Estava alguém a contar que houvesse uma sequela do filme de 2018? Nem por isso. Alguém estava a pedir por ela? Não que me tenha apercebido. É verdade que o final do primeiro filme deixou alguma abertura para uma continuação mas nada de muito necessário. Talvez um filme passado neste mundo, mas com outra família, noutro continente, pudesse ser interessante, só que afinal continuamos a seguir a mesma família. Não era bem o que “pedia” mas pode ser que John Krasinski volte a fazer um grande trabalho.
Aqui seguimos imediatamente depois do final do primeiro filme, Evelyn e os seus filhos têm de deixar o seu abrigo e aventurarem-se pelo mundo, tentando sempre sobreviver às criaturas.
Um pequeno detalhe que me “incomodou” logo no início. O primeiro filme não acabou exatamente do mesmo modo que este tenta fazer parecer. É verdade que, assim, o desenrolar da história podia ser muito diferente mas pronto é um pequeno nickpick.
De resto, estamos perante uma sequela bastante competente. Não chega a ter a mesma qualidade do seu antecessor mas, mesmo assim, é bastante bom, por um motivo em particular: conseguiu voltar a criar a sensação de que é imperativo fazer silêncio e que qualquer barulho pode significar a morte. Quem viu o primeiro filme sabe que já não temos John Krasinski também como protagonista mas, em vez disso, temos o muito competente Cillian Murphy. Os desempenhos de Emily Blunt e Millicent Simmonds voltam aqui a ter um grande desempenho.
Em termos de argumento, o filme não inova mas envolve. Agora há uma pequena esperança contra as criaturas, falta apenas saber como a aplicar adequadamente. A um dado ponto, a história bifurca e passamos a seguir dois grupos, e aí, embora surja uma boa conclusão, acho que não está representada da melhor maneira. Desta vez, como já não estamos na quinta da família protagonista, vemos um pouco de como está o mundo e o pouco que resta da humanidade, que consegue criar um momentos muito tensos.
Não chega aos níveis do primeiro filme mas mesmo assim Krasinski conseguiu voltar a transportar-nos para este mundo, onde o silêncio é ouro.
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05/05/2018
Um Lugar Silencioso (A Quiet Place - 2018)
Uma família
- e o resto do mundo, ou, pelo menos, o que sobra dele - é obrigado a viver a
silêncio para não serem o alvo de monstros que caçam com a super audição.
Já
imaginaram não poderem fazer um único barulho, caso contrário podiam morrer? Só
o pensamento disso é assustador, fazemos sempre algum barulho, quer queiramos
quer não, por isso, esta é logo uma tarefa herculeana. E o filme consegue
tratar bem essa situação, já que o único caminho seguro por onde a família pode
andar está coberta de areia, apenas comunicam entre si por linguagem gestual e
têm um sistema de aviso baseado em luzes.
Mas onde o
filme brilha é nas suas personagens, principalmente no chefe de família. Ver
aquilo a que o pai está disposto para a segurança da sua família, ao mesmo
tempo que tenta solucionar a surdez da filha, é muito envolvente e bem
conseguido. Além disso, as relações de todos os elementos, que têm de se
habituar a esta nova realidade, estão muito bem retratadas. Adicionalmente, o
fim deixou-me extremamente satisfeito.
Para um
filme de baixo orçamento, a qualidade do design das criaturas foi algo que me
surpreendeu! Aliás, até estava à espera que só se vissem em movimento rápidos.
Só que, por incrível que pareça, estavam muito bem caracterizadas e o seu
método de deteção de som foi muito bem exemplificado.
“Um Lugar Silencioso” é um grande filme de
terror que merece ser apreciado nas salas de cinema.
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