26/10/2020

Hubie Halloween (2020)

          Adam Sandler prometeu que, se não fosse premiado pelo seu desempenho em “Diamante Bruto”, o seu próximo filme na Netflix ia ser o pior que já tinha feito. E isto é uma ameaça que é preciso ter em conta, porque para ver “The Ridiculous 6” e “Mistério a Bordo” ufa! Por isso será que vamos ter mesmo um Halloween aterrador?!
           Hubie Dubois é alvo de chacota na sua cidade de Salem, embora seja o cidadão vai dedicado à cidade e principalmente ao Halloween. Mas, este ano, Hubie pode ser a salvação da celebração.
           Vou ser totalmente sincero: muitos outros dos filmes anteriores que Sandler lançou no serviço de streaming são bem piores. Cheguei mesmo a gostar de alguns momentos deste. Só que atenção! É uma comédia totalmente parva, baseada grandemente em humor físico, algo parecido ao estilo de “Miúdos e Graúdos”. A história não é nada de especial, mas tem um twist engraçado, que faz homenagem a um clássico do horror.
           Mas o raio do filme tem o seu charme! Ou então apanhou-me num dia em que estava muito bem-disposto. O tique de fala da personagem de Sandler era um pouco escusado mas ok. De resto, podemos contar com muitas participações habituais, como Kevin James, Steve Buscemi e Rob Schneider.
           “Hubie Halloween” está longe de ser o pior filme que se pode escolher para ver este Halloween.

22/10/2020

Os 7 de Chicago (The Trial of the Chicago 7 - 2020)

      
          Quando temos um novo filme com o argumento mais fresquinho de Aaron Sorkin é sensato estar de atento à sua data de lançamento. E é na Netflix que o argumentista volta pela segunda vez à cadeira de realizador, depois de “Jogo da Alta-Roda”, com um elenco de enorme qualidade e um tema interessante e pertinente.
          O filme retrata o julgamento de 7 pessoas acusadas de causar os protestos violentos entre protestantes e a polícia, durante o Congresso Nacional Democrático de 1968, em Chicago.
          Vou dizer aqui aquilo que pensei quando vi “Jogo da Alta-Roda”, pois volta a aplicar-se aqui: Sorkin é um melhor argumentista do que realizador. Embora, verdade seja dita, melhorou um bom bocado. A estrutura do filme não é linear, não temos os protestos seguidos do julgamento, mas sim os dois acontecimentos a ocorrerem ao mesmo tempo. E, em alguém menos capaz, tal podia criar uma grande confusão mas, felizmente, Sorkin consegue manobrar a ação de forma bastante competente e nunca nos deixa perdidos no que se passa.
           O elenco também é impecável. Principalmente Sacha Baron Cohen pois, se de Eddie Redmayne e Joseph Gordon-Levitt já sabemos que podemos contar com bons desempenhos, o ator mais conhecido por “Borat” é um dos que mais se destaca. Mas quem rouba a cena é Mark Rylance que, inicialmente, transmite a ideia de ser uma personagem bastante contida mas que depois consegue roubar sempre a cena. E um ponto a favor a Frank Langella, que consegue fazer de um juiz verdadeiramente detestável. 
          O maior problema para mim foi que, embora seja um tema interessante, e mesmo pertinente para os dias de hoje, não me conseguiu prender a atenção durante todo o tempo. Porque, ao fim ao cabo, é um filme que já sabemos mais ao menos com que contar, sem praticamente grandes surpresas.  
“Os 7 de Chicago” é uma grande mais-valia para o catálogo da Netflix e que certamente terá algumas nomeações na cerimónia dos Óscares (se é que ainda vai acontecer…). 


19/10/2020

Ava (2020)

          É verdade que ultimamente não temos tido grandes motivos para voltar às salas do grande ecrã e, sinceramente, não é este tipo de filme que vai chamar muita gente.
          Tudo em “Ava” tem o ar de filme de ação mais genérico possível, que retrata uma assassina solitária, que se vê obrigada a fugir da mesma organização criminosa que a contratou. Também já não basta ter gente conhecida, como Jessica Chastain, John Malkovich e Colin Farrell, embora, verdade seja dita, talento num elenco nunca fez mal a ninguém.
          O argumento é bastante previsível, não sendo difícil saber para onde a história nos conduz. Geralmente, neste tipo de filme, as cenas de ação tentam ser o foco principal, com alguns filmes recentes a elevar cada vez mais a fasquia. Mas tal não acontece aqui. As cenas não são nada de especial e estão sobre-editadas.
          O que é pior é a incrível dose de melodrama entre estas cenas. Parece uma telenovela com ação lá metida para o meio. Não que a história de dependência da protagonista não seja algo importante de representar no cinema, apenas penso só que não é apresentada do modo mais cativante. E nem culpo as interpretações por isso, pois o trio principal está faz um bom trabalho; já o discurso, é outra história.


12/10/2020

Lixo (Filth - 2014)

          O grande motivador para ver “Lixo”é o seu protagonista, interpretado por James McAvoy, e se for aquilo que o trailer prometeu é sem dúvida um filme muito interessante.
          Bruce Robertson é um polícia bipolar, alcoólico e drogado que já fez de tudo para resolver os seus casos. Quando está em causa uma promoção, Bruce vai fazer de tudo para a conseguir, incluindo manipular os seus colegas. Isto tudo enquanto tem alucinações e uma ténia a viver na sua cabeça.
          Esta é, sem dúvida, uma grande personagem. No início, é alguém com quem até conseguimos “simpatizar” com Bruce mas, ao longo do filme, esse sentimento vai mudando. À medida que vamos conhecendo melhor a personagem, a sua irreverência passa a cansar e para o fim fica apenas um sentimento de pena. E é mesmo esse o objetivo pois, ao longo da autodestruição pela qual Bruce passa, até chegar ao estado de mal conseguir funcionar normalmente, ele descobre que chegou ao fundo do poço. E ninguém como James McAvoy para conseguir interpretar esta personagem, naquela que é uma das suas melhores interpretações.
          O elenco secundário também faz um bom trabalho, principalmente Eddie Marsan. Em termos de realização, Jon S. Baird consegue fazer um bom trabalho em nos apresentar este mundo. Tenham é atenção a umas coisinhas, se não gostam de ver pessoas a drogar-se e saltarem umas para acima das outras, não vão gostar de “Lixo”. Mas, o que interessa mais no filme, é simples: quem é Bruce Robertson?
          Um bom filme que vale a pena ver.