja dita, o filme também não
deixava). Esta é uma das melhores interpretações de Adam Driver (por outro lado
não conheço muito da sua filmografia), enquanto Amanda Seyfried acaba um bocado
apagada de todo o filme.
“Enquanto
Somos Jovens” é um filme interessante mas que provavelmente não vai apanhar
muita atenção do público.
28/06/2015
Ted 2 (2015)
Fazer
sequelas de comédias, por princípio, não costumam funcionar. Porque, ou as
piadas são as mesmas do primeiro filme, ou porque as personagens mudaram demais
de um filme para o outro e já não resultam tão bem. Mas pode ser que Seth
MacFarlane nos consiga surpreender e nos voltar a passar um bom bocado.
Ted
casou-se com Tami-Lynn e querem adotar uma criança. O grande problema é que o
Estado não o reconhece como uma pessoa, mas sim como um bem. Assim, Ted vai
fazer de tudo para que passe a ter os mesmos direitos que uma pessoa.
Um dos
requisitos para gostar desta nova aventura do urso de peluche é ter gostado do
seu primeiro filme, e porquê? Porque, como não podia deixar de ser, a comédia
está dentro do mesmo estilo a que MacFarlane já nos habitou. O que quer dizer
que não é por ter um pequeno urso de peluche como protagonista que “Ted 2” é um
filme aconselhado para os mais novos.
O único
senão é que agora a magia já não funciona tanto. Já não tem tanta piada em ver
Ted imerso no mundo real a dizer o mesmo género de piadas que já tinha dito.
Mas não se preocupem, o filme consegue ter muita piada, com momentos tão
brilhantes como no clube de comédia. E, enquanto estes momentos valem a pena
ver o filme, quando se torna algo sobre direitos civis, perde um bocado da sua
qualidade.
Mark Wahlberg
volta como o melhor amigo de Ted e, de novo, faz um bom trabalho, conseguindo
ser tanto engraçado, como mais intenso nos momentos adequados. Mila Kunis foi
substituída por Amanda Seyfried, o que é uma pena, não que Seyfried não faça
bem o seu papel, mas porque muito do filme anterior foi sobre a relação de
Kunis com Wahlberg. Jessica Barth volta a interpretar Tami-Lynn, agora casada
com Ted, e volta a trazer comédia na sua relação com o urso falante. Já para não
falar dos diversos cameos, alguns
muito engraçados como os de Liam Neeson e Jay Leno.
Se
gosta de “Family Guy” e do primeiro “Ted”, muito provavelmente vai gostar desta
sequela.
17/06/2014
Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas (A Million Ways to Die in the West - 2014)
Parece que, depois de “Ted”,
Seth MacFarlane
vai continuar a apostar em trabalhos no grande ecrã. Só que agora, em vez de um
urso de peluche com vida própria, é o próprio a ser o protagonista.
Albert
é um cobarde guardador de ovelhas que recebe ajuda da nova habitante desta
cidade do oeste selvagem para recuperar a sua namorada.
O
filme até começa bem, com algumas boas piadas. O grande e incontornável
problema é que as melhores piadas ficam-se por aqui. Também não ajuda o facto
de o filme ter quase duas horas. Chega uma altura em que só queremos que acabem
com a nossa miséria.
O
estilo de comédia é aquela a que já estamos habituados deste realizador/
argumentista/protagonista, só que num ambiente western. Esta “inovação” até consegue trazer alguma frescura mas só
durante um bocado.
A
personagem principal até consegue ser interessante. Um homem fora do seu tempo
que tem medo de particamente tudo mas ainda falta um bom bocado para que MacFarlane
consiga criar um grande impacto como protagonista. O restante elenco consegue
fazer um bom trabalho e podemos contar com cameos
de Ryan Reynolds e Jamie Foxx entre
outros. E há uma pequena surpresa para os fãs da série “Foi Assim que
Aconteceu”.
E,
enquanto “Ted” tinha o facto surpresa do seu lado, “Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas”
segue um argumento previsível e sem muita piada.
Espero que o próximo filme de
Seth MacFarlane
corra melhorzinho.
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12/01/2014
Lovelace (2014)
Um filme biográfico sobre a
protagonista de um dos filmes pornográficos mais conhecidos (“Garganta Funda”),
com Amanda Seyfried a fazer o papel principal. Sinceramente, não estava à
espera que a atriz fosse fazer parte do filme, muito menos como protagonista,
não me parece bem um ambiente em que ela se fosse adequar. O filme foca-se na relação de Linda com o seu marido Chuck Traynor, que a maltratava e a obrigou a entrar para o mundo dos filmes pornográficos.
A estrutura do filme foi para mim um dos seus maiores problemas. Não que eu seja contra qualquer tipo de inovação de como toda a narrativa é apresentada, mas o facto de estar sempre a passar do passado para o futuro e vice-versa, torna mais difícil acompanhar o que esta a acontecer. E só para o final do filme que tudo começa a fazer sentido.
Meter James Franco a interpretar Hugh Hefner? A sério que não podiam ter arranjado alguém mais adequado? Tirando isso, Seyfried faz um trabalho aceitável como a personagem frágil que está a ser obrigada a fazer algo que não quer. Temos também uma pequena participação de Sharon Stone e Robert Patrick.
A história consegue ser interessante o quanto baste para manter quem a está a ver interessado mas não passa daí. Falta algo para que tudo se torne mais cativante e mais dramático.
Um filme biográfico razoável.
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