De todos os filmes que sofreram adiamentos por causa da pandemia, a mais recente aventura de 007 é capaz de ter sido das mais prejudicadas. Com o seu lançamento programado para Abril de 2020, teve de ser sucessivamente adiado. E é agora, um ano e meio depois, que finalmente vamos poder ver a despedida de Daniel Craig como o mais conhecido espião do mundo, desta vez dirigido por Cary Joji Fukunaga.
Seguindo os acontecimentos de “Spectre”, James Bond está a apreciar a sua reforma, quando o seu conhecido Felix Leiter, da CIA, lhe pede ajuda numa missão que vai obrigar a Bond a entrar mais uma vez no mundo da espionagem.
A versão de Bond de Craig sempre foi uma personagem mais emotiva e que tende a se ligar mais às outras personagens. Isso aliado a termos todos os filmes a estarem ligados entre si, faz com que tenhamos um grande arco de desenvolvimento desta personagem. E este final não desilude nesse departamento. Pode não ser o melhor filme da personagem - aliás nem é o melhor desta última versão - mas mesmo assim, é uma grande despedida do ator, explosiva e emotiva.
Talvez pelo destaque recair para o fim desta Era Bond é que temos um vilão francamente mau. Não é por culpa de Rami Malek, que o interpreta excelentemente, mas sim pelo contexto da sua personagem, quase “caída do céu”. Neste mundo em que parece que está tudo ligado, temos Safin que tem um plano com pouco planeamento e que só está ligado às nossas personagens porque sim. É verdade que, nestes filmes, nunca tivemos um vilão megalomaníaco com um plano estrondoso, como antigamente, já que não encaixavam de todo no tom que se queria transmitir, mas se calhar nos próximos podiamos voltar a introduzir isso.
E depois de tanta choradeira que Lashana Lynch ia ser a nova substituta, se calhar era melhor ver o filme antes de começar a criticar, pois a atriz faz um bom papel e está bem encaixada em todo o enredo. Ana de Armas faz uma pequena aparição em formato de "aperitivo" e Ralph Fiennes, Ben Whishaw e Naomie Harris voltam a repetir os seus papéis dos filmes anteriores de forma competente. Léa Seydoux também volta a aparecer e, a par do protagonista, é a personagem que tem o maior desenvolvimento.
As cenas de ação são explosivas e constantes e algumas delas são mesmo capazes de ser das melhores que esta saga já nos presenteou. Principalmente uma, mais ou menos a meio do filme, não por serem um grande espetáculo, mas sim por conseguirem criar um momento de verdadeira tensão.
“007 - Sem Tempo para Morrer” finalmente chegou e valeu a pena a espera! Pode não ser o melhor filme da personagem mas é uma grande despedida para Daniel Craig, que interpreta a personagem desde 2006.
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04/10/2021
007 - Sem Tempo Para Morrer (No Time to Die - 2021)
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02/11/2015
Spectre (2015)
Uma
mensagem enigmática sobre o passado de James Bond vai levá-lo numa busca pela
organização criminosa Spectre. Enquanto isso, M vai travar uma batalha política
para manter o programa “00” no ativo.
É um
bom filme de ação? Sim. É uma boa entrada para a saga de 007? Sim. É melhor que
“Skyfall”? É bom mas não me parece. Tal já era uma tarefa muito difícil.
“Spectre” tem muitas boas cenas de ação que porém não são tão compensadoras
como no filme anterior.
Sou um
grande fã de Christoph Waltz, (é uma pena que o ator
não apareça em mais filmes) por isso, quando soube que iria ser o próximo vilão
de James Bond, fiquei muito entusiasmado. A personagem foi muito bem
introduzida, com uma boa dose de mistério sobre o seu verdadeiro poder e uma
ligação com a infância de Bond. Só que, depois, o desenrolar da personagem não
é do melhor; torna-se um vilão meio apagado e sem muito poder (embora,
aparentemente, o tenha), já para não falar de como acabou a sua aparição no
filme.
Daniel
Craig volta como 007, mas já não na sua melhor forma. Já o vimos em modo
superespião e já numa jornada mais pessoal. Aqui, há a tentativa de uma super
combinação dos dois, com predominância da ação, em que o drama é rapidamente
despachado. Craig é, sem dúvida, um dos melhores Bonds que já tivemos mas,
depois de quatro filmes, talvez seja melhor começar a pensar numa substituição.
Ben Whishaw e Naomie Harris voltam como Q e Moneypenny, respetivamente, e, em
muitas situações, servem como os elementos mais leves e cómicos do filme. Ralph
Fiennes teve a difícil tarefa de substituir Judi Dench como M e conseguiu
fazê-lo. Monica Bellucci conseguiu ser a “Bond girl” mais
velha a aparecer em qualquer filme da saga mas é Léa Seydoux com quem Craig
passa a maior parte do tempo. E esta personagem até está bem construída, com um
passado conturbado, e consegue fazer um bom par com Bond. A participação de Dave
Bautista foi uma surpresa para mim pela presença e poder que transmite apenas
por surgir no ecrã.
Atenção,
pode parecer que estou a dar uma grande descasca ao filme, mas não é verdade.
Apenas digo que é inferior ao filme anterior mas, mesmo assim, “Spectre” é um
grande filme de ação. Para aquele que é o filme com a maior duração (148
minutos) e com maior orçamento, dá a sensação que algumas cenas podiam ter sido
cortadas ou abreviadas. Mas aquela cena inicial no México está muito bem
conseguida.
James
Bond voltou com mais um grande filme de ação que não vai envergonhar a saga.
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