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27/09/2021

Maligno (Malignant - 2021)

          Acho que se pode dizer que James Wan é um dos melhores realizadores dos últimos tempos, não só no campo do terror. Para além de ter sido o criador de sagas como “Saw - Enigma Mortal”, “Insidious - Insidioso” e “The Conjuring - A Evocação”, também foi o responsável pelo sétimo capítulo da saga “Velocidade Furiosa” e fez o único filme do universo da DC Comics que superou a marca do mil milhão de dólares com “Aquaman”. E agora de volta ao terror com este “Maligno” teremos novo franchise?
          Depois de uma invasão à sua casa, Madison fica paralisada quando começa a vivenciar alucinações de assassinatos chocantes que, depois, se verificaram que aconteceram na realidade.
          Este é, sem dúvida, um dos filmes com que mais me diverti nos últimos tempos. Não que tenha qualquer elemento de comédia, mas o final, quando finalmente sabemos tudo o que se está a passar, é incrível. É que é tão absurdo e ridículo, que esse desfecho pode ser descartado no início, mas o filme traz esta revelação com toda a seriedade e só o torna melhor por isso. Mas, da mesma maneira que eu “aceitei” de bom grado este grande desvio com que Wan surpreende, para muita gente pode ser um motivo para descartar totalmente o filme.
          Principalmente porque o filme tem um grande problema no seu elenco. Pois, se excluirmos a protagonista Annabelle Wallis que tem uma grande interpretação, os restantes elementos são tão maus que chegam a ser caricaturas. Isto tanto pelas prestações que dão, como pelo argumento que têm que dar voz.
          O terror pode não ser genial mas tem uns grandes momentos e, se bem que às vezes se note os efeitos especiais em algumas cenas, a violência é do mais brutal que Wan já nos mostrou. E tudo isto associado a uma banda-sonora que nos consegue envolver bem em todos os momentos.
          “Maligno” tem várias falhas de argumento e nas prestações mas, mesmo assim, tem vários pontos positivos, como o twist, o ambiente e a violência que o tornam uma recomendação para o Halloween que se aproxima.

31/12/2018

Aquaman (2018)


                Este filme tinha tudo para ser um total falhanço. Não só estamos com um universo da DC numa total confusão e muito dividido, como estamos a falar de uma personagem que tem sido alvo de piadas praticamente desde a sua criação. Porém, há uma luz no fundo do túnel com a forma de Jason Momoa e do realizador James Wan.
                Arthur Curry terá de tomar o seu lugar como o legítimo rei de Atlântida para evitar a guerra entre os dois mundos.
                Algo curioso na altura do lançamento dos trailers iniciais foram as críticas ao elevado uso de efeitos especais. Realmente, não sei porque é que as filmagens não foram feitas debaixo de água, com seres que não existem, e com enormes cidades cheias de vida, vá se lá entender! Agora a sério... O mundo que James Wan conseguiu criar está cheio de vida e cor e esta versão da Atlântida pode ser o palco de vários filmes.
                O tom vai variando durante o filme, o que pode ser pouco desconcertante. Tanto temos comédia, como um épico bélico, como terror. Eu, pessoalmente, gostei, pois mostra as várias facetas da personagem, por outro lado não mostra consistência durante toda a duração. Uma coisa que não foi tão bem retratada são as cenas emotivas que não receberam importância que chegue.
                Jason Momoa continua a sua prestação de “Liga da Justiça” e aqui tem de passar para um papel de maior responsabilidade, onde tem de ser por à altura, tanto como protagonista do seu filme a solo, como tem de se por à prova como o herdeiro da lendária cidade. Amber Heard acompanha o herói durante grande parte do tempo e, tirando a peruca, tem uma boa prestação. Aliás, em termos de prestações, até estamos muito bem servidos, desde Nicole Kidman a Patrick Wilson. Fiquei surpreendido com o sucesso da adaptação das roupas da BD (exceto a do Manta Negra) que não parecem de todo ridículas dentro do ambiente do filme.
                “Aquaman” é um bom filme e coloca-se no meio da lista dos filmes de super-heróis deste ano. Espero que, com este, a DC encontre o seu lugar e nos traga mais qualidade para o grande ecrã.


