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24/05/2022

Monstros Fantásticos - Os Segredos de Dumbledore

          Este franchise anda uma confusão pegada. Nunca pareceu ter uma linha condutora bem definida: tanto é sobre monstros fantásticos, como passa para grande importância de Credence, como é sobre o passado de Albus Dumbledore... Mas, mesmo assim, como pode ser visto naquilo que escrevi sobre os filmes anteriores, os filmes até nem têm sido mau de todos, pelo menos o elenco que acompanhamos é interessante. Porém este parece ter sido finalmente o ponto de viragem para mim.
          A mando de Dumbledore, Newt Scamander vai juntar um grupo de feiticeiros e o seu amigo muggle Jacob Kowalski para derrubar as aspirações de Gellert Grindelwald controlar o mundo da feitiçaria.
          Afinal que história estamos a seguir? Qual é o grande protagonista que estamos a seguir nesta nova fornada de filmes do mundo da feitiçaria? Claramente Newt já não é, pois aqui é apenas mais um dos elementos do grupo que Dumbledore juntou. E Dumbledore? Também passa francamente pouco tempo no ecrã e carece de um verdadeiro desenvolvimento para poder considerar como protagonista. Isto para mim é mais um indício da falta de foco que esta saga tem demonstrado. Já para não falar da história que envolve Credence que, tendo em conta o filme anterior, parecia que ia ter uma enorme importância mas aqui é tudo despachado em 10 minutos e sem grande alarido. Não sei se é por causa daquilo que Ezra Miller tem feito na sua vida pessoal ou não, mas o fecho deste assunto devia ter sido tratado da melhor maneira.
          Uma coisa ao menos desta vez acertaram, meteram uma criatura mágica com um grande destaque, e têm umas cenas com outras. Agora se isto merece ser ainda chamado “Monstros Fantásticos”? Isso já não sei. Isso e as lutas mágicas já não têm nada que as destaque, parece que andam aos tirinhos com as varinhas - já não há feitiços, nem nada que as transforme num espetáculo visual que merece ser visto no cinema.
          E para mim essa é a grande falha de todo o filme, já que de resto não tenho assim nada a apontar. O elenco tem um bom desempenho, Jude Law volta a mostrar que é um bom jovem Dumbledore e acho que sinceramente não valia a pena ter trocado Johnny Depp por Mads Mikkelsen para o papel de Grindelwlad. Não que não tenhamos um bom ator a fazer o papel mas a maneira de como a personagem foi feita perdeu todo e qualquer interesse.
          Sinceramente, não sei se vamos ter uma continuação e o filme tem noção disso, já que acaba de maneira a concluir todas as histórias principais.
          O filme não é uma desgraça completa mas deixou bastante a desejar.


08/05/2022

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

          Chegámos ao primeiro filme da MCU deste ano, e para mim não há melhor maneira para começar do que com a sequela de uma das minhas personagens favoritas: Doutor Estranho (dizer este nome em português é que é a coisa mais estranha de todas). E por aquilo que já nos foi mostrado, parece que vamos ter uma aventura que envolve aquilo que este universo se está a envolver cada vez mais: o multiverso. O realizador do primeiro filme, Scott Derrickson, não volta aesta sequela; em vez dele temos Sam Raimi que, embora seja uma escolha invulgar, pode trazer algumas das suas raízes de horror para este universo.
          Dr. Estranho vê-se envolvido numa aventura pelo multiverso, quando encontra a jovem America Chavez, que tem a habilidade de atravessar pelos vários universos e vê-se perseguida graças a esse poder.
          Um pequeno alerta que é necessário fazer a quem vai ver este filme. É praticamente obrigatório ter visto a série “Wandavision” que está na Disney+. Porquê? Basicamente porque Wanda Maximoff tem um grande destaque e sofre uma das maiores progressões durante este filme, com Elizabeth Olsen a ter uma grande interpretação, que volta a mostrar o grande trabalho que a atriz fez na sua própria série. O “problema” é que não posso falar muito mais sobre ela, porque senão já estaria a entrar no campo de spoilers. Apenas referir que a sua progressão aqui, embora não seja muito surpreendente tendo em conta o que já foi mostrado, não é muito bem justificado. E uma das coisas que nos mostra pela primeira vez é que aquilo que acontece nas séries também vai ter influência nos filmes. Se isso é algo que as pessoas vão gostar, ou se vão achar que é mais “trabalho de casa”, vamos ver. Eu gosto mas é porque vejo tudo o que a Marvel lança.
          Benedict Cumberbatch volta a entregar uma grande prestação como o protagonista e seus sósias e, mesmo que não apareça assim tantas vezes, acho que também tem um bom desenvolvimento. Enquanto no primeiro filme tem que aprender a lidar com as consequências do seu acidente, aqui tem de aprender a largar da sua ligação com Christine e a avançar com a sua vida. A dra. Christine Palmer, interpretada por Rachel McAdams, desta vez tem uma presença mais significativa no filme, com maior relevância para os acontecimentos. A nova personagem America Chavez (interpretada por Xochitl Gomez) foi uma agradável surpresa: pelos trailers pareceu-me que iria ser um elemento extremamente irritante, mas felizmente não foi isso que aconteceu, e até trouxe uns bons momentos. Só espero que no futuro não usem o seu poder como motivo para resolver todos os problemas, em que falta ir a um multiverso buscar a solução. E Benedict Wong é sempre um bom elemento em todos os filmes que entra.
          Em termos de história, não é tão sólida como no primeiro filme, com algumas coisas a não serem bem explicadas. E, já que estamos a falar de um multiverso, não vimos assim muitos universos, onde foram basicamente três, isto a contar com o nosso, e um dos outros é bastante semelhante ao nosso.
          Mas, uma coisa que não falha nos filmes desta personagem, são os visuais, são sempre impressionantes. A cena em que os protagonistas estão a passar por vários universos seguidos é uma grande cena, e também temos uma luta musical que consegue ser inventiva e visualmente impressionante. A juntar a isto, temos o estilo do realizador, que nos dá vários momentos de verdadeiro horror, isto claro tendo em conta que estamos dentro da MCU, e não de um filme de horror “a sério”. O estilo de humor também é muito Raimi, o que pode não ser do agrado de muitos, mas acho que o filme se sai bem com isso.
          Também temos uma boa dose de cameos, sendo que uns em particular dão a sensação que só lá estão para agradar ao público, e não para terem uma função real no progresso da história. Pelo menos aquilo que lhes acontece é incrível.
          “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” não entrega exatamente aquilo que o título promete, e não é tão bom como o primeiro filme, mas mesmo assim não deixa de ser um grande filme para o mestre das artes místicas.

