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04/03/2020

Valerian e a Cidade de Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets - 2017)

A esta altura, já sabemos que este foi um dos grandes flops de 2017, fartou-se de perder dinheiro e as críticas não foram as mais favoráveis. Este mais parece uma experiência mais visual do que outra coisa, o que até nem é novidade já que não falta por aí filmes com estilo mas sem substância. Mas será que Luc Besson nos consegue surpreender?
    Alpha é uma enorme metrópole espacial que alberga espécies de mil planetas. Entretanto, enfrenta o perigo eminente de colapsar e só Valerian e Laureline é que podem impedir que isso aconteça. 
    Um problema logo que se previa nos trailers e que se confirmou no filme: a química entre os dois protagonistas, Dane DeHaan e Cara Delevingne, é praticamente inexistente, o que torna as suas interações, principalmente as mais românticas, frias e sem emoção. Tal não é por falta de capacidade dos participantes, pelo menos da parte de DeHaan, pois já vi filmes em que o ator tem grandes interpretações. Aliás, não é só aqui que houve um problema de casting já que Clive Owen também não parece ser o ator indicado para aquilo que a personagem requer. 
    Uma coisa que Besson conseguiu foi criar um universo incrível. Num grande ecrã, o filme quase salta, com cores vibrantes e com muitos detalhes à mistura. Agora se este universo tivesse mais por onde pegar… A história do filme não é má, até é mesmo interessante porém o meu grande problema são mesmo os protagonistas, que me tiraram completamente da ação e do que se estava a passar, o que é uma pena.
    Estava com alguma expetativa para “Valerian e a Cidade de Mil Planetas” só que, infelizmente, é mais um filme onde se devia ter gasto menos dinheiro para efeitos espalhafatosos e ter tentado uma história e casting mais coeso.

28/02/2020

The Boy - A Maldição de Brahms (Brahms: The Boy II - 2020)

          Não faço ideia quem teve a brilhante ideia de fazer uma sequela ao filme de 2016. A crítica não foi propriamente generosa com ele e não é como se tivesse feito muito dinheiro. Mas, quando se tem um orçamento tão baixo como 10 milhões de dólares, é normal que ter feito mais de 70 em bilheteira é uma grande vitória. Tinha esperança que, com a sequela, o panorama melhorasse um pouco. Infelizmente, não foi isso que se passou.
Uma família decide-se mudar para uma casa perto da mansão Heelshire, onde o filho faz amizade com um boneco chamado Brahms.
A sério que foi isto que se lembraram de fazer? Agora carregamos a sério na tecla do sobrenatural e estamos o filme todo a atormentar a pobre Katie Holmes. E nem são em cenas com algum suspense, ou onde se crie algum clima de tensão. São só aqueles sustos previsíveis em que salta alguma coisa do ecrã. 
O elenco não deslumbra, mas também não têm propriamente um grande argumento com que trabalhar. Katie Holmes está sempre com cara de confusa e assustada e ninguém quer acreditar nela, e Christopher Convery é a versão mais recente de miúdo que aparece sem expressão a tentar parecer assustador.
Estava à espera que “The Boy - A Maldição de Brahms” fosse um pouco melhor que o seu antecessor, mas infelizmente acabou por ser ainda pior.

25/02/2020

A Ilha da Fantasia (Fantasy Island - 2020)

A Blumhouse (uma produtora que nos traz praticamente só filmes de terror, variando em muito de qualidade) está aqui para nos assustar um pouco em Fevereiro, com um remake de uma série dos anos 70. Não esperem qualquer tipo de comparação, pois não vi um minuto sequer da série. Mas gosto sempre de ir ao cinema ver um filme de terror e, depois do desapontamento que foi “Calafrio”, esperava algo um pouco melhor.
    A ação passa-se numa ilha paradisíaca dirigida por Mr. Roarke, onde os seus hóspedes podem ter as suas fantasias realizadas.
    O filme não é nada de especial. Como estamos a seguir as fantasias de quatro pessoas, estamos sempre a saltar de um momento para o outro, o que não nos consegue prender em nenhuma em particular. Quando estamos atentos a uma fantasia, logo passa para outra. O que isto revela é que cada fantasia parece demasiado longa, o que arrasta o ritmo do filme e, quando finalmente chega ao fim, dá uma sensação que podíamos ter chegado lá mais depressa. E depois muitas coisas “acontecem do nada”, pessoas que aparecem magicamente e nunca temos bem a noção da geografia da ilha.
    Temos também coisas “boas”, como ver como as fantasias se podem tornar autênticos pesadelos. Às vezes é um pouco rebuscado o modo como o fazem mas não deixam de ser os seus melhores momentos. Porém, isto não é o suficiente para o filme se tornar um bom momento.
    Ainda não foi com “A Ilha da Fantasia” que vi um bom filme de terror este ano.

