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04/10/2021

007 - Sem Tempo Para Morrer (No Time to Die - 2021)

          De todos os filmes que sofreram adiamentos por causa da pandemia, a mais recente aventura de 007 é capaz de ter sido das mais prejudicadas. Com o seu lançamento programado para Abril de 2020, teve de ser sucessivamente adiado. E é agora, um ano e meio depois, que finalmente vamos poder ver a despedida de Daniel Craig como o mais conhecido espião do mundo, desta vez dirigido por Cary Joji Fukunaga.
          Seguindo os acontecimentos de “Spectre”, James Bond está a apreciar a sua reforma, quando o seu conhecido Felix Leiter, da CIA, lhe pede ajuda numa missão que vai obrigar a Bond a entrar mais uma vez no mundo da espionagem.
          A versão de Bond de Craig sempre foi uma personagem mais emotiva e que tende a se ligar mais às outras personagens. Isso aliado a termos todos os filmes a estarem ligados entre si, faz com que tenhamos um grande arco de desenvolvimento desta personagem. E este final não desilude nesse departamento. Pode não ser o melhor filme da personagem - aliás nem é o melhor desta última versão - mas mesmo assim, é uma grande despedida do ator, explosiva e emotiva.
          Talvez pelo destaque recair para o fim desta Era Bond é que temos um vilão francamente mau. Não é por culpa de Rami Malek, que o interpreta excelentemente, mas sim pelo contexto da sua personagem, quase “caída do céu”. Neste mundo em que parece que está tudo ligado, temos Safin que tem um plano com pouco planeamento e que só está ligado às nossas personagens porque sim. É verdade que, nestes filmes, nunca tivemos um vilão megalomaníaco com um plano estrondoso, como antigamente, já que não encaixavam de todo no tom que se queria transmitir, mas se calhar nos próximos podiamos voltar a introduzir isso.
          E depois de tanta choradeira que Lashana Lynch ia ser a nova substituta, se calhar era melhor ver o filme antes de começar a criticar, pois a atriz faz um bom papel e está bem encaixada em todo o enredo. Ana de Armas faz uma pequena aparição em formato de "aperitivo" e Ralph Fiennes, Ben Whishaw e Naomie Harris voltam a repetir os seus papéis dos filmes anteriores de forma competente. Léa Seydoux também volta a aparecer e, a par do protagonista, é a personagem que tem o maior desenvolvimento.
          As cenas de ação são explosivas e constantes e algumas delas são mesmo capazes de ser das melhores que esta saga já nos presenteou. Principalmente uma, mais ou menos a meio do filme, não por serem um grande espetáculo, mas sim por conseguirem criar um momento de verdadeira tensão.
          “007 - Sem Tempo para Morrer” finalmente chegou e valeu a pena a espera! Pode não ser o melhor filme da personagem mas é uma grande despedida para Daniel Craig, que interpreta a personagem desde 2006.

09/02/2019

Bohemian Rhapsody (2018)


            Todos conhecemos os Queen, certo? Acho que posso dizer,com alguma certeza que sim por isso um filme sobre eles, com um grande nível de produção, merece certamente ser visto. E, mesmo com a substituição de Sacha Baron Cohen por Rami Malek como o protagonista e as confusões com o realizador Brian Singer, as coisas correram pelo melhor. Já fizeram camiões de dinheiro e ganharam dois globos de ouro, logo parece ser um filme a ver.
            Aqui seguimos a criação e a história da icónica banda e do seu carismático vocalista Freddie Mercury até à sua icónica atuação no Live Aid de 1985.
            Vamos já falar do elefante na sala. O filme não deve ser considerado como um bom retrato cronológico da banda. Alguns acontecimentos trocaram de ordem e existem personagens inventadas, por exemplo. Mas, embora isto seja algo a ter em conta, também é preciso saber que estamos perante um filme e não um documentário. É normal que certas coisas sejam alteradas para que o produto final seja mais interessante.
            Algo que não me agradou por aí além foi toda a edição do filme. Os anos iniciais passam quase num piscar de olhos, talvez por não serem relevantes. Os momentos musicais estão bem representados, afinal têm ao dispor uma lista das melhores músicas de sempre. E conseguimos “ver” como é que algumas delas foram criadas.
            Só que é Rami Malek que rouba o show, tal como a personalidade que interpreta. O ator consegue aqui um monstruoso trabalho de interpretação, conseguindo transmitir-nos como foi um dos mais estrondosos ícones da música de sempre, desde o modo extravagante de criar música e estar em palco, como a sua enorme solidão interior por pensar que ninguém o consegue compreender. Gwilym Lee, Ben Hardy e Joseph Mazzello também conseguem acompanhar o protagonista, como os outros elementos da banda.
            Mesmo seguindo vários clichés das biopic musicais, “Bohemian Rhapsody” é um grande filme e oferece boas doses de espetáculo.