Mostrar mensagens com a etiqueta critica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta critica. Mostrar todas as mensagens

20/02/2020

Bombshell - O Escândalo (Bombshell - 2020)

Numa altura em que os escândalos de assédio sexual estão a ser denunciados, “Bombshell - O Escândalo” é um filme que chega numa altura muito apropriada. Conta com três nomeações para os Óscares, dois por representação e um de maquilhagem e cabelo.
O filme mostra quando um dos maiores responsáveis pela Fox News, Roger Ailes, é acusado de assédio sexual por parte de um grupo de mulheres. 
Sinceramente, antes do filme, a única memória que tinha desta situação foi  uma notícia há algum tempo. Por isso, foi praticamente tudo novidade e foi um processo muito interessante. Mas tenho um ligeiro “problema” nas nomeações: mais depressa nomeava Nicole Kidman para melhor atriz secundária do que Margot Robbie. Kidman teve muito mais, tanto em tempo de ecrã, como em momentos emotivos, no filme, não que Robbie não tenha tido oportunidade de brilhar.
Charlize Theron faz um grande papel e tem uma caracterização que é preciso olhar duas vezes para a conseguir reconhecer, mas que a deixa quase idêntica a Megyn Kelly, a apresentar uma mulher no poder, que tenta fazer-se valer num mundo dominado por homens conservadores. John Lithgow também está com uma grande caraterização e faz um bom papel, como o homem que está habituado a ter todo o poder e a fazer os outros submeter-se a ele. 
Com a ligação a uma história real, o realizador Jay Roach conseguiu criar algumas situações verdadeiramente cruas e emotivas, que nos fazem pensar em todas as situações semelhantes que ocorrem todos os dias. Só que não  deixa de ser um filme interessante, sem nunca passar para o nível seguinte.
Daquilo para que esteve nomeado, “Bombshell - O Escândalo” ganhou merecidamente o Óscar de maquilhagem e cabelo. Mas, mesmo que assim seja, não deixa de ser um filme importante a se ver pela sua mensagem.

18/02/2020

Birds of Prey (e a Fantabulástica Emancipação De Uma Harley Quinn) (Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn - 2020)

Irra, não arranjavam um título mais comprido?! Acho que é relativamente seguro dizer que um dos elementos que mais se destacou em “Esquadrão Suicida” foi Harley Quinn, logo ter o seu próprio filme não é assim muito de estranhar. Mas, pelo vistos, não está sozinha, e forma o seu próprio grupo.
Harley separou-se do Joker e com isso desapareceu a sua proteção no mundo do crime, o que fez com que se torna-se alvo de um dos maiores criminosos de Gotham: Roman Sionis.
Os últimos filmes da DC têm sido alvo de críticas positivas, e eu tenho gostado deles, mas desta vez isso não é bem assim. Aqui, as críticas têm sido positivas, só o que para mim a coisa não correu assim muito bem. A começar pelo irritantemente comprido título, que não faz sentido de todo. Porque 80% do filme basicamente só seguimos Harley Quinn, sendo que os outros elementos apenas aparecem aqui e ali, e só formam o grupo, em si, na parte final do filme. Depois, temos toda a estrutura do filme muito esquizofrénica e barulhenta. É verdade que pode ter sido uma escolha para personificar o que se passa dentro da cabeça da protagonista mas o resultado final não correu da melhor maneira. Por fim, a classificação etária. Desculpem, mas não era necessário ser para maiores de 16. Isso é algo que se o filme não merecer não vale a pena ir por aí. “Joker” e “Logan” fizeram isso valer, mas aqui, com algumas pequenas alterações, podiamos ter um filme que chegava a muito mais gente.
Por outro lado, há muitas coisas positivas. As cenas de ação estão impecáveis, com as cenas corpo-a-corpo a conseguirem transmitir uma boa sensação, dentro das melhores deste género. Principalmente a cena passada na prisão com Harley. E agora podemos passar ao elenco, com Margot Robbie a voltar a fazer uma grande interpretação como a protagonista. Continua aqui a minha grande apreciação por Ewan McGregor, o vilão - só é pena o final que ele teve. Por outro lado, os outros “Birds”, Mary Elizabeth Winstead, Jurnee Smollett-Bell, Ella Jay Basco e Rosie Perez tiveram pouco tempo para se destacar, embora tenham criado um bom impacto. Queria ter visto mais de Winstead.
“Birds of Prey (e a Fantabulástica Emancipação De Uma Harley Quinn)” não passa do razoável, mas tem bons elementos que chegue para termos uma grande sequela.