20/02/2020

Bombshell - O Escândalo (Bombshell - 2020)

Numa altura em que os escândalos de assédio sexual estão a ser denunciados, “Bombshell - O Escândalo” é um filme que chega numa altura muito apropriada. Conta com três nomeações para os Óscares, dois por representação e um de maquilhagem e cabelo.
O filme mostra quando um dos maiores responsáveis pela Fox News, Roger Ailes, é acusado de assédio sexual por parte de um grupo de mulheres. 
Sinceramente, antes do filme, a única memória que tinha desta situação foi  uma notícia há algum tempo. Por isso, foi praticamente tudo novidade e foi um processo muito interessante. Mas tenho um ligeiro “problema” nas nomeações: mais depressa nomeava Nicole Kidman para melhor atriz secundária do que Margot Robbie. Kidman teve muito mais, tanto em tempo de ecrã, como em momentos emotivos, no filme, não que Robbie não tenha tido oportunidade de brilhar.
Charlize Theron faz um grande papel e tem uma caracterização que é preciso olhar duas vezes para a conseguir reconhecer, mas que a deixa quase idêntica a Megyn Kelly, a apresentar uma mulher no poder, que tenta fazer-se valer num mundo dominado por homens conservadores. John Lithgow também está com uma grande caraterização e faz um bom papel, como o homem que está habituado a ter todo o poder e a fazer os outros submeter-se a ele. 
Com a ligação a uma história real, o realizador Jay Roach conseguiu criar algumas situações verdadeiramente cruas e emotivas, que nos fazem pensar em todas as situações semelhantes que ocorrem todos os dias. Só que não  deixa de ser um filme interessante, sem nunca passar para o nível seguinte.
Daquilo para que esteve nomeado, “Bombshell - O Escândalo” ganhou merecidamente o Óscar de maquilhagem e cabelo. Mas, mesmo que assim seja, não deixa de ser um filme importante a se ver pela sua mensagem.

18/02/2020

Birds of Prey (e a Fantabulástica Emancipação De Uma Harley Quinn) (Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn - 2020)

Irra, não arranjavam um título mais comprido?! Acho que é relativamente seguro dizer que um dos elementos que mais se destacou em “Esquadrão Suicida” foi Harley Quinn, logo ter o seu próprio filme não é assim muito de estranhar. Mas, pelo vistos, não está sozinha, e forma o seu próprio grupo.
Harley separou-se do Joker e com isso desapareceu a sua proteção no mundo do crime, o que fez com que se torna-se alvo de um dos maiores criminosos de Gotham: Roman Sionis.
Os últimos filmes da DC têm sido alvo de críticas positivas, e eu tenho gostado deles, mas desta vez isso não é bem assim. Aqui, as críticas têm sido positivas, só o que para mim a coisa não correu assim muito bem. A começar pelo irritantemente comprido título, que não faz sentido de todo. Porque 80% do filme basicamente só seguimos Harley Quinn, sendo que os outros elementos apenas aparecem aqui e ali, e só formam o grupo, em si, na parte final do filme. Depois, temos toda a estrutura do filme muito esquizofrénica e barulhenta. É verdade que pode ter sido uma escolha para personificar o que se passa dentro da cabeça da protagonista mas o resultado final não correu da melhor maneira. Por fim, a classificação etária. Desculpem, mas não era necessário ser para maiores de 16. Isso é algo que se o filme não merecer não vale a pena ir por aí. “Joker” e “Logan” fizeram isso valer, mas aqui, com algumas pequenas alterações, podiamos ter um filme que chegava a muito mais gente.
Por outro lado, há muitas coisas positivas. As cenas de ação estão impecáveis, com as cenas corpo-a-corpo a conseguirem transmitir uma boa sensação, dentro das melhores deste género. Principalmente a cena passada na prisão com Harley. E agora podemos passar ao elenco, com Margot Robbie a voltar a fazer uma grande interpretação como a protagonista. Continua aqui a minha grande apreciação por Ewan McGregor, o vilão - só é pena o final que ele teve. Por outro lado, os outros “Birds”, Mary Elizabeth Winstead, Jurnee Smollett-Bell, Ella Jay Basco e Rosie Perez tiveram pouco tempo para se destacar, embora tenham criado um bom impacto. Queria ter visto mais de Winstead.
“Birds of Prey (e a Fantabulástica Emancipação De Uma Harley Quinn)” não passa do razoável, mas tem bons elementos que chegue para termos uma grande sequela.

