Este franchise anda uma confusão pegada. Nunca pareceu ter uma linha condutora bem definida: tanto é sobre monstros fantásticos, como passa para grande importância de Credence, como é sobre o passado de Albus Dumbledore... Mas, mesmo assim, como pode ser visto naquilo que escrevi sobre os filmes anteriores, os filmes até nem têm sido mau de todos, pelo menos o elenco que acompanhamos é interessante. Porém este parece ter sido finalmente o ponto de viragem para mim.
A mando de Dumbledore, Newt Scamander vai juntar um grupo de feiticeiros e o seu amigo muggle Jacob Kowalski para derrubar as aspirações de Gellert Grindelwald controlar o mundo da feitiçaria.
Afinal que história estamos a seguir? Qual é o grande protagonista que estamos a seguir nesta nova fornada de filmes do mundo da feitiçaria? Claramente Newt já não é, pois aqui é apenas mais um dos elementos do grupo que Dumbledore juntou. E Dumbledore? Também passa francamente pouco tempo no ecrã e carece de um verdadeiro desenvolvimento para poder considerar como protagonista. Isto para mim é mais um indício da falta de foco que esta saga tem demonstrado. Já para não falar da história que envolve Credence que, tendo em conta o filme anterior, parecia que ia ter uma enorme importância mas aqui é tudo despachado em 10 minutos e sem grande alarido. Não sei se é por causa daquilo que Ezra Miller tem feito na sua vida pessoal ou não, mas o fecho deste assunto devia ter sido tratado da melhor maneira.
Uma coisa ao menos desta vez acertaram, meteram uma criatura mágica com um grande destaque, e têm umas cenas com outras. Agora se isto merece ser ainda chamado “Monstros Fantásticos”? Isso já não sei. Isso e as lutas mágicas já não têm nada que as destaque, parece que andam aos tirinhos com as varinhas - já não há feitiços, nem nada que as transforme num espetáculo visual que merece ser visto no cinema.
E para mim essa é a grande falha de todo o filme, já que de resto não tenho assim nada a apontar. O elenco tem um bom desempenho, Jude Law volta a mostrar que é um bom jovem Dumbledore e acho que sinceramente não valia a pena ter trocado Johnny Depp por Mads Mikkelsen para o papel de Grindelwlad. Não que não tenhamos um bom ator a fazer o papel mas a maneira de como a personagem foi feita perdeu todo e qualquer interesse.
Sinceramente, não sei se vamos ter uma continuação e o filme tem noção disso, já que acaba de maneira a concluir todas as histórias principais.
O filme não é uma desgraça completa mas deixou bastante a desejar.
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24/05/2022
Monstros Fantásticos - Os Segredos de Dumbledore
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22/10/2020
Os 7 de Chicago (The Trial of the Chicago 7 - 2020)
Quando temos um novo filme com o argumento mais fresquinho de Aaron Sorkin é sensato estar de atento à sua data de lançamento. E é na Netflix que o argumentista volta pela segunda vez à cadeira de realizador, depois de “Jogo da Alta-Roda”, com um elenco de enorme qualidade e um tema interessante e pertinente.
O filme retrata o julgamento de 7 pessoas acusadas de causar os protestos violentos entre protestantes e a polícia, durante o Congresso Nacional Democrático de 1968, em Chicago.
Vou dizer aqui aquilo que pensei quando vi “Jogo da Alta-Roda”, pois volta a aplicar-se aqui: Sorkin é um melhor argumentista do que realizador. Embora, verdade seja dita, melhorou um bom bocado. A estrutura do filme não é linear, não temos os protestos seguidos do julgamento, mas sim os dois acontecimentos a ocorrerem ao mesmo tempo. E, em alguém menos capaz, tal podia criar uma grande confusão mas, felizmente, Sorkin consegue manobrar a ação de forma bastante competente e nunca nos deixa perdidos no que se passa.
O elenco também é impecável. Principalmente Sacha Baron Cohen pois, se de Eddie Redmayne e Joseph Gordon-Levitt já sabemos que podemos contar com bons desempenhos, o ator mais conhecido por “Borat” é um dos que mais se destaca. Mas quem rouba a cena é Mark Rylance que, inicialmente, transmite a ideia de ser uma personagem bastante contida mas que depois consegue roubar sempre a cena. E um ponto a favor a Frank Langella, que consegue fazer de um juiz verdadeiramente detestável.
O maior problema para mim foi que, embora seja um tema interessante, e mesmo pertinente para os dias de hoje, não me conseguiu prender a atenção durante todo o tempo. Porque, ao fim ao cabo, é um filme que já sabemos mais ao menos com que contar, sem praticamente grandes surpresas.
