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05/11/2015

Enquanto Somos Jovens (While We're Young - 2015)



                Ver Ben Stiller a afastar-se aos poucos da comédia não é algo que me agrade particularmente mas, depois de “A Vida Secreta de Wallter Mitty” (em que foi o realizador), é preciso dar-lhe uma hipótese. Desta vez, o responsável pelo argumento e pela realização é Noah Baumbach (“Greenberg”). Temos também Naomi Watts no ecrã, o que não é mau de todo.
                Josh é um realizador de documentários, que está preso no mesmo projeto há já 10 anos. Mas, quando conhece o jovem casal Jamie e Darby, Josh e Cornelia vão redescobrir a sua vida e a sua relação.
                Atenção, o filme tem a sua piada mas não é o mesmo tipo de comédia de “Spy”, por exemplo. Em vez disso, temos algo mais subtil e leve mas que resulta na mesma e consegue ter alguns bons momentos cómicos. Só que não é de comédia que se trata o filme. É sim sobre o passar do tempo, a estagnação da atividade, e como isso pode afetar uma pessoa e as suas relações interpessoais. E como tudo pode mudar se a nossa mentalidade e perspetiva se alterar um pouco.
                Stiller entrega-se ao filme e mostra uma interpretação de valor. Já Naomi Watts não mostrou o melhor que conseguia fazer (verdade seja dita, o filme também não deixava). Esta é uma das melhores interpretações de Adam Driver (por outro lado não conheço muito da sua filmografia), enquanto Amanda Seyfried acaba um bocado apagada de todo o filme.
                “Enquanto Somos Jovens” é um filme interessante mas que provavelmente não vai apanhar muita atenção do público.


22/02/2015

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman - 2015)



                Será que o melhor fica para o fim? Pelo menos, nos nomeados para melhor filme, este era o filme que mais curiosidade e interesse despertava. E, se tivermos em conta a tonelada de prémios que já ganhou, o regresso de Michael Keaton às grandes interpretações parecia prometer.
                No filme, Riggan Thompson é um ator conhecido por ter interpretado o icónico super-herói quando era mais novo. Agora tenta apagar essa imagem e a tornar-se de novo relevante ao dirigir e protagonizar uma peça na Broadway.
                O que depressa me surpreendeu foi a incrível duração que cada cena tinha, dando o devido mérito a toda a atenção que o realizador Alejandro González Iñárritu tem tido. O nível de organização necessário para que cada ator conseguisse entrar exatamente no momento certo e fazer uma boa prestação prova as incríveis capacidades do realizador.
                E é incrível como todo o elenco conseguiu entregar grandes prestações. Edward Norton e Emma Stone conseguem fazer grandes desempenhos e até Zach Galifianakis consegue uma boa interpretação (muito diferente das suas interpretações mais cómicas). Mas este é o show de Michael Keaton que consegue um desempenho incrível. Keaton interpreta um ator que tenta a todo o custo livrar-se da imagem de super-herói que todos têm dele e quer ser levado a sério e ser relevante. E aquela vozinha interior tenta prova-lhe que esta nova afirmação não passa de uma tentativa para aumentar o seu ego, que ele não passa de uma celebridade que já teve o seu momento e que só é bom quando é Birdman. E, ao fazer  a comparação de Birdman com Batman (que também foi interpretado por Keaton), o filme torna-se ainda mais interessante. Por favor, entreguem lá o Óscar ao homem!
                Para minha surpresa, o que não gostei muito foi o final. Possivelmente, teria criado mais impacto se o filme tivesse acabado na cena anterior. Isso não impede que praticamente o resto do filme seja incrível, com grandes diálogos sobre os atores e o modo como querem deixar a sua marca (no caso de acharem que vale a pena deixá-la claro está).
                Um grande filme que conseguiu inovar e com uma história interessante que, de certeza, merece uma olhadela.