28/12/2021

Homem-Aranha - Sem Volta a Casa (Spider-Man: No Way Home - 2021)

          Será que mais algum filme do aranhiço teve mais rumores do que este? A partir do momento em que sabemos que o multiverso entra na conversa e que os trailers mostram vilões de filmes que não fazem parte da MCU, todas as possibilidades estão em aberto. Já para não falar na enorme campanha de publicidade que nos dava a impressão que estávamos perante o maior acontecimento do ano.
          Continuando imediatamente a seguir ao filme anterior, Peter Parker vê que a sua identidade foi descoberta e revelada ao mundo. Com isto, não só a vida de Peter mas também as vidas dos que lhe eram mais chegados começaram a entrar numa espiral descendente. Por isso, Peter pede ajuda a Dr. Strange, para que todos se esquecessem de que era o Homem-Aranha, mas o feitiço não correu bem e outros mundos começaram a entrar em colisão.
          Uma coisa que estava algo preocupado em relação ao filme era a implementação de Dr. Strange. Eu não queria que esta fosse uma aventura conjunta, mas sim um filme a sério do Homem-Aranha, e felizmente é isso que acontece. O poderoso feiticeiro só aparece no início para a aplicação do feitiço e depois, no final, servindo apenas como um desencadeador de acontecimentos em vez de ser uma personagem ativa na ação.
          Tendo em conta que, quando lançar este texto, a maior parte das pessoas, ou pelo menos, quem está mais interessado no filme, já o viu, irei, a partir daqui, falar de spoilers.
          Como já sabemos, temos vilões de outros filmes e, na maior parte, eles estão muito bem retratados e têm um bom desenvolvimento em relação aos filmes em que participaram. Mas isso só se aplica principalmente ao Duende Verde, que volta a ser impecavelmente interpretado Willem Dafoe, e Dr. Otto Octavius, com um grande Alfred Molina de volta. Estes são os que têm mais tempo de ecrã e com o maior destaque, contrastando com o Lagarto e o Homem-Areia que só lá estão para encher e criar mais elementos para combater.
          Porém, todas as atenções mudaram o foco a partir do momento em que entram em cena as versões de Peter Parker interpretadas por Tobey Maguire e Andrew Garfield. E com estas aparições, podemos ver, pela primeira vez, num filme em imagem real, três versões diferentes do aranhiço a interagirem umas com as outras. Não estava à espera que tivesse uma presença tão grande no filme. Esperava algo mais que cameos, mas não uma presença tão grande como aquela que foi. O melhor é que não os tiraram diretamente dos seus filmes, mas sim como se o tempo tivesse continuado, por isso, vemos Maguire mais velho e com mais experiência do que qualquer um, e Garfield que está a passar por um momento mais negro, desde que perdeu Gwen Stacy. Só que isso também foi um bom motivo para haver alguma redenção para algumas coisas que aconteceram nesses, serem resolvidas aqui.
          Com tanta coisa a acontecer - e, principalmente, por serem de filmes anteriores - pode dar a ideia que o pobre do Tom Holland fosse deixado para trás. Mas isso não podia estar mais longe da verdade. Mesmo com todas as “invasões” no seu filme, todo o protagonismo continua focado nele. É ele que tem de fazer as decisões mais complicadas e aquele que sofre mais com os acontecimentos. E, no fim, parece que finalmente temos na MCU a imagem de Homem-Aranha que estamos habituados. E mesmo ao lado dele continuam Zendaya e Jacob Batalon, como MJ e Ned respetivamente, a servirem-lhe de apoio ao longo de todas as provações.
          O argumento não é perfeito, principalmente quando começa a envolver multiversos, mas podia ter corrido muito pior. Porque aqui essa parte não é o elemento principal, mas sim o extra para o desenvolvimento da personagem.
          Ainda é muito cedo para dizer se este é o melhor filme que já tivemos do Homem Aranha, afinal de contas já vamos com nove deles, mas fica, sem dúvida, entre os melhores.