15/02/2020

Sonic - O Filme (2020)

          O caminho que “Sonic” teve que fazer até chegar às salas de cinema foi longo e duro. O primeiro trailer foi “universalmente” odiado pelo horrível design da personagem protagonista. Com isso, a Paramount viu-se “obrigada” a alterar esse pequeno detalhe, provavelmente obrigando a equipa de efeitos visuais a trabalhar a todo o gás e adiar a estreia do filme. 
          A vida do jovem xerife Tom Wachowski é virada do avesso, quando se depara com pequeno, azul e super-rápido ouriço. 
          Vamos ser honestos. Sonic podia ser exatamente igual como os jogos, que se o filme em si não for bom, não adianta nada. E nós sabemos como tem sido o registo em termos de adaptação de videojogos. Mas, felizmente “Sonic” conseguiu ser uma agradável surpresa. 
          Não que seja um filme brilhante, mas é divertido, tem uma história boa que chegue e tem boas interpretações. James Marsden faz um trabalho como o companheiro do ouriço azul, e Jim Carrey é tudo aquilo que os trailers nos mostram: Carrey no seu modo mais Carrey de ultimamente (quase que parece saído da “Máscara”). Se isso vai funcionar para quem vê, vai depender. Eu achei hilariante! Mas é Ben Schwartz que dá a voz ao protagonista. Sonic é adorável e tem algumas saídas muito divertidas. E o tempo gasto a fazer a remodelação da personagem não foi tempo perdido, pois está muito bem apresentada e a ligação com o mundo real está muito bem feita.
          Temos algumas referências aos jogos, mas nada de muito excessivo. Em termos de argumento, não estamos perante nada de revolucionário, mas sim algo bom o suficiente para levar a ação de um ponto para o outro. 
          “Sonic” é um bom filme para levar toda a família e espero que tenha um bom desempenho nas bilheteiras, pois temos uma cena pós-créditos que nos deixa ansiosos por uma sequela. 

11/02/2020

Frozen II - O Reino do Gelo (2019)

“Frozen” foi uma das animações mais recentes da Disney a ter o mesmo impacto que os seus clássicos. Ainda há crianças a se mascarar de Elsa e Anna, e ainda é possível ouvir “Let It Go” no rádio. Por isso, não é de admirar que houvesse uma sequela, o que pode ser de admirar é que tenha demorado tanto tempo a chegar -  já sabemos que fazer animação é um trabalho muito moroso.
Elsa, Anna, Olaf, Kristoff e Sven têm de partir de Arendelle e partir para uma floresta encantada, para descobrirem a origem dos poderes de Elsa e salvar o seu reino.
Digo já que gostei bastante do filme. Pode não ter uma música com tanto impacto de “Let It Go” mas, no geral, as outras músicas são um pouco melhores. “Into the Unknown” tenta ser uma substituição, mas não é boa que chegue para isso. Há outras que estão muito engraçadas, desde a nova de Olaf, até uma que é um tributo a videoclips de boybands. 
De novo, a relação entre as duas irmãs é aprofundada e desenvolvida, deixando para segundo plano o cliché do romance entre Anna e Kristoff, e é nesta estrutura que o filme tem um dos seus pontos fortes. Olaf tem direito a melhores momentos do que no filme anterior, embora em algumas situações, quando começa a se tornar irritante, a cena rapidamente muda de foco. 
A história é interessante, desde a floresta mágica e os seus habitantes, até ao modo como é explorada a origem dos poderes de Elsa. E embora o filme anterior tenha subvertido alguns dos clichés habituais do género, aqui isso não acontece tanto, mas sim uma continuação do que já nos foi apresentado. Só que agora temos uma temática evoluiu um pouco, para um tema um pouco mais “sombrio”, sem nunca deixar de ser apropriado para os mais pequenos (afinal estamos a falar da Disney).
E tudo isto está com uma qualidade técnica incrível. Uma coisa que sempre me fascina é o modo como está cada vez melhor a representação da água. Só que não é só isso, as florestas e ambientes têm cada vez um aspeto mais fotorealista. As personagens é que, assim de repente, não parecem ter recebido nenhum upgrade.
“Frozen II - O Reino do Gelo” é uma merecida sequela ao antecessor e não lhe fica nada atrás.