15/02/2020

Sonic - O Filme (2020)

          O caminho que “Sonic” teve que fazer até chegar às salas de cinema foi longo e duro. O primeiro trailer foi “universalmente” odiado pelo horrível design da personagem protagonista. Com isso, a Paramount viu-se “obrigada” a alterar esse pequeno detalhe, provavelmente obrigando a equipa de efeitos visuais a trabalhar a todo o gás e adiar a estreia do filme. 
          A vida do jovem xerife Tom Wachowski é virada do avesso, quando se depara com pequeno, azul e super-rápido ouriço. 
          Vamos ser honestos. Sonic podia ser exatamente igual como os jogos, que se o filme em si não for bom, não adianta nada. E nós sabemos como tem sido o registo em termos de adaptação de videojogos. Mas, felizmente “Sonic” conseguiu ser uma agradável surpresa. 
          Não que seja um filme brilhante, mas é divertido, tem uma história boa que chegue e tem boas interpretações. James Marsden faz um trabalho como o companheiro do ouriço azul, e Jim Carrey é tudo aquilo que os trailers nos mostram: Carrey no seu modo mais Carrey de ultimamente (quase que parece saído da “Máscara”). Se isso vai funcionar para quem vê, vai depender. Eu achei hilariante! Mas é Ben Schwartz que dá a voz ao protagonista. Sonic é adorável e tem algumas saídas muito divertidas. E o tempo gasto a fazer a remodelação da personagem não foi tempo perdido, pois está muito bem apresentada e a ligação com o mundo real está muito bem feita.
          Temos algumas referências aos jogos, mas nada de muito excessivo. Em termos de argumento, não estamos perante nada de revolucionário, mas sim algo bom o suficiente para levar a ação de um ponto para o outro. 
          “Sonic” é um bom filme para levar toda a família e espero que tenha um bom desempenho nas bilheteiras, pois temos uma cena pós-créditos que nos deixa ansiosos por uma sequela. 

11/02/2020

Frozen II - O Reino do Gelo (2019)

“Frozen” foi uma das animações mais recentes da Disney a ter o mesmo impacto que os seus clássicos. Ainda há crianças a se mascarar de Elsa e Anna, e ainda é possível ouvir “Let It Go” no rádio. Por isso, não é de admirar que houvesse uma sequela, o que pode ser de admirar é que tenha demorado tanto tempo a chegar -  já sabemos que fazer animação é um trabalho muito moroso.
Elsa, Anna, Olaf, Kristoff e Sven têm de partir de Arendelle e partir para uma floresta encantada, para descobrirem a origem dos poderes de Elsa e salvar o seu reino.
Digo já que gostei bastante do filme. Pode não ter uma música com tanto impacto de “Let It Go” mas, no geral, as outras músicas são um pouco melhores. “Into the Unknown” tenta ser uma substituição, mas não é boa que chegue para isso. Há outras que estão muito engraçadas, desde a nova de Olaf, até uma que é um tributo a videoclips de boybands. 
De novo, a relação entre as duas irmãs é aprofundada e desenvolvida, deixando para segundo plano o cliché do romance entre Anna e Kristoff, e é nesta estrutura que o filme tem um dos seus pontos fortes. Olaf tem direito a melhores momentos do que no filme anterior, embora em algumas situações, quando começa a se tornar irritante, a cena rapidamente muda de foco. 
A história é interessante, desde a floresta mágica e os seus habitantes, até ao modo como é explorada a origem dos poderes de Elsa. E embora o filme anterior tenha subvertido alguns dos clichés habituais do género, aqui isso não acontece tanto, mas sim uma continuação do que já nos foi apresentado. Só que agora temos uma temática evoluiu um pouco, para um tema um pouco mais “sombrio”, sem nunca deixar de ser apropriado para os mais pequenos (afinal estamos a falar da Disney).
E tudo isto está com uma qualidade técnica incrível. Uma coisa que sempre me fascina é o modo como está cada vez melhor a representação da água. Só que não é só isso, as florestas e ambientes têm cada vez um aspeto mais fotorealista. As personagens é que, assim de repente, não parecem ter recebido nenhum upgrade.
“Frozen II - O Reino do Gelo” é uma merecida sequela ao antecessor e não lhe fica nada atrás.

