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22/10/2020

Os 7 de Chicago (The Trial of the Chicago 7 - 2020)

      
          Quando temos um novo filme com o argumento mais fresquinho de Aaron Sorkin é sensato estar de atento à sua data de lançamento. E é na Netflix que o argumentista volta pela segunda vez à cadeira de realizador, depois de “Jogo da Alta-Roda”, com um elenco de enorme qualidade e um tema interessante e pertinente.
          O filme retrata o julgamento de 7 pessoas acusadas de causar os protestos violentos entre protestantes e a polícia, durante o Congresso Nacional Democrático de 1968, em Chicago.
          Vou dizer aqui aquilo que pensei quando vi “Jogo da Alta-Roda”, pois volta a aplicar-se aqui: Sorkin é um melhor argumentista do que realizador. Embora, verdade seja dita, melhorou um bom bocado. A estrutura do filme não é linear, não temos os protestos seguidos do julgamento, mas sim os dois acontecimentos a ocorrerem ao mesmo tempo. E, em alguém menos capaz, tal podia criar uma grande confusão mas, felizmente, Sorkin consegue manobrar a ação de forma bastante competente e nunca nos deixa perdidos no que se passa.
           O elenco também é impecável. Principalmente Sacha Baron Cohen pois, se de Eddie Redmayne e Joseph Gordon-Levitt já sabemos que podemos contar com bons desempenhos, o ator mais conhecido por “Borat” é um dos que mais se destaca. Mas quem rouba a cena é Mark Rylance que, inicialmente, transmite a ideia de ser uma personagem bastante contida mas que depois consegue roubar sempre a cena. E um ponto a favor a Frank Langella, que consegue fazer de um juiz verdadeiramente detestável. 
          O maior problema para mim foi que, embora seja um tema interessante, e mesmo pertinente para os dias de hoje, não me conseguiu prender a atenção durante todo o tempo. Porque, ao fim ao cabo, é um filme que já sabemos mais ao menos com que contar, sem praticamente grandes surpresas.  
“Os 7 de Chicago” é uma grande mais-valia para o catálogo da Netflix e que certamente terá algumas nomeações na cerimónia dos Óscares (se é que ainda vai acontecer…). 


12/09/2020

Project Power - Descobre o Poder (Project Power - 2020)

          E se tivéssemos super-poderes durante 5 minutos ao tomar um simples comprimido? Pequeno detalhe: tanto podemos ficar super fortes, como explodir. Essa é a premissa deste novo filme de ação da Netflix, que é protagonizado por Jamie Foxx, Joseph Gordon-Levitt e Dominique Fishback.
          Fiquei algo desapontado com o filme. Claro que nem tudo o que saia da Netflix seja puro ouro mas, ultimamente, os seus filmes de ação têm sido razoáveis e a premissa deste parecia interessante. O problema é que se trata de um banal filme de crime, sendo que a única diferença é a droga utilizada. É verdade que temos uns momentos em que se mostram os poderes que a droga confere, mas que visto a grande atenção do filme foi para a parte do crime, devia ter sido mais explorada, com um enredo mais cativante.

         As prestações não estão más, afinal estamos a falar de Jamie Foxx e Joseph Gordon-Levitt, que conseguem sempre fazer uma boa prestação. A jovem Dominique Fishback, que serve para dar alguma humanidade ao filme e um tom mais leve, também não lhes fica nada atrás.
         “Project Power - Descobre o Poder” tinha uma boa ideia mas acaba por ser um filme de ação e crime, com uns pozinhos de super-poderes.


09/10/2016

Snowden (2016)



                O tema da vigilância constante é algo interessante e sempre capaz de dar uma boa discussão. Por isso, que tal fazer um filme em torno da situação mais recente que veio ao público, quando Edward Snowden revelou informações confidenciais sobre a NSA e a CIA. O problema é que este pode ser mais “O Quinto Poder” que, embora não seja um mau filme, não cumpriu com todas as expetativas. Desta vez, temos Oliver Stone a realizar, o que é uma mais-valia.
                Há a questão daquilo que Snowden fez foi patriótico, ou se deve ser tratado como um traidor. E nesse departamento Stone diz muito claramente que estamos perante um herói. É verdade que temos algum discurso de conservadores vs liberais, só que está mais presente na parte inicial do filme, e muitas vezes não é totalmente explorado. Seguimos mais a vida de Snowden e o porque é que fez o que fez, não se o que fez é “válido” ou não.
                Joseph Gordon-Levitt tem um bom desempenho como o protagonista e rapidamente esquecemos que é um ator a interpretar uma personagem. Shailene Woodley, como o interesse romântico Lindsay Mills, serve para nos ligarmos ao lado humano da personagem, que devido ao seu brilhantismo com os computadores pode alienar o público.
                “Snowden” é um filme interessante, só que muitas vezes alonga-se demais, não acontece nada de propriamente emocionante que facilmente podia reduzir das mais de duas horas de duração do filme. E muitas vezes a conversa sobre computadores e programação, embora necessária, pode afastar algum do público.
                Oliver Stone trouxe-nos um filme biográfico interessante, mas o que podia ser uma boa troca de ideias, muitas vezes se torna numa conversa de um sentido.

