17/01/2022

Resident Evil - Raccoon City (Resident Evil: Welcome to Raccoon City - 2021)

          Queria mesmo muito que este filme fosse espetacular. Não o melhor filme do ano (não estou ainda assim tão mal da cabeça), mas ao menos algo com cabeça, tronco e membros, que me deixasse entusiasmado e que fosse uma boa adaptação dos jogos. Os filmes de Paul W.S. Anderson sempre foram um guilty pleasure mas a única semelhança com os jogos é mesmo só o nome. Por isso, quando vi que íamos ter uma adaptação mais fiel, mesmo que com um orçamento mais reduzido, fiquei entusiasmado.
          Em 1998, os habitantes de Raccoon City começam a sofrer transformações e a mansão Spencer pode ter as respostas para o que se está a passar.
          Mas o que raio é que aconteceu aqui?! O filme parece que também saiu diretamente dos anos 90 e não no bom sentido. Os diálogos são incrivelmente fracos e anedóticos e as personagens são completas caricaturas sem qualquer interesse. Os atores deixam um pouco a desejar, com a exceção de Kaya Scodelario, que se consegue destacar em relação aos outros. E meter Neal McDonough é praticamente saber logo quem é o vilão, e como vai ser interpretado.
          Um ponto positivo do filme é que a criação de um ambiente de terror, tanto da cidade, como da mansão que, porém, depois parece que não são bem explorados. E os zombies até nem estão mal caracterizados, tendo em conta o modesto orçamento de 25 milhões de dólares. Só que depois, quando passamos a monstros mais complicados, a coisa não corre tão bem, e nestas alturas nota-se bem que os efeitos não estão muito bem acabados.
          Além disto, o filme tenta fazer demasiadas coisas: tenta adaptar o primeiro e segundo jogo ao mesmo tempo, com umas pitadas do terceiro. E, no final, acaba por não fazer favor a nenhum deles.
          Terá sequela? Duvido muito, tendo em conta tanto as críticas como as receitas. Vamos deixar esta saga descansar durante uns 10 anos e depois tentamos outra vez, pode ser?

10/01/2022

Não Olhem Para Cima (Don't Look Up - 2021)


          Os filmes de Adam McKay não são muito consensuais para mim. Tanto podem ser incríveis como “Filhos e Enteados”, como depois temos “Vice”, que não me conseguiu encher as medidas. Pelos trailers, “Não Olhem Para Cima” parece ser interessante e conta com um elenco recheado de caras conhecidas. Além disso, junta-se a vantagem da facilidade em o ver em tempos de pandemia, já que se trata de um filme Netflix.
          Aqui temos a história de dois astrónomos que descobriram que um cometa irá entrar em colisão com Terra dentro de seis meses e provocar a sua destruição, e que tentam informar a humanidade disso.
          Como não podia deixar de ser, o filme é uma sátira a uma data de coisas. Desde a política, às notícias e às constantes discussões que surgem quando temos os factos mesmo à nossa frente, passando também pelas grandes empresas tecnológicas. E, mesmo que o filme já tenha sido planeado antes do início da pandemia, é óbvio que dá para fazer paralelos entre o cometa do filme e a realidade pandémica, já que as reações apresentadas são as mesmas que temos visto nestes dois anos desde que isto começou.
          O mais interessante foi mesmo a paródia política, onde vemos que os problemas, mesmo que incrivelmente urgentes e importantes, são deixados para resolver para quando for mais conveniente para a agenda política. E que, mal a situação já não lhes seja favorável, depressa mudam o discurso, mesmo que seja totalmente o oposto do que disseram anteriormente.
          O modo como a discussão nas notícias é feita também foi interessante, sendo que faz uma caricatura tanto dos liberais, como dos republicanos, e onde os dois protagonistas caem no meio desta confusão sem saberem como lidar com esta loucura; onde apenas querem transmitir a ideia daquilo que está a vir, mas onde todos querem mudar o discurso para algo que lhes sirva os interesses.
          Os grandes destaques são Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, que protagonizam os cientistas que descobriram o meteorito e que sofreram mais alterações ao longo do filme, à medida que eram cada vez mais usados, tanto na política, como nas notícias. Meryl Streep e Jonah Hill também são um ponto alto, e dos que tiram mais risadas ao longo do filme.
          “Não Olhem Para Cima” pode não ser incrível mas é uma boa comédia para entrar no catálogo no serviço de streaming.