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04/10/2015

Perdido em Marte (The Martian - 2015)



                Aparentemente estamos numa onda de regressos. M.Night Shyamalan está num bom caminho com “A Visita”; tudo leva a crer que Johnny Depp vai fazer um grande desempenho em “Black Mass – Jogo Sujo”. Agora é Ridley Scott que, depois do desapontante “O Conselheiro” e “Exodus – Deuses e Reis”, nos trouxe um grande filme.
                Durante uma missão em Marte, o astronauta Mark Watney é dado como morto e deixado para trás quando a restante da tripulação se dirige em relação à Terra. Só que Watney está vivo e tem de sobreviver até que seja possível salvá-lo.
                 Pode dar a entender que estamos perante o “Interstellar” deste ano, tanto Matt Damon como Jessica Chastain também apareceram no filme espacial de Christopher Nolan mas, exceto isso, não podíamos estar perante dois filmes mais diferentes. A parte mais “depressiva” do filme de Nolan é, aqui, substituído por humor. Seria expectável que era muito fácil o isolamento de Watney se transformar num drama mas felizmente isso não se passa. Existem na mesma momentos dramáticos e emotivos, mas Watney tenta fazer de tudo para manter a moral elevada e ir resolvendo os problemas que lhe vão aparecendo.
A meu ver, Matt Damon consegue aqui uma incrível interpretação. É verdade que tenta ficar bem-humorado mas vemos que a solidão e os constantes contratempos que lhe vão aparecendo vão tendo influência nele, criando cenas em que ele se mostra desesperado e sem saber se vai conseguir sobreviver a este titânico desafio. Só que Damon tem um grande elenco com que partilhar espaço. Em “Perdido em Marte”, também vemos o lado dos que o tentam resgatar, nomeadamente a NASA e os seus companheiros. Destacam-se nomes como a já referida Jessica Chastain mas também Jeff Daniels, Michael Peña, Kristen Wiig, Sean Bean, Kate Mara, Chiwetel Ejiofor, entre outros, que tiveram grandes desempenhos e só fizeram bem ao filme.
Isto não podia ser um trabalho de Ridley Scott se não tivéssemos grandes visuais e efeitos. Marte está incrível, criando uma avassaladora sensação de solidão e de imensidão. Adicionalmente, tanto os fatos espaciais como os equipamentos que o protagonista usa no planeta vermelho estão com muito bom aspeto. As cenas espaciais não foram esquecidas tendo sido muito bem orquestradas, estando dentro das melhores do género.
Por fim, falta referir a inconvencional banda-sonora de música disco que consegue ser surpreendentemente bem aplicada.
“Perdido em Marte” é o grande regresso de Ridley Scott, que nos traz um dos grandes filmes do ano.


07/08/2015

Quarteto Fantástico (Fantastic Four - 2015)



                O motivo de voltarmos a ter este grupo de super-heróis no grande ecrã não é exatamente o mais interessante, pois a Fox era obrigada a fazer o filme se não queria perder o direito das personagens. Como se verá ao longo da crítica, essa manobra não resultou da melhor maneira.
                Um grupo de quatro jovens vem os seus corpos alterados depois de se terem teletransportado para uma nova e perigosa dimensão. Agora terão de aprender a viver com estes poderes e a usá-los para conseguir salvar a Terra de um velho amigo.
                Ao menos, o tom foi diferente dos dois primeiros filmes. No entanto, embora não seja tão cómico e parvo, em vez disso não há um tom certo, pois ora tenta ser ficção-científica, ora passa para o terror e isto com uma mistela de comédia. Tal leva a uma certa confusão sobre, de facto,o tipo de filme que estamos a ver.
                 A origem dos heróis também é diferente, mais na linha da versão “Ultimate”, mas, ao menos, consegue-se criar uma origem diferente, mesmo na filosofia do reboot. Mas, precisamente, o maior problema do filme está aí. Há uma maior preocupação em mostrar as origens e como tudo começou do que em contar uma história com princípio, meio e fim. E acaba por nem explicar direito as relações entre as personagens, como a aparente não muito boa relação entre os irmãos Storm, a rápida mudança de atitude de Ben Grimm em relação a Reed Richards e de como Victor Von Doom se torna o grande vilão. Depois de passar tanto tempo a introduzir as personagens, o grande ato final foi dececionante.
                Mas tal culpa não é do elenco, já que ele aqui se porta muito bem. Miles Teller vestiu-se bem com o génio Reed Richards, Kate Mara não está mal como Sue Storm, Michael B. Jordan funciona como o convencido Johnny Storm e Jamie Bell também está como Bem Grimm (pelo menos durante o tempo que o vemos). Apenas é uma pena que o Von Doom de Toby Kebbell não tivesse sido bem trabalhado.
                As expetativas para este filme não eram muitas pois, neste caso, a Fox estava mais interessada em não perder os direitos das personagens e numa possível sequela, do que em criar de facto algo que fizesse jus a estas personagens.