22/09/2017

It (2017)



                Este tem sido, sem sombra de dúvida, um dos filmes de terror mais aguardados dos últimos tempos. E também por bons motivos, cada novo trailer parecia antever um grande serão passado na sala de cinema. Quanto à minha “preparação de pré-filme”, li o livro de Stephen King que o filme está a adaptar mas a mini-série dos anos 90 passou-me ao lado, por isso, em termos de comparação, vou só referir a obra literária.
                Um grupo de amigos, que estão sempre a ser atormentados por bullies, vão ter de se juntar para derrotar um demónio que muda de forma.
                Se, à primeira vista, estamos perante um filme de terror, tal não é a essência de “It – A Coisa”. Este pondera mais sobre a união e crescimento dos elementos do grupo, com alguns elementos de terror à mistura. E nisso o filme é muito bem-sucedido. Todos os elementos do grupo dos “falhados” estão bem representados e com personalidades bastante diferentes mas sempre a par com a obra de origem: desde o brincalhão Richie, ao mais assustado Stanley, até ao corajoso Bill.
                Mas claro que o que se quer ver é Pennywise, o Palhaço Dançarino. E, numa altura em que se usa cada vez mais efeitos digitais para este tipo de personagem, foi bom ver uma “simples” caraterização, onde apenas a presença da personagem é terrorífica que chegue. Muito disso deve-se a grande prestação de Bill Skarsgård e aquele sorriso que consegue fazer, que funciona tanto para aliciar as suas vítimas, como para, logo de seguida, as devorar! As várias formas que a Coisa utiliza para atormentar as suas presas também estão bem interessantes e fiéis ao livro de King (pelo menos, a grande maioria delas). Não só de susto se vale o filme, também toda a atmosfera tensa serve para criar um grande cenário.
                Ver o grupo de jovens que já é atormentado por outras crianças a ter de se unir para defrontar este mal maligno que assombra a cidade de Derry é o grande forte do filme, que não é só um grande filme de terror, como um dos grandes filmes deste ano.


12/09/2017

O Muro (The Wall - 2017)



Da mente do realizador Doug Liman, que nos trouxe filmes como “Mr. e Mrs. Smith” e “No Limite do Amanhã”, temos “O Muro”, um intenso triller psicológico passado nos finais da guerra do Iraque.
            Dois soldados americanos são encurralados por um sniper letal, com apenas um muro instável para os proteger.
Quando primeiro vi que metia John Cena do elenco, pensei logo: “vamos ter mais um filme de ação com muitas explosões e tiros e sem interesse nenhum…”. Mas depois aparece Aaron Taylor-Johnson, que nos mostra o que realmente se passa, que é um thriller interessante.
O modo como Isaac conversa com o seu possível carrasco consegue criar momentos de alguma tensão, onde, em qualquer altura, o tiro fatal pode acontecer e o filme acaba. Mas isto não pode ser um tratamento rápido, a esvair em sangue lentamente, sem meios de atingir o seu “captor” ou de pedir ajuda. O nosso protagonista vai rastejando de um lado para o outro do muro, na esperança de ter uma brilhante ideia de como se safar. Esta é uma premissa que, se se estendesse durante muito tempo, podia enterrar o filme mas, felizmente, a hora e meia de duração é exatamente o que se precisa para criar a sensação de tensão necessária. E mesmo o final é de louvar, não é inovador mas, mesmo assim, consegue ser empolgante.
“O Muro” não vai revolucionar o vosso verão mas cumpre bem aquilo que apresenta no trailer.


02/09/2017

Atomic Blonde - Agente Especial (Atomic Blonde - 2017)



            Charlize Theron junta-se a um dos realizadores do filme “John Wick” para nos trazer um filme cheio de ação passado durante os finais da Guerra Fria. Theron está-se a afirmar cada vez mais em filmes de ação e este pode ser um passo importante para isso mesmo.
            Uma agente secreta do MI6 é enviada para Berlim, para investigar o homicídio de um colega e, ao mesmo tempo, recuperar uma lista que contêm o nome de todos os agentes duplos.
            Aquilo que salta logo à vista é que este tenta ser um “John Wick” mas no feminino, com algumas diferenças, não muitas, que podem relegar “Atomic Blonde” como a escolha mais fraca. Claro que gostos são gostos mas, para mim, os pontos inferiores são em maior quantidade que os pontos superiores e já vou explicitá-los.
            O mundo aqui criado não é tão envolvente nem misterioso, talvez por se tratar “apenas” do MI6 e não de uma organização clandestina de assassinos mundial, e também pelo cenário ser algo conhecido. As cenas de ação não causam tanto impacto - na sua maior parte são confrontos corpo-a-corpo que, embora muito bem executados, não me fizeram despertar tanta atenção. Mesmo a história, em algumas situações, chega a ser algo confusa e é preciso estar sempre atento neste mundo de espiões e mentiras. Uma coisa a favor é a banda-sonora, com uma forte presença de músicas dos anos 80, que caiem muito bem no ambiente e estilo do filme. Também Charlize Theron consegue uma melhor interpretação que Keanu Reaves.
            Não quero com isto dizer que estamos perante um mau filme, porque não é isso que acontece. Tem grandes cenas de ação, uma protagonista forte e uma grande interpretação de James McAvoy. O problema é mesmo a história mas “Atomic Blonde - Agente Especial” não nos demotiva de todo a voltar a ver Theron em grandes filmes de ação.