A sério que isto tinha mesmo que acontecer? Atenção, quando anunciam uma sequela para uma saga antiga, geralmente não me incomoda nem um pouco. Se for bom, ótimo, se não o for, não estraga os filmes que vieram antes. Só que, quando soube deste “Matrix Resurrections”, fiquei algo perplexo. Não porque não achasse que o universo tivesse muito para oferecer, mas sim por ser uma continuação direta de “Matrix Revolutions”. Além disso, algumas personagens mantêm os mesmos atores que filmes anteriores, e outros têm direito a caras novas. Já para não falar que já não ia ser realizado pelas irmãs Wachowski, mas apenas por Lana Wachowski, e os seus últimos filmes não têm sido propriamente os melhores. Mas a esperança é eterna, por isso vamos lá ver isso.
Thomas Anderson é um programador de jogos, conhecido por ter criado a trilogia “Matrix”. Mas, durante a sua vida quotidiana começa a duvidar daquilo que é realidade ou não. E, deste modo, vai ter de voltar a escolher entre o comprimido azul e vermelho.
Sinceramente, o filme deixou-me desapontado. Não estava à espera da mesma revolução que foi o primeiro filme mas, mesmo assim, deixou muito a desejar. É que desde 1999 muitas das ideias que “Matrix” apresentou foram retratadas e mais exploradas noutros filmes. A cultura cinematográfica nesta altura não é a mesma que na altura, por isso, as poucas “grandes ideias” que o filme apresenta não são nada de especial e já foram melhor desenvolvidas noutros filmes do género. E tentar fazer sempre afirmações meta não é um bom sinal.
Mas bem, se não é pelas ideias que o filme nos leva, será que temos cenas de ação de qualidade iguais ou melhores que os anteriores? Também não é aqui que vamos ter a nossa salvação, já que foram adotadas algumas tendências que são prevalentes nos filmes de ação de hoje, com as cenas a serem demasiado editadas e não apresentarem uma boa coesão.
Pode parecer que estou a julgar demasiado o filme tendo em conta os anteriores, mas tenho duas boas razões para o fazer. Primeiro: é inevitável. Quando sai um novo filme dentro de uma saga, o mais normal é compará-lo com os seus antecessores, quer tenham estreados há dois ou há vinte anos. Segundo: o próprio filme está constantemente a fazer referência àquilo que veio atrás, principalmente ao primeiro filme. E este é mais um ponto negativo que tenho a vos apresentar! De x em x tempo mostra-nos imagens dos filmes anteriores, como que a nos obrigar a fazer a relação entre o que estamos a ver e o mesmo elemento nos filmes anteriores. Não precisamos que nos lembrem constantemente do que aconteceu para trás, por exemplo quando nos mostram o novo Smith, mostram logo depois uma imagem de Hugo Weaving, como se não fosse possível fazermos a ligação por nós e precisamos de um auxílio visual. Para ser totalmente honesto, o filme tenta fazer isto ser relevante para a história mas, para mim, falha redondamente na tentativa.
As personagens não são más, nem temos más interpretações, desde os regressados Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss, até às novas adições como Yahya Abdul-Mateen II, Jonathan Groff, Jessica Henwick e Neil Patrick Harris. O maior problema é mesmo o argumento.
Muito do filme trata-se ao mesmo tempo de um remake e de uma sequela, pois muitas das ideias do primeiro filme voltam a ser batidas aqui, só que agora já não têm tanto impacto e interesse. Aliás, a dada altura fala-se de uma guerra civil entre as máquinas e pareceu-me bem mais interessante do que aquilo que tivemos. E a justificação para voltar a trazer Neo e Trinity é simplesmente muito parva.
Ninguém pode negar o efeito que “Matrix” teve na cultura em geral, mas o regresso a este mundo foi francamente fraco, e espero que fiquemos por aqui.
