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24/03/2021

Wolfwalkers (2020)

          A Apple TV+ é um dos serviços de streaming que ainda não explorei muito (tirando o excelente “Ted Lasso”) porque sinceramente ainda não têm filmes originais bons em que valha a pena o investimento. Mas com “Wolfwalkers” a aparecer em vários sítios como das melhores animações de 2020, decidi dar uma espreitadela.
          Em 1650, uma jovem aprendiz a caçador muda-se para Irlanda quando o seu pai é contratado para caçar a alcateia de lobos que tem atacado a cidade. Mas tudo muda quando se torna amiga de Mebh, uma rapariga que tem a habilidade de se transformar em lobo durante a noite.
          Para mim, este é o “Klaus” deste primeiro trimestre. Não quero dizer com isso que tenha alguma semelhança nem em termos de história, nem em termos de estilo de animação. Mas, tal como “Klaus”, foi um filme que perdi no ano passado e que foi extremamente cativante, merecendo totalmente a sua recente nomeação para o Óscar.
          Porque, aqui, o grande forte é a relação entre as duas protagonistas. E, onde em muitos outros filmes este tipo de relação parece forçada e quase que nos obrigam a importar com elas, aqui há a sensação que foi criada uma verdadeira ligação. Robyn sente-se presa pelo seu pai, que não a deixa sair dos muros da cidade mas, quando ela se vê numa situação semelhante, faz exatamente a mesma coisa. A diferença é que, graças aquilo que aprendeu com a sua nova amizade Mebh, apercebe-se daquilo que está a fazer e toma uma reação diferente.
          A animação 2D está bastante expressiva e, em algumas personagens, ainda se podem ver as linhas que formam os seus modelos. A banda sonora também é um dos bons pontos deste exclusivo da marca da maçã.
          “Wolfwalkers” apresenta-se como uma grande proposta para os fãs da animação.


04/10/2015

Perdido em Marte (The Martian - 2015)



                Aparentemente estamos numa onda de regressos. M.Night Shyamalan está num bom caminho com “A Visita”; tudo leva a crer que Johnny Depp vai fazer um grande desempenho em “Black Mass – Jogo Sujo”. Agora é Ridley Scott que, depois do desapontante “O Conselheiro” e “Exodus – Deuses e Reis”, nos trouxe um grande filme.
                Durante uma missão em Marte, o astronauta Mark Watney é dado como morto e deixado para trás quando a restante da tripulação se dirige em relação à Terra. Só que Watney está vivo e tem de sobreviver até que seja possível salvá-lo.
                 Pode dar a entender que estamos perante o “Interstellar” deste ano, tanto Matt Damon como Jessica Chastain também apareceram no filme espacial de Christopher Nolan mas, exceto isso, não podíamos estar perante dois filmes mais diferentes. A parte mais “depressiva” do filme de Nolan é, aqui, substituído por humor. Seria expectável que era muito fácil o isolamento de Watney se transformar num drama mas felizmente isso não se passa. Existem na mesma momentos dramáticos e emotivos, mas Watney tenta fazer de tudo para manter a moral elevada e ir resolvendo os problemas que lhe vão aparecendo.
A meu ver, Matt Damon consegue aqui uma incrível interpretação. É verdade que tenta ficar bem-humorado mas vemos que a solidão e os constantes contratempos que lhe vão aparecendo vão tendo influência nele, criando cenas em que ele se mostra desesperado e sem saber se vai conseguir sobreviver a este titânico desafio. Só que Damon tem um grande elenco com que partilhar espaço. Em “Perdido em Marte”, também vemos o lado dos que o tentam resgatar, nomeadamente a NASA e os seus companheiros. Destacam-se nomes como a já referida Jessica Chastain mas também Jeff Daniels, Michael Peña, Kristen Wiig, Sean Bean, Kate Mara, Chiwetel Ejiofor, entre outros, que tiveram grandes desempenhos e só fizeram bem ao filme.
Isto não podia ser um trabalho de Ridley Scott se não tivéssemos grandes visuais e efeitos. Marte está incrível, criando uma avassaladora sensação de solidão e de imensidão. Adicionalmente, tanto os fatos espaciais como os equipamentos que o protagonista usa no planeta vermelho estão com muito bom aspeto. As cenas espaciais não foram esquecidas tendo sido muito bem orquestradas, estando dentro das melhores do género.
Por fim, falta referir a inconvencional banda-sonora de música disco que consegue ser surpreendentemente bem aplicada.
“Perdido em Marte” é o grande regresso de Ridley Scott, que nos traz um dos grandes filmes do ano.