19/01/2018

Um Desastre de Artista (The Disaster Artist - 2018)



            Nesta corrida aos Óscares, “Um Desastre de Artista” parece já ter ganho a sua quota parte de prémios. E, sinceramente, não estou bem a ver o porquê. Ver como um dos piores filmes já feitos (“The Room”) teve a sua origem pode parece interessante - nem que seja para ver a personagem de Tommy Wiseau - mas, a mim, não me convenceu.
            O aspirante a ator Greg Sestero conhece Tommy Wiseau numa aula de representação, originando uma amizade que os vai levar para Hollywood na busca dos seus sonhos.
Se calhar tinha de ver “The Room” para conseguir apreciar melhor este filme, mas o tempo já está curto para filmes bons, por isso ver um que é universalmente considerado como o pior não está na minha lista de prioridades. E acredito que muitos vão estar no mesmo barco quando forem ver “Um desastre de Artista”... Agora, se vai conseguir criar uma ligação com o público, isso já não sei.   
Se tirarmos isso, nada aqui é por aí além. Está bem executado e interessante mas não é algo que mereça todo este alarido. James Franco faz um grande papel, consegue transmitir o quão caricato e estranho é a pessoa de Tommy Wiseau mas sem nunca atingir o insulto. Quem é Wiseau? De onde veio? Que idade tem? De onde vem o seu dinheiro? Não ficamos a saber as respostas mas mesmo assim é interessante especular. O seu irmão Dave Franco faz de Greg Sestero e é quem nós seguimos durante quase todo o tempo. Este deve ser o melhor papel onde vi o ator.
E sendo que, aqui, o principal objetivo seja a comédia, ela não é assim muita. Existem alguns bons momentos mas penso que não foram nem em quantidade nem em qualidade suficientes. Mas, como tema recorrente neste texto, é possível que quem tenha visto “The Room” possa tirar mais proveito a esta experiência. Aliás, para mim, um dos grandes momentos é no fim quando mostra lado a lado as cenas originais com as recreadas.
James Franco faz um bom trabalho como o realizador e protagonista mas “Um Desastre de artista” não passa de um filme razoável.


13/01/2018

A Hora Mais Negra (Darkest Hour - 2018)



            Pronto, podem dar o Óscar de melhor ator a Gary Oldman… Fim, próximo filme! Vá, vamos falar um pouquinho mais sobre o filme, que conta com a realização a cargo de Joe Wright (“Orgulho e Preconceito” e “Anna Karenina”), Gary Oldman como protagonista,  acompanhado por Kristin Scott Thomas, Lily James, Ben Mendelsohn, entre outros. Atenção que se esperam por um filme sobre toda a vida de Churchill vão ficar desapontados, já que aqui é retratado apenas pouco mais de um mês da sua vida.
            Nas etapas iniciais da Segunda Guerra Mundial, o destino da Europa Ocidental está nas mãos do recém-nomeado primeiro-ministro Winston Churchill. Este depara-se com uma grande dúvida: entrar em conversações de paz com Hitler ou fazer a guerra mesmo com hipóteses muito reduzidas.
            Por esta altura já Oldman ganhou o Globo de Ouro pela sua interpretação e nisso estou completamente de acordo. Verdade seja dita, ainda não estrearam os grandes nomes que se falam para esta temporada de prémios mas aquilo que o ator conseguiu fazer em “A Hora Mais Negra” é de grande valor. Temos um Churchill com uma grande determinação e sempre com uma resposta na ponta na língua que, mesmo assim, demonstra ser humano com falhas, dúvidas e um grande sentido de humor. Lily James, como a sua secretária, serve como a sua ligação ao povo e quase uma consciência externa.
            Uma coisa que Joe Wright conseguiu fazer foi criar um filme com um ritmo incrível. Estamos sempre com o coração nas mãos, tal são os momentos de intensidade, constantes durante as duas horas de duração do filme. Mas não se torna cansativo, já que temos uns momentos mais leves para desanuviar, antes de sermos levados de volta para as indecisões do futuro da Europa.
            Até agora, eu estava na campanha de que deveria ser Hugh Jackman (“Logan”) a ganhar o Óscar mas agora entrou mais um gladiador para a arena e vou estar até à entrega dos prémios sem saber qual é o meu favorito.
            “A Hora Mais Negra” é um grande filme para este início de ano.