03/04/2016

A Última Noitada (The Night Before - 2015)



                Vai ser a nova comédia de Jonathan Levine com Seth Rogen, Joseph Gordon-Levitt e Anthony Mackie o novo clássico para a época natalícia? Tem os ingredientes certos para que isso possa acontecer. Muita dose de comédia e também um drama para ligar toda a história. Falta só saber se tudo isto foi bem executado.
                Os três amigos Ethan, Isaac e Chris criaram uma tradição de natal para animar Ethan, que perdeu os seus pais. Passados oito anos, esta tradição continua. Com o filho de Isaac a caminho e o sucesso de Chris a aumentar, eles querem que este seja o último natal em que repetem a mesma noite. Falta saber como é que Ethan vai reagir.
                O filme não tem assim tantos momentos cómicos como estava à espera. Tem algumas boas situações mas nada que o torne numa comédia a 100%. O que não é mau de todo; tem aquelas picadas de drama que são necessárias para que “A Última Noitada” seja algo mais do que um motivo para rir. É verdade que o desenrolar dos acontecimentos é previsível, na maior parte das vezes, e as partes mais lamechas parecem um pouco deslocadas do que se está a passar mas tal não é um impedimento para desfrutar do filme.
                As interpretações são aquelas que estamos habituados a ver destes atores. As piadas de drogas de Seth Rogen, o humor e coração de Joseph Gordon-Levitt conseguiu mostrar em “50/50”, e uma boa demonstração dos talentos humorísticos de Anthony Mackie. Mas, no final de contas, a presença de Michael Shannon é que foi uma agradável surpresa.
                “A Última Noitada” tem todas as qualidades para se tornar uma visualização agradável na época natalícia.


08/10/2015

The Walk – O Desafio (The Walk - 2015)



                Ver a história verídica do equilibrista Philippe Petit e o modo de como conseguiu esticar um cabo e fazer a travessia entre as duas torres do Word Trade Center parecia uma premissa interessante e onde se podia aproveitar bem os efeitos do 3D e do IMAX. E é claro que, com Robert Zemeckis (“Forrest Gump”, “Cast Away”) na cadeira de realizador, tínhamos tudo para que “The Walk - O Desafio” seja um filme interessante.
                Só que houve muitas coisas que não gostei no filme. A primeira foi logo no início do filme, quando descobri que o filme vai ser narrado durante muito tempo, tinha preferido que fosse mais do estilo voice-over e não a ter mesmo a sua presença. Também o sotaque francês de Joseph Gordon-Levitt incomodou-me durante a maior parte do filme, algo que não estava à espera que acontecesse.
                Até ao derradeiro momento, a história também se alonga um pouco. E, embora seja interessante saber a jornada, não cativa o espectador. É necessária para que o final consiga criar o mesmo efeito mas, mesmo assim, acho que podia ter sido tratado de outra maneira. 
                E, quando, finalmente, chega aquilo de que estávamos à espera, recebemos a recompensa de tão longo suspense. O 3D ajudou a criar a sensação de grande escala necessária para apreciar o feito e, provavelmente em IMAX, a imersão ainda é melhor. Só que quando apenas temos duas destas salas em todo o país, quer dizer que quase ninguém vai conseguir viver bem o filme, já para não falar do preço dos bilhetes, que não são muito convidativos. O que levanta outra questão: se apenas funciona quando se vê no cinema, quando for o lançamento em DVD e nos videoclubes as coisas não vão correr tão bem.
                Gordon-Levitt consegue fazer uma boa interpretação (tirando o já referido sotaque), ao apresentar a paixão e total obsessão de Philippe Petit, que faria de tudo para poder concretizar o seu sonho. É pena é que os restantes elementos do seu grupo não tinham tido direito ao mesmo desenvolvimento.
                Uma jornada que para ser verdadeiramente apreciada tem de ser vista em condições.