05/09/2019

Aladdin (2019)


            Mais uma adaptação para imagem real de um dos clássicos de animação da Disney, desta vez, uma nova visão da Arábia de Aladdin, só que neste caso há um “problema”. Na versão original, o génio era interpretado pelo já falecido Robbie Williams que transmitiu muita da sua personalidade para o papel. Por isso, seja qual for o escolhido para fazer o papel, será sempre comparado ao ator, e nesse caso a escolha de Will Smith para o papel até foi boa, já que também é um ator bastante carismático e cómico.
            Houve várias alterações nesta versão, sendo uma delas tornar Jasmin numa personagem mais participativa e com um maior desenvolvimento. Teve direito a uma adição na banda sonora (que, na minha opinião, não é grande coisa, embora a mensagem seja boa), com Naomi Scott a fazer aqui um bom desempenho. As interpretações tiveram os seus altos e baixos. Mena Massoud faz um Aladdin, tem personalidade e faz-nos torcer por ele e Marwan Kenzari não consegue ser um Jafar minimamente ameaçador, parecendo mais alguém que está no meio de uma birra. Mas, surpreendentemente, Will Smith consegue salvar tudo, já que sempre que o ator está presente consegue elevar a cena, tem desejos diferentes que na animação, mas nada que seja descabido. E mesmo não fazendo uma cópia da interpretação de Williams, faz umas homenagens ao falecido ator.
            Uma coisa que não me agradou foi a cidade de Agrabah. Parece demasiado estéril e sem personalidade, não parece que alguém, de facto, viva lá. E não é por falta de cor. Parece-se demasiado com um cenário de filme e não com uma localização real, tornando desinteressante todas as cenas que se lá passavam. Noutra perspetiva, nem temos noção que este é um filme realizado por Guy Ritchie, já que nenhum das suas caraterísticas de realização se fazem transparecer aqui.
            A recriação dos momentos musicais estão bem conseguidos e têm umas pitadas de Bollywood pelo meio, que tornam as coisas bem interessantes. Mas, sinceramente, esta não foi das melhores adaptações da história.
            “Aladdin” não “estraga” a experiência de quem viu o primeiro mas não traz nada de novo e em várias situações é uma cópia barata e desinteressante.

30/08/2019

Ready or Not - O Ritual (Ready or Not - 2019)

O trailer de “Ready or Not - O Ritual” apresentou uma premissa interessante para um filme de terror, com muitas mortes hilariantes e um tempo bem passado.
Na sua noite de núpcias, o mais recente membro de uma rica e excêntrica família tem que sobreviver a um jogo letal, onde todos os outros elementos andam atrás dela.
Antes de mais, não estamos perante um filme 100% de terror mas sim um com vários tons cómicos. Só vendo nessa perspetiva é que deu para apreciar o filme na sua totalidade. Há várias situações que dão para tirar umas boas risadas, é algo que não estava à espera.
            Não que com isso o terror tenha sido deixado para segundo plano pois, quando a busca sangrenta começa, fá-lo com toda a brutalidade. E aí temos umas mortes bastante brutais: então, nas cenas finais, foi incrível!
            O elenco também não me desapontou. A protagonista, interpretada por Samara Weaving, fez um grande papel, e conseguiu transmitir bem a sensação de alguém que foi apanhada totalmente desprevenida por toda a situação, e que lhe deu a volta. Claro que não foge às convenções do género, em que tudo acontece à pobre mulher mas, mesmo assim, consegue sempre fazer frente.
             “Ready or Not - O Ritual” não foge aquilo a que estamos habituados no género mas consegue ser um bom filme de terror, com traços de comédia, e ainda criar uma mitologia interessante.

25/08/2019

Era uma Vez em... Hollywood (Once Upon a Time... in Hollywood - 2019)

