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18/01/2021

A Grande Muralha (The Great Wall - 2017)

          O quê? Um filme oriental com um ocidental como cabeça de cartaz? Pronto, já sabemos as justificações financeiras para que isto aconteça, e aqui a sua presença até é minimamente explicada no argumento, por isso não vamos por aí. E o filme vai precisar de toda a ajuda que conseguir reunir, pois os trailers não puxam muito, para além do aspeto, e é preciso recuperar do investimento de 150 milhões de dólares.
          Um grupo de mercenários europeus foram para a China na procura de pólvora negra, sem saber que vão bater na Grande Muralha da China, durante uma grande invasão de criaturas misteriosas.
          Uma coisa que o realizador Yimou Zhang sempre conseguiu criar nos seus filmes é um grande estilo visual. Ver o exército da muralha dividido em cinco cores, cada um com a sua função, e quando o primeiro ataque acontece, ver tudo bem a andar de maneira ordeira e implacável, é um deleite visual. Ver as armadilhas que as paredes da muralha esconde também foram uma boa surpresa.
          O grande problema é que depois nada consegue superar este primeiro encontro com os lagartos gigantes. A escala é sempre a diminuir e o impacto vai-se perdendo. A história não é nada que vá criar grandes conversas, tem as reviravoltas habituais mas nada de perder o sono. E mesmo Matt Damon podia ter sido substituído por outro ator que, muito provavelmente, íamos ter a mesma personagem.
          Só que o filme até foi bem melhor do que estava à espera. Além dos já mencionados visuais, temos a boa relação entre Damon e Pedro Pascal. O tipo de piadas e comentários não são novos, mas estão bem aplicados, as cenas de ação também são interessantes, já que a maneira como matam os monstros é diversificada. E, mesmo os ditos monstros até estão bem-feitos, já que pelos trailers pareciam uma desgraça.
          Um filme de ação que não tinha muitas esperanças, mas que me conseguiu surpreender.

21/12/2020

Mulher-Maravilha 1984 (Wonder Woman 1984 - 2020)

          Devido ao ano que temos tido, a grande parte das maiores estreias foram adiadas para o próximo ano. Claro que os filmes de super-heróis não foram exceção. E se, para algumas pessoas, este atraso foi algo indiferente, eu não poderei dizer o mesmo. Sempre gostei de ver no grande ecrã, por isso ir ver “Mulher-Maravilha 1984” neste final de ano, revelou-se uma boa forma de terminar um ano cheio de desilusões.
          Em pleno 1984, Diana Prince vê-se a enfrentar duas novas e muito diferentes ameaças, Max Lord e The Cheetah.
          O facto da ação passar-se em 1984 pouco relevo tem para o desenrolar do filme. Podia ser algo mais recente que, praticamente, não seriam necessárias nenhumas alterações à história. E, na primeira metade do filme, parece que a época temporal foi a única justificação para dizer umas falas bem foleiras.
          Se, no primeiro filme, os vilões não eram assim grande coisa, aqui tiveram um grande upgrade. Maxwell Lord - interpretado por Pedro Pascal - parece inicialmente não ser uma grande ameaça mas a sua busca em querer sempre mais e mais revela-se um desafio a ter em conta. Posso dizer que o ator consegue aqui, também, uma grande interpretação. Embora, inicialmente, eu tivesse algumas dúvidas quanto a Kristen Wiig interpretar Barbara Minerva, não há muito a contestar com o resultado final: a atriz consegue fazer uma boa transição entre a inicial, tímida e desastrada, com a final que devasta tudo o que lhe passa à frente. Só na batalha final é que os efeitos especiais não foram propriamente muito convincentes, tanto que nem nos deixam ver exatamente como a personagem está.
          Embora a história seja interessante, é prejudicada pela excessiva duração do filme. Commais uns bons cortes, toda a ação tinha-se desenvolvido muito melhor, principalmente a cena inicial que não tem uma grande importância e é onde estão uns dos piores efeitos do filme. Aliás, o filme é muito irregular na qualidade dos efeitos. Tanto podem ser muito bem feitos como, a seguir, serem uma desgraça.
          Gal Gadot está melhor aqui que no primeiro filme embora tenha na mesma a ajuda de Chris Pine ao lado, a conseguir puxar mais nos momentos que envolvem mais interpretação. Já que nas cenas de ação, não há nada a apontar.
          Patty Jenkins volta a entregar-nos um bom filme desta personagem mas é bem mais inconsistente.


28/09/2017

Kingsman - O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle - 2017)



            O primeiro “Kingsman - Serviços Secretos” foi uma das maiores surpresas de 2014, em que a adaptação de Matthew Vaughn nos mostrava uma grande energia, cores vivas, personagens desenvolvidas e incríveis cenas de ação. Por isso, com o regresso do realizador para a sequela, será que esta “paródia” dos filmes de espiões vai voltar a brilhar? 
            Com o seu quartel-general reduzido a escombros e a maioria dos seus membros mortos, os restantes elementos da Kingsman têm de recorrer aos seus primos do outro lado do Atlântico, os Statesman, para, assim, as duas agências conseguirem salvar os milhões de reféns que o Círculo Dourado fez por todo o mundo. 
            No primeiro filme, há uma boa mistura entre a ação extraordinária e os momentos de desenvolvimento de personagens. Só que isso não acontece tanto aqui. Sim, temos bons momentos de desenvolvimento dos protagonistas, só que são em menor quantidade. Já a escala das cenas de ação mantêm-se sempre em alta, o que para as quase duas horas e meia de duração é um pouco de mais. 
            E o marketing também foi um pouco enganador. Mostraram muito Jeff Bridges e Channing Tatum quando, na verdade, mal estão no filme. Aliás, são os Statesman que saíram “prejudicados” nesta sequela, que têm bons momentos de ação, mas as personagens não são devidamente desenvolvidas. E então a cena final de Halle Berry parece que caiu lá vinda do nada. 
            Mas o filme não se chama Statesman, e é nos Kingsman que está o grande protagonismo. Taron Egerton volta a vestir a pele do protagonista Eggsy, e está de novo em grande, sendo agora um agente mais experiente que já consegue fazer todas as incríveis cenas de ação necessárias. Não é só de ação que se vale, já que personifica bem as suas relações com as outras personagens, desde a sua namorada Tilde (a princesa sueca que aparece no primeiro filme) até Merlin e Harry, com alguns bons momentos fortes. O reaparecimento de Colin Firth e a sua justificação é que não é muito convincente, o que o salva é que é uma boa personagem. 
            Julianne Moore, como a vilã Poppy, é que parece que está noutro filme. É verdade que tudo nesta saga é em grande mas a atriz parece que está num filme de Austin Powers, demasiado excêntrica para conseguir ser levada muito a sério. 
            “Kingsman - O Círculo Dourado” não é um filme tão coeso como o primeiro mas, mesmo assim, continua a ser um grande filme de ação que merece uma ida ao cinema.