26/07/2016

Lights Out – Terror na Escuridão (Lights Out - 2016)



                Baseado numa curta que pode ser vista no Youtube (aqui), a premissa de “Lights Out  - Terror na Escuridão” é simples e complexa ao mesmo tempo. Tem de transformar a premissa da curta num filme de hora e meia e, simultaneamente, manter a sua essência. Quem se aventurou foi o realizador da curta, David F. Sandberg, que se apresenta agora como realizador do filme e James Wan (“Saw”,”The Conjuring”) como produtor para dar uma mãozinha.
                Quando Rebecca saiu de casa, pensava que se tinha afastado da entidade que lhe causou tanto medo, mesmo sem ter a certeza se era real ou não. Mas, quando o seu irmão mais novo, Martin também começa a ser atormentado, Rebecca vai ter de enfrentar os seus medos.
                Se estão à espera de algo dentro do mesmo estilo de “The Conjuring”, podem ficar um pouco desapontados. Estes filmes de Wan são mais “dramáticos”, dão a sensação de uma escala maior e, por serem de época, também ajuda. Mesmo assim “Lights Out” é um filme que consegue pregar uns bons sustos e é de valor, tendo em conta que apenas têm uma cartada na manga. É que deve haver um número limitado de vezes que uma pessoa se consegue assustar com os vultos da escuridão.
                Com o desenrolar do filme, conhecemos cada vez mais quem é aquela que se esconde nas sombras. Os seus motivos são simples o suficiente para servir de justificação para que ela apareça, sem enveredarem em caminhos muito complexos. Sempre que o sol se põe - ou há alguma falta de luz – inicia-se a expectativa do que poderá acontecer. Este sentido de constante alerta só mostra que o filme cumpriu na tarefa de nos impressionar com a sua “criatura”. 
                O elenco não existe para apenas ser morto de maneiras macabras (como noutros filmes do género) mas sim culminando num propósito, com boas interpretações. Teresa Palmer é uma boa protagonista, que começa por estar mais preocupada em magoar a mãe por aquilo que lhe fez do que em ajudar o seu meio-irmão mas, com o passar do tempo, isso muda e começa a tentar ajudar os dois. O mais novo Gabriel Bateman deixa também uma boa impressão. Mesmo estando cheio de medo de toda a situação, decide não abandonar a sua mãe mas sim lutar contra a presença que os aterroriza.
                O bom filme de terror para este verão.


16/06/2016

The Conjuring 2 – A Evocação (The Conjuring 2 - 2016)



                Fazer sequelas é sempre difícil, principalmente se tivermos a falar de comédias e de horror, pois há sempre o perigo de apenas copiar o primeiro filme e não inovar. Aqui, na luz da ribalta, está “The Conjuring”, um dos melhores de terror dos últimos anos, por isso, a tarefa da sequela fica ainda mais complicada. Ao menos, temos o realizador original, James Wan, e o duo de protagonistas, Patrick Wilson e Vera Farmiga, de volta. 
                Resumidamente, as personagens Lorraine e Ed Warren viajam até Londres, para ajudar uma mãe solteira e os seus quatros filhos a se livrarem do espírito maligno que os persegue. 
                Vamos passar ao que interessa. O filme é assustador? Sim, tem momentos muito bons e que, sem dúvida, o tornam num filme de terror a ver. É um filme tão bom como o primeiro? Não, mas também é por pouco. Temos mais uns jump scares que o outro filme e outros, que com a criação do suspense certo, nos deixam presos à cadeira. 
                Nesta sequela, a relação entre Lorraine e Ed é mais explorada, com Lorraine a ser confrontada com seres demoníacos que a deixam marcada, o que a faz repensar a sua carreira, e com Ed a tentar ajudar a mulher a superar esses medos. A isto, ajuda a grande química que Vera Farmiga e Patrick Wilson demonstram no ecrã.
Temos, de novo, uma família com vários elementos que precisam de ajuda, dos quais Madison Wolfe, a filha, e Frances O'Connor, como a mãe, são os destaques.
Porém, nem tudo são coisas boas. Há demasiadas presenças demoníacas no filme e perdemos demasiado tempo com a menos importante, em vez de passarmos para aquela que interessa. E, com o filme a criar uma grande expetativa para a cena final, o desenlace consegue ser bastante insatisfatório.
            James Wan trouxe-nos aquele que é o melhor filme de terror do ano até agora.