26/10/2014

Um Santo Vizinho (St. Vincent - 2014)



                O meu objetivo ao ver este filme era bastante simples: ver se Bill Murray ainda tem estofo para conseguir levar um filme para frente e ao mesmo tempo entregar um bom desempenho. E, felizmente, isso é o que acontece.
                Um rapaz que assiste ao divórcio dos seus pais faz uma improvável amizade com o seu velho e rezingão vizinho, de quem ninguém parece gostar muito.
                Uma das coisas que mais me surpreendeu em “Um Santo Vizinho” foi Naomi Watts. Não particularmente pela sua interpretação, que também não foi má, mas por praticamente não ter reconhecido a atriz, e não se pode dizer que tenha uma caraterização fora do normal.
                O argumento não prima pela inovação, todos sabemos, mais ou menos, como se vai desenrolar esta história do pequeno rapaz e o improvável herói rabugento. Por outro lado, este é um filme que se preza pelas interpretações e humor. E aí Bill Murray não desaponta, com uma resposta sempre na ponta da língua, embora na maior parte das vezes não seja a mais politicamente correta.
                  Watts e Melissa McCarthy fazem uma interpretação razoável, enquanto Jaeden Lieberher consegue um bom trabalho como o rapaz que vai tentar aprender e ajuda o seu vizinho.
                Um filme com boas interpretações e vários momentos bem-humorados.


27/09/2013

Diana (2013)



                As coisas não começaram da melhor maneira para “Diana”, a crítica britânica arrasou-o. Por isso, é com algum receio que fui ver este filme sobre a Princesa de Gales. E posso dizer desde já que essas críticas foram grandemente exageradas. 
                O filme passa-se durante os últimos anos de vida da Princesa, uma altura de mudança durante a qual entrou numa relação com o cirurgião Hasnat Khan. 
                A grande temática apresentada é como é que alguém que é reconhecida mundialmente consegue estar numa relação normal e discreta. 
                Mas, vamos falar daquilo que é importante, a prestação de Naomi Watts como a conhecida celebridade. Sem dúvida que a atriz consegue fazer aqui um impressionante trabalho de interpretação, e embora ainda falte para os óscares, não me admirava nada que tivesse aqui uma nomeação. Uma boa prestação igualmente para o médico interpretado por Naveen Andrews. 
                O resto nada de especial tem a assinalar. Parece um filme romântico mas elevado à realeza. Eles conhecem-se, gostam um do outro, discutem, são amiguinhos de novos, discutem outra vez e por ai adiante. 
                Em termos técnicos o filme também não surpreende, aliás te algumas falhas que não se entendem. Como por exemplo algumas transições de cenas que são muito abrutas, e em termos sonoros também há muito ruído que não devia estar lá. 
                Pode ser encarado como um filme romântico com um final muito ameno. Apenas vai marcar pela prestação de Watts.


24/01/2013

O Impossível (Lo imposible - 2013)



                Se isto não fosse uma história verídica dificilmente teria tanta projeção como tem, sendo identificado como mais um drama. Passados mais de oito anos vem agora o primeiro grande filme sobre o trágico tsunami de 26 de Dezembro. Mas será que o espanhol Juan Antonio Bayona consegue faz justiça à história desta família? 
                Uma família de cinco vai passar umas férias paradisíacas à Tailândia, e tudo parece correr bem até que chega um enorme tsunami que devasta toda a zona. Agora, com os membros da família separados vão ter de sobreviver e tentar reunir-se de novo. 
                Antes de tudo, não é um filme de todo fácil de ver, há algumas cenas bastante chocantes de ver, e isso é o que confere uma maior credibilidade ao filme. Consegue transmitir emoções e sentimentos como poucos conseguem, bem melhor que em “Os Miseráveis”, e mesmo sabendo que se trata de uma história verídica fica-se sempre com o coração nas mãos em cada cena por não se saber o que se vai passar. 
                A edição e efeitos estão a um grande nível, principalmente na altura em que a gigantesca onda aparece e as suas consequências. O trabalho dos atores também esta excelente, principalmente Naomi Watts e o pequeno Tom Holland, que estando presentes durante a maioria do filme o conseguem elevar a um patamar superior. 
                Um drama muito intenso e que vale a pena ver. 

Nota: 4/5