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07/02/2018

Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri - 2018)



Nomeado para sete Óscares da Academia, incluíndo o de Melhor Filme, “Três Cartazes à Beira da Estrada” tem tudo para arrasar no dia 4 de março. Tendo gostado dos filmes anteriores do realizador Martin McDonagh (“Sete Psicopatas” e “Em Bruges”), eu não só estava à espera de passar um bom bocado como também o resultado foi muito superior do aquilo que estava à espera.
Uma mãe revoltada coloca três cartazes ao longo da estrada principal da vila com o intuito de divulgar e responsabilizar as autoridades por ainda não terem descoberto quem é que violou e matou a sua filha.
Aqui seguimos a viagem de revolta de Mildred (interpretada por Frances McDormand, que está nomeada para melhor atriz) por não existir justiça face ao assassinato da filha. Esta mulher não mostra medo de enfrentar a autoridade, a sua comunidade e mesmo o resto da sua família para dar seguimento às investigações. Pela perspetiva da narrativa, entendemos os dois lados: claro que se quer justiça sobre  que aconteceu mas também é possível entender que muitas investigações chegam a beco sem saída. O modo brutal como a atriz desempenha o papel é incrível, tão envolvida na sua “guerra” que quase esquece o que se passa à sua volta.
Do lado da polícia, temos Woody Harrelson e um racista Sam Rockwell (ambos nomeados para melhor ator secundário) que têm grandes papéis que, para mim, não são propriamente merecedores da nomeação. Harrelson faz uma interpretação que não foge da sua zona de conforto… Acaba por ser uma boa prestação, nada contra, mas sem nada de novo. Além disso, o modo como a personagem de Rockwell se transforma ao longo do filme é demasiado fácil e sem grande impacto.
O argumento é envolvente e cativante com vários tons de humor negro muito bem aplicados. No entanto, eu não fiquei propriamente contente com o final. “Três Cartazes à Beira da Estrada” é um sério candidato a vários prémios, com todo o direito de o ser, pois é um grande filme com grandes prestações.


31/01/2018

The Post (2018)

             Um filme realizado por Steven Spielberg e com Tom Hanks e Merly Streep como protagonistas? Por que é que sequer vamos ter uma entrega de prémios? Dêem-lhes já tudo e assim toda a gente poupa alguns trocos e tempo. O quê? Parece que esta proposta não foi aceite… Por isso, veremos se “The Post” merece, de facto, estar entre os grandes ou se esta foi uma grande oportunidade desperdiçada.
            A publicação relativa a um encobrimento sobre a guerra do Vietnam que envolve quatro presidentes norte-americanos coloca em colisão Kay Graham e o governo.
            Não me caiu tudo da melhor maneira. E, se calhar, isso tem muito a ver com as expectativas que tinha depositado no filme. É que a grande trama sobre se se deve tornar público os papéis não me parece tão interessante como a história das consequências dessas publicações. Claro que saber se o direito de expressão prevalece em relação a segredos de estado é algo sempre pertinente, que continua relevante nos dias de hoje, só que, para mim, não foi tratado da melhor maneira.
            Streep é sempre incrível nos desempenhos que faz e, em “The Post”, não há exceção. Mostra-se, inicialmente, como uma Kay Graham que não sabe bem o seu papel na empresa, onde ninguém acredita muito nela, e que, aos poucos e poucos, vai começando a ter a sua voz ouvida. E tal não podia deixar de ser sem a ajuda de Ben Bradlee, (interpretado por Hanks) que lhe tenta mostrar aquilo que define o jornalismo e pelo qual o Post se deve guiar.
Há uma sensação de urgência na corrida pela aquisição e publicação, do estudo relativo à guerra do Vietnam, antes do New York Times, mas, no fim, não se consegue criar um verdadeiro impacto.
Se merece a nomeação para 2 Óscares? Para o de Melhor Filme certamente que não, mas para o de Melhor Atriz Principal não tenho nada contra.

