Num ano tão estranho como está a ser 2020, não estavámos à espera, de certeza, de voltar a ver Borat num filme, desde o filme de 2006. E, se na altura foi uma boa lufada de ar fresco, no modo como satira a sociedade americana, agora 14 anos depois o efeito pode não ser bem o mesmo.
Depois do primeiro filme ter sido lançado, Borat não foi muito bem recebido na sua terra natal, tendo estado preso até agora. Mas o seu governo dá-lhe uma oportunidade de se redimir, se conseguir levar um presente de grande valor ao vice-presidente norte-americano Mike Pence.
Agora torna-se claro. Tivemos durante o ano umas estranhas notícias de umas “partidas” que Sacha Baron Cohen andou a fazer, desde uma aparição numa convenção republicana a uma manifestação. Tudo isso foi durante as filmagens para este filme e, sem dúvida, alguns desses excertos são do melhor no filme.
Só que o clima social de 2020 é um pouco diferente do que em 2006. E uma personagem como Borat podia agora não ser tão bem recebida como foi anteriormente. Para “combater” essa alteração, temos a nova companhia de Borat nesta viagem, Maria Bakalova, que faz da sua filha Tutar Sagdiyev. Através dela, temos uma exploração mais humanista das personagens, desde o modo retrógrado e desumano como ela tratada inicialmente, até ser alguém com a sua independência e respeitada pelo seu pai. Muito disso está bem retratado pela grande prestação de Bakalova e a sua química com Cohen.
De resto, o tipo de piada satíricas continua igual, agora também com a mistura da pandemia. E uma pessoa às vezes fica verdadeiramente parva com algumas das coisas que o ator consegue fazer as pessoas dizer.
Se gostaram do primeiro filme e do seu estilo de comédia, muito provavelmente também vão gostar deste. Em tempos como estes, bem que é preciso rir um pouco!
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02/11/2020
22/10/2020
Os 7 de Chicago (The Trial of the Chicago 7 - 2020)
Quando temos um novo filme com o argumento mais fresquinho de Aaron Sorkin é sensato estar de atento à sua data de lançamento. E é na Netflix que o argumentista volta pela segunda vez à cadeira de realizador, depois de “Jogo da Alta-Roda”, com um elenco de enorme qualidade e um tema interessante e pertinente.
O filme retrata o julgamento de 7 pessoas acusadas de causar os protestos violentos entre protestantes e a polícia, durante o Congresso Nacional Democrático de 1968, em Chicago.
Vou dizer aqui aquilo que pensei quando vi “Jogo da Alta-Roda”, pois volta a aplicar-se aqui: Sorkin é um melhor argumentista do que realizador. Embora, verdade seja dita, melhorou um bom bocado. A estrutura do filme não é linear, não temos os protestos seguidos do julgamento, mas sim os dois acontecimentos a ocorrerem ao mesmo tempo. E, em alguém menos capaz, tal podia criar uma grande confusão mas, felizmente, Sorkin consegue manobrar a ação de forma bastante competente e nunca nos deixa perdidos no que se passa.
O elenco também é impecável. Principalmente Sacha Baron Cohen pois, se de Eddie Redmayne e Joseph Gordon-Levitt já sabemos que podemos contar com bons desempenhos, o ator mais conhecido por “Borat” é um dos que mais se destaca. Mas quem rouba a cena é Mark Rylance que, inicialmente, transmite a ideia de ser uma personagem bastante contida mas que depois consegue roubar sempre a cena. E um ponto a favor a Frank Langella, que consegue fazer de um juiz verdadeiramente detestável.
O maior problema para mim foi que, embora seja um tema interessante, e mesmo pertinente para os dias de hoje, não me conseguiu prender a atenção durante todo o tempo. Porque, ao fim ao cabo, é um filme que já sabemos mais ao menos com que contar, sem praticamente grandes surpresas.
“Os 7 de Chicago” é uma grande mais-valia para o catálogo da Netflix e que certamente terá algumas nomeações na cerimónia dos Óscares (se é que ainda vai acontecer…).
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26/05/2016
Alice do Outro Lado do Espelho (Alice Through the Looking Glass - 2016)
Alice
volta ao País das Maravilhas e vai andar a viajar no tempo, para assim
conseguir salvar o Chapeleiro da sua depressão.
É
verdade que Tim Burton foi substituído por James Bobin como realizador, porém
ninguém o diria, já que o mundo que foi criado por Burton se mantem com a mesma
essência. Por um lado é bom pois mostra consistência com o que já foi
estabelecido, só que mesmo sendo um mundo cheio de cores vivas e berrantes não
é muito interessante.
Além
disso, incluir o Tempo (interpretado por Sacha Baron Cohen) como vilão não é
uma grande jogada. Ele apenas não querer que mexam com a linha temporal, o que
é compreensível, já que em todos os filmes onde isso acontece há asneiras no fim.
Agora, chamar de novo a Rainha Vermelha já se entende mais, embora não tenha
sofrido grandes alterações quantos aos seus objetivos, em relação ao primeiro
filme.
O arco
narrativo também não sofreu grande evolução. Embora o filme seja de Alice, não
há muito desenvolvimento da sua personagem: ela apenas tem uma súbita
realização e mais nada! Aliás, as cenas passadas no mundo real conseguem ser
mais interessantes do que as passadas no mundo da fantasia.
Parece
que este filme apenas existe porque o primeiro foi um sucesso de box-office e,
por causa disso, o estúdio sentiu-se na obrigação de criar uma sequela.
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27/05/2012
O Ditador (The Dictator - 2012)
“O
Ditador” é o novo filme de Sacha Baron Cohen, o mesmo que nos trouxe “Borat” e
“Bruno”, por isso desde já um pequeno aviso: e não gostou deles não vai ser com
este que deve mudar de ideias. Contudo, nota-se um tom mais sério no filme… Será
que então a comédia foi deixada para trás?
A
comédia do filme está em grande nível, uma das melhores que vi ultimamente.
Consegue conciliar a crítica com a comédia. Desde as excentricidades dos
governantes dos países árabes à exploração petrolífera, e até com temáticas
recentes, tais como a presença ou não de armas nucleares no Irão ou a morte de
Kadafi.
A
prestação dos atores é assombrada pela de Sacha Baron Cohen que, com a sua
vontade para interpretar este tipo de personagens, consegue deixar para segundo
plano o trabalho dos outros atores tais como Ben Kingsley.
Contudo,
se se sente facilmente ofendido com estes assuntos então não vai apreciar este
filme. Aos restantes apreciadores da comédia este é um filme sem dúvida
aconselhado, tem as suas falhas mas que são facilmente esquecidas.
Nota:4/5
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