08/02/2020

Parasitas (Gisaengchung - 2019)

“Parasitas” está a ganhar prémios a torto e a direito pelo mundo fora. Desde os Globos de Ouro aos BAFTA, e com 6 nomeações para os Óscares da academia, estamos perante o provável vencedor da categoria de melhor filme estrangeiro e um sério candidato ao de melhor filme. Mas será que o último filme de Bong Joon Ho merece toda esta atenção?
    Com toda a família desempregada, Ki-woo consegue um emprego como tutor numa família rica. A partir daí, vai conseguir com que todos os elementos da sua família se infiltrem na casa e que se misturem com os atuais moradores.
Sinceramente, não estava à espera de gostar tanto do filme como gostei. Tal como outros filmes deste realizador, as diferenças sociais são os temas principais. E, assim como nos outros filmes, na maior parte do tempo, nada é feito da forma mais discreta do mundo. Porém, desta vez, há ocasiões em que isso é feito de modo muito mais subtil. Por exemplo, numa cena em que chove muito, os ricos não sofrem consequência nenhuma, enquanto que os mais pobres tinham as casas alagadas e quase se afogam para salvar o pouco que têm.
E, se pensamos que sabemos tudo o que vai acontecer desde o início, a meio temos uma volta de 180º, que muda totalmente o tom daquilo que estamos a ver, mostrando, de novo, o tema principal: sobrevivência. Aqueles que não tem todos os privilégios fazem de tudo para sobreviver e arquitetar os mais elaborados planos para conseguir subir na sociedade e do dinheiro. 
    As personagens são interessantes e estão bem desenvolvidas, principalmente Kang-ho Song, e vamos tendo várias dicas sobre aquilo que vai fazer no final. E é no final que está aquilo que menos gosto: gostei da pequena surpresa que surge, mas não aquilo que mostra logo depois (é difícil tentar explicar sem entrar em spoilers).
Mesmo com isso, “Parasitas” é um filme intenso, perspicaz e que, sem dúvida, deve ser visto.

03/02/2020

Jojo Rabbit (2020)

         
          O ponto de partida para “Jojo Rabbit” deve ter sido, no minimo, desafiante. Afinal, estamos a falar de um filme sobre um rapaz alemão de 10 anos, que tem Hitler como amigo imaginário. Mas o realizador Taika Waititi já nos provou surpreender com outras entregas. Juntamente com todas as nomeações que o filme já teve, parece que estamos perante mais um grande filme. 
           Facilmente podíamos estar perante o típico drama passado durante a Segunda Guerra Mundial. Com Waitit,i como realizador, isso felizmente não acontece. Se um momento dramático perdura durante muito tempo, rapidamente roda logo para comédia, que tem uns momentos para brilhar, para logo depois passar para drama de novo. Estas transições não são feitas de qualquer maneira, super encaixadas nos momentos necessários. 
           Se havia uma coisa que estivesse à espera era uma presença mais forte do Hitler imaginário (interpretado pelo próprio Waititi). Não que seja uma presença insignificante, mas não é tão presente como esperava. Serve para representar o fanatismo que é incutido às crianças e vai mudando a sua postura à medida que o pequeno Jojo também vai tendo cada vez mais dúvidas sobre aquilo em que acreditar.
           Roman Griffin Davis, que interpreta o pequeno nazi, faz uma interpretação muito boa, dando corpo a alguém que acredita no nazismo com todo o seu coração, incluíndo todas as absurdidades que lhe são ensinadas sobre os judeus. Tudo muda após conhecer a judia que a sua mãe escondeu em casa, que o faz questionar sobre o mundo onde vive e quem ele é. Todas essas características  foram impecavelmente transmitidas, muito pela química que tem com Thomasin McKenzie, que tem de estar sempre escondida, sem saber se vai viver até ao fim do dia. 
            Mas não é só este trio que tem protagonismo. Scarlett Johansson - que, inclusive, está nomeada para o Óscar de melhor atriz secundária - também tem alguns bons momentos emotivos, onde tenta mostrar ao filho que a vida deve ser vivida com amor e não com ódio. Sam Rockwell, Stephen Merchant e Rebel Wilson também fazem uma boa aparição, acrescentando comédia ao filme.
“Jojo Rabbit” deve ser visto como uma paródia deste tempo, e de como o ódio é ensinado aos mais novos, e não como algo que veio como eles. Um filme que deve ser visto e mostrado aos outros, que consegue aliviar um pouco do peso que os filmes que retratam esta época costumam trazer. 