08/09/2021

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings - 2021)

          A Marvel volta a entrar em ação com uma nova personagem, desta vez com o primeiro filme com um protagonista asiático. Mas, será que isso se vai traduzir num filme diferente ou teremos a mesma estrutura que os anteriores filmes de origem de personagens?
          Shang-Chi é obrigado a confrontar o seu passado, quando a organização conhecida como os Dez Anéis vem para o buscar.
          Uma das melhores coisas deste filme é o seu vilão. Xu Wenwu (que é interpretado por Tony Chiu-Wai Leung) é uma personagem trágica e alguém com quem se pode facilmente identificar. É um vilão, conquistador, que muda depois de encontrar o seu amor. Porém, chega o luto e não consegue ultrapassá-lo - uma boa representação do poder do luto e da sua capacidade de passar por cima de todos. Aliás, esta personagem chega a ser mais interessante que o protagonista graças à sua complexidade. Não digo que Simu Liu desempenhe mal o seu papel, apenas não há uma evolução tão grande da personagem. Shang-Chi tem de parar de fugir do seu passado e passar a aceitar tanto os ensinamentos de assassino do seu pai como os mais naturais e fluidos da sua mãe.
          Mais uma distinção em relação a outros filmes da Marvel são as cenas de luta, que superam o que já vimos nos outros filmes Marvel. É verdade que há algum CGI à mistura mas estão muito bem coreografadas e os socos e pontapés têm verdadeiro impacto. Sinceramente, não estava à espera que tivéssemos tantos elementos sobrenaturais, principalmente na reta final, tirando obviamente os dez anéis (que são utilizados de forma brilhante tenho de dizer!). Podia ter sido uma história mais “terrena”, mas bem, desta maneira serviu para aumentar ainda mais o universo.
          “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” não foge completamente à fórmula a que já estamos habituados a ver do estúdio, mas é diferente que chegue para lhe dar um toque único. De salientar o grande vilão e as cenas de ação.


10/05/2021

Chaos Walking - O Ruído (Chaos Walking - 2021)

          Este filme estava difícil para estrear. Com o lançamento inicialmente marcado para o início de 2019, foi adiado para que houvessem novas gravações e depois apareceu uma pandemia. Mas, finalmente, o filme chegou e vamos ver se esta adaptação de um livro de Patrick Ness, protagonizada por Tom Holland e Daisy Ridley, vale a pena.
          Numa comunidade só de homens e onde os pensamentos de todos são projetados para que todos vejam, uma nave espacial aterra e de lá sai a primeira mulher vista em décadas. Só que este novo elemento (Viola) tem uma caraterística diferente: não mostra os seus pensamentos.
          Claramente o boom de adaptações de livros de ficção-científica jovem-adulto já passou mas, de vez em quando, lá aparece algum para nos lembrarmos que ainda existem. E este até nem é mau. A ideia de todos os pensamentos estarem à mostra é uma ideia interessante e é usada de algumas maneiras pertinentes mas, passado um pouco, deixa de ser algo relevante e transforma-se num acompanhamento do filme em vez de assegurar o papel de prato principal.
          A história cumpre com os requisitos básicos, mas um dos focos é a interação entre os dois protagonistas e se conseguem carregar com um filme sem terem um grande franchise por trás, nomeadamente “Homem-Aranha” no caso de Tom Holland e “Star Wars” para Daisy Ridley. E aqui nota-se que Holland tem um pouco mais de jeito para a coisa que Ridley mas, mesmo assim, fazem uma boa dupla. Não temos assim nenhum grande twist que altere completamente o filme mas, mesmo assim, não me importava de ver mais uma aventura neste mundo. Principalmente se a parte de ver os pensamentos tivesse um destaque maior.
          “Chaos Walking - O Ruído” não é a desgraça que se podia estar à espera mas sim uma boa aventura para passar o tempo.

03/05/2021

Monster Hunter (2021)

          Todos sabemos que adaptações para o grande ecrã de videojogos não têm tido o melhor histórico. É verdade que, ultimamente, temos tido algumas exceções como "Pokémon - Detetive Pikachu” e “Sonic - O Filme” mas a regra geral é que são todas uma desgraça. E, se formos a julgar pelos trailers, é mesmo isso que vamos ter.
          Paul W.S. Anderson já não é um novato nestas andanças de adaptações, tendo já no currículo filmes como “Mortal Kombat” e os seis “Resident Evil” e, embora eles tenham o seu charme, estão longe de ser considerados grandes obras cinematográficas. E, tal como em “Resident Evil”, Milla Jovovich faz o papel de protagonista. O que, infelizmente, não abona nada em favor do filme. Não que as restantes interpretações sejam algo de especial, mas mesmo assim...uff!
          Neste caso, não tenho grande conhecimento do videojogo em causa, embora consiga reconhecer alguns elementos mais gerais. E, do pouco que sei, acho que o filme teria sido melhor servido se estivéssemos logo dentro do mundo dos monstros. Não que isso daria qualidade inerente ao filme mas acho que isso seria interessante, em vez de termos os militares a passarem de um mundo para o outro.
          Em termos técnicos, o filme não está mau, os monstros são realistas e parecem parte integral do ambiente. O problema é tudo o resto: a história, os diálogos e as personagens são tudo menos cativantes.
          Infelizmente, “Monster Hunter” não vai estar na lista de grandes adaptações de videojogos.

