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06/03/2016

Zootrópolis (Zootopia - 2016)



                A Disney lança, este início de ano, uma animação que não parece destacar-se muito mas que pode acabar por ser muito interessante. Em termos técnicos, os filmes costumam ser sempre irrepreensíveis - ao menos nisso, já temos um aspeto positivo. 
                Numa sociedade onde os humanos não existem e os animais é que moram em cidades, Judy Hopps torna-se a primeira coelha polícia da cidade e tem de se juntar à raposa matreira Nick Wilde para resolver o misterioso desaparecimento de predadores em Zootrópolis. 
                Como todos os filmes da Disney (e a grande generalidade das animações), “Zootrópolis” tenta transmitir uma mensagem. Desta vez, se trabalhares a fundo, podes alcançar o teu objetivo, por muito improvável que possa parecer. Não é o tema mais inovador mas também nos dias de hoje qual o é? Desde que a sua representação seja bem-feita, a familiaridade do tema não interessa. O melhor do filme é ver as particularidades de cada animal aplicada ao nosso mundo. 
                A dobragem está bem conseguida, pois não há assim nenhuma situação que não se entenda o que as personagens estão a dizer. Embora entenda a necessidade das dobragens, não me importava nada de ter visto a versão original. 
                Em termos técnicos, a Disney apresenta-nos um filme cheio de cores vivas e dinâmicas com vários tipos de cenário, dependendo do tipo de animal que lá vive. É pena que esta experiência não possa ser totalmente desfrutada em 3D, já que a imagem escurece um pouco e a dimensão extra não acrescenta nada ao filme. 
                Uma animação com ação, comédia e drama. A boa qualidade a que a Disney já nos habituou. É um filme que pode agradar tanto aos mais novos como aos mais velhos e que bem pode ingressar na lista de candidatos ao Óscar de melhor animação do ano que vem.


08/10/2015

The Walk – O Desafio (The Walk - 2015)



                Ver a história verídica do equilibrista Philippe Petit e o modo de como conseguiu esticar um cabo e fazer a travessia entre as duas torres do Word Trade Center parecia uma premissa interessante e onde se podia aproveitar bem os efeitos do 3D e do IMAX. E é claro que, com Robert Zemeckis (“Forrest Gump”, “Cast Away”) na cadeira de realizador, tínhamos tudo para que “The Walk - O Desafio” seja um filme interessante.
                Só que houve muitas coisas que não gostei no filme. A primeira foi logo no início do filme, quando descobri que o filme vai ser narrado durante muito tempo, tinha preferido que fosse mais do estilo voice-over e não a ter mesmo a sua presença. Também o sotaque francês de Joseph Gordon-Levitt incomodou-me durante a maior parte do filme, algo que não estava à espera que acontecesse.
                Até ao derradeiro momento, a história também se alonga um pouco. E, embora seja interessante saber a jornada, não cativa o espectador. É necessária para que o final consiga criar o mesmo efeito mas, mesmo assim, acho que podia ter sido tratado de outra maneira. 
                E, quando, finalmente, chega aquilo de que estávamos à espera, recebemos a recompensa de tão longo suspense. O 3D ajudou a criar a sensação de grande escala necessária para apreciar o feito e, provavelmente em IMAX, a imersão ainda é melhor. Só que quando apenas temos duas destas salas em todo o país, quer dizer que quase ninguém vai conseguir viver bem o filme, já para não falar do preço dos bilhetes, que não são muito convidativos. O que levanta outra questão: se apenas funciona quando se vê no cinema, quando for o lançamento em DVD e nos videoclubes as coisas não vão correr tão bem.
                Gordon-Levitt consegue fazer uma boa interpretação (tirando o já referido sotaque), ao apresentar a paixão e total obsessão de Philippe Petit, que faria de tudo para poder concretizar o seu sonho. É pena é que os restantes elementos do seu grupo não tinham tido direito ao mesmo desenvolvimento.
                Uma jornada que para ser verdadeiramente apreciada tem de ser vista em condições.


13/12/2013

O Hobbit - A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug - 2013)

                Fazer sequelas é sempre complicado. Ninguém o sabe melhor que Peter Jackson, já que é já a segunda vez que o tem de fazer dentro do mesmo universo. Mas, neste caso, a preocupação não é muita pois Jackson é rei e senhor no mundo de Tolkien e consegue sempre cumprir com as expectativas dos fãs.
                O filme começa logo quando o primeiro acaba, com o pequeno grupo a continuar a ser perseguido. Para fugir aos seus perseguidores, têm de entrar na Floresta Tenebrosa que está apinhada de aranhas gigantes e elfos, de passar pela Cidade do Lago, até chegar à Montanha Solitária.
                 As histórias “extra” continuam em grande. O enredo do Necromante continua a ser explorado pelos dois feiticeiros, Gandalf e Radagast, e meter o Legolas (Orlando Bloom) não foi algo tão forçado como estaria à espera. Claro, em relação ao livro, notam-se várias diferenças, principalmente na reta final, mas a história, na sua essência, é a mesma. Algo inevitável, mas que, mesmo assim, não gostei, foi o final - fica demasiado aberto para o terceiro filme. Parece que “A Desolação de Smaug” não tem um princípio, meio e fim, mas também Jackson pouco mais podia fazer.
                Aqui temos um Bilbo diferente, que já não tem medo da sua própria sombra, enfrenta os problemas com coragem e torna-se cada vez uma personagem mais relevante ( e também com maior influência do anel). Legolas também está diferente da trilogia do “Senhor dos Anéis”, com um carácter mais perigoso e impiedoso. Os anões demonstram mais emoções do que o habitual e tornam-se personagens mais interessantes. E que tal o dragão Smaug? Está incrível, é gigante, poderoso e uma máquina sedenta de sangue. Muito desta personagem deve-se à voz de Benedict Cumberbatch.
                É de referir a grande cena em que os barris vão rio a baixo.
                Os efeitos especiais são, como seria de esperar, de grande qualidade. Porém, não são perfeitos. Em algumas cenas, como na em que Gandalf usa os seus poderes e na batalha final, as coisas não correram tão bem. O 3D faz um bocado de confusão ao início, muito por culpa do digamos “excesso de resolução” do filme que, se juntarmos às duas horas e meia de duração do filme, pode-se tornar muito cansativo.
                Uma grande revisita à Terra Média. E, ansiosamente, por aqui se espera pela conclusão que sai daqui a um ano.