01/02/2020

1917 (2020)

Tudo em “1917” parecia interessante. Foi realizado pelo grande realizador Sam Mendes, os trailers são cativantes, já ganhou vários prémios, está nomeado para 10 Óscares e tem como plano de fundo a Primeira Guerra Mundial, um cenário que não é muito habitual ver. Por isso, as expectativas estavam todas em alta.
    Abril de 1917. Dois soldados têm uma nova missão: entregar uma mensagem de modo a impedir 1600 homens caiam numa armadilha e morram.
    E não podia ter sido uma experiência cinematográfica mais recompensadora! Em termos técnicos, o filme está simplesmente incrível. O modo como conseguiram criar a ilusão que toda a ação é feita num take está muito bem conseguida. Tal serve para nos mostrar, mais uma vez, o génio do cinematógrafo Roger Deakins, por ter conseguido criar essas cenas, com uns cortes muito precisos e inteligentes. E o mais impressionante é pelo filme, praticamente, nunca parar; rola sempre num ritmo frenético, que nos transmite a urgência da missão, com apenas algumas pausas, para dar alguma humanidade e personalidade aos protagonistas.  
    Há algumas críticas negativas em relação à história, porém também esta não precisa ser mais elaborada do que é. É uma missão de ir do ponto A ao ponto B e aquilo que é interessante é a jornada que as personagens fazem durante esse trajeto. E nem é só isso pois existe uma vertente pessoal, no salvamento do irmão e tudo o que isso carrega. Tudo isso transmitido por dois atores, Dean-Charles Chapman e George MacKay, que ainda não são muito conhecidos, mas que fazem um grande desempenho. Pelo caminho, vamos ter direito a aparições de umas caras familiares, em pequenos papéis, como Mark Strong e Benedict Cumberbatch.
    É bem possível que “1917” ganhe o grande prémio na noite dos Óscares e, possivelmente, Sam Mendes também vai para casa com uma estatueta. Isto sem deixar de lado a impressionante cinematografia e edição. 

28/01/2020

Le Mans '66: O Duelo (Ford v Ferrari - 2019)

James Mangold já era um realizador a ter um conta mas, depois do que fez em “Logan”, chegou a um nível completamente diferente, onde qualquer projeto em que o realizador esteja envolvido entra logo para a lista de prioridades. Por isso, não é de admirar que o seu novo projeto esteja na corrida dos Óscares, com 4 nomeações, incluindo para melhor filme.
Aqui seguimos a disputa entre a Ford e a Ferrari, pelo título de vencedor nas 24 Horas de Le Mans no ano de 1966, através dos olhos do designer Carroll Shelby e do condutor Ken Miles, que tentam de tudo para conseguir ganhar a corrida.
Uma das melhores coisas foi ver Christian Bale. O ator até tem feito grandes interpretações nos seus últimos filmes, mas aqui foi um dos papéis que mais gostei. Interpreta um piloto, com um temperamento algo difícil, mas que se consegue fazer valer na pista, e ao mesmo tempo ser um grande mecânico. E, para mim, é um tipo de interpretação que facilmente podia estar entre as nomeadas para o Óscar. Matt Damon também faz um grande papel, de alguém que tem que jogar entre as políticas que a Ford lhe tenta impingir e aquilo que ele sabe que pode fazer para trazer a vitória para a equipa.
À semelhança de “Rush - Duelo de Rivais”, quando as corridas começam em “Le Mans 66”, somos imediatamente transportados para a pista. Este é um dos feitos do realizador, ter-nos conseguido levar para o meio da ação, desde os barulhos dos carros até a incrível sensação de velocidade que eles transmitem.
Não estou a antever que seja uma noite muito produtiva em termos de prémios para o filme, onde talvez tenha mais hipóteses nas categorias de som. Mas, mesmo assim, é capaz de ser o filme mais divertido e entusiasmante entre os nomeados para melhor filme.

22/01/2020

Zombieland - Tiro Duplo (Zombieland: Double Tap - 2019)


            A esperança que houvesse uma sequela para o hilariante filme de 2009 há muito que já tinha esmorecido. Mas a esperança é a última a morrer e, passados 10 anos, temos finalmente a sequela com o mesmo grupo de protagonistas.
            O nosso quarteto continua junto e agora tentar achar uma noção de familiaridade e união neste mundo inundado de zumbies.
            Este filme sofre de um grande “problema”: é demasiado parecido ao anterior. Isso tanto pode ser uma coisa boa, como má, vai depender muito da vossa reação à entrega anterior. Tendo gostado bastante da lufada de ar fresco que foi o filme de 2009, este também foi algo que apreciei muito. É verdade que preferia ter visto um maior desenvolvimento das personagens mas vê-las numa situação diferente foi o suficiente para passar um bom momento.
            Demorou o seu tempo a chegar, mas teve uma pequena vantagem com isso. Em 2009, e nos anos anteriores, os cinemas andavam inundados com filmes de zumbies, por isso, o tom mais cómico serviu para fazer sobressair “Zombieland”. Só que agora, 10 anos depois, o panorama já não é bem assim. E um filme deste género quando sai tem a hipótese de se destacar.
            O mesmo se pode dizer do quarteto protagonista. Woody Harrelson foi nomeado para dois Óscares, Jesse Eisenberg foi nomeado para um, Emma Stone ganhou um e Abigail Breslin também tem tido algumas grandes interpretações. E a química do grupo continua a funcionar, sendo que desta vez podem fazer algumas piadas com o que se tem passado na atualidade. As novas entradas, como Rosario Dawson e Luke Wilson, serviram para trazer uns dos melhores momentos de todos.
            “Zombieland - Tiro Duplo” vai agradar a quem gostou do primeiro filme, já que é praticamente igual, desde a brutalidade da ação e das interações entre os protagonistas. Se não fazem parte deste grupo, então provavelmente este é um filme a deixar passar.



