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12/11/2015

Steve Jobs (2015)



                O filme teve alguns problemas no seu arranque. David Fincher (“Em Parte Incerta”) era para ser o realizador inicial, com Christian Bale (“Batman – O Início”) a interpretar o protagonista. Mas foram substituídos a meio caminho por Danny Boyle (“Transe”) e Michael Fassbender (“12 Anos Escravo”) - uma troca onde não se fica a perder muito-, com Aaron Sorkin (“A Rede Social”) encarregue do argumento.
                Vamos partir à descoberta da vida de Steve Jobs através de conversas nos bastidores antes das conferências de três lançamentos de produtos: do Macintosh em 1984, do NeXT em 1988 e do iMac em 1998.
                Só pela estrutura do filme, podemos ver que a estrutura é completamente diferente da versão de 2013 com Ashton Kutcher. Aqui, em grande parte do filme, só temos diálogo, com as personagens a andarem apenas à volta do recinto da apresentação (um pouco ao estilo de Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”). E será que isso chega para saber tudo o que precisamos de saber sobre Jobs e o que se passa com ele?
                Completamente. Conseguimos saber todos os detalhes da sua vida pessoal e profissional. E, embora não seja um filme que envolva propriamente muito dinamismo, a realização de Boyle e o argumento de Sorkin fazem com que todas as conversas entre as personagens sejam intensas e prendem completamente a atenção. O que fez falta foi uma cena mais recente, como por exemplo, o lançamento do iphone.
                Mas este é um filme de interpretações. É verdade que Fassbender não é propriamente parecido com a cara da Apple, mas isso é rapidamente ultrapassado. Tal deve-se à sua grande interpretação, que retrata um Jobs sempre com uma resposta na ponta na língua e que leva até ao fim aquilo que pensa ser o mais correto, mesmo que não o seja. E este genial ator não está sozinho! Está acompanhado por um grande elenco secundário, composto por Seth Rogen (“Uma Entrevista de Loucos”), Kate Winslet (“Insurgente”) e principalmente Jeff Daniels (“Perdido em Marte”).
                “Steve Jobs” é um filme que nos faz ter um pouco de compaixão pela personagem? Alguma. Mostra que ele, quando quer, consegue ser um grande sacana? Sim, sem qualquer dúvida. Vai agradar mais aos apreciadores da marca da maçã? Só em algumas alturas.
                É um grande filme biográfico que deve ser falado quando for para distribuir as nomeações em termos de interpretações.


04/10/2015

Perdido em Marte (The Martian - 2015)



                Aparentemente estamos numa onda de regressos. M.Night Shyamalan está num bom caminho com “A Visita”; tudo leva a crer que Johnny Depp vai fazer um grande desempenho em “Black Mass – Jogo Sujo”. Agora é Ridley Scott que, depois do desapontante “O Conselheiro” e “Exodus – Deuses e Reis”, nos trouxe um grande filme.
                Durante uma missão em Marte, o astronauta Mark Watney é dado como morto e deixado para trás quando a restante da tripulação se dirige em relação à Terra. Só que Watney está vivo e tem de sobreviver até que seja possível salvá-lo.
                 Pode dar a entender que estamos perante o “Interstellar” deste ano, tanto Matt Damon como Jessica Chastain também apareceram no filme espacial de Christopher Nolan mas, exceto isso, não podíamos estar perante dois filmes mais diferentes. A parte mais “depressiva” do filme de Nolan é, aqui, substituído por humor. Seria expectável que era muito fácil o isolamento de Watney se transformar num drama mas felizmente isso não se passa. Existem na mesma momentos dramáticos e emotivos, mas Watney tenta fazer de tudo para manter a moral elevada e ir resolvendo os problemas que lhe vão aparecendo.
A meu ver, Matt Damon consegue aqui uma incrível interpretação. É verdade que tenta ficar bem-humorado mas vemos que a solidão e os constantes contratempos que lhe vão aparecendo vão tendo influência nele, criando cenas em que ele se mostra desesperado e sem saber se vai conseguir sobreviver a este titânico desafio. Só que Damon tem um grande elenco com que partilhar espaço. Em “Perdido em Marte”, também vemos o lado dos que o tentam resgatar, nomeadamente a NASA e os seus companheiros. Destacam-se nomes como a já referida Jessica Chastain mas também Jeff Daniels, Michael Peña, Kristen Wiig, Sean Bean, Kate Mara, Chiwetel Ejiofor, entre outros, que tiveram grandes desempenhos e só fizeram bem ao filme.
Isto não podia ser um trabalho de Ridley Scott se não tivéssemos grandes visuais e efeitos. Marte está incrível, criando uma avassaladora sensação de solidão e de imensidão. Adicionalmente, tanto os fatos espaciais como os equipamentos que o protagonista usa no planeta vermelho estão com muito bom aspeto. As cenas espaciais não foram esquecidas tendo sido muito bem orquestradas, estando dentro das melhores do género.
Por fim, falta referir a inconvencional banda-sonora de música disco que consegue ser surpreendentemente bem aplicada.
“Perdido em Marte” é o grande regresso de Ridley Scott, que nos traz um dos grandes filmes do ano.


03/12/2014

Doidos à Solta, de Novo (Dumb and Dumber To - 2014)



                Foram precisos 20 anos para que esta sequela acontece-se, mas sinceramente não estava muito entusiasmado com isso. O tipo de comédias em que os protagonistas são bastante idiotas não são do meu tipo favorito, mas é uma oportunidade para ver Jim Carrey, já que não anda nestas andanças a um tempo.
                Harry e Lloyd vão voltar a partir numa aventura à procura da filha de Harry, que foi entregue para adoção.
                E logo no conceito inicial esta sequela é igual ao original. Os dois protagonistas têm de partir em viagem para encontrar alguém. Muito do primeiro filme foi reciclado para aqui, não trazendo muita originalidade. Principalmente, quando as personagem não tem qualquer tipo de evolução.
                Jim Carrey e Jeff Daniels conseguiram voltar a vestir a pele destas personagens com grande facilidade, e nota-se ao longo do filme que se estão a divertir a fazer todas estas palhaçadas mais uma vez. A introdução de Rob Riggle no elenco ao menos serviu para trazer algo de novo à mistura.
                Não que o filme não tenha os seus momentos. Em algumas situações, embora escassas, consegue ser engraçado, e isso para mim bastou para que gostasse mais deste do que do original.
                Quem gostou do primeiro de certeza que vai gostar deste, para quem quer ver uma boa comédia é capaz de ficar um pouco desiludido.