“Os 7 de Chicago” é uma grande mais-valia para o catálogo da Netflix e que certamente terá algumas nomeações na cerimónia dos Óscares (se é que ainda vai acontecer…).
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08/12/2019
Os Aeronautas (The Aeronauts - 2019)
Este foi um filme que basicamente apareceu do nada. A única coisa que tinha visto sobre ele foi um trailer, uma semana antes da estreia, e desde aí não vi praticamente mais nada sobre ele. É algo estranho, tendo em conta que a dupla protagonista é a mesma que nos trouxe “A Teoria de Tudo”.
A piloto Amelia Rennes e o cientista James Glaisher partem numa expedição numa balão a gás, de forma a quebrar o último recorde de altitude e descobrirem os primeiros conceitos acerca de meteorologia.
Não estamos perante nenhuma obra-prima, nem um dos melhores deste ano, mas posso dizer que é um filme que se vê bastante bem. A maior parte da ação passa-se dentro do balão a gás: consegue-se criar uma boa sensação de claustrofobia e isolamento, intercalado com cenas de flashback de como os protagonistas chegaram àquela situação.
O desenvolvimento das personagens acho que é bastante previsível, em que um cientista que apenas está interessado nos seus instrumentos e medições, com pouca credibilidade do público, e uma piloto que está a tentar superar a morte do seu marido. Mas os atores fazem um bom trabalho com aquilo que têm.
Aquilo que vão descobrindo ao longo da viagem e o modo como têm como sobreviver está bastante interessante. Tanto a fotografia como o som conseguem ser imersivos, principalmente numa sala IMAX.
“Os Aeronautas” é um bom filme mas não se destaca em nenhuma vertente.
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19/11/2018
Monstros Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald (Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald - 2018)
Albus Dumbledore incube Newt Scamander de uma nova missão: encontrar e salvar Credence das mãos do feiticeiro negro Grindelwald.
E é mesmo pelo antagonista que quero começar. A imagem de Johnny Depp não anda no melhor estado, tanto na sua vida pessoal como nas suas interpretações. Mas, aqui, até surpreende com uma boa interpretação. Não é de todo o seu melhor trabalho, mas também não é a caricatura que estamos acostumados a ver ultimamente. Consegue ser aquilo que a personagem precisa, embora a mesma podia ter sido mais aprofundada.
Para mim, o pior do filme é mesmo o argumento. Nesta palete de sequelas já anunciadas, este filme perde-se no meio. A história não tem princípio, meio e fim. Tem um princípio, um meio e depois o fim fica para os próximos filmes. Não temos uma sensação de conclusão quando o filme acaba e nem mesmo o grande twist final serve para compensar isso.
O quarteto que acompanhamos no primeiro filme também não está tão coeso. Cada um se desenvolve individualmente, pelos seus caminhos de vida, embora não seja muito significativo. Uma coisa que está incrível são os efeitos visuais, que estão um autêntico regalo para os olhos. Há que ter em atenção que o ambiente não é o mesmo que os do Harry Potter, este é bem mais negro e sombrio, o que pode afastar quem está à espera da magia de antigamente.
Uma das coisas que gostei mais foi de Jude Law, como um jovem Albus Dumbledore, que consegue transmitir sempre enorme conhecimento e poder e que é credível que se torne naquela personagem que conhecemos inicialmente.
“Monstros Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald” não é um filme superior ao anterior, com as suas falhas de argumento, mas mesmo assim tem vários pontos positivos nas suas personagens e mundo.
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22/11/2016
Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los (Fantastic Beasts and Where to Find Them - 2016)
No ano
de 1926, o britânico Newt Scamander chega a Nova Iorque com uma mala cheia de
criaturas mágicas. Porém, um encontro com um Semmag (o nome que os americanos
dão aos muggles) faz como que várias dessas criaturas se espalhem pela cidade,
o que vai levar Newt numa busca por elas.
É
verdade que pode ser algo injusto a comparação deste filme com os oito do Harry
Potter, já que as personagens são completamente diferentes e a história não
possui qualquer relação direta, mas só que é impossível não o fazer. Primeiro
que tudo, ajuda ter visto os filmes anteriores, pois parte-se do princípio que
conhecemos este mundo e todas as suas peculiaridades, em que a chave do
fascínio vai passar pela mudança de continente e de tempo. Ver como funciona o
mundo mágico na América dos anos 20 foi bastante interessante e deu para ver
outro tipo de mentalidade. Não que novos espetadores fiquem totalmente perdidos
com o que está a acontecer mas poderá fica mais difícil de entender as magias
que vamos vendo. O público alvo também não é bem o mesmo. Não vai ser uma nova
saga para os adolescentes mas assim para aqueles que o eram quando foram quando
viram os primeiros filmes.