08/02/2020

Parasitas (Gisaengchung - 2019)

“Parasitas” está a ganhar prémios a torto e a direito pelo mundo fora. Desde os Globos de Ouro aos BAFTA, e com 6 nomeações para os Óscares da academia, estamos perante o provável vencedor da categoria de melhor filme estrangeiro e um sério candidato ao de melhor filme. Mas será que o último filme de Bong Joon Ho merece toda esta atenção?
    Com toda a família desempregada, Ki-woo consegue um emprego como tutor numa família rica. A partir daí, vai conseguir com que todos os elementos da sua família se infiltrem na casa e que se misturem com os atuais moradores.
Sinceramente, não estava à espera de gostar tanto do filme como gostei. Tal como outros filmes deste realizador, as diferenças sociais são os temas principais. E, assim como nos outros filmes, na maior parte do tempo, nada é feito da forma mais discreta do mundo. Porém, desta vez, há ocasiões em que isso é feito de modo muito mais subtil. Por exemplo, numa cena em que chove muito, os ricos não sofrem consequência nenhuma, enquanto que os mais pobres tinham as casas alagadas e quase se afogam para salvar o pouco que têm.
E, se pensamos que sabemos tudo o que vai acontecer desde o início, a meio temos uma volta de 180º, que muda totalmente o tom daquilo que estamos a ver, mostrando, de novo, o tema principal: sobrevivência. Aqueles que não tem todos os privilégios fazem de tudo para sobreviver e arquitetar os mais elaborados planos para conseguir subir na sociedade e do dinheiro. 
    As personagens são interessantes e estão bem desenvolvidas, principalmente Kang-ho Song, e vamos tendo várias dicas sobre aquilo que vai fazer no final. E é no final que está aquilo que menos gosto: gostei da pequena surpresa que surge, mas não aquilo que mostra logo depois (é difícil tentar explicar sem entrar em spoilers).
Mesmo com isso, “Parasitas” é um filme intenso, perspicaz e que, sem dúvida, deve ser visto.

03/02/2020

Jojo Rabbit (2020)

         
          O ponto de partida para “Jojo Rabbit” deve ter sido, no minimo, desafiante. Afinal, estamos a falar de um filme sobre um rapaz alemão de 10 anos, que tem Hitler como amigo imaginário. Mas o realizador Taika Waititi já nos provou surpreender com outras entregas. Juntamente com todas as nomeações que o filme já teve, parece que estamos perante mais um grande filme. 
           Facilmente podíamos estar perante o típico drama passado durante a Segunda Guerra Mundial. Com Waitit,i como realizador, isso felizmente não acontece. Se um momento dramático perdura durante muito tempo, rapidamente roda logo para comédia, que tem uns momentos para brilhar, para logo depois passar para drama de novo. Estas transições não são feitas de qualquer maneira, super encaixadas nos momentos necessários. 
           Se havia uma coisa que estivesse à espera era uma presença mais forte do Hitler imaginário (interpretado pelo próprio Waititi). Não que seja uma presença insignificante, mas não é tão presente como esperava. Serve para representar o fanatismo que é incutido às crianças e vai mudando a sua postura à medida que o pequeno Jojo também vai tendo cada vez mais dúvidas sobre aquilo em que acreditar.
           Roman Griffin Davis, que interpreta o pequeno nazi, faz uma interpretação muito boa, dando corpo a alguém que acredita no nazismo com todo o seu coração, incluíndo todas as absurdidades que lhe são ensinadas sobre os judeus. Tudo muda após conhecer a judia que a sua mãe escondeu em casa, que o faz questionar sobre o mundo onde vive e quem ele é. Todas essas características  foram impecavelmente transmitidas, muito pela química que tem com Thomasin McKenzie, que tem de estar sempre escondida, sem saber se vai viver até ao fim do dia. 
            Mas não é só este trio que tem protagonismo. Scarlett Johansson - que, inclusive, está nomeada para o Óscar de melhor atriz secundária - também tem alguns bons momentos emotivos, onde tenta mostrar ao filho que a vida deve ser vivida com amor e não com ódio. Sam Rockwell, Stephen Merchant e Rebel Wilson também fazem uma boa aparição, acrescentando comédia ao filme.
“Jojo Rabbit” deve ser visto como uma paródia deste tempo, e de como o ódio é ensinado aos mais novos, e não como algo que veio como eles. Um filme que deve ser visto e mostrado aos outros, que consegue aliviar um pouco do peso que os filmes que retratam esta época costumam trazer. 

