A Marvel entrega-nos mais um episódio da sua contínua novela, desta vez com algumas diferenças interessantes. Primeiro, porque há a tentativa de expandir o universo, com mais menções de Celestiais e entidades cósmicas, e depois porque é realizado pela atual vencedora do Óscar de melhor realizadora Chloé Zhao, algo inédito para a saga.
Os Eternos chegaram à Terra há cerca de 7000 anos, com o objetivo de exterminar os Deviants, seres predadores que andam a eliminar os humanos. Mas, depois de terem completado a sua missão inicial, os Eternos separam-se e passam a viver entre os humanos. Agora, nos dias de hoje, alguns Deviants voltaram a aparecer e a equipa tem de se voltar a reunir.
O melhor do filme é a maneira como expande todo o universo Marvel e tudo o que isso poderá implicar para os próximos filmes. E, ao contrário de outros filmes da saga, tenta criar uma maior sensação de grandeza, em que tudo o que vimos até agora é praticamente um grão de areia no grande esquema das coisas.
Em termos técnicos, também está impecável. As paisagens e ambientes estão muito bem representados e tem uma banda sonora épica. O problema é que o resto do filme não é bem adequado para toda essa elevação, já a história parece que se esforça para atingir o mesmo patamar de grandeza da música mas nunca consegue chegar lá.
Isto leva-me ao principal problema do filme: as personagens. Basicamente, MUITAS! É que não é só a quantidade mas também com o tempo que passaram na Terra. Temos que compreender como os dez elementos da equipa passaram os últimos 7000 anos, para perceber o desenvolvimento do filme. Além disso, juntam-se os acontecimentos do presente, e simplesmente não há tempo para isso tudo pois não conseguimos criar as relações necessárias com as personagens, nem empatizar pelo que estão a passar. Supostamente, há um grande amor de milhares de anos entre Sersi e Ikari mas apenas o sabemos porque nos dizem isso, não há cenas suficientes para estabelecer essa relação. Adicionalmente, a interpretação estóica de Richard Madden não ajuda nada. O elenco é bom, nada contra, já que contamos com grandes nomes como Angelina Jolie, Gemma Chan, Salma Hayek, Kumail Nanjiani, Lia McHugh, Brian Tyree Henry e os restantes elementos que fazem um bom desempenho. Mas depois, como são tantos, estamos sempre a trocar as narrativas entre uns e outros e muitas vezes alguns ficam afastados do ecrã durante um grande período de tempo. Não podem ser só coisas más,a atenção: este é um dos filmes com a maior representação de diversidade dos últimos tempos e de certeza o melhor dentro do género de super-heróis. E também têm uma boa apresentação de vários super-poderes que já vimos em outros filmes, principalmente a super-velocidade de Makkari.
“Eternals - Eternos” quis ser um filme diferente, com grandes aspirações e quase a abrir uma nova porta para uma parte diferente do universo. Mas acaba por sucumbir perante muitos desses objetivos e, em vez de uma nova porta, o que temos é mais uma janela entreaberta.
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08/11/2021
Eternals - Eternos (Eternals - 2021)
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09/01/2015
Invencível (Unbroken - 2015)
E já começaram a aparecer os
filmes biográficos com pretensões de Óscares, e este já veio com polémica atrás.
O segundo filme realizado por Angelina Jolie foi alvo de várias críticas por
parte do Japão. Os nipónicos dizem que as cenas de tortura em que participam
não aconteceram bem assim. Mas, será que há motivos para essas queixas?
Aqui vamos seguir a vida de
Louis Zamperini, um atleta olímpico que fica à deriva no Pacífico durante 47
dias durante a Segunda Guerra Mundial e que depois é detido num campo de
prisioneiros pelos japoneses.
A vida de Zamperini foi fascinante, porém o seu tratamento
cinematográfico às vezes não é o melhor. Existem alguns momentos que podiam
ter-se tornado mais épicos se houvesse uma melhor música a acompanhar. Como tal
não aconteceu, as coisas foram-se passando sem nada que desse aquele tom extra.
É preciso admirar o trabalho do
protagonista, Jack O'Connell, e da transformação durante todo o
filme. No início temos um atleta de carater olímpico e à medida que vai
sofrendo estas terríveis provações vai tendo um aspeto cada vez mais esquelético.
O ator também consegue ser aquele que consegue trazer a bem necessária
intensidade a filme.
A montagem
em algumas situações também podia ter sido melhor. As alturas em que nos mostram as memórias
do protagonista não parecem particularmente relevantes para a cena que se está
a passar. O que não seria grave de todo se estas cenas não se prolongassem excessivamente.
E as ditas cenas de tortura?
Estão presentes e algumas delas conseguem ser intensas, mas será que vale as
queixas? É verdade que ninguém gosta de ver os seus podres no grande ecrã, mas
temos de ter em conta que também estávamos numa guerra, por isso é de esperar
que tal tenha acontecido.
Um filme biográfico
interessante, mas que com uma produção um pouco melhor podia ter sido um grande
filme.
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