25/07/2017

Foge (Get Out - 2017)



            A passagem de Jordan Peele (uma das mentes por detrás dos sketches cómicos de “Key and Peele”) para a cadeira de realizador era esperada com alguma expetativa. Mas ser logo um filme de terror como entrada, para alguém que vem da comédia, é algo que não estava à espera! É que nem é algo do género de “Zombieland” ou “Shawn of the Dead”, é terror terror. Por isso vamos ver como corre a coisa.
            Quando chega a altura de um jovem afro-americano conhecer os pais da sua namorada branca durante um fim-de-semana, as coisas não vão correr da melhor maneira.
            O sucesso que este filme tem atingido no outro lado do Atlântico é inegável, sendo considerado por muitos como o filme de terror do ano. E, embora para mim, não seja o caso, “Foge” não deixa de ser um grande filme de terror.
Uma das grandes qualidades do filme é que nós vai dando pistas subtis sobre o que se vai passar no final. Só que isso funciona melhor numa segunda visualização, onde já sabemos o que vai acontecer e conseguimos apreciar o modo de como Jordan Peele encaminhou toda a história, criando um ambiente verdadeiramente creepy. Só que isto só funciona se os atores nos conseguirem também criar toda a envolvência. E, felizmente, é isso que acontece aqui. Danel Kaluuaiy faz bem o seu papel, no início hesitante com o que esperar dos seus possíveis sogros e, depois, à medida que se vai sentindo mais confortável no ambiente, tudo lhe cai em cima. Catherine Keener e Bradley Whitford também dão uma classe extra e precisa ao elenco.
“Foge” é um grande filme de terror, o que me deixa mais ansioso pelo próximo projeto de Jordan Peele.


17/07/2017

Planeta dos Macacos - A Guerra (War for the Planet of the Apes - 2017/



            Este é um daqueles franchises que tem passado despercebido mas que, a cada novo lançamento, toda a gente fica entusiasmada, tanto pela incrível qualidade que tem demonstrado, tanto a nível de história, como pelos incríveis efeitos especiais. Será que esta trilogia vai conseguir fechar com chave de ouro?
            Caeser quer viver em paz com a sua população na floresta mas os humanos não os deixam em paz. Tal leva o nosso protagonista a tentar combater os seus instintos de vingança.
            Esta trilogia serviu como um verdadeiro desenvolvimento para Caeser. Logo no início do filme, temos um acontecimento que marca profundamente o protagonista e que o leva por um caminho que, até agora, era proibido. O seu comportamento com os humanos muda em relação a filmes anteriores e isso nota-se desde aquilo que diz até às suas expressões. E, para isso, temos de valorizar o trabalho de Andy Serkis e dos efeitos especiais da … . Houve uma sucessiva subida de qualidade em todos os aspetos, tanto na interpretação como no modo incrível como os macacos são apresentados. O facto de ter o protagonista a enfrentar novos desafios é sempre positivo.
            Como já é habitual nesta saga, os humanos aqui são umas bestas – aliás, só assim é que ficamos a torcer pelos símios super-inteligentes. Porém os “vilões” têm sempre motivos que facilmente podemos simpatizar (afinal de contas,  a humanidade está a ser dizimada por um vírus e tem macacos que conseguem andar a cavalo e usar metralhadora, por isso, é um pouco compreensível). O coronel interpretado por Woody Harrelson consegue andar muito bem nesta linha de crueldade e compreensão.
            É neste terceiro filme que as ligações com os filmes originais dos anos 60 são mais evidentes, e mais é melhor não dizer para evitar spoilers. Cada vez é mais fincada a troca de papéis entre as duas espécies destacadas, com os fascinantes símios a adquirirem cada vez mais caraterísticas humanas, enquanto nós nos tornamos cada vez mais animalescos.
            Mesmo com guerra no título, de guerra o filme não tem muito. Tem várias cenas de ação mas, em termos de grandeza, estão dentro do que já se viu durante esta saga. Tirando, claro, a cena do terceiro ato, que era totalmente escusada e que não acrescenta nada de interessante ao filme. É nas cenas com grande tensão e de desenvolvimento de personagens que estamos perante o grande trunfo da série.
            Num verão cheio de blockbusters, este é um dos poucos que consegue ter o maior coração.


13/07/2017

Gru - O Maldisposto 3 (Despicable Me 3 - 2017)



            Parece que saiu mais um filme com os bichinhos amarelos que chegam ao Facebook de toda a gente. Ah, afinal parece que é a segunda sequela de Gru, o que é bom sinal, pois já que assim temos mais história, e uma dose mais reduzida de Minions. Tendo ficado com uma sensação mista ao ver os trailers, nada como ver o filme para tirar as teimas.
            Aqui Gru conhece o seu, até agora desaparecido, irmão gémeo Dru, que é muito mais bem-sucedido e carismático que o nosso protagonista. Só que Dru quer entrar no mundo do crime e para isso quer a ajuda do seu irmão.
            Logo uma entrada a pés juntos: o filme não tem piada. Pronto, não tem piada durante a maior parte da sua duração, é verdade que tem algumas cenas melhores, mas mesmo assim não são nada que provoque grandes risadas. A animação também não parece ter alterado muito em relação aos anteriores (a maneira como foram desenhados também não ajuda a muitos melhoramentos). A divisão da história em três diferentes também não ajudou nada, nenhuma delas é propriamente empolgante e falta-lhe carne no osso.
            Atenção, não que os mais pequenos não tirem proveito desta animação da Illumination. Mas, se tivermos em comparação os filmes da Pixar ou mesmo os anteriores desta saga, este não tem tanta envolvência emocional. Havia material para aproveitar, como a relação entre os dois irmãos, o facto de nenhum dos pais gostar deles, o facto de Lucy se quer afirmar mais como mãe, só que é tudo muito superficial. Ao menos, os Minions estão na dose certa e conseguem ter alguma piada, é assim que eles devem ser utilizados, e não como o foco principal.
            “Gru - O Maldisposto 3” foi uma surpresa desagradável e uma das decepções deste ano.