01/02/2020

1917 (2020)

Tudo em “1917” parecia interessante. Foi realizado pelo grande realizador Sam Mendes, os trailers são cativantes, já ganhou vários prémios, está nomeado para 10 Óscares e tem como plano de fundo a Primeira Guerra Mundial, um cenário que não é muito habitual ver. Por isso, as expectativas estavam todas em alta.
    Abril de 1917. Dois soldados têm uma nova missão: entregar uma mensagem de modo a impedir 1600 homens caiam numa armadilha e morram.
    E não podia ter sido uma experiência cinematográfica mais recompensadora! Em termos técnicos, o filme está simplesmente incrível. O modo como conseguiram criar a ilusão que toda a ação é feita num take está muito bem conseguida. Tal serve para nos mostrar, mais uma vez, o génio do cinematógrafo Roger Deakins, por ter conseguido criar essas cenas, com uns cortes muito precisos e inteligentes. E o mais impressionante é pelo filme, praticamente, nunca parar; rola sempre num ritmo frenético, que nos transmite a urgência da missão, com apenas algumas pausas, para dar alguma humanidade e personalidade aos protagonistas.  
    Há algumas críticas negativas em relação à história, porém também esta não precisa ser mais elaborada do que é. É uma missão de ir do ponto A ao ponto B e aquilo que é interessante é a jornada que as personagens fazem durante esse trajeto. E nem é só isso pois existe uma vertente pessoal, no salvamento do irmão e tudo o que isso carrega. Tudo isso transmitido por dois atores, Dean-Charles Chapman e George MacKay, que ainda não são muito conhecidos, mas que fazem um grande desempenho. Pelo caminho, vamos ter direito a aparições de umas caras familiares, em pequenos papéis, como Mark Strong e Benedict Cumberbatch.
    É bem possível que “1917” ganhe o grande prémio na noite dos Óscares e, possivelmente, Sam Mendes também vai para casa com uma estatueta. Isto sem deixar de lado a impressionante cinematografia e edição. 

28/01/2020

Le Mans '66: O Duelo (Ford v Ferrari - 2019)

James Mangold já era um realizador a ter um conta mas, depois do que fez em “Logan”, chegou a um nível completamente diferente, onde qualquer projeto em que o realizador esteja envolvido entra logo para a lista de prioridades. Por isso, não é de admirar que o seu novo projeto esteja na corrida dos Óscares, com 4 nomeações, incluindo para melhor filme.
Aqui seguimos a disputa entre a Ford e a Ferrari, pelo título de vencedor nas 24 Horas de Le Mans no ano de 1966, através dos olhos do designer Carroll Shelby e do condutor Ken Miles, que tentam de tudo para conseguir ganhar a corrida.
Uma das melhores coisas foi ver Christian Bale. O ator até tem feito grandes interpretações nos seus últimos filmes, mas aqui foi um dos papéis que mais gostei. Interpreta um piloto, com um temperamento algo difícil, mas que se consegue fazer valer na pista, e ao mesmo tempo ser um grande mecânico. E, para mim, é um tipo de interpretação que facilmente podia estar entre as nomeadas para o Óscar. Matt Damon também faz um grande papel, de alguém que tem que jogar entre as políticas que a Ford lhe tenta impingir e aquilo que ele sabe que pode fazer para trazer a vitória para a equipa.
À semelhança de “Rush - Duelo de Rivais”, quando as corridas começam em “Le Mans 66”, somos imediatamente transportados para a pista. Este é um dos feitos do realizador, ter-nos conseguido levar para o meio da ação, desde os barulhos dos carros até a incrível sensação de velocidade que eles transmitem.
Não estou a antever que seja uma noite muito produtiva em termos de prémios para o filme, onde talvez tenha mais hipóteses nas categorias de som. Mas, mesmo assim, é capaz de ser o filme mais divertido e entusiasmante entre os nomeados para melhor filme.

16/01/2020

Dois Papas (The Two Popes - 2019)

“Dois Papas” pareceu-me um filme a ver logo a partir do trailer, com um tema interessante a ser representado por dois pesos-pesados da representação, Anthony Hopkins e Jonathan Pryce, a serem liderados pelo realizador Fernando Meirelles.
Por detrás das paredes do Vaticano, o papa Bento XVI e o futuro papa Francisco discutem os assuntos mais controversos da Igreja Católica e tentam chegar a um termo em comum. 
Há uma coisa que é preciso ter em muita atenção ao ver este filme. Isto não é um documentário, é um filme, por isso não significa que tudo aquilo que é dito entre os dois protagonistas tenha sido, de facto, dito pelas pessoas reais. Com este pré-aviso, as discussões a que temos direito estão muito interessantes, e temos acesso aos dois pontos de vista, claro que favorecendo a versão mais liberal (não fosse essa com que estamos a lidar agora na realidade). Uma coisa que não estava à espera foi a viagem pelo passado de Jorge Bergoglio, as decisões e atitudes que teve durante a ditadura militar na Argentina e como isso o moldou.
Ver Anthony Hopkins e Jonathan Pryce num clima de “ataque, contra-ataque” foi super interessante, em que fomos brindados com um espetáculo de interpretações e os dois merecem estar nomeados para esta época de prémios. Com um destaque para Pryce, que consegue passar tanto de um tom jovial, como ficar em lágrimas de um momento para o outro. Também dar um destaque a Juan Minujín, que faz um grande trabalho, como o jovem Jorge Bergoglio.
“Dois Papas” é uma grande adição ao catálogo da Netflix; se têm algum interesse, não devem perder.