16/01/2020

Dois Papas (The Two Popes - 2019)

“Dois Papas” pareceu-me um filme a ver logo a partir do trailer, com um tema interessante a ser representado por dois pesos-pesados da representação, Anthony Hopkins e Jonathan Pryce, a serem liderados pelo realizador Fernando Meirelles.
Por detrás das paredes do Vaticano, o papa Bento XVI e o futuro papa Francisco discutem os assuntos mais controversos da Igreja Católica e tentam chegar a um termo em comum. 
Há uma coisa que é preciso ter em muita atenção ao ver este filme. Isto não é um documentário, é um filme, por isso não significa que tudo aquilo que é dito entre os dois protagonistas tenha sido, de facto, dito pelas pessoas reais. Com este pré-aviso, as discussões a que temos direito estão muito interessantes, e temos acesso aos dois pontos de vista, claro que favorecendo a versão mais liberal (não fosse essa com que estamos a lidar agora na realidade). Uma coisa que não estava à espera foi a viagem pelo passado de Jorge Bergoglio, as decisões e atitudes que teve durante a ditadura militar na Argentina e como isso o moldou.
Ver Anthony Hopkins e Jonathan Pryce num clima de “ataque, contra-ataque” foi super interessante, em que fomos brindados com um espetáculo de interpretações e os dois merecem estar nomeados para esta época de prémios. Com um destaque para Pryce, que consegue passar tanto de um tom jovial, como ficar em lágrimas de um momento para o outro. Também dar um destaque a Juan Minujín, que faz um grande trabalho, como o jovem Jorge Bergoglio.
“Dois Papas” é uma grande adição ao catálogo da Netflix; se têm algum interesse, não devem perder.

12/01/2020

Marriage Story (2019)

Eu estava à espera de ver, na Netflix, um filme com Scarlett Johansson e Adam Driver a passar por um divórcio? Não. Mas ao menos é um bom sítio para o lançar, onde provavelmente será visto por mais gente do que se fosse lançado no cinema. E, graças a isso, têm a hipótese de ver um grande filme.
É um filme extremamente pessoal e que pode afetar até quem tenha passado por situações semelhantes. Mas, logo no início, parece que estamos num filme diferente, já que consiste numa lista dos pontos positivos que cada elemento do casal diz em relação ao outro, para depois nos ser revelado que tudo se passa durante uma sessão de terapia de casal.
Pode parecer que o filme não é nada de especial, já que aquilo que apresenta é algo cada vez mais comum, mas é nessa familiaridade que quase que somos transportados para a história. E não parte do princípio que um é o culpado e que o outro tem toda a razão. Temos os dois pontos de vista e mostra-se aquilo que se passa na realidade. Nenhum deles é perfeito e têm os seus defeitos, que foram contribuindo para a situação em que estão agora.
As interpretações de Adam Driver e Scarlett Johansson estão incríveis, principalmente NA discussão: todas as nomeações para os prémios são completamente justas e merecidas. Laura Dern também tem tido o seu destaque nesta época de prémios porém, embora faça um bom trabalho, não foi nada que, para mim, se tenha destacado.
"Marriage Story" é um filme muito pessoal e, se calhar, poderá servir para dar um olhar com uma nova perspetiva para quem passou por situações semelhantes.

