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19/02/2019

Assim Nasce uma Estrela (A Star Is Born - 2018)


            A sério? É só isto? O filme que está nas bocas do mundo, que tem oito nomeações aos Óscares, só tem isto para mostrar? É com o quarto remake desta história que Bradley Cooper, além de protagonizar, se estreia na realização. E, embora tenhamos um filme bem realizado, o resto não é nada de especial.
            Uma estrela da música ajuda uma jovem cantora a encontrar a fama, ao mesmo tempo que a idade e o alcoolismo fazem com que a sua própria carreira entre em decadência.
            Não entendo todo o alarido em volta do filme. É um bom filme mas nada de extraordinário. A maior surpresa foi a interpretação de Lady Gaga que faz aqui um bom papel, embora a atriz/cantora esteja a fazer um papel de uma personagem que teve um percurso semelhante ao seu.
            Tem bons momentos musicais, com algumas boas músicas e muito provavelmente irá ganhar o Óscar por uma delas. As atuações das mesmas pelos dois protagonistas são dos momentos altos do filme. Bradley Cooper, que tem aqui o seu primeiro trabalho de realização, interpreta um excelente Jeff Bridges, com aquela atitude e voz arrastada. Sam Elliott tem um bom papel mas apenas está lá durante cinco minutos e tem uma boa interpretação mas todas as nomeações que tem passa-me completamente ao lado.
            “Assim Nasce uma Estrela” é um bom filme, algo previsível, muito bem realizado pelo estreante Bradley Cooper, mas que, pelo menos para mim, não merece toda a atenção que está a ter.


09/02/2019

Bohemian Rhapsody (2018)


            Todos conhecemos os Queen, certo? Acho que posso dizer,com alguma certeza que sim por isso um filme sobre eles, com um grande nível de produção, merece certamente ser visto. E, mesmo com a substituição de Sacha Baron Cohen por Rami Malek como o protagonista e as confusões com o realizador Brian Singer, as coisas correram pelo melhor. Já fizeram camiões de dinheiro e ganharam dois globos de ouro, logo parece ser um filme a ver.
            Aqui seguimos a criação e a história da icónica banda e do seu carismático vocalista Freddie Mercury até à sua icónica atuação no Live Aid de 1985.
            Vamos já falar do elefante na sala. O filme não deve ser considerado como um bom retrato cronológico da banda. Alguns acontecimentos trocaram de ordem e existem personagens inventadas, por exemplo. Mas, embora isto seja algo a ter em conta, também é preciso saber que estamos perante um filme e não um documentário. É normal que certas coisas sejam alteradas para que o produto final seja mais interessante.
            Algo que não me agradou por aí além foi toda a edição do filme. Os anos iniciais passam quase num piscar de olhos, talvez por não serem relevantes. Os momentos musicais estão bem representados, afinal têm ao dispor uma lista das melhores músicas de sempre. E conseguimos “ver” como é que algumas delas foram criadas.
            Só que é Rami Malek que rouba o show, tal como a personalidade que interpreta. O ator consegue aqui um monstruoso trabalho de interpretação, conseguindo transmitir-nos como foi um dos mais estrondosos ícones da música de sempre, desde o modo extravagante de criar música e estar em palco, como a sua enorme solidão interior por pensar que ninguém o consegue compreender. Gwilym Lee, Ben Hardy e Joseph Mazzello também conseguem acompanhar o protagonista, como os outros elementos da banda.
            Mesmo seguindo vários clichés das biopic musicais, “Bohemian Rhapsody” é um grande filme e oferece boas doses de espetáculo.


29/01/2019

Green Book – Um Guia Para a Vida (Green Book - 2019)


                Três Globos de Ouro, cinco nomeações para os Óscares, uma dupla protagonista constituído por Viggo Mortensen e Mahershala Ali e um bom realizador em Peter Farrelly: foram estas informações que me acompanharam na visualização de um dos mais recentes nomeados para o Óscar de melhor filme.
                Tony Lip, um ex-segurança, é contratado para conduzir e proteger o génio musical Don Shirley na sua digressão pelo sul dos Estados Unidos.
                Desde o primeiro trailer que este filme me pareceu extremamente interessante. Não propriamente pela história em si, mas sim pela interação retratada pelos dois atores principais, com o choque cultural entre a descendência italiana de Tony e a afro-americana de Don. Além disso, fiquei curioso como os dois, ao longo da digressão, se conhecem melhor e formam uma sólida amizade.
                Algumas críticas feitas realçam que o tema do racismo é pouco abordado mas, sinceramente, não estou de acordo. Nem todos os filmes, com esta temática, têm de ser intensamente dramáticos, principalmente quando esse não é o foco principal. Aqui o que interessa é o “confronto” de mentalidades das personagens de Viggo Mortensen e Mahershala Ali. É verdade que há mais momentos que não me caíram bem como, por diversas vezes, temos Tony a “ensinar” Don como ser negro.
                Mas, mesmo com isso, este foi um dos melhores filmes que vi recentemente, e se os Óscares fossem hoje de bom grado lhe dava o grande prémio. Mas, também ainda me faltam ver metade deles, por isso, vale o que vale.