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30/12/2021
Matrix Resurrections (The Matrix Resurrections - 2021)
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13/10/2014
Em Parte Incerta (Gone Girl - 2014)
Parece que a época dos Óscares
está oficialmente aberta. O primeiro candidato parece ser o último filme de
David Fincher, que aqui vai adaptar para o grande ecrã a obra de Gillian Flynn. Com várias críticas positivas e um
grande hype à sua volta, chegou a
altura de darmos a nossa opinião.
Quando a sua esposa é raptada e
se torna o centro das atenções de todas as notícias, toda a vida de Nick vai
ser posta ao descoberto e julgada.
Acho que este é um daqueles
filmes que consegue cativar pelo facto de termos várias reviravoltas ao longo
de todo o enredo. O argumento é de grande qualidade mostrando que, enquanto o
casal namorava, tudo corria bem e pelo melhor mas, após o casamento, a sua
relação vai-se tornado cada vez mais tóxica. Não se pode propriamente dizer que
seja um filme aconselhado para casais pois, em situações extremas, mostra o que
pode acontecer quando as coisas começam a correr mal (e também ajuda ser um
bocado psicopata). O facto de Gillian Flynn ter sido a responsável por adaptar a sua
obra para o ecrã também ajudou.
Este
também foi um palco para vermos grandes interpretações. E – finalmente! - temos
Rosamund Pike a fazer uma interpretação que é de louvar com a sua Amy, uma
personagem que está sempre a surpreender e que precisava de uma grande
interpretação para ser memorável, o que Pike consegue aqui. Não nos podemos
esquecer, claro está, de Ben Affleck também a funcionar a todo o gás, ao
representar uma personagem que tanto pode ser agradável como hostil como
arrogante. Seria grande falha se não destaca-se, no elenco, a boa prestação de Carrie
Coon como irmã de Nick. Já Neil Patrick Harris não tem um ar
suficientemente ameaçador para o papel que desempenha.
David
Fincher consegue, mais uma vez, um excelente trabalho. Toda a ambiência sombria
e o modo como trata os média são
coisas a que já estamos habituados a ver nos filmes deste grande realizador.
Todo o desenrolar da ação está bem coordenada e deixa-nos sempre presos ao
ecrã.
Uma
mistura de incríveis prestações, um grande argumento e um brilhante realizador que
fazem “Em Parte Incerta” um filme obrigatório.
17/06/2014
Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas (A Million Ways to Die in the West - 2014)
Parece que, depois de “Ted”,
Seth MacFarlane
vai continuar a apostar em trabalhos no grande ecrã. Só que agora, em vez de um
urso de peluche com vida própria, é o próprio a ser o protagonista.
Albert
é um cobarde guardador de ovelhas que recebe ajuda da nova habitante desta
cidade do oeste selvagem para recuperar a sua namorada.
O
filme até começa bem, com algumas boas piadas. O grande e incontornável
problema é que as melhores piadas ficam-se por aqui. Também não ajuda o facto
de o filme ter quase duas horas. Chega uma altura em que só queremos que acabem
com a nossa miséria.
O
estilo de comédia é aquela a que já estamos habituados deste realizador/
argumentista/protagonista, só que num ambiente western. Esta “inovação” até consegue trazer alguma frescura mas só
durante um bocado.
A
personagem principal até consegue ser interessante. Um homem fora do seu tempo
que tem medo de particamente tudo mas ainda falta um bom bocado para que MacFarlane
consiga criar um grande impacto como protagonista. O restante elenco consegue
fazer um bom trabalho e podemos contar com cameos
de Ryan Reynolds e Jamie Foxx entre
outros. E há uma pequena surpresa para os fãs da série “Foi Assim que
Aconteceu”.
E,
enquanto “Ted” tinha o facto surpresa do seu lado, “Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas”
segue um argumento previsível e sem muita piada.
Espero que o próximo filme de
Seth MacFarlane
corra melhorzinho.
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