08/01/2020

6 Underground (2019)

Agora até Michael Bay está na Netflix a fazer aquilo que sabe fazer melhor: explodir coisas, mostrar mulheres com pouca roupa e fazer publicidade a uma resma de produtos. Mas será que teremos “O Rochedo” Michael Bay, ou o último “Transformers” Michael Bay?
Aqui seguimos um esquadrão de seis agentes, que fingiram a sua morte, para se desligarem do seu passado e assim terem a liberdade de eliminar pessoas e assim mudar o futuro. 
Para o melhor e para o pior, estamos perante o filme mais Michael Bay que Michael Bay já fez. Tudo aquilo que disse, no início, que podíamos encontrar, encontramos em dose máxima!. Nunca nos foi atirado à cara tão descaradamente todas as marcas que estiveram envolvidas no filme. E isso não é o pior! Esse destaque vai para a incrível edição de tudo o que se está a passar, são só cortes atrás de cortes e chega uma altura em que não se entende nada o que está a acontecer.
Aquilo que se consegue salvar é Ryan Reynolds. O ator tem um grande carisma e consegue levar o filme às costas. Mas, mesmo ele, em muitas situações, é levado a um ponto que chega a tornar-se irritante. E nenhum dos outros elementos chega a ter o destaque e desenvolvimento necessários para se tornarem interessantes. 
“6 Underground” salva-se por uma ou outra cena de ação melhores conseguidas e por Ryan Reynolds porque, de resto, numa altura em que o serviço está a melhorar, este não é o melhor exemplo. 

05/01/2020

O Irlandês (The Irishman - 2019)

          Netflix tem ganho cada vez mais força no departamento de filme originais, mas até agora faltava aquele grande nome, com um grande projeto, para trazer alguma “credibilidade” a todo o serviço. “Roma” o ano passado foi um bom início para isso mas agora é preciso continuar. E para isso temos Martin Scorsese a realizar o trio de Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci para fazer isso acontecer.
Aqui temos Frank Sheeran a contar-nos a sua história, desde que entrou no mundo do crime como um assassino.
Gosto muito de Scorsese e dos seus filmes, mas este para mim foi um grande não. Antes de mais são três horas e meia de filme, que são incrivelmente excessivas. É que não tenho nada contra a duração em si, só que tem de ser bem aproveitada, o que aqui não é o caso. Há várias seções que podiam ter sido encurtadas e dessa forma o ritmo do filme teria sido muito favorecido.
Outra coisa foi o CGI para transformar o trio de protagonistas nas suas versões mais novas. E nesse departamento acho que o filme foi bem-sucedido, pelo menos durante a maior parte do tempo, e com o passar do tempo esta tecnologia só vai melhorar. Só que agora apareceu um problema novo. É verdade que De Niro não parece ter quase 80 anos, só que ele se mexe como alguém com quase 80 anos. E, numa cena ou outra que envolve mais movimento, isso nota-se bem.
Mas uma coisa que “O Irlandês” prova é que todos os atores ainda estão em boa forma e conseguem entregar grandes interpretações. Principalmente Joe Pesci, que já praticamente não vemos em nenhum projeto, o que é uma grande pena. O encontro entre todos os titãs do cinema foi tudo aquilo que podíamos esperar, nenhum deles rouba o destaque ao outro e todos têm bons momentos para se destacar. A única crítica é que já os vimos em filmes semelhantes, não são papéis novos que envolvam uma grande transformação por parte dos atores. O bem que pode ser essa a justificação de ninguém estar a prestar muita atenção a De Niro nesta altura de nomeações para prémios.
Estamos habituados a ver filmes longos por parte de Scorsese, só que isso nunca comprometeu o seu ritmo e toda a ação nos deixa presos aos acontecimentos e sempre com vontade de ver o que vem a seguir. Só que aqui parece que ninguém lhe meteu um travão e assim pode fazer o seu épico de gangsters que sempre quis, só que infelizmente isso comprometeu o filme em geral. 
“O Irlandês” não é um mau filme, tem grandes interpretações e grandes inovações tecnológicas, só que é prejudicado pela sua excessiva duração.

30/12/2019

Jexi (2019)

    Os trailers de “Jexi” faziam logo parecer que estávamos perante uma comédia que, não sendo propriamente brilhante, ia servir para passar um bom tempo. E foi exatamente isso que aconteceu.
  Phil passa a vida a usar o telemóvel, sem ligar ao mundo que está à sua volta, sempre sozinho e sem fazer amizades. Mas, quando a nova inteligência artificial do telemóvel toma conta da sua vida, tudo muda.
É verdade que o filme retrata a realidade cada vez mais frequentemente nos dias de hoje, onde estamos cada vez mais agarrados à tecnologia e redes sociais, onde importa mais parecer do que ser, e nos afastamos daquilo que nos está mais próximo. E é basicamente essa a mensagem do filme - não que seja uma mensagem subtil, isso é algo que dá logo para ver pelo trailer. 
Adam Devine não é propriamente um dos meus atores favoritos, mas não é por causa dele que o filme fica mal. O melhor são as curtas alturas em que aparece Michael Peña, que consegue trazer alguns dos momentos mais cómicos do filme. Rose Byrne como a voz de Jexi também não desilude e tem boas interações com Devine.
“Jexi” não é uma das grande comédias do ano mas serve para passar um bom bocado nesta altura natalícia.

