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24/05/2022

Monstros Fantásticos - Os Segredos de Dumbledore

          Este franchise anda uma confusão pegada. Nunca pareceu ter uma linha condutora bem definida: tanto é sobre monstros fantásticos, como passa para grande importância de Credence, como é sobre o passado de Albus Dumbledore... Mas, mesmo assim, como pode ser visto naquilo que escrevi sobre os filmes anteriores, os filmes até nem têm sido mau de todos, pelo menos o elenco que acompanhamos é interessante. Porém este parece ter sido finalmente o ponto de viragem para mim.
          A mando de Dumbledore, Newt Scamander vai juntar um grupo de feiticeiros e o seu amigo muggle Jacob Kowalski para derrubar as aspirações de Gellert Grindelwald controlar o mundo da feitiçaria.
          Afinal que história estamos a seguir? Qual é o grande protagonista que estamos a seguir nesta nova fornada de filmes do mundo da feitiçaria? Claramente Newt já não é, pois aqui é apenas mais um dos elementos do grupo que Dumbledore juntou. E Dumbledore? Também passa francamente pouco tempo no ecrã e carece de um verdadeiro desenvolvimento para poder considerar como protagonista. Isto para mim é mais um indício da falta de foco que esta saga tem demonstrado. Já para não falar da história que envolve Credence que, tendo em conta o filme anterior, parecia que ia ter uma enorme importância mas aqui é tudo despachado em 10 minutos e sem grande alarido. Não sei se é por causa daquilo que Ezra Miller tem feito na sua vida pessoal ou não, mas o fecho deste assunto devia ter sido tratado da melhor maneira.
          Uma coisa ao menos desta vez acertaram, meteram uma criatura mágica com um grande destaque, e têm umas cenas com outras. Agora se isto merece ser ainda chamado “Monstros Fantásticos”? Isso já não sei. Isso e as lutas mágicas já não têm nada que as destaque, parece que andam aos tirinhos com as varinhas - já não há feitiços, nem nada que as transforme num espetáculo visual que merece ser visto no cinema.
          E para mim essa é a grande falha de todo o filme, já que de resto não tenho assim nada a apontar. O elenco tem um bom desempenho, Jude Law volta a mostrar que é um bom jovem Dumbledore e acho que sinceramente não valia a pena ter trocado Johnny Depp por Mads Mikkelsen para o papel de Grindelwlad. Não que não tenhamos um bom ator a fazer o papel mas a maneira de como a personagem foi feita perdeu todo e qualquer interesse.
          Sinceramente, não sei se vamos ter uma continuação e o filme tem noção disso, já que acaba de maneira a concluir todas as histórias principais.
          O filme não é uma desgraça completa mas deixou bastante a desejar.


19/11/2018

Monstros Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald (Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald - 2018)

                O mundo de Harry Potter continua a crescer, agora com a sequela do filme de 2016 “Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los”. Esta excursão pelo passado não é do agrado de todos mas para mim serve bem como uma nova entrada nesta magia. Vamos ver se esta primeira (das quatro!!) sequelas consegue subir a fasquia.
                Albus Dumbledore incube Newt Scamander de uma nova missão: encontrar e salvar Credence das mãos do feiticeiro negro Grindelwald.
                E é mesmo pelo antagonista que quero começar. A imagem de Johnny Depp não anda no melhor estado, tanto na sua vida pessoal como nas suas interpretações. Mas, aqui, até surpreende com  uma boa interpretação. Não é de todo o seu melhor trabalho, mas também não é a caricatura que estamos acostumados a ver ultimamente. Consegue ser aquilo que a personagem precisa, embora a mesma podia ter sido mais aprofundada.
                Para mim, o pior do filme é mesmo o argumento. Nesta palete de sequelas já anunciadas, este filme perde-se no meio. A história não tem princípio, meio e fim. Tem um princípio, um meio e depois o fim fica para os próximos filmes. Não temos uma sensação de conclusão quando o filme acaba e nem mesmo o grande twist final serve para compensar isso.
                O quarteto que acompanhamos no primeiro filme também não está tão coeso. Cada um se desenvolve individualmente, pelos seus caminhos de vida, embora não seja muito significativo. Uma coisa que está incrível são os efeitos visuais, que estão um autêntico regalo para os olhos. Há que ter em atenção que o ambiente não é o mesmo que os do Harry Potter, este é bem mais negro e sombrio, o que pode afastar quem está à espera da magia de antigamente.
                Uma das coisas que gostei mais foi de Jude Law, como um jovem Albus Dumbledore, que consegue transmitir sempre enorme conhecimento e poder e que é credível que se torne naquela personagem que conhecemos inicialmente.
                “Monstros Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald” não é um filme superior ao anterior, com as suas falhas de argumento, mas mesmo assim tem vários pontos positivos nas suas personagens e mundo.



