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26/05/2016

Alice do Outro Lado do Espelho (Alice Through the Looking Glass - 2016)



                Foram precisos seis anos para que “Alice no País das Maravilhas” tivesse direito a uma sequela – que, na minha opinião, já era escusada. É verdade que o filme fez uma tonelada de dinheiro, daí ser de estranhar que este “Alice do Outro Lado do Espelho” tenha demorado tanto tempo a aparecer.
                Alice volta ao País das Maravilhas e vai andar a viajar no tempo, para assim conseguir salvar o Chapeleiro da sua depressão.
                É verdade que Tim Burton foi substituído por James Bobin como realizador, porém ninguém o diria, já que o mundo que foi criado por Burton se mantem com a mesma essência. Por um lado é bom pois mostra consistência com o que já foi estabelecido, só que mesmo sendo um mundo cheio de cores vivas e berrantes não é muito interessante.
                Além disso, incluir o Tempo (interpretado por Sacha Baron Cohen) como vilão não é uma grande jogada. Ele apenas não querer que mexam com a linha temporal, o que é compreensível, já que em todos os filmes onde isso acontece há asneiras no fim. Agora, chamar de novo a Rainha Vermelha já se entende mais, embora não tenha sofrido grandes alterações quantos aos seus objetivos, em relação ao primeiro filme.
                O arco narrativo também não sofreu grande evolução. Embora o filme seja de Alice, não há muito desenvolvimento da sua personagem: ela apenas tem uma súbita realização e mais nada! Aliás, as cenas passadas no mundo real conseguem ser mais interessantes do que as passadas no mundo da fantasia.
                Parece que este filme apenas existe porque o primeiro foi um sucesso de box-office e, por causa disso, o estúdio sentiu-se na obrigação de criar uma sequela.


24/10/2015

Crimson Peak - A Colina Vermelha (Crimson Peak - 2015)



Sou um grande fã dos filmes de Guillermo del Toro, tanto dos seus filmes em espanhol como os ingleses. Mas, enquanto os primeiros tem uma história mais focada, os segundos são mais virados para o entretenimento. Este "Crimson Peak" parece conjugar estes dois mundos. O que se pode ter a certeza é que vamos ter o visual caraterístico do realizador.
A aspirante a escritora Edith vê-se seduzida pelo misterioso Thomas Sharpe, decide casar-se com ele e ir morar para a sua grande mansão com a sua irmã. Mas depressa Edith vai-se aperceber que algo de muito estranho se passa em Crimson Peak.
O maior problema do filme é o modo como anda a ser anunciado. De modo a aproveitar o Halloween, oS trailers têm dado a entender que vamos ver um filme de terror com fantasmas quando, na verdade, está mais próximo de um romance gótico, com uns fantasmas à mistura. O que é uma pena, mas não quer dizer que o filme esteja condenado.
O visual e arte de del Toro voltam a manifestar-se em grande, principalmente na casa principal. Desde a argila a escorrer pelas paredes até ao grande buraco no teto, parece que estamos perante um organismo vivo, onde se passou muita história e que nos pode engolir inteiros. O problema são os poucos fantasmas que aparecem são GCI, o que é um passo atrás para o realizador, que consuma fazer sempre coisas fantásticas com maquilhagem.
Em termos de interpretações, também estamos bem servidos. Mia Wasikowska, interpreta a impressionável Edith, que tem ambições de ser escritora e que consegue ver fantasmas, consegue um bom desempenho. Os misteriosos irmãos Sharpe, interpretados por Jessica Chastain e Tom Hiddleston, também são uma mais-valia para o filme. Enquanto Lucille Sharpe tem sempre uma atitude fria e mais calculista, Thomas Sharpe vai ao longo do filme mudando as suas convicções, mas não de uma maneira muito abrupta.
Há algumas cenas de terror? Há e até não estão mal conseguidas. Só que, como já disse, o filme tem muito romance. Não de maneira lamechas, como se poderia estar à espera, no entanto pode afastar quem quer ver um filme de puro terror.
Este é um filme que queria ter gostado mais. Fico à espera que o realizador mexicano nos traga, brevemente, um grande filme.


13/12/2014

Mapas para as Estrelas (Maps to the Stars - 2014)



                Este filme de David Cronenberg vai com certeza dividir muitas opiniões. A visita do realizador pelo lado menos bonito de Hollywood não vai agradar a todos.
                Vamos ter aqui um passeio pelo lado negro da fama, onde mostra os problemas e atitudes digamos, menos corretas, que os atores e atrizes passam para sobreviver.
                Do melhor que este filme apresenta é a interpretação de Julianne Moore, que de facto foi algo de louvar. Já o resto do filme parece ter como único propósito chocar e deixar desconfortável quem o tiver a ver, o que não é propriamente o que se quer sentir quando se está a ver um filme.
                A interpretação de Mia Wasikowska não ajudou a aumentar o nível do filme, a atriz parece uma estátua e está demasiado apática para conseguir criar uma personagem com algum interesse. Por outro lado, Evan Bird consegui-me surpreender, com uma prestação que até foi razoável.
                Temáticas como o incesto e homicídio podiam ter criado um filme mais interessante, mas Cronenberg, de novo, tenta criar algo mais complicado e complexo e com isso tira praticamente todo o interesse do assunto.
                Um filme para quem tiver interessado em saber aquilo por que têm de passar as celebridades.


12/06/2014

Só os Amantes Sobrevivem (Only Lovers Left Alive - 2014)



                “Só os Amantes Sobrevivem” é o filme de vampiros de Jim Jarmusch, e aqui não vamos ter nem os vampiros “bola de disco” da saga “Crepúsculo”, nem aqueles que andam com espada e pistola na mão como os de “Underworld”. Os bebedores de sangue são aqui mais melancólicos e mais virados para o romance. 
                Adam é músico deprimido que retorna ao seu romance com a sua mulher (Eve), que já dura a vários séculos. Porém, a sua paz pode ser estragada com a chegada da irmã de Eve. 
                Primeiro ponto, este resumo do filme pode parecer que vamos ter um filme mexido, ou pelo menos, com algumas intrigas entre este triângulo. O membro perturbador tem muito pouco tempo de ecrã, e é quando ele está presente que o filme ganhar mais animo e ao mesmo tempo perde o seu rumo. 
                É incrível como é que Tom Hiddleston conseguiu ser o ator prefeito para este papel. Adam é um vampiro que depois de aturar durante vários séculos os humanos (ou zombies como ele lhes chama) entrou em depressão e está com pensamentos suicidas. E Hiddleston consegue ser incrível na sua interpretação. Tilda Swinton também consegue fazer um bom papel como a mais alegre mulher de Adam, já Mia Wasikowska é quem destoa nestas boas interpretações. 
                Sendo um filme bastante melancólico, a sua banda-sonora consegue ser um grande ponto alto do filme. A constante noite (não esquecer que são vampiros) e o tom desolado da cidade de Detroid servem como uma representação do estado de espírito do protagonista. 
                Mas nem tudo corre bem, pois há uma sensação de arrasto durante todo o filme, e a segunda parte consegue ser mais animada mas ao mesmo tempo uma confusão. E se a parte final tivesse tido uma maior atenção saía-se do cinema mais satisfeito. 
                Um filme interessante sobre vampiros depressivos.