26/12/2019

Star Wars: Episódio IX - A Ascensão de Skywalker (Star Wars: Episode IX - The Rise of Skywalker - 2019)

Depois de “Os Últimos Jedi”, os fãs ficaram divididos em relação a Star Wars. Uns adoraram o estilo que o realizador Rian Johnson, enquanto outros acharam que estavam perante a pior coisa que podia ter acontecido à saga. Se procurarem essa entrada do blog, podem verificar que, embora diferente do habitual na saga, foi algo que gostei. Mas, devido a este clima, chamaram de novo J.J. Abrams, para ver se conseguem levar a bom porto a conclusão desta trilogia.
    O aparecimento de uma mensagem trouxe com ela a informação que Palpatine está vivo, que deseja mais uma vez conquistar a galáxia utilizado a Primeira Ordem.
    O trabalho que necessário para concluir este filme é enorme. Tenta concluir todos os filmes que tem para trás e arranjar maneira de agradar a todos. Tiveram logo dificuldades com o falecimento de Carrie Fisher, que leva a um dos pontos negativos do filme. Em vez de utilizarem outra atriz para o papel de Leia, ou fazer com que personagem saísse de maneira elegante, decidiram utilizar cenas não usadas de “O Despertar da Força”. Assim, dessa maneira, tiveram de arranjar cenas que encaixassem o que por último se revelou algo muito ingrato. 
    E o problema de o tão publicitado regresso de Palpatine? Apenas serviu para revelar que nunca houve um plano da história para esta nova trilogia, e que apenas trouxeram esta personagem para apelar à nostalgia, pois nem sequer conseguem explicar a razão de ele ter aparecido. Ele tem uma cena ou outra interessante mas sem nunca justificar a sua existência.
    Finalmente Finn teve mais destaque, já que no filme anterior foi relegado para um papel secundário, aqui está no centro da ação, ao lado de Poe e Rey. Também foi-nos apresentado um pouco do passado de Poe e houve um desenvolvimento das personagens. Mas o grande destaque vai, como seria de esperar, para Rey e Kylo Ren e para a sua relação, que sofreu uma grande alteração. E, com isso, alterar muito daquilo que foi revelado no filme anterior. 
    Este é provavelmente um dos episódios com mais batalhas de sabres de luz, algo que é sempre algo muito bem-vindo, ao mesmo tempo que nos é revelado mais sobre a história dos Jedi e Sith. 
    “A Ascensão de Skywalker “ tem grandes personagens e cenas de ação, só que sofreu com o não planeamento desta saga, que levou a uma história meio pensada em cima do joelho e sem grande nexo.

18/12/2019

Jumanji - O Nível Seguinte (Jumanji: The Next Level - 2019)

Ninguém estava à espera do incrível sucesso que “Jumanji - Bem-Vindos à Selva” teve. Tanto nas bilheteiras como na crítica o filme foi bem recebido, por isso é natural que uma sequela viesse a caminho e, tal como no filme anterior, também é lançado na mesma altura que um filme Star Wars.
    O gang está de volta e voltam a entrar em Jumanji, só que as coisas não estão como eles se lembram e entram mais personagens do que eles estavam à espera.
    Logo após ver os trailers surgiu-me uma dúvida, se Dwayne Johnson e Kevin Hart iriam conseguir ser consistentes com os tons de voz, de Danny DeVito e Danny Glover, durante todo o filme e se se ia tornar algo irritante. Mas, felizmente, isso não acontece. Eles conseguem sempre manter as personagens e são extremamente hilariantes e, quando isto começou a perder a sua força, a história dá uma volta, servindo para manter as coisas frescas. Jack Black e Karen Gillan voltam a fazer um grande papel e continuam a fazer muito pelo filme. 
    Em relação a esta sequela, achei-a mais divertida que o anterior mas perdeu-se um pouco no “desenvolvimento” das personagens. Porque, tirando um deles, estas são basicamente as mesmas personagens que tivemos no filme anterior. Tirando os novos elementos, não houve  grande progressão.  
    A ação é “ridícula” mas estamos a falar de um mundo num videojogo, logo as regras não são propriamente as mesmas. O que me fez mais confusão são os efeitos dos animais, é verdade que não estão no mundo real, mas parecem demasiado “falsos” para o meu gosto.
    “Jumanji - O Nível Seguinte” não consegue superar o equilíbrio entre comédia e emoção do filme anterior mas é extremamente divertido, com garantia de um tempo bem passado no cinema.