08/01/2020

6 Underground (2019)

Agora até Michael Bay está na Netflix a fazer aquilo que sabe fazer melhor: explodir coisas, mostrar mulheres com pouca roupa e fazer publicidade a uma resma de produtos. Mas será que teremos “O Rochedo” Michael Bay, ou o último “Transformers” Michael Bay?
Aqui seguimos um esquadrão de seis agentes, que fingiram a sua morte, para se desligarem do seu passado e assim terem a liberdade de eliminar pessoas e assim mudar o futuro. 
Para o melhor e para o pior, estamos perante o filme mais Michael Bay que Michael Bay já fez. Tudo aquilo que disse, no início, que podíamos encontrar, encontramos em dose máxima!. Nunca nos foi atirado à cara tão descaradamente todas as marcas que estiveram envolvidas no filme. E isso não é o pior! Esse destaque vai para a incrível edição de tudo o que se está a passar, são só cortes atrás de cortes e chega uma altura em que não se entende nada o que está a acontecer.
Aquilo que se consegue salvar é Ryan Reynolds. O ator tem um grande carisma e consegue levar o filme às costas. Mas, mesmo ele, em muitas situações, é levado a um ponto que chega a tornar-se irritante. E nenhum dos outros elementos chega a ter o destaque e desenvolvimento necessários para se tornarem interessantes. 
“6 Underground” salva-se por uma ou outra cena de ação melhores conseguidas e por Ryan Reynolds porque, de resto, numa altura em que o serviço está a melhorar, este não é o melhor exemplo. 

05/01/2020

O Irlandês (The Irishman - 2019)

          Netflix tem ganho cada vez mais força no departamento de filme originais, mas até agora faltava aquele grande nome, com um grande projeto, para trazer alguma “credibilidade” a todo o serviço. “Roma” o ano passado foi um bom início para isso mas agora é preciso continuar. E para isso temos Martin Scorsese a realizar o trio de Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci para fazer isso acontecer.
Aqui temos Frank Sheeran a contar-nos a sua história, desde que entrou no mundo do crime como um assassino.
Gosto muito de Scorsese e dos seus filmes, mas este para mim foi um grande não. Antes de mais são três horas e meia de filme, que são incrivelmente excessivas. É que não tenho nada contra a duração em si, só que tem de ser bem aproveitada, o que aqui não é o caso. Há várias seções que podiam ter sido encurtadas e dessa forma o ritmo do filme teria sido muito favorecido.
Outra coisa foi o CGI para transformar o trio de protagonistas nas suas versões mais novas. E nesse departamento acho que o filme foi bem-sucedido, pelo menos durante a maior parte do tempo, e com o passar do tempo esta tecnologia só vai melhorar. Só que agora apareceu um problema novo. É verdade que De Niro não parece ter quase 80 anos, só que ele se mexe como alguém com quase 80 anos. E, numa cena ou outra que envolve mais movimento, isso nota-se bem.
Mas uma coisa que “O Irlandês” prova é que todos os atores ainda estão em boa forma e conseguem entregar grandes interpretações. Principalmente Joe Pesci, que já praticamente não vemos em nenhum projeto, o que é uma grande pena. O encontro entre todos os titãs do cinema foi tudo aquilo que podíamos esperar, nenhum deles rouba o destaque ao outro e todos têm bons momentos para se destacar. A única crítica é que já os vimos em filmes semelhantes, não são papéis novos que envolvam uma grande transformação por parte dos atores. O bem que pode ser essa a justificação de ninguém estar a prestar muita atenção a De Niro nesta altura de nomeações para prémios.
Estamos habituados a ver filmes longos por parte de Scorsese, só que isso nunca comprometeu o seu ritmo e toda a ação nos deixa presos aos acontecimentos e sempre com vontade de ver o que vem a seguir. Só que aqui parece que ninguém lhe meteu um travão e assim pode fazer o seu épico de gangsters que sempre quis, só que infelizmente isso comprometeu o filme em geral. 
“O Irlandês” não é um mau filme, tem grandes interpretações e grandes inovações tecnológicas, só que é prejudicado pela sua excessiva duração.