26/04/2021

Mortal Kombat (2021)

          “Mortal Kombat” já tem uma história no grande ecrã, considerada mais de culto do que propriamente de qualidade, mas estamos numa nova era. Os jogos mudaram e o mesmo se pode dizer das expectativas das pessoas em relação a este tipo de filmes. A notícia de que ia ser o primeiro filme do realizador Simon McQuoid não abonava a favor mas o trailer deixou alguma esperança, por isso vamos lá ver isto.
          Cole Young é um lutador de MMA que se vê escolhido, como um dos campeões da Terra, para participar no torneio de Mortal Kombat e assim impedir que Outworld conquiste o planeta.
          Não estamos perante nenhuma obra-prima no entanto posso dizer que é um filme extremamente agradável. Não se pouparam nas tradicionais
fatalities, com todo o sangue e violência que isso acarreta. As cenas de ação também foram muito bem retratadas, com tanto os efeitos especiais, como as coreografias a não desiludirem, principalmente as batalhas com Sub-Zero, sobretudo a última. E, se estão a contar com boas tiradas e várias frases dos jogos, podem ficar descansados que está tudo aqui.
          Já a história e o enredo é a coisa mais básica e simples, sem nunca desenvolver muito as suas personagens. Ao menos não meteram todas as personagens do jogo, porque senão aí é que não se sabia nada sobre ninguém: sabemos só o básico para a história avançar. É verdade que, neste filme, não estava à espera de uma grande narrativa. Ao início, parecia que até seria surpreendido mas depois veio o grande desapontamento: os diálogos são parvos e de um
cheese incrível.
          As interpretações foram boas na sua maioria mas o grande destaque vai para Josh Lawson, que consegue tornar Kano na personagem mais interessante de todo o filme, conseguindo sempre roubar o destaque.
          Este novo “Mortal Kombat” pode não ser excelente, mas é um bom filme de ação que deve agradar aos fãs dos jogos e que cria a esperança de que melhores sequelas virão.

22/03/2021

Liga da Justiça de Zack Snyder (Zack Snyder's Justice League - 2021)

          Mas então, este filme não saiu em 2017? Sim e não. Saiu, mas não era o filme que Zack Snyder (o seu realizador original) tinha filmado e idealizado. Em vez disso, estreou nos cinemas uma versão feita por Joss Whedon, depois de Snyder ter sido afastado. Bem, não vou falar de toda a odisseia para que tivéssemos direito a esta versão, contudo, agora diretamente para a HBO, temos direito a tudo aquilo que era para estar na versão original.
          Em termos gerais, a história não mudou. O Super-Homem está morto e Batman e Mulher Maravilha juntam uma equipa de super-heróis depois de Steppenwolf ter aparecido para conquistar o planeta.
          Existem três pontos que facilmente distinguem as duas versões. Logo o primeiro é a maneira como vemos o filme, num racio de 4:3, que faz com que tenhamos aquelas barras pretas laterais na TV. Além disso, o estilo de Snyder é bem diferente do de Whedon, algo mais sombrio e cinzento, dentro do estilo de “Homem de Aço” e “Batman v Super-Homem – O Despertar da Justiça”. E, por fim, é óbvio que, num filme de quatro horas, temos direito a muito mais história que na outra versão. Mas atenção, não significa que maior duração implique que o filme vá ser melhor. Mesmo assim, há várias cenas que podiam ser cortadas ou ser mais curtas.
          Os principais beneficiários deste tempo extra foram Flash e Cyborg, que tiveram direito a uma exploração muito melhor. Principalmente este último que, enquanto no filme de 2017, parece um bocado caído do céu, aqui é quase o protagonista do filme. Temos a sua origem, a sua relação com os seus pais e é aquele que tem um arco narrativo com um príncipio, meio e fim. E não se entende porque é que foi quase tudo completamente cortado. Finalmente, Ray Fisher consegue mostrar a grande interpretação que teve neste papel.
          Basicamente, todas as personagens tiveram mais espaço para respirar e se desenvolverem. E Flash tem uma cena incrível no confronto final.
          Até Steppenwolf teve mais tempo de ecrã e uma maior caracterização, chegando a envolver mesmo Darkseid (mesmo que de maneira reduzida): já não é alguém que chega para destruir simplesmente pelo desejo de destruir mas sim alguém que tenta ganhar a sua redenção.
          Muitas cenas são repetidas do filme de 2017 pois apenas duram um pouco mais e são enquadradas de maneira diferente. E toda aquela cena do pesadelo no epílogo não está lá a fazer nada, e está apenas para mostrar o Joker a interagir com Batman.
          Sem dúvida que esta versão de Zack Snyder é bem superior àquilo que foi apresentado antes. Só que também é preciso ter em consideração que teve liberdades diferentes por ser lançado em streaming que muito provavelmente não teria se fosse para as salas de cinema.

25/01/2021

Zona de Perigo (Outside the Wire - 2021)

