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17/11/2016

O Primeiro Encontro (Arrival - 2016)



                Como é possível ver em outras críticas pelo blog, não sou muito fã dos filmes de Denis Villeneuve. “Homem Duplicado”? Não, obrigado. “Raptadas”? Tem bons momentos de suspense mas nada de por aí além. “Sicário - Infiltrado”? Já foi melhor, só que não lhe canto todos os louvores que muita gente canta. Por isso, é de imaginar que esta aventura do realizador pela ficção científica não me diga nada de especial, no entanto o trailer deixou-me curioso e podia ser que este fosse o filme que me mudasse de opinião em relação ao realizador. 
                Quando 12 misteriosas naves pairam sobre diversos pontos do globo, a tradutora Loiuse e o cientista Ian são recrutados para entender o propósito desta aparição e conversar com os seres que vieram do espaço. 
                Desde já, atenção para não irem ao engano! É ficção-científica mas nada tem a ver com “Star Wars” ou o último “Dia da Independência” - aqui não há explosões nem nada desse género. Este é mais um filme pessoal, com suspense e desenvolvimento de personagens, embora com implicações à escala mundial. Por isso, nada contar com um filme de invasão alienígena com grandes cenas de ação. 
                Mesmo assim, “O Primeiro Encontro” é um filme com um visual incrível. As naves parecem muito orgânicas e algo que poderiam, de facto, existir no nosso mundo, tal como os seus habitantes e o modo de eles interagir connosco. Além disso, o som que acompanha toda a trama é muito envolvente. 
                Mas mesmo assim, o filme estava a ser uma grande seca! A parte mais intelectual de tentar comunicar com estes seres do outro mundo é interessante e cria boas doses de suspense mas passar depois grande parte do filme nisto não foi muito aliciante. Felizmente, o final, pelo menos, para mim, consegue compensar em muito essa falha porque tudo aquilo que estava a ser “construído” durante as quase duas horas de duração do filme conseguiu tornar-se numa boa surpresa. As coisas não são bem aquilo que aparentam ser e aos poucos vamos resolvendo o puzzle. 
                E o nosso interesse na história depende muito da nossa protagonista, aqui interpretada por Amy Adams, que se envolve cada vez mais no trabalho de tradução da língua desconhecida, chegando ao ponto em que se torna difícil separar a sua língua materna da forasteira. Jeremy Renner tem um bom desempenho, embora sirva mais como um elemento para a nossa protagonista interagir, com objetivos semelhantes, e que também está fascinado por estes visitantes de outro mundo. O coronel Weber de Forest Whitaker não está aqui para servir como vilão, ao contrário do que pode dar a entender; os objetivos da sua personagem são completamente legítimos, servindo para nos dar uma visão diferente (e talvez mais prática) daquilo que está a acontecer. 
                Ainda não foi desta que o realizador me convenceu completamente e com certeza que muita gente não vai achar piada nenhuma ao filme mas o início mais morno serve para criar um final com mais impacto.



07/10/2013

O Mordomo (The Butler - 2013)



                O motivo para tanto alarido em volta da última obra de Lee Daniels? Principalmente porque tem no elenco Oprah Winfrey (que nem é a protagonista) e pelo facto de o departamento musical ter ficado a cargo de Rodrigo Leão. 
                Cecil Gaines foi o mordomo da Casa Branca durante a presidência de oito presidentes. Tempo esse em que os direitos dos negros eram discutidos e quando despoletou a guerra do Vietnam. 
                Aviso desde já que fiquei um pouco desiludido com o filme. Basicamente pelo problema comum a todos os filmes biográficos, ao tentar cobrir uma grande quantidade de anos, o filme fica muito longo e o tratamento das personagens, mesmo do protagonista, é superficial. E “O Mordomo” não foge à regra. Embora a vida de Cecil Gaines seja condensada desde os anos 20 até à atualidade, parece que não sabemos muito da personagem. 
                Não que Forest Whitaker faça uma má prestação, muito pelo contrário, mas quando o comparamos com a prestação de Daniel Day-Lewis (“Lincoln”) ou com Meryl Streep (“A Dama de Ferro”) nota-se que não está ao mesmo nível. Já para não falar de Oprah que aqui faz aqui apenas um trabalho competente. Mas temos um elenco secundário enorme, com grandes nomes como Robin Williams, David Banner e Alan Rickman. 
                Em termos técnicos, ficamos também com uma entrega moderada. A transição entre as várias épocas está bem executada, com os momentos históricos mais importantes a ser ditos ou pela televisão ou pelos jornais. A banda-sonora do português Rodrigo Leão foi bem conseguida, e não estou a dizer isto por simpatia patriótica, porque em algumas situações o tom da música não combina bem com o tom da cena, mas em algumas situações está excelente. 
                Não me parece que vá ter muito sucesso nos Óscares, porque embora seja bom não cumpre com aquilo que promete.