09/10/2017

O Fundador (The Founder - 2017)

                Desde o primeiro trailer que este “O Fundador” parecia um filme interessante e com calibre para entrar na cerimónia dos Óscares. Afinal, estamos a falar de um filme quase biográfico (o nascimento e expansão da cadeia de restaurantes McDonald’s) e tem como protagonista Michael Keaton que, nos últimos anos, teve um regresso em grande.
                Ray Kroc é um vendedor não muito bem-sucedido mas, quando se depara com o restaurante dos irmãos McDonald e o seu método de servir hambúrgueres bons rapidamente, marca o início de um grande império.
                O grande problema deste filme é que, simplesmente, não consegue ser muito cativante. O ritmo é inconsistente e segue as batidas a que se está habituado a ver neste género de filmes. É uma história com potencial, bem pelo menos para mim, e embora se saiba muito sobre a história da companhia, o modo como a transmite não é empolgante nem nos deixa com vontade de saber mais. Ao menos, deu vontade de ir comer um hambúrguer no fim.
                Michael Keaton interpreta o protagonista Ray Kroc e, embora seja uma boa interpretação, a personagem não parece ter sido escrita da melhor forma. Não é alguém que nos dê muita vontade de torcer e, mesmo que seja a pessoa real tenha, de facto, sido assim, a escrita podia ter trazido mais empatia. John Carroll Lynch e Nick Offerman fazem as vezes dos irmãos McDonald e de forma competente. De resto, temos várias personagens que fazem bem o seu trabalho mas não se conseguem destacar.
                É claro o porquê do filme não ter tido nenhuma atenção na altura de entregar os prémios mas, mesmo assim, “O Fundador” é apto que chegue para quem quiser saber a história da cadeia de fast-food mais conhecida do mundo.


02/10/2017

Era uma vez em Los Angeles (Once Upon a Time in Venice-2017)



            Aparentemente, Bruce Willis deve estar a tentar entrar em algum tipo de recorde de entrada em filmes. Na altura que estou a escrever este texto, temos dois filmes com o senhor nas salas de cinema e, por incrível que pareça (ou então não), nenhum deles é particularmente bom.
            Steve, o único detetive privado de Venice, vai atrás de um gang que lhe roubou o cão. Enquanto isso, tem de fugir de dois irmãos samoanos, por se ter envolvido com a irmã deles, e descobrir quem anda a pintar grafits obscenos num prédio de um cliente.
            Este filme é uma salgalhada pegada e sem nada a que agarrar. Com tantos enredos envolvidos ao mesmo tempo, nenhum é desenvolvido o suficiente para chegar a ser interessante. E, num filme que pouco passa dos 90 minutos, eu pensava que já tinha passado mais de duas horas!
            Bruce Willis faz praticamente a mesma personagem que faz em quase todos os seus filmes mais recentes e possui uma incrível “habilidade”: apesar da boa quantidade de socos, a cara está sempre igual, sem arranhões. Para mim, a maior surpresa foi Jason Momoa que interpreta, provavelmente, um dos traficantes de droga mais simpático e compreensivo que já vi num filme. John Goodman, por muito que goste do ator, aqui está completamente deslocado - a sua personagem podia ser apagada que o filme continuava a ser o mesmo.
            “Era uma vez em Los Angeles” não é propriamente um filme que possa aconselhar a ver mas, se gostam dos últimos filmes de Willis, são capazes de gostar deste.

28/09/2017

Kingsman - O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle - 2017)



            O primeiro “Kingsman - Serviços Secretos” foi uma das maiores surpresas de 2014, em que a adaptação de Matthew Vaughn nos mostrava uma grande energia, cores vivas, personagens desenvolvidas e incríveis cenas de ação. Por isso, com o regresso do realizador para a sequela, será que esta “paródia” dos filmes de espiões vai voltar a brilhar? 
            Com o seu quartel-general reduzido a escombros e a maioria dos seus membros mortos, os restantes elementos da Kingsman têm de recorrer aos seus primos do outro lado do Atlântico, os Statesman, para, assim, as duas agências conseguirem salvar os milhões de reféns que o Círculo Dourado fez por todo o mundo. 
            No primeiro filme, há uma boa mistura entre a ação extraordinária e os momentos de desenvolvimento de personagens. Só que isso não acontece tanto aqui. Sim, temos bons momentos de desenvolvimento dos protagonistas, só que são em menor quantidade. Já a escala das cenas de ação mantêm-se sempre em alta, o que para as quase duas horas e meia de duração é um pouco de mais. 
            E o marketing também foi um pouco enganador. Mostraram muito Jeff Bridges e Channing Tatum quando, na verdade, mal estão no filme. Aliás, são os Statesman que saíram “prejudicados” nesta sequela, que têm bons momentos de ação, mas as personagens não são devidamente desenvolvidas. E então a cena final de Halle Berry parece que caiu lá vinda do nada. 
            Mas o filme não se chama Statesman, e é nos Kingsman que está o grande protagonismo. Taron Egerton volta a vestir a pele do protagonista Eggsy, e está de novo em grande, sendo agora um agente mais experiente que já consegue fazer todas as incríveis cenas de ação necessárias. Não é só de ação que se vale, já que personifica bem as suas relações com as outras personagens, desde a sua namorada Tilde (a princesa sueca que aparece no primeiro filme) até Merlin e Harry, com alguns bons momentos fortes. O reaparecimento de Colin Firth e a sua justificação é que não é muito convincente, o que o salva é que é uma boa personagem. 
            Julianne Moore, como a vilã Poppy, é que parece que está noutro filme. É verdade que tudo nesta saga é em grande mas a atriz parece que está num filme de Austin Powers, demasiado excêntrica para conseguir ser levada muito a sério. 
            “Kingsman - O Círculo Dourado” não é um filme tão coeso como o primeiro mas, mesmo assim, continua a ser um grande filme de ação que merece uma ida ao cinema.