          De novo com as salas de cinema fechadas, só nos sobram as plataformas de streaming se quisermos ver alguma coisa de novo. E a Netflix não falha nisso! É verdade que, muitas vezes, a qualidade pode não ser a melhor mas, mesmo assim, conseguem ser suficientemente agradável. E é isso que espero que este “Zona de Perigo” seja.
          Num futuro próximo, um piloto de drones é enviado para um cenário de guerra onde é emparelhado com um android super-secreto, de modo a impedir uma guerra nuclear.
          Como disse no início, não estava à espera de um grande filme, mas sim algo razoável. E foi exatamente isso que aconteceu. Tem algumas boas ideias mas parece que não as explora profundamente e temos algumas boas cenas de ação.
          O nosso protagonista também não é uma personagem fácil de gostar. Não que Damson Idris (que o interpreta) faça coisas maldosas durante o filme, ou que não tenha dado uma boa prestação, mas sim pela sua ocupação como piloto de drones. Onde além da grande distância físico do campo de batalha, também tem um desapego emocional da devastação que é capaz de causar. E é mesmo isso que o filme quer transmitir. Apenas na reta final é que ele começa a ter mais agência na ação. Só que aí já é tarde! Não se criou a ligação necessária à personagem para termos interesse no seu destino.
          Anthony Mackie aqui parece que já está a fazer de Capitão América pois como android, tem uma força e agilidade superiores. Não é só na ação que Mackie consegue brilhar, já que é dele que vêm os diálogos mais interessantes. Basicamente, aquele diálogo habitual quando temos entre um humano e um android onde o primeiro está sempre a questionar o segundo sobre o livre-arbítrio e se está programado para tomar decisões sozinho.
          “Zona de Perigo” tem um argumento bom q.b., com algumas boas cenas de ação. Uma boa alternativa para ver neste confinamento.


18/01/2021

A Grande Muralha (The Great Wall - 2017)

          O quê? Um filme oriental com um ocidental como cabeça de cartaz? Pronto, já sabemos as justificações financeiras para que isto aconteça, e aqui a sua presença até é minimamente explicada no argumento, por isso não vamos por aí. E o filme vai precisar de toda a ajuda que conseguir reunir, pois os trailers não puxam muito, para além do aspeto, e é preciso recuperar do investimento de 150 milhões de dólares.
          Um grupo de mercenários europeus foram para a China na procura de pólvora negra, sem saber que vão bater na Grande Muralha da China, durante uma grande invasão de criaturas misteriosas.
          Uma coisa que o realizador Yimou Zhang sempre conseguiu criar nos seus filmes é um grande estilo visual. Ver o exército da muralha dividido em cinco cores, cada um com a sua função, e quando o primeiro ataque acontece, ver tudo bem a andar de maneira ordeira e implacável, é um deleite visual. Ver as armadilhas que as paredes da muralha esconde também foram uma boa surpresa.
          O grande problema é que depois nada consegue superar este primeiro encontro com os lagartos gigantes. A escala é sempre a diminuir e o impacto vai-se perdendo. A história não é nada que vá criar grandes conversas, tem as reviravoltas habituais mas nada de perder o sono. E mesmo Matt Damon podia ter sido substituído por outro ator que, muito provavelmente, íamos ter a mesma personagem.
          Só que o filme até foi bem melhor do que estava à espera. Além dos já mencionados visuais, temos a boa relação entre Damon e Pedro Pascal. O tipo de piadas e comentários não são novos, mas estão bem aplicados, as cenas de ação também são interessantes, já que a maneira como matam os monstros é diversificada. E, mesmo os ditos monstros até estão bem-feitos, já que pelos trailers pareciam uma desgraça.
          Um filme de ação que não tinha muitas esperanças, mas que me conseguiu surpreender.

12/01/2021

Missão - Vingança (Fatman - 2021)

          Que tal um filme de ação, com tons natalícios, com Mel Gibson e Walton Goggins como protagonistas? Porque não? Pelo menos parece ser capaz de ser um bom entretenimento durante uns 90 minutos.
          Chris é o Pai Natal que, ao ver o seu “negócio” mirrar com o aumento de crianças mal-comportadas, se vê obrigado a aceitar um acordo militar para manter a oficina em funcionamento. Por outro lado, Billy, um miúdo rico e negligenciado, contrata um assassino para ir atrás do Pai Natal, depois de ter recebido carvão como presente.
          Uma coisa que sinceramente apenas serviu para aumentar a duração do filme foi toda esta história militar. Não tiveram qualquer significado no final e o único ponto positivo foi o impacto do peso dessa decisão no protagonista. Quanto às interpretações, temos um Mel Gibson com um bom desempenho, que começa rezingão e que depois vai mudando. Toda a mitologia criada à volta da sua existência também foi interessante.
          Mas é Walton Goggins que muitas vezes rouba a atenção, como o assassino que tem um forte ressentimento de infância do Pai Natal. Também é com ele que temos as melhores tiradas cómicas. Além disso, quando chega ao climax do filme, Goggins também está muito convincente.
          “Missão - Vingança” é um filme de ação razoável, com uma premissa interessante mas que, mesmo curto, não precisava de ser tão longo.

21/12/2020

Mulher-Maravilha 1984 (Wonder Woman 1984 - 2020)