30/12/2019

Jexi (2019)

    Os trailers de “Jexi” faziam logo parecer que estávamos perante uma comédia que, não sendo propriamente brilhante, ia servir para passar um bom tempo. E foi exatamente isso que aconteceu.
  Phil passa a vida a usar o telemóvel, sem ligar ao mundo que está à sua volta, sempre sozinho e sem fazer amizades. Mas, quando a nova inteligência artificial do telemóvel toma conta da sua vida, tudo muda.
É verdade que o filme retrata a realidade cada vez mais frequentemente nos dias de hoje, onde estamos cada vez mais agarrados à tecnologia e redes sociais, onde importa mais parecer do que ser, e nos afastamos daquilo que nos está mais próximo. E é basicamente essa a mensagem do filme - não que seja uma mensagem subtil, isso é algo que dá logo para ver pelo trailer. 
Adam Devine não é propriamente um dos meus atores favoritos, mas não é por causa dele que o filme fica mal. O melhor são as curtas alturas em que aparece Michael Peña, que consegue trazer alguns dos momentos mais cómicos do filme. Rose Byrne como a voz de Jexi também não desilude e tem boas interações com Devine.
“Jexi” não é uma das grande comédias do ano mas serve para passar um bom bocado nesta altura natalícia.

26/12/2019

Star Wars: Episódio IX - A Ascensão de Skywalker (Star Wars: Episode IX - The Rise of Skywalker - 2019)

Depois de “Os Últimos Jedi”, os fãs ficaram divididos em relação a Star Wars. Uns adoraram o estilo que o realizador Rian Johnson, enquanto outros acharam que estavam perante a pior coisa que podia ter acontecido à saga. Se procurarem essa entrada do blog, podem verificar que, embora diferente do habitual na saga, foi algo que gostei. Mas, devido a este clima, chamaram de novo J.J. Abrams, para ver se conseguem levar a bom porto a conclusão desta trilogia.
    O aparecimento de uma mensagem trouxe com ela a informação que Palpatine está vivo, que deseja mais uma vez conquistar a galáxia utilizado a Primeira Ordem.
    O trabalho que necessário para concluir este filme é enorme. Tenta concluir todos os filmes que tem para trás e arranjar maneira de agradar a todos. Tiveram logo dificuldades com o falecimento de Carrie Fisher, que leva a um dos pontos negativos do filme. Em vez de utilizarem outra atriz para o papel de Leia, ou fazer com que personagem saísse de maneira elegante, decidiram utilizar cenas não usadas de “O Despertar da Força”. Assim, dessa maneira, tiveram de arranjar cenas que encaixassem o que por último se revelou algo muito ingrato. 
    E o problema de o tão publicitado regresso de Palpatine? Apenas serviu para revelar que nunca houve um plano da história para esta nova trilogia, e que apenas trouxeram esta personagem para apelar à nostalgia, pois nem sequer conseguem explicar a razão de ele ter aparecido. Ele tem uma cena ou outra interessante mas sem nunca justificar a sua existência.
    Finalmente Finn teve mais destaque, já que no filme anterior foi relegado para um papel secundário, aqui está no centro da ação, ao lado de Poe e Rey. Também foi-nos apresentado um pouco do passado de Poe e houve um desenvolvimento das personagens. Mas o grande destaque vai, como seria de esperar, para Rey e Kylo Ren e para a sua relação, que sofreu uma grande alteração. E, com isso, alterar muito daquilo que foi revelado no filme anterior. 
    Este é provavelmente um dos episódios com mais batalhas de sabres de luz, algo que é sempre algo muito bem-vindo, ao mesmo tempo que nos é revelado mais sobre a história dos Jedi e Sith. 
    “A Ascensão de Skywalker “ tem grandes personagens e cenas de ação, só que sofreu com o não planeamento desta saga, que levou a uma história meio pensada em cima do joelho e sem grande nexo.