A
história que dá nome ao filme é excitante o suficiente para ser um filme
standalone e pronto, acabou, next. Mas, depois da notícia que ia ser o início
de uma trilogia, que depois passou para cinco filmes, notava-se logo que ia
haver histórias secundárias pelo meio. E, isto para mim, foi um problema pois a
história secundária de Grindelwald e do seu crescente reino de terror (um pré
Voldemort, digamos assim) cria bastantes problemas de andamento à história principal.
Passamos de apanhar criaturas para, no instante seguinte, termos algo muito
parado.
Passando
isso à frente. Newt Scamander é uma personagem bastante caricata (talvez
demais?), com alguns tiques e peculiaridades, muito bem protagonizado por Eddie
Redmayne. Nota-se o seu apreço pelos seres mágicos e que só quer que o restante
mundo mágico os entenda melhor. A parte cómica é trazida pelo Semmag que
acompanha o protagonista, Jacob Kowalski, que, em algumas situações, chega a
ser um pouco irritante mas, na maior parte do tempo, consegue ser uma grande
personagem e fazer uma boa parceria com Scamander. A fazer companhia ao duo
temos as irmãs Tina e Queenie, que trazem uma boa dinâmica e nos apresentam
este outro continente mágico e os seus segredos. A entrada de Colin Farrell
para esta saga é muito bem-vinda (aliás, onde quer que ele entre é sempre
bem-vindo), como o auror Graves, que está a investigar todos os estranhos
acontecimentos que se andam a desenrolar pela cidade que nunca dorme. Já a
personagem de Ezra Miller não me caiu propriamente bem, principalmente com o
que depois fazem com ele no desenvolvimento do filme.
Temos
aqui mais ação, mais feitiços, mais mistérios, mais criaturas e mais um ponto
de início para uma nova aventura. Não fossem os problemas que já disse, tinha
apreciado muito mais o filme (não que seja mau!) mas serve como um ponto de
partida morno e que tem por onde melhorar nas sequelas.
26/02/2015
A Ascensão de Júpiter (Jupiter Ascending - 2015)
A missão dos irmãos Wachowski
vai ser sempre ingrata, já que todos os seus filmes vão ser comparados à saga
“Matrix”, e embora tenha gostado bastante de “Cloud Atlas”, este “A Ascensão de
Júpiter” não é o melhor que o duo consegue fazer.
Júpiter ganha a vida a limpar as
casas-de-banho, mas quando descobre que é a legítima dona do planeta Terra, a
sua vida vai mudar completamente.
O grande problema deste filme
via-se logo no trailer. A história iria ser muito básica e muito dentro do que
estamos acostumados neste género. Claro que, baseando isto apenas num trailer é
injusto, mas depois no filme aconteceu isso mesmo. É pena ter sido criado um
universo que parecia bastante rico, para depois usar os mesmos truques do
costume. Até as duas cenas mais tensas no final são praticamente iguais. A
história deste universo, como a política e a religião, teria muito mais
interesse se fosse explorada numa série, ou uma saga de filmes.
Se tirarmos esse “pequeno”
detalhe, “A Ascensão de Júpiter” é um filme que se vê bastante bem. Os efeitos
especiais são de grande qualidade e valem sem dúvida a pena. Claro que temos
3D, que tem alguns momentos interessantes, mas que não acrescenta nada de
especial ao filme.
Em termos de interpretações,
Mila Kunis deixa um pouco a desejar, não acrescenta nada ao filme e a sua
personagem apenas está lá para ser constantemente salva e pouco mais. Já
Channing Tatum consegue um bom desempenho, como um alienígena que é uma mistela
de pessoa com lobo, que tem como função proteger a protagonista. E nas cenas de
ação não desilude, tal como já fez em outros filmes, já para não falar daquelas
botas anti gravidade que são um máximo. O vilão de Eddie Redmayne é
incrivelmente mal aproveitado, tinha o potencial para ser um grande adversário,
mas o argumento não lhe dá margem de manobra.
Um filme de ficção-científica
que até se vê bem, mas que sendo de quem é se esperava mais. Bom entretenimento
para quando não quisermos pensar muito.
P.S.: Spoiler
alert: por incrível que pareça Sean Bean consegue chegar até ao fim vivo!
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