          Devido ao ano que temos tido, a grande parte das maiores estreias foram adiadas para o próximo ano. Claro que os filmes de super-heróis não foram exceção. E se, para algumas pessoas, este atraso foi algo indiferente, eu não poderei dizer o mesmo. Sempre gostei de ver no grande ecrã, por isso ir ver “Mulher-Maravilha 1984” neste final de ano, revelou-se uma boa forma de terminar um ano cheio de desilusões.
          Em pleno 1984, Diana Prince vê-se a enfrentar duas novas e muito diferentes ameaças, Max Lord e The Cheetah.
          O facto da ação passar-se em 1984 pouco relevo tem para o desenrolar do filme. Podia ser algo mais recente que, praticamente, não seriam necessárias nenhumas alterações à história. E, na primeira metade do filme, parece que a época temporal foi a única justificação para dizer umas falas bem foleiras.
          Se, no primeiro filme, os vilões não eram assim grande coisa, aqui tiveram um grande upgrade. Maxwell Lord - interpretado por Pedro Pascal - parece inicialmente não ser uma grande ameaça mas a sua busca em querer sempre mais e mais revela-se um desafio a ter em conta. Posso dizer que o ator consegue aqui, também, uma grande interpretação. Embora, inicialmente, eu tivesse algumas dúvidas quanto a Kristen Wiig interpretar Barbara Minerva, não há muito a contestar com o resultado final: a atriz consegue fazer uma boa transição entre a inicial, tímida e desastrada, com a final que devasta tudo o que lhe passa à frente. Só na batalha final é que os efeitos especiais não foram propriamente muito convincentes, tanto que nem nos deixam ver exatamente como a personagem está.
          Embora a história seja interessante, é prejudicada pela excessiva duração do filme. Commais uns bons cortes, toda a ação tinha-se desenvolvido muito melhor, principalmente a cena inicial que não tem uma grande importância e é onde estão uns dos piores efeitos do filme. Aliás, o filme é muito irregular na qualidade dos efeitos. Tanto podem ser muito bem feitos como, a seguir, serem uma desgraça.
          Gal Gadot está melhor aqui que no primeiro filme embora tenha na mesma a ajuda de Chris Pine ao lado, a conseguir puxar mais nos momentos que envolvem mais interpretação. Já que nas cenas de ação, não há nada a apontar.
          Patty Jenkins volta a entregar-nos um bom filme desta personagem mas é bem mais inconsistente.


26/10/2020

Hubie Halloween (2020)

          Adam Sandler prometeu que, se não fosse premiado pelo seu desempenho em “Diamante Bruto”, o seu próximo filme na Netflix ia ser o pior que já tinha feito. E isto é uma ameaça que é preciso ter em conta, porque para ver “The Ridiculous 6” e “Mistério a Bordo” ufa! Por isso será que vamos ter mesmo um Halloween aterrador?!
           Hubie Dubois é alvo de chacota na sua cidade de Salem, embora seja o cidadão vai dedicado à cidade e principalmente ao Halloween. Mas, este ano, Hubie pode ser a salvação da celebração.
           Vou ser totalmente sincero: muitos outros dos filmes anteriores que Sandler lançou no serviço de streaming são bem piores. Cheguei mesmo a gostar de alguns momentos deste. Só que atenção! É uma comédia totalmente parva, baseada grandemente em humor físico, algo parecido ao estilo de “Miúdos e Graúdos”. A história não é nada de especial, mas tem um twist engraçado, que faz homenagem a um clássico do horror.
           Mas o raio do filme tem o seu charme! Ou então apanhou-me num dia em que estava muito bem-disposto. O tique de fala da personagem de Sandler era um pouco escusado mas ok. De resto, podemos contar com muitas participações habituais, como Kevin James, Steve Buscemi e Rob Schneider.
           “Hubie Halloween” está longe de ser o pior filme que se pode escolher para ver este Halloween.

02/09/2020

Palm Springs (2020)

          As comédias não são o género abundante que antes eram. Agora estão cada vez mais misturadas com outros géneros, desde a ação ao terror. E em “Palm Springs” temos elementos de fantasia a “apimentar” toda a situação.
          Quando Nyles e Sarah se encontram num casamento, as coisas complicam-se e não conseguem escapar, nem da situação, nem um do outro.
          Não estou habituado a ver Andy Samberg num papel que não seja totalmente cómico por isso, vê-lo com uma faceta mais dramática, onde faz de um derrotista que já desistiu de se livrar da situação em que está, foi uma estranha, mas bem-vinda, mudança. Também Cristin Milioti, com quem partilha o protagonismo, tem um grande desempenho. E a química entre os dois até é bastante boa. Também somos presenteados com umas breves aparições de J. K. Simmons que são dos momentos altos do filme.
          O argumento está bastante interessante mas, verdade seja dita, quanto menos eu falar sobre ele, melhor, porque está recheado de surpresas e bons momentos. Os últimos meses não nos têm trazido o material mais interessante -desde o streaming ao VOD - por isso este “Palm Springs” conseguiu-se destacar e ir facilmente para a lista dos melhores de 2020.
          O trailer cativou-me e o filme conseguiu concretizar a promessa dum filme divertido, com grandes interpretações.





22/07/2020

A Velha Guarda (The Old Guard - 2020)

Aos poucos e poucos, as salas de cinema estão a abrir e, para além de algumas reposições, temos alguns filmes novos. Mas onde eles continuam a estrear a todo o gás é na Netflix, desta vez com com “The Old Guard”, um filme de ação protagonizado por Charlize Theron.
Uma equipa de mercenários vê-se obrigada a lutar pela sua “sobrevivência” quando, depois de uma emboscada, o seu segredo é descoberto: são imortais.
Depois de “Tyler Rake - Operação de Resgate”, este “A Velha Guarda” é mais uma grande proposta para os filmes de ação. Mesmo que não tenha o mesmo nível de cenas de ação que a opção anterior, compensa com um argumento mais forte, que é baseado numa graphic novel de Greg Rucka, que também está encarregue do guião desta adaptação. 
E, mesmo sendo uma história interessante, achei que foi muito explorada. Teve uma boa introdução aos protagonistas e o que eram mas depois parece que foram por um caminho muito banal. Foi criada uma mitologia interessante que podia ter sido desenvolvida de uma outra maneira.
O elenco liderado por Charlize Theron faz um bom trabalho e, como já tem sido habitual nos filmes da Netflix, variedade não falta. Principalmente Kiki Layne, como o novo elemento deste grupo tão especial. As cenas de ação estão a um nível muito bom, embora inferiores às do filme protagonizado por Chris Hemsworth,
O final deixou-nos a sugestão de uma sequela, que é muito bem vinda e que tem tudo para ser superior. Parece que é no serviço de streaming que vamos começar a ver filmes de ação de qualidade.