18/12/2019

Jumanji - O Nível Seguinte (Jumanji: The Next Level - 2019)

Ninguém estava à espera do incrível sucesso que “Jumanji - Bem-Vindos à Selva” teve. Tanto nas bilheteiras como na crítica o filme foi bem recebido, por isso é natural que uma sequela viesse a caminho e, tal como no filme anterior, também é lançado na mesma altura que um filme Star Wars.
    O gang está de volta e voltam a entrar em Jumanji, só que as coisas não estão como eles se lembram e entram mais personagens do que eles estavam à espera.
    Logo após ver os trailers surgiu-me uma dúvida, se Dwayne Johnson e Kevin Hart iriam conseguir ser consistentes com os tons de voz, de Danny DeVito e Danny Glover, durante todo o filme e se se ia tornar algo irritante. Mas, felizmente, isso não acontece. Eles conseguem sempre manter as personagens e são extremamente hilariantes e, quando isto começou a perder a sua força, a história dá uma volta, servindo para manter as coisas frescas. Jack Black e Karen Gillan voltam a fazer um grande papel e continuam a fazer muito pelo filme. 
    Em relação a esta sequela, achei-a mais divertida que o anterior mas perdeu-se um pouco no “desenvolvimento” das personagens. Porque, tirando um deles, estas são basicamente as mesmas personagens que tivemos no filme anterior. Tirando os novos elementos, não houve  grande progressão.  
    A ação é “ridícula” mas estamos a falar de um mundo num videojogo, logo as regras não são propriamente as mesmas. O que me fez mais confusão são os efeitos dos animais, é verdade que não estão no mundo real, mas parecem demasiado “falsos” para o meu gosto.
    “Jumanji - O Nível Seguinte” não consegue superar o equilíbrio entre comédia e emoção do filme anterior mas é extremamente divertido, com garantia de um tempo bem passado no cinema.

08/12/2019

Os Aeronautas (The Aeronauts - 2019)

Este foi um filme que basicamente apareceu do nada. A única coisa que tinha visto sobre ele foi um trailer, uma semana antes da estreia, e desde aí não vi praticamente mais nada sobre ele. É algo estranho, tendo em conta que a dupla protagonista é a mesma que nos trouxe “A Teoria de Tudo”.
    A piloto Amelia Rennes e o cientista James Glaisher partem numa expedição numa balão a gás, de forma a quebrar o último recorde de altitude e descobrirem os primeiros conceitos acerca de meteorologia. 
    Não estamos perante nenhuma obra-prima, nem um dos melhores deste ano, mas posso dizer que é um filme que se vê bastante bem. A maior parte da ação passa-se dentro do balão a gás: consegue-se criar uma boa sensação de claustrofobia e isolamento, intercalado com cenas de flashback de como os protagonistas chegaram àquela situação.
    O desenvolvimento das personagens acho que é bastante previsível, em que um cientista que apenas está interessado nos seus instrumentos e medições, com pouca credibilidade do público, e uma piloto que está a tentar superar a morte do seu marido. Mas os atores fazem um bom trabalho com aquilo que têm.
    Aquilo que vão descobrindo ao longo da viagem e o modo como têm como sobreviver está bastante interessante. Tanto a fotografia como o som conseguem ser imersivos, principalmente numa sala IMAX. 
    “Os Aeronautas” é um bom filme mas não se destaca em nenhuma vertente.

03/12/2019

Knives Out – Todos são Suspeitos (Knives Out - 2019)


                Depois da experiência com “Star Wars – Os Últimos Jedi”, Rian Johnson decidiu mudar completamente o estilo. Passou de um grande espetáculo no espaço para um crime muito ao estilo de Agatha Christie. E, sem dúvida, foi uma passagem muito bem conseguida.
                Quando um conhecido romancista é encontrado morto depois da sua festa de 85 anos, o conhecido detetive Benoit Blanc tem a missão de descobrir qual foi o membro da família que esteve por detrás do que se passou.
                Uma das coisas mais desconcertantes é ver Daniel Craig a falar com sotaque do sul norte-americano. Porém , a personagem insere-se muito bem dentro de todo este mundo. Temos um elenco cheio de gente conhecida e talentosa, como Chris Evans, Jamie Lee Curtis, Michael Shannon e Toni Collette - só para dizer alguns. E todos eles fazem um bom trabalho a criar todo o ambiente de mistério e todos nos dão motivos para suspeitarmos que foram os assassinos. Mas, em termos de interpretações, quem tem o destaque é Ana de Armas, que é quem seguimos durante a maior parte do tempo, e que era a enfermeira do falecido.
                O grande feito do realizador foi conseguir deixar-nos sempre na dúvida. Com cada nova informação temos um novo suspeito, que é desmentida após uma nova revelação. E é esta constante reviravolta que nos deixa presos à história e que nos faz criar as nossas próprias teorias. Posso dizer que a minha aposta saiu completamente furada, mas gostei do final que tivemos.
                Eu estava com algum receio que um filme deste género fosse mais parecido a uma série de TV do que propriamente um filme, mas felizmente isso não acontece. Toda a produção tem uma grande qualidade cinematográfica, desde a fotografia ao som.
                Quem tem saudades de ver um bom mistério ao estilo de “Clue”, “Knives Out – Todos são Suspeitos” é um filme a não perder, com grandes prestações e uma historia cativante.