22/11/2016

Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los (Fantastic Beasts and Where to Find Them - 2016)



                Como agora não se pode deixar morrer qualquer franchising, até admira que tenha demorado cinco anos para vermos algo relacionado com o mundo mágico de Harry Potter. Ao menos, não temos algo diretamente ligado com o conhecido protagonista, já que, aqui, a ação se passa 70 anos antes do aparecimento do Rapaz que Sobreviveu. Com o argumento a cargo de J.K.Rowling, a realização de David Yates (que fez os últimos quatro filmes da saga), um elenco cheio de gente conhecida e bons trailers este pode ser um novo início para a magia no cinema.
                No ano de 1926, o britânico Newt Scamander chega a Nova Iorque com uma mala cheia de criaturas mágicas. Porém, um encontro com um Semmag (o nome que os americanos dão aos muggles) faz como que várias dessas criaturas se espalhem pela cidade, o que vai levar Newt numa busca por elas.
                É verdade que pode ser algo injusto a comparação deste filme com os oito do Harry Potter, já que as personagens são completamente diferentes e a história não possui qualquer relação direta, mas só que é impossível não o fazer. Primeiro que tudo, ajuda ter visto os filmes anteriores, pois parte-se do princípio que conhecemos este mundo e todas as suas peculiaridades, em que a chave do fascínio vai passar pela mudança de continente e de tempo. Ver como funciona o mundo mágico na América dos anos 20 foi bastante interessante e deu para ver outro tipo de mentalidade. Não que novos espetadores fiquem totalmente perdidos com o que está a acontecer mas poderá fica mais difícil de entender as magias que vamos vendo. O público alvo também não é bem o mesmo. Não vai ser uma nova saga para os adolescentes mas assim para aqueles que o eram quando foram quando viram os primeiros filmes.
                A história que dá nome ao filme é excitante o suficiente para ser um filme standalone e pronto, acabou, next. Mas, depois da notícia que ia ser o início de uma trilogia, que depois passou para cinco filmes, notava-se logo que ia haver histórias secundárias pelo meio. E, isto para mim, foi um problema pois a história secundária de Grindelwald e do seu crescente reino de terror (um pré Voldemort, digamos assim) cria bastantes problemas de andamento à história principal. Passamos de apanhar criaturas para, no instante seguinte, termos algo muito parado.
                Passando isso à frente. Newt Scamander é uma personagem bastante caricata (talvez demais?), com alguns tiques e peculiaridades, muito bem protagonizado por Eddie Redmayne. Nota-se o seu apreço pelos seres mágicos e que só quer que o restante mundo mágico os entenda melhor. A parte cómica é trazida pelo Semmag que acompanha o protagonista, Jacob Kowalski, que, em algumas situações, chega a ser um pouco irritante mas, na maior parte do tempo, consegue ser uma grande personagem e fazer uma boa parceria com Scamander. A fazer companhia ao duo temos as irmãs Tina e Queenie, que trazem uma boa dinâmica e nos apresentam este outro continente mágico e os seus segredos. A entrada de Colin Farrell para esta saga é muito bem-vinda (aliás, onde quer que ele entre é sempre bem-vindo), como o auror Graves, que está a investigar todos os estranhos acontecimentos que se andam a desenrolar pela cidade que nunca dorme. Já a personagem de Ezra Miller não me caiu propriamente bem, principalmente com o que depois fazem com ele no desenvolvimento do filme.
                Temos aqui mais ação, mais feitiços, mais mistérios, mais criaturas e mais um ponto de início para uma nova aventura. Não fossem os problemas que já disse, tinha apreciado muito mais o filme (não que seja mau!) mas serve como um ponto de partida morno e que tem por onde melhorar nas sequelas.