28/06/2020

Artemis Fowl (2020)

          “Artemis Fowl” foi uma das “vítimas” desta pandemia, onde teve o seu lançamento no cinema apagado e foi antes para a plataforma de streaming da Disney. E foi uma manobra algo curiosa. Os trailers não têm sido muito elogiados mas tem um grande realizador em Kenneth Branagh, um elenco com caras conhecidas e um incrível potencial para ser mais um franchise.
Artemis Fowl é um jovem prodígio que se vê obrigado a caçar uma secreta sociedade de fadas, para assim encontrar o seu pai desaparecido.

E agora? Depois de ter visto o filme, compreendo perfeitamente a decisão da Disney. O filme é uma confusão completa. O modo como a informação nos é exposta não é interessante e esta nova mitologia não nos é apresentada de forma orgânica. Pelos vistos, meter o conteúdo de um livro, mais partes de outro em cerca de 90 minutos não foi a melhor ideia de todas. E o grande problema é que não nos consegue ligar às suas personagens, nem ao protagonista, nem aos outros elementos.

  Não culpo totalmente o elenco. Mas não há ninguém que consiga marcar, nem o protagonista é alguém que nos dê muita vontade de apoiar. Não que o estreante Ferdia Shaw seja um mau ator, mas não é aqui nos prova que vai ter uma grande carreira pela frente. 

É pena que um filme que parecia ter uma nova mitologia que valia a pena investir, e onde foram gastos mais de 100 milhões de dólares, tenham resultado neste desapontamento/desilusão.


29/03/2020

Cats (2019)

  
Sinceramente, se não fosse toda a polémica que este musical teve, tão cedo não o ia ver. Ninguém foi simpático nas críticas do filme. E nem estamos a falar de um realizador estreante, sem grandes projetos em seu nome, mas sim de Tom Hooper, que nos trouxe “O Discurso do Rei” e “Os Miseráveis”. Por isso, a minha curiosidade levou a melhor e lá se passaram quase duas horas.
Todos os anos, uma tribo de gatos Jellicles decide qual deles é que deve ascender e voltar numa nova vida.
Não faço ideia do que raio é que vi! Antes de mais, esta é a minha primeira experiência com este musical. Logo, qualquer crítica relativa ao musical, estou apenas a referir-me a esta versão cinematográfica. Porque, raios! Isto é parvo como tudo. É só um bando de gatos a cantarem quem é que são durante todo o filme? A sério que é só isto? Não tem mais nadinha? Fiquei extremamente desapontado com esta história, principalmente quando é um filme que juntou um elenco bastante competente, como Idris Elba, Judi Dench e Ian McKellen. E as músicas em si também não são grande coisa, tirando uma ou outra, são aborrecidas e sem interesse.
Agora os tão falados efeitos visuais… Quem foi o génio que teve a ideia de fazer isto?! Fazer uma mistela de pessoas com gatos é tão incrivelmente estranho que quase chega a fazer impressão. O problema é que é uma situação que distrai bastante, na maior parte dos filmes quando há algum efeito que sobressai, passado algum tempo isso vai-se desvanecendo, infelizmente isso não acontece aqui.
Não recrimino ninguém por ter tentado fazer algo diferente, afinal é isso que queremos ver quando vamos ao cinema. Só que aqui foi uma experiência incrivelmente mal sucedida, e até me admira que não tenham notado isso durante a sua produção.


04/03/2020

Valerian e a Cidade de Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets - 2017)

A esta altura, já sabemos que este foi um dos grandes flops de 2017, fartou-se de perder dinheiro e as críticas não foram as mais favoráveis. Este mais parece uma experiência mais visual do que outra coisa, o que até nem é novidade já que não falta por aí filmes com estilo mas sem substância. Mas será que Luc Besson nos consegue surpreender?
    Alpha é uma enorme metrópole espacial que alberga espécies de mil planetas. Entretanto, enfrenta o perigo eminente de colapsar e só Valerian e Laureline é que podem impedir que isso aconteça. 
    Um problema logo que se previa nos trailers e que se confirmou no filme: a química entre os dois protagonistas, Dane DeHaan e Cara Delevingne, é praticamente inexistente, o que torna as suas interações, principalmente as mais românticas, frias e sem emoção. Tal não é por falta de capacidade dos participantes, pelo menos da parte de DeHaan, pois já vi filmes em que o ator tem grandes interpretações. Aliás, não é só aqui que houve um problema de casting já que Clive Owen também não parece ser o ator indicado para aquilo que a personagem requer. 
    Uma coisa que Besson conseguiu foi criar um universo incrível. Num grande ecrã, o filme quase salta, com cores vibrantes e com muitos detalhes à mistura. Agora se este universo tivesse mais por onde pegar… A história do filme não é má, até é mesmo interessante porém o meu grande problema são mesmo os protagonistas, que me tiraram completamente da ação e do que se estava a passar, o que é uma pena.
    Estava com alguma expetativa para “Valerian e a Cidade de Mil Planetas” só que, infelizmente, é mais um filme onde se devia ter gasto menos dinheiro para efeitos espalhafatosos e ter tentado uma história e casting mais coeso.