14/11/2019

Exterminador Implacável - Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate - 2019)

Aqui estamos nós, mais uma vez a tentar dar vida a “Exterminador Implacável”. Desta vez, tirou uma página de “Halloween” do ano passado, onde ignora grande parte das sequelas, e só se foca em certos filmes, neste caso o primeiro e segundo. James Cameron voltou como produtor e Tim Miller (“Deadpool”) como realizador, e podemos contar com o regresso de Linda Hamilton e Arnold Schwarzenegger.
    Vou ser sincero, até agora não tenho desgostado de todo dos filmes desta saga. Não chegam aos calcanhares dos clássicos que são os dois primeiros mas, mesmo assim, nunca senti que foi “tempo perdido” e que eram filmes terríveis. Tendo isso em conta, posso dizer que esta é a melhor entrega desde o segundo filme (o que, para muitos, pode não dizer muito).
    O enredo segue as mesmas linhas do último filme de James Cameron (e de quase os outros filmes todos, verdade seja dita), onde temos dois elementos que vêm do futuro: um para proteger e outro para exterminar um “escolhido” de grande importância. Sendo que, desta vez, temos Mackenzie Davis a proteger Natalia Reyes de Gabriel Luna. E depois, lá pelo meio, juntam-se Linda Hamilton e Arnold Schwarzenegger. E posso dizer que até gostei do novo elenco, Davis tem energia e é convincente nas cenas de ação e Luna consegue criar a intensidade de um predador atrás da sua presa. Os dois veteranos é que já não são tão cativantes como antes.
    As cenas de ação estão muito bem conseguidas, principalmente na primeira parte do filme, com situações mais contidas e onde a ação está mais próxima e pessoal. Só para a parte final, quando tudo se começa a passar num avião, que as coisas começam a escalar (e não da melhor maneira). O enredo é que podia ter mais algumas inovações. Parece que já vimos esta história uma data de vezes, e a pequena alteração que fizerem não compensa toda a situação.
    “Exterminador Implacável - Destino Sombrio” é das melhores entregas do franchise, mas mesmo assim, tendo em conta o dinheiro que fez até agora nas bilheteiras, não vamos ver uma continuação. Se calhar é melhor deixar esperar uns anos e depois fazer um reboot completo à saga.

10/11/2019

Midway (2019)

Roland Emmerich está de volta ao grande ecrã para explodir com tudo, depois da desgraça que foi a sequela de “O Dia da Independência”. Desta vez, partimos para a Segunda Guerra Mundial e, embora as esperanças não fossem muitas, os trailers fizeram um bom trabalho e conseguiram ser interessantes quanto basta.
    A ação passa-se no Oceano Pacífico, com o ataque a Pearl Harbor, as suas consequências e batalhas que se travaram a seguir. Com principal destaque para a proteção de Midway.
    Depois de ver o filme só fico com pena de uma coisa: de não ver Ed Skrein num filme de jeito como protagonista, pois acho que ele ainda pode dar uma grande interpretação. De resto, “Midway” parece um filme do fim dos anos 90 - mas não em termos de efeitos, que esses até que não estão maus-; toda a sua estrutura é semelhante em quase todos os filmes do género. É verdade que, no início, parece que vamos poder ver os dois lados do conflito, mas isso depressa passa para segundo plano. 
    Porém, o grande destaque do filme são as suas batalhas aéreas e nesse departamento não tenho nada contra. São dinâmicas, intensas e deixa-nos empolgados para saber o que vai acontecer (embora no fundo já o saibamos). Ver os confrontos entre aviões e porta-aviões são uma boa “novidade”, para diversificar dos outros filmes do género e, verdade seja dita, este filmes já não tem o destaque que tinham antigamente.
    Em termos de interpretações, temos um elenco com nomes como Patrick Wilson, Woody Harrelson, Luke Evans ou Mandy Moore. Fazem o papel que têm a fazer, sem haver um grande destaque, nem sem se conseguirem sobressair.
    “Midway” parece um filme deslocado do tempo, que segue uma estrutura conhecida, com prestações competentes, grandes cenas de ação e muita adrenalina.