13/01/2018

A Hora Mais Negra (Darkest Hour - 2018)



            Pronto, podem dar o Óscar de melhor ator a Gary Oldman… Fim, próximo filme! Vá, vamos falar um pouquinho mais sobre o filme, que conta com a realização a cargo de Joe Wright (“Orgulho e Preconceito” e “Anna Karenina”), Gary Oldman como protagonista,  acompanhado por Kristin Scott Thomas, Lily James, Ben Mendelsohn, entre outros. Atenção que se esperam por um filme sobre toda a vida de Churchill vão ficar desapontados, já que aqui é retratado apenas pouco mais de um mês da sua vida.
            Nas etapas iniciais da Segunda Guerra Mundial, o destino da Europa Ocidental está nas mãos do recém-nomeado primeiro-ministro Winston Churchill. Este depara-se com uma grande dúvida: entrar em conversações de paz com Hitler ou fazer a guerra mesmo com hipóteses muito reduzidas.
            Por esta altura já Oldman ganhou o Globo de Ouro pela sua interpretação e nisso estou completamente de acordo. Verdade seja dita, ainda não estrearam os grandes nomes que se falam para esta temporada de prémios mas aquilo que o ator conseguiu fazer em “A Hora Mais Negra” é de grande valor. Temos um Churchill com uma grande determinação e sempre com uma resposta na ponta na língua que, mesmo assim, demonstra ser humano com falhas, dúvidas e um grande sentido de humor. Lily James, como a sua secretária, serve como a sua ligação ao povo e quase uma consciência externa.
            Uma coisa que Joe Wright conseguiu fazer foi criar um filme com um ritmo incrível. Estamos sempre com o coração nas mãos, tal são os momentos de intensidade, constantes durante as duas horas de duração do filme. Mas não se torna cansativo, já que temos uns momentos mais leves para desanuviar, antes de sermos levados de volta para as indecisões do futuro da Europa.
            Até agora, eu estava na campanha de que deveria ser Hugh Jackman (“Logan”) a ganhar o Óscar mas agora entrou mais um gladiador para a arena e vou estar até à entrega dos prémios sem saber qual é o meu favorito.
            “A Hora Mais Negra” é um grande filme para este início de ano.


24/02/2017

Moonlight (2017)



A corrida para as estatuetas douradas continua e, quem se seguiu na minha lista de críticas o muito recomendado e cheio de prêmios “Moonlight”. Realizado por Barry Jenkins, este é um filme que tem sido considerado o mais sério concorrente a “La La Land”, para o maior prémio da noite, só que não me convenceu.
Aqui vemos três décadas da vida de Chiron. Um negro, que está em constante conflito por ser homosexual, num ambiente em que é permanentemente perseguido na escola e que, quando volta a casa, tem que cuidar da sua mãe drogada.
Relativamente às escolhas da Academia, vou começar por aquilo que me parece mais claramente exagerado, que é a nomeação (e, a que tudo indica, vencedor) de Mahershala Ali, como melhor ator secundário. Primeiro, ele está no filme uns 15 minutos. Verdade que não quer dizer nada pois pode ter, na mesma, um grande impacto, só que não acontece. Não que não seja um incrível desempenho, tenso e com subtilezas, mas mesmo assim parece-me um exagero a nomeação para o maior galardão do cinema. Já Naomie Harris tudo bem, faz um trabalho muito bom, intenso e destruidor, e merece ser premiada.
O grande problema que tenho aqui é o mesmo que tenho com “Manchester by the Sea”, que é não ter um final propriamente dito. Não que esta não seja uma história que não mereça ser contada mas não apresenta um propósito claro sobre o que é e o que quer fazer. O modo de como Chiron se transforma ao longo do filme serve para mostrar que tudo funciona num círculo, tendo-se tornado em adulto naquilo que destruiu a sua infância.
De resto, “Moonlight” é um grande filme. As três histórias estão muito bem construídas e conseguem funcionar de maneira individual e as suas transições estão muito bem-feitas.