26/12/2019

Star Wars: Episódio IX - A Ascensão de Skywalker (Star Wars: Episode IX - The Rise of Skywalker - 2019)

Depois de “Os Últimos Jedi”, os fãs ficaram divididos em relação a Star Wars. Uns adoraram o estilo que o realizador Rian Johnson, enquanto outros acharam que estavam perante a pior coisa que podia ter acontecido à saga. Se procurarem essa entrada do blog, podem verificar que, embora diferente do habitual na saga, foi algo que gostei. Mas, devido a este clima, chamaram de novo J.J. Abrams, para ver se conseguem levar a bom porto a conclusão desta trilogia.
    O aparecimento de uma mensagem trouxe com ela a informação que Palpatine está vivo, que deseja mais uma vez conquistar a galáxia utilizado a Primeira Ordem.
    O trabalho que necessário para concluir este filme é enorme. Tenta concluir todos os filmes que tem para trás e arranjar maneira de agradar a todos. Tiveram logo dificuldades com o falecimento de Carrie Fisher, que leva a um dos pontos negativos do filme. Em vez de utilizarem outra atriz para o papel de Leia, ou fazer com que personagem saísse de maneira elegante, decidiram utilizar cenas não usadas de “O Despertar da Força”. Assim, dessa maneira, tiveram de arranjar cenas que encaixassem o que por último se revelou algo muito ingrato. 
    E o problema de o tão publicitado regresso de Palpatine? Apenas serviu para revelar que nunca houve um plano da história para esta nova trilogia, e que apenas trouxeram esta personagem para apelar à nostalgia, pois nem sequer conseguem explicar a razão de ele ter aparecido. Ele tem uma cena ou outra interessante mas sem nunca justificar a sua existência.
    Finalmente Finn teve mais destaque, já que no filme anterior foi relegado para um papel secundário, aqui está no centro da ação, ao lado de Poe e Rey. Também foi-nos apresentado um pouco do passado de Poe e houve um desenvolvimento das personagens. Mas o grande destaque vai, como seria de esperar, para Rey e Kylo Ren e para a sua relação, que sofreu uma grande alteração. E, com isso, alterar muito daquilo que foi revelado no filme anterior. 
    Este é provavelmente um dos episódios com mais batalhas de sabres de luz, algo que é sempre algo muito bem-vindo, ao mesmo tempo que nos é revelado mais sobre a história dos Jedi e Sith. 
    “A Ascensão de Skywalker “ tem grandes personagens e cenas de ação, só que sofreu com o não planeamento desta saga, que levou a uma história meio pensada em cima do joelho e sem grande nexo.

26/09/2019

It - Capítulo 2 (It Chapter Two - 2019)

Ninguém estava à espera do grande sucesso que foi o primeiro “It”, que nos trouxe um grande filme de terror, com um boas prestações de um jovem elenco e a presença ameaçadora de Bill Skarsgård, como Pennywise. Por isso, cá estamos, dois anos depois, com a sequela, com o elenco agora na versão adulta.
  Passaram-se 27 anos desde o último encontro dos Losers’ Club com o terrível Pennywise. Mas agora que ele voltou ao ataque, o grupo vai ter de se juntar mais uma vez, para o derrotar de vez.
Antes de mais. O filme é longo como tudo, com quase três horas de duração. E se merece todo esse tempo? Nem por isso, em algumas situações o ritmo esmoreceu um pouco. Tanto que vamos ter, em princípio, uma versão de realizador com cerca de quatro horas, e aí se calhar a coisa melhora um pouco, embora isso piore a duração do filme.
No geral, não gostei tanto deste filme como do anterior. Primeiro, o fator novidade já desapareceu, já conhecemos o estilo, os protagonistas e o vilão. Segundo, as criaturas em que It se transforma, passaram muitas delas a serem monstros feitos de efeitos especiais, que parecem algo deslocados do filme em que estão (muito do estilo do monstro no quadro do primeiro, mas em pior). Terceiro, é bem mais fácil torcer pelo sucesso de um grupo de miúdos do que por adultos - este, como tudo o resto, é bastante subjetivo. E por último, tal como referi no ponto anterior, muita gente gostou do elenco dos miúdos, e por isso quiserem acrescentar mais cenas deles neste capítulo, que se tornam algo forçadas, retirando o foco do grupo que devíamos estar a seguir agora.
Não que com isto tudo “It - Capítulo 2” seja um mau filme. Apenas que não chega aquilo que foi o primeiro. Tanto que o elenco adulto está muito bem representado, com James McAvoy, Jessica Chastain, Bill Hader, entre outros. E, por estranho que possa parecer, os dois primeiros, embora sejam os mais conhecidos, foram aqueles que passam mais despercebidos, sendo o destaque para o hilariante Hader e para James Ransone. 
Skarsgård também tem mais destaque e consegue trazer todo o terror e ameaça que a sua personagem requere. Mesmo que as suas origens e desenvolvimento não sejam propriamente os mesmos que no livro que serviu de inspiração, acho que foi uma boa adaptação para o grande ecrã.
Pode dar a ideia que estou a descascar no filme como se não houvesse amanhã mas, na maior parte, é por causa de coisas que piorou em relação ao filme anterior. Mas, mesmo assim, é superior à grande maioria de filmes de terror de ultimamente.