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15/07/2018

Ocean`s 8 (Ocean's Eight - 2018)

                Tudo bem, isto de criar versões femininas de filmes já lançados… Não é como eu acho que as coisas deveriam ser feitas mas entendo a situação. Ao menos, ao contrário do novo “Caça-Fantasmas”, temos um reconhecimento de que os filmes anteriores existiram e que este serve como uma sequela. Por outro lado, um elenco como este é justificação que chegue para merecer a ida ao cinema.
                A irmã de Danny Ocean, Debbie, reúne uma equipa só de mulheres para fazer um grande assalto na gala anual do MET.
                Todo o elenco está incrível, afinal estamos a falar de Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway entre outras, com prestações todas impecáveis. Até Rihanna, que não estava à espera que fizesse grande coisa, tem os seus momentos! Não quero dizer que estamos perante as futuras nomeadas para os próximos Óscares mas, dentro do género de filmes de assalto, até estão muito boas.
                Pondo isto de lado, há algo que não me atraiu muito no desenvolvimento dos acontecimentos. A maneira como o roubo é planeado não tem muita emoção por detrás. Não há aquela adrenalina de que as coisas podem correr mal a qualquer momento. Houve uma ou outra situação mais “problemática” mas nada que demonstrasse que, de facto, as coisas estivessem complicadas. E dizer que a protagonista teve cinco anos na cadeia a pensar em todos os cenários não serve de desculpa para tudo.
                No fim, estamos perante um filme perfeitamente competente, com boas prestações e que nos fazem passar um bom serão no cinema.


26/05/2016

Alice do Outro Lado do Espelho (Alice Through the Looking Glass - 2016)



                Foram precisos seis anos para que “Alice no País das Maravilhas” tivesse direito a uma sequela – que, na minha opinião, já era escusada. É verdade que o filme fez uma tonelada de dinheiro, daí ser de estranhar que este “Alice do Outro Lado do Espelho” tenha demorado tanto tempo a aparecer.
                Alice volta ao País das Maravilhas e vai andar a viajar no tempo, para assim conseguir salvar o Chapeleiro da sua depressão.
                É verdade que Tim Burton foi substituído por James Bobin como realizador, porém ninguém o diria, já que o mundo que foi criado por Burton se mantem com a mesma essência. Por um lado é bom pois mostra consistência com o que já foi estabelecido, só que mesmo sendo um mundo cheio de cores vivas e berrantes não é muito interessante.
                Além disso, incluir o Tempo (interpretado por Sacha Baron Cohen) como vilão não é uma grande jogada. Ele apenas não querer que mexam com a linha temporal, o que é compreensível, já que em todos os filmes onde isso acontece há asneiras no fim. Agora, chamar de novo a Rainha Vermelha já se entende mais, embora não tenha sofrido grandes alterações quantos aos seus objetivos, em relação ao primeiro filme.
                O arco narrativo também não sofreu grande evolução. Embora o filme seja de Alice, não há muito desenvolvimento da sua personagem: ela apenas tem uma súbita realização e mais nada! Aliás, as cenas passadas no mundo real conseguem ser mais interessantes do que as passadas no mundo da fantasia.
                Parece que este filme apenas existe porque o primeiro foi um sucesso de box-office e, por causa disso, o estúdio sentiu-se na obrigação de criar uma sequela.


05/11/2014

Interstellar (2014)



                Um filme de Christopher Nolan é praticamente um evento por si só o que, por um lado, torna os seus filmes muito antecipados mas, por outro, são alvo de uma análise bem mais crítica. É verdade, sou um grande fã do realizador mas claro que vou tentar ser o mais objetivo possível aqui. “Interstellar” é um bom filme. Chega mesmo a ser um filme muito bom mas não é perfeito.
                A humanidade está em risco de extinção devido a pragas e a tempestades de pó. Vai caber a um grupo de exploradores partir para o espaço em busca de um planeta que possa dar abrigo ao que resta dos seres humanos.
                Este é um filme que se tem de ver com a mente aberta, já que mistura algumas teorias físicas reais com outras que são puramente especulativas. Mas, com isso, consegue criar uma história envolvente que, embora seja previsível em algumas situações, não deixa de manter interesse durante as quase três horas de duração.
                As inspirações de Stanley Kubrick e do seu “2001 – A Space Odyssey” são óbvias, principalmente nos grandes planos espaciais e nos robôs (que são os responsáveis pelas partes mais cómicas de todo o filme). Os efeitos especiais são apenas uma das coisas que estão de uma qualidade impecável do início ao fim e, para ajudar a uma experiência realmente imersiva, temos uma banda-sonora de louvar por parte de Hans Zimmer, o que prova que a presença do 3D não é necessária para ter uma grande experiência.
                Para ajudar ao grande departamento técnico, temos interpretações de louvar. Matthew McConaughey volta a provar que é um ator com “A” grande, demonstrando todo um leque de emoções de forma extremamente convincente. Talvez material de Óscar? Muito provavelmente. Acho que para uma nomeação, é bem capaz de ser possível. Também Anne Hathaway e Jessica Chastain não ficam atrás, conseguindo apresentar do melhor que conseguem fazer. Claro que algumas personagens estão lá para encher mas, mesmo assim, não são más de todo.
                Nolan volta a trazer magia para o grande ecrã mas há que ter em consideração que é um filme que têm de ir de mente aberta para as várias teorias, tanto físicas como filosóficas.
                É um filme que, sem dúvida alguma, merece ser desfrutado numa sala de cinema.