  Sou um grande fã de Quentin Tarantino. Para mim, todos os seus filmes são pérolas a serem devidamente apreciadas, por isso “Era uma Vez em… Hollywood” estava nos meus mais antecipados do ano, principalmente quando o trio de protagonistas principal é constituído por Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Margot Robbie. 
Estamos na Los Angeles de 1969, e a fama do ator televisivo Rick Dalton está a desvanecer, por isso ele e o seu duplo Cliff Booth vão tentar a sua sorte em filmes.
Os filmes de Tarantino costumam ser longos mas geralmente por bons motivos. Mas raios, aqui é bem longo e não precisava de o ser. Sabemos que o realizador é um apaixonado pela época clássica de Hollywood e, por causa disso, quis mostrar todos os cenários que foram recriados, com longos takes de Cliff a andar de carro que, no fim, não acrescentam nada à história. 
Outro contra (que também pode ser incorporado no da duração) é toda a história referente a Sharon Tate, que tanta polémica deu quando foi anunciado. Toda essa vertente podia ter sido removida, e assim sido feito algo melhor nos cinco minutos da parte final. Mas pronto, temos Margot Robbie por isso temos que a mostrar (nesse sentido, nada contra). Porém é preciso ter feito algum “trabalho de casa” para entender todas as referências do filme, pois muita gente pode não saber sobre o assassinato de Tate e todas as circunstâncias e, nesse caso, algumas coisas vão passar ao lado.
Se tirarmos os pontos referidos, estamos perante um grande filme. DiCaprio e Pitt têm uma grande química, sem que nenhum se sobreponha ao outro, com diálogos muito envolventes. Mas é talvez, após se separarem, que têm as suas melhores cenas. Sendo que, para mim, as melhores cenas são o diálogo entre DiCaprio e a jovem Julia Butters e quando Pitt vai visitar o culto de Charles Manson onde as nossas expectativas dão uma reviravolta. 
Nenhum dos protagonista é um “herói” inequívoco, já que, embora durante a ação do filme não façam nada de mal, têm um passado não tão inocente. Mas todas as prestações dos atores são tão boas que nos fazem esquecer isso. E já há algum tempo que não via Pitt numa interpretação tão boa, o que mostra que o ator ainda tem muito para dar. Temos também cameos de muita gente conhecida como Dakota Fanning, Timothy Olyphant, Bruce Dern, entre outros que, embora não façam nada de especial, sempre são umas caras conhecidas.
E aquele ato final?! É aqui que Tarantino entre em modo Tarantino a 100%, apresentando uma cena de ação totalmente brutal, cheia de gore e que até tem momentos em que dá para rir um pouco. O filme vive, praticamente, para este momento.
“Era uma Vez em… Hollywood” é uma coleção de grandes cenas mas que não têm um bom ritmo entre elas. E, sendo de quem é, e um dos meus mais antecipados deste ano, fiquei algo desapontado com o resultado final.


18/08/2019

O Rei Leão (The Lion King - 2019)


Vamos ser sinceros, o “O Rei Leão” de 1994 é a melhor animação de sempre. Pronto, pelo menos, deve ser para muita gente, eu incluído, por isso não achei estranho esta nova versão da Disney chegar, visto que já o estavam a fazer com “Cinderela” e “A Bela e o Monstro”. O único motivo aparente, pelo menos, para mim, para não ter sido feito até agora, prende-se com motivos tecnológicos. Mas, depois daquilo que o realizador Jon Favreau conseguiu fazer com “O Livro da Selva”, pareceu que chegou o momento e não há realizador melhor para o fazer que Favreau.
    Para quem ainda não sabe, o filme apresenta-nos a jornada do jovem leão Simba que, depois da morte do seu pai, tem que aprender o significado de responsabilidade e coragem.
    Para começar: isto é uma animação! Podem arranjar as justificações que quiserem mas, no final, todo o filme foi feito num estúdio, gerado por computadores. E não é por ter UM frame de imagem real que, de repente, o filme passa a ser uma versão em “imagem real”. É apenas um tipo de animação, nomeadamente fotorrealista. E, nesse sentido, o filme está incrível! É algo que é difícil de acreditar que não é filmado em cenários reais, tendo em conta todos os detalhes apresentados. 
Por outro lado, tinha o medo que, com todo este “realismo”, se perdesse o charme da versão animada mas, felizmente, é possível distinguir as emoções que as personagens apresentam. E também dá para saber qual leão é qual, pelo menos durante a maior parte do tempo.  
A história é basicamente uma cópia frame por frame da animação, o que deve desagradar a uns e agradar a muitos outros: basicamente, é voltar a contar a mesma história a uma nova geração. Na verdade, foram feitas ligeiras alterações e, neste caso, mais valiam estar quietos, já que num caso criaram uma incoerência e nos outros não acrescentou nada. 
As novas vozes (na versão original) foram bem-vindas, principalmente Seth Rogen e Billy Eichner, como Pumba e Timon respetivamente, que conseguem sempre ser a festa quando estão presentes. Por outro lado, o regresso de James Earl Jones como Mufasa, embora nostálgico, já consegue dar o poder na voz a um leão no auge da sua força. Donald Glover e Beyoncé, como Simba e Nala, também não foram os meus favoritos, já que as vozes são muito reconhecidas. Na verdade, parece que estamos a ouvir os atores e não as suas personagens.
Esta nova versão de “O Rei Leão”, embora não tenha o mesmo charme que a animação, consegue ser um